CLIENTE
INTERNO - A DIFERENÇA FUNDAMENTAL
Autoria de Fábio L. Violin
Muitas vezes nos preocupamos em ganhar o mundo e
perdemos a batalha dentro de casa.
Fábio L. Violin
Existem profissionais simplesmente histéricos
na busca de novos clientes, na busca do encantamento dos clientes atuais.
Desesperados com a busca de mais e mais novos clientes. Que precisam pensar
na próxima ação bombástica para reaver os
clientes perdidos para a concorrência, que se preocupam com a nova
campanha de Marketing, que querem atingir maiores patamares de venda e
lucratividade.
Existem aqueles profissionais que se dedicam a desvendar
os meandros da alma do cliente, no intuito de lhe servir e obviamente
ganhar com isto.
Porém, poucos profissionais se dedicam efetivamente
a cuidar do “sangue e dos músculos” da empresa. Estou
me referindo aos colaboradores ou clientes internos.
Por muitos anos o olhar de profissionais e dirigentes
recaiu sobre as ações que deveriam ser realizadas no chão
de fábrica, o mercado mudou e obviamente a lógica do jogo
mudou, neste novo cenário muitas empresas descobriram que precisariam
ter os dois olhos no mercado.
Mas infelizmente ou felizmente o mercado mudou novamente
e hoje em casa de ferreiro o espeto tem que ser de ferro e não
mais de pau.
Tão importante quanto o cliente externo (aquele
que vem comprar conosco) é o cliente interno (aquele o qual temos
que “vender” idéias).
O mais interessante é que é muito fácil
cobrar, reclamar, repreender, mas parece tão distante e difícil
ver ações efetivas de empresas que apóiamentivam
e auxiliam o crescimento pessoal daqueles que dedicam grande parte de
suas vidas a empresa.Em última instância os dirigentes e
empresários são responsáveis diretos pela qualidade
do trabalho de seus colaboradores, portanto a falha de um colaborador
evidencia a falha dos responsáveis pela empresa.
Se quem estiver dentro da empresa não comprar
a “idéia” não serão os de fora que o
farão.
Uma pesquisa que realizei com 238 colaboradores de 63
empresas evidenciou alguns dados interessantes:
- 73% sentem falta de um canal efetivo de comunicação,
ou seja, em muitas situações não sabem para onde
a empresa quer ir, desconhecem suas políticas de premiação
e crescimento, não fazem idéia do que realmente a empresa
prioriza ou valoriza e o mais preocupante nem mesmo sabem o que a
empresa espera deles.
- 92% confessaram já terem ficado constrangidos perante um
cliente em razão de não estarem sabendo das condições
de uma promoção que a empresa estava realizando e uma
boa parcela (14%) passou pela situação de descobrir
por terceiros (vizinhos; amigos; familiares ou mesmo clientes).
- 87% sentem falta de alguém que lhes procure para saber sua
opinião sobre a inclusão ou exclusão de algum
novo produto, ou se teriam dúvidas a respeito de algum processo
ou procedimento na empresa.
- 97% disseram que teriam vontade de colaborar com opiniões
a respeito das estratégias da empresa, mas que nunca tiveram
a oportunidade formal ou informal de ajudar.
Tem uma frase muito interessante que diz que “ninguém
é tão grande que não possa aprender, nem tão
pequeno que não possa ensinar”. Excluir os colaboradores
das decisões da empresa e depois lhe pedir que se empenhem em vender
algo em que não acreditam ou que não foram convencidos é
no mínimo um paradoxo.
Muitas empresas cometem a barbaridade de tratar seus
colaboradores (neste caso empregado) como extensões de máquina,
como males necessários ou como pessoas que não tem capacidade
de contribuir com idéias e sugestões.
Não há como pedir que a equipe se empenhe
mais se eles próprios, muitas vezes, não concordam com a
forma (política de preços, promoções, assistência
técnica) como as coisas são feitas. A moça
da limpeza leva uma bronca por um banheiro sujo, mas ninguém foi
lá conversar com ela e lhe explicar a importância do seu
trabalho.
A balconista atende de cara amarrada e é despedida,
mas ninguém nunca foi lá dizer a ela que por melhor que
seja o produto, ele não vende por si só, que a atenção
ao cliente é tão importante quanto o produto ou serviço
que consumidor esta levando.
Ninguém foi conversar com o entregador e explicar
que se ele não cumprir os horários corretamente o cliente
pode não vir a fazer mais negócios com a empresa, por conseqüência
menos dinheiro entra, menos trabalho se tem, e por fim menos competitiva
se tornar a empresa e mais difícil é se manter no mercado.
Numa época em que a busca pela preferência
do cliente é disputada palmo a palmo, relegar o fator humano a
um segundo plano é loucura.
Cada vez mais se fala em valorizar o humano, porém
na prática ainda existem poucas ações e em sua maioria
isoladas. São comuns as demonstrações que a figura
do “empregado” ainda existe, por empregado entenda aquela
pessoa que é paga para trabalhar oito horas por dia, receber seu
salário no final do mês, que recebe ordens e não pode
opinar, que se tem dúvidas vai ficar com elas e principalmente,
que se errar vai levar uma bronca tremenda e ainda pior receber ameaça
de demissão.
Depois de todo este tratamento, os dirigentes e empresários
ainda se queixam por não saberem os motivos da falta de motivação
e empenho de seus “colaboradores”, não entendem os
motivos da falta de comprometimento.
É claro, que existem colaboradores que não
apresentam o menor interesse ou condições, mas isto não
é desculpa para não se fazer algo a respeito.
Ficam alguns conselhos de ordem prática para
aqueles que se interessam em alterar seu ambiente de trabalho e melhorar
o relacionamento entre as pessoas:
- Pessoas guardam sentimentos e ressentimentos. Não esquecem
tão facilmente aquela bronca, aquele desaforo ou injustiça
a que foram submetidos. Portanto, tenha cuidado ao repreender alguém
e principalmente cuide de seu tom de voz e com as palavras que profere;
- Pergunte, questione, peça sugestões. As pessoas quando
se sentem peças importantes de algo tendem a ajudar. E não
esqueça, esta ajuda vem de graça, a maioria quer apenas
se sentir parte da construção de algo.
- Cuidado com o excesso de “sinceridade”. Muitos têm
o chamado “pavio curto” e explodem com facilidade. Após
a raiva passar voltam a conversar com as pessoas atingidas como se
nada houvesse acontecido. Cuidado, as pessoas são diferentes
dos cães que após levarem um chute voltam a abanar o
rabo como se nada houvesse ocorrido.
- Tenha um meio organizado de comunicar tudo o que acontece na empresa.
Se você não tem tempo ou hábito, delegue a função
a outra pessoa que possa realizar, afinal todos os dias existem novidades
e seus colaboradores quanto mais informados melhor poderão
responder aos desafios do dia-a-dia.
Para finalizar, antes de cobrar algo verifique se realmente
as condições de desenvolvimento foram dadas. Cobrar é
fácil, auxiliar a crescer “são outros quinhentos”.
Professor Fábio L. Violin
Mestre em Estratégias e Organizações _ UFPR
Especialista em Planejamento e Gerenciamento Estratégico –
PUC-PR
Professor universitário, palestrante e consultor de empresas.
E:mail: flviolin@hotmail.com
ou flviolin@terra.com.br |