QUANTO
VALE (EM DINHEIRO) UM CLIENTE?
Autoria de Fábio L. Violin
Qual é o seu preço...
Quanto você vale em dinheiro...
Tenho feito estas perguntas em minhas palestras, a resposta
quase que invariavelmente é: não tem preço.
Pois, tem sim e em dinheiro.
Muitos gerentes, chefes, donos, proprietários,
responsáveis ou seja lá o nome que se dê a pessoa
responsável pela empresa ou um setor tem dificuldade de explicar
ou convencer seus colaboradores, associados, empregados ou pessoas que
lhe prestem contas da real importância dos seus clientes e o quanto
eles são preciosos para a organização.
Usam de mil artifícios e estratégias para
convencer a todos, no entanto, os resultados em geral são sofríveis.
As pessoas não conseguem entender (ou não fazem força
para tanto), não se importam ou pior, não conseguem perceber
como elas se ligam neste processo todo.
Os resultados em geral são desastrosos: mal atendimento,
baixa motivação, desleixo com o próprio trabalho
e com o trabalho de outros, falta de parceria e ajuda mútua entre
vários outros.
São ofertados cursos, artigos, apostilas, conversas
enfim, toda sorte de mecanismos para tentar incutir nas mentes das pessoas
que trabalham na empresa a real importância de um cliente.
Existe um método que pode ajudar aos responsáveis
pelos resultados da empresa chama-se cálculo do cliente perdido.
Imagine que você possua um supermercado e que
uma senhora de 30 anos esta brava por não encontrar sua lata de
tomates secos. Uma atendente não dá a devida atenção,
e a senhora sai insatisfeita da empresa, praguejando, irritada e indignada
jurando nunca mais pisar os pés ali.
Pois bem, nosso cálculo começa aqui: supondo
que ela consuma R$ 300,00 por mês. A princípio pode-se pensar
que a perda potencial da empresa é este valor, mas na realidade
a conta vai um pouco mais longe. Bom são R$300,00 por mês
multiplicado por 12 meses da um total de R$ 3,600,00 por ano.
Esta jovem senhora teria uma vida útil como consumidora
por aproximadamente 30 anos em supermercados (varia conforme o tipo de
bem e uma série de outros fatores). Pois bem, R$ 3,600,00 multiplicado
por 30 anos (vida útil de compras da senhora) o valor fica em R$
108,000,00. Já é um saldo razoavelmente grande.
Mas o cálculo não para por ai, existem
estudos que indicam que uma pessoa satisfeita tende a comentar com de
3 a 4 outras pessoas e que uma insatisfeita tende a comentar com entre
11 e 14 outras pessoas (amigos, família e até mesmo estranhos
entre outros). Continuando nossa conta supondo que a senhora comente com
cerca de 10 pessoas o descaso que sofreu e que estas se indignem e a empresa
os perca a soma salta para R$ 1,080,000,00.
Ou seja uma verdadeira fortuna por causa de uma latinha
de tomates secos, talvez a lata mais cara do mundo.
É claro que as condições do cálculo
variam, não são tão simples assim, porém já
é suficiente para começar a entender o quanto vale um cliente.
Os argumentos são os seguintes junto aos colaboradores:
se a perda de um único cliente causa este tremendo estrago, a empresa
tem menos dinheiro, com menos dinheiro os investimentos são menores
e cortes de custos são inevitáveis (entre eles o de pessoas,
mas vale ressaltar que as pessoas devem ser a última opção
de cortes em qualquer situação). Com menos investimentos
se tem menor visibilidade, menor verba para comunicação,
menor verba para investimentos nas pessoas e estoques assim por diante.
Ou seja, todos perdem quando a empresa perde, pois esta
senhora não vai deixar de consumir, ela vai migrar para outro supermercado
e ainda levar outras pessoas se possível.
A última parte do raciocínio da importância
de um cliente recai justamente sobre a consciência das pessoas e
como uma se liga com a outra em todo o processo.
Imagine um barco, esta embarcação começa
a fazer água na popa, você trabalha na proa. Quando se pensa
em um barco é fácil entender que se nada for feito o navio
vai acabar afundando. E que a responsabilidade é de todos.
Quando se trata de uma empresa, as pessoas têm
mais dificuldade de entender que aquela mocinha nova da seção
de presentes, com seu péssimo humor tratando mal os clientes vai
afetar você que é responsável pelo estoque, isto em
razão de que se todos na empresa forem excelentes no trato com
o cliente e apenas uma não for, a média não será
digamos 99% de satisfação, a média será zero.
Explico. Suponha que neste mercado trabalhem 100 pessoas,
se todas com excesão de uma estão trabalho a favor do cliente,
pode-se dizer que média de satisfação seria de 99%,
mas a realidade é que se apenas uma pessoa tiver a capacidade de
perder o cliente toda a empresa perdeu, assim, a média final é
zero, pois o cliente foi embora insatisfeito.
Ou seja, tudo é da conta de todos, afinal se
nada for feito vai entrar água demais no supermercado e ele acaba
naufragando.
Uma latinha de tomates não é só
uma latinha, é um desejo, um problema ou necessidade. O cliente
não compra a lata de tomates secos, compra um prato especial para
o dia dos pais, das mães, aniversário do marido da esposa
, dos filhos, uma data especial, a comemoração de algo ou
simplesmente a satisfação de um desejo. Portanto, pessoas
não compram produtos, compram sua utilidade, seu uso.
A partir daqui, o convencimento de seus colaboradores
fica por sua conta, no entanto, nunca esqueça: um cliente perdido
tem um valor muito alto para se brincar de ser profissional, e em geral,
os consumidores são pouco tolerantes a erros.
E por fim, trate sempre seus funcionários como
reais colaboradores, pois todos que direta ou indiretamente lidam com
clientes influenciam no resultado final da empresa.
Professor Fábio L. Violin
Mestre em Estratégias e Organizações _ UFPR
Especialista em Planejamento e Gerenciamento Estratégico –
PUC-PR
Professor universitário, palestrante e consultor de empresas.
E:mail: flviolin@hotmail.com
ou flviolin@terra.com.br |