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"Homenagem a Tiradentes"

TIRADENTES
21 de Abril


(Joaquim José da Silva Xavier)

Trabalho e pesquisa de: Carlos Leite Ribeiro

Conhecido pelo “Patriota Brasileiro”, nasceu em Minas Gerais em 1748. Era Alferes no Regimento de Dragões, e tinha um caracter ardente e patriota.

Entrou na Conjuração Mineira, e quando esta foi descoberta, fugiu para o Rio de Janeiro, onde foi preso e condenado à morte com outros conjurados. Aos outros, a pena foi comutada em degredo, enquanto o infeliz Tiradentes foi enforcado, em 21 de Abril de 1792, no meio de escandalosos festejos.

Orfão aos 11 anos, de inteligência aguda, foi educado pelo padrinho, que era cirurgião. Espírito curioso, inventivo e prático, arriscou-se em variadas empresas, em que não teve êxito. Indo para o Rio de Janeiro, exerceu as actividades de enfermeiro e de dentista, que lhe valeu a alcunha histórica como ficou conhecido: Tiradentes. Sempre que podia, aproveitava todas as ocasiões para pregar as suas ideias de liberdade, tanto no Rio de Janeiro e depois em Minas Gerais, onde chefiou os conjurados que lutavam por separar o Brasil de Portugal. Descoberta a conspiração, foi preso, assumindo toda a responsabilidade, sendo por isso executado.

O porquê da Conjuração (ou Inconfidência) Mineira?
As chamadas Minas Gerais surgem no final do século XVll, com as primeiras descobertas de jazidas pelos bandeirantes paulistas. Em pouco tempo, toda a região começa a atrair colonos portugueses que, com seus escravos africanos, começam a buscar lavras de ouro e diamantes. À medida que cresce a produção, aumenta a fiscalidade por parte da Coroa Portuguesa. Despontam conflitos pelo direito de exploração das minas, como a Guerra dos Emboadas, que se opõe mineradores paulistas e comerciantes portugueses e brasileiros, e a Revolta de Vila Rica (hoje Ouro Preto), em reacção à política fiscal de Portugal.

Em meados do século XVlll, a extracção de minérios está no auge da sua capacidade produtiva e a sociedade mineira vive o esplendor do barroco. Logo começa o declínio, provocado pelo esgotamento dos veios e pela pesada tributação. Em 1789, a capitania deve à Coroa Portuguesa, perto de 400 arrobas de ouro (06 toneladas), em quintos atrasados. Por esse excesso de impostos, começam os movimentos favoráveis à independência, como a Inconfidência Mineira, na qual se destaca a figura de Joaquim José da Silva Xavier.

Em 1789, o visconde de Barbacena, governador de Minas Gerais, anuncia a derrama fiscal para arrecadar 596 arrobas de ouro ( cerca de 09 toneladas) em impostos atrasados. Esse aviso leva um grupo de conspiradores em Vila Rica a acelerar os preparativos da revolta. Com influências iluministas, o grupo defende da independência da colónia. Entre os integrantes estavam intelectuais, advogados e poetas, como José Álvares Maciel, Tomás António Gonzaga (*), Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa, padres como Luís Vieira, Carlos Correa de Toledo e Melo, José da Silva Rolim, o tenente-coronel dos dragões, Francisco de Paula Freire de Andrade, e o alferes Joaquim José da Silva Xavier “0 Tiradentes”. Também participaram nas reuniões contratadores (arrecadadores de impostos) portugueses, como Joaquim Silvério dos Reis, Domingos de Abreu Vieira e João Rodrigues Macedo. Devedores da Coroa Portuguesa, os contratadores trocam o perdão de suas dívidas pela delação dos planos do grupo, sendo assim que a maioria dos conjurados acaba presa. O processo judicial é feito no Rio de Janeiro e, em 1792, são anunciadas as sentenças dos réus. Vários condenados à morte têm a pena comutada em prisão ou degredo em África (como o caso de Tomás António Gonzaga). O único que não obteve clemência, foi Tiradentes, tendo sido enforcado no Largo da Lampadosa, no Rio de Janeiro.

(*) Tomás António Gonzaga, nasceu na cidade do Porto em 1744, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, após que foi nomeado ouvidor e procurador dos defuntos e ausentes na comarca de Vila Rica (Ouro Preto) (Casa de Gonzaga), capital de então de Minas Gerais (Brasil). Mais tarde foi promovido a desembargador da Relação da Bahia, onde solicita licença real para desposar D. Maria Joaquina Doroteia de Seixas (a famosa inspiradora do seu livro “Marília de Dirceu- 1792). Mas, enquanto esperava a licença, foi denunciado como um dos cabecilhas da revolta que ficou conhecida pela “Inconfidência Mineira”, sendo preso e deportado para Moçambique onde veio a matrimoniar-se com a filha de um rico comerciante de escravos. Veio a morrer em 1810, já então louco. Tomás António Gonzaga, poeta arcádico de formação horaciana e anacreôntica, manifesta, no entanto, um sentido da dor e da complexidade da existência que fazem dele um pré-romântico, ao mesmo tempo que a sua poesia, de expressão desataviada e simples, tendo um boleio estilístico muito peculiar, assinala a transição do Classicismo para o Romantismo. E se, nas liras da Marília de Dirceu, Gonzaga se nos revela o poeta do amor e da ternura, nas Cartas Chilenas, violenta sátira contra a administração colonial do Brasil (cuja autoria lhe é atribuída), além de nos oferecer outra faceta do seu talento, apresenta-se-nos como um homem perfeitamente identificado com o ambiente mineiro que rejeita o despotismos esclarecido em nome de um liberalismo moderado e até de um certo libertarismo. Dirceu foi o seu nome arcádico.

Tu não verás, Marília, cem cativos
tirarem o cascalho e a rica terra,
ou dos cercos dos rios caudalosos,
ou da minada serra;

não verás separar ao hábil negro
do pesado esmeril a grossa areia,
e já brilharem os granetes de ouro
no fundo da bateira;

não verás derrubar os virgens matos,
queimar as capoeiras ainda novas,
servir de adubo à terra a fértil cinza,
lançar os grãos nas covas;

não verás enrolar negros pacotes
das secas folhas do cheiroso fumo,
nem espremer entre as dentadas rodas
da doce cana o sumo:

Verás em cima da espaçosa mesa
altos volumes de enredados feitos;
ver-me-ás folhear os grandes livros
e decidir os pleitos.

Enquanto resolver os meus consultos,
tu me farás gostosa companhia,
lendo os fastos da sábia, mestra História
e os cantos da poesia.

Lerás em alta voz, a imagem bela;
eu, vendo que lhe dás o justo apreço,
gostoso tornarei a ler de novo
o cansado processo.

Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
que tens quem leve à mais remota idade
a tua formosura.


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Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal


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