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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 01/09/2013 - 22º Domingo do Tempo Comum
. Evangelho de 25/08/2013 - 21º Domingo do Tempo Comum


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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01.09.2013
22º DOMINGO DO TEMPO COMUM — ANO C
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – II SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Modéstia e gratuidade" __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Um dos temas mais difícil de ser compreendido pela cultura contemporânea é o da humildade. De fato, a proposta de Jesus para sentar-se no último lugar é estranha à nossa cultura, que preza pela busca da promoção e dos primeiros postos; quanto mais aparecer, melhor, nem que para isso seja necessário pisar sobre os outros. A humildade não é a prudência do tímido ou do incapaz nem o medo de se expor, que não passa pelo egoísmo. A verdadeira humildade é a consciência de ser pequeno e ter de receber para poder comunicar. Por isso, quem é humilde não tem medo de ser generoso, pois é capaz de receber. Gostará de partilhar, porque sabe receber; e de receber, para poder repartir. Como Jesus naquele banquete, também nós estamos diante do banquete da vida. Quanto mais humilde for o modo de nos aproximar do banquete da vida, tanto mais nos aproximamos dos irmãos e, por conseguinte, de Deus. Aí reside o segredo da felicidade e da alegria interior.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Iniciamos o mês da Bíblia pedindo que a Palavra de Deus seja a luz dos nossos passos e o clarão das nossas consciências. Que a leitura orante e o estudo das Escrituras nos levem a aderir ao Mistério Pascal de Jesus Cristo. Celebremos esta Eucaristia dominical em comunhão com a Região Belém que hoje faz sua peregrinação à Catedral da Sé, por ocasião do ano da Fé.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A morte de Cristo nos apresenta o Deus "novo", o Deus cuja sabedoria é imprevisível e impensável, tão distante da sabedoria humana que ninguém poderia encontrá-la. O início da verdadeira sabedoria, diz-nos aquele que perscruta os pensamentos de Deus, é o reconhecimento de que a fonte da verdade não está naquilo que o homem experimenta ou deseja espontaneamente. Deus oferece a glória não aos poderosos, mas aos fracos; cerca de dúvida e de mistério os que presumem além de suas possibilidades. Só Deus conhece o que há de secreto em todos os corações e pode revelar-lhes o mistério de verdade que trazem em sí mesmos.

Sintamos em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Ecl 3,19-21.30-31): - "O homem inteligente reflete sobre as palavras dos sábios, e com ouvido atento deseja a sabedoria."

SALMO RESPONSORIAL (Sl. 68/67): - "Com carinho preparastes uma mesa para o pobre!"

SEGUNDA LEITURA (Hb 12,18-19.22-24a): - "Vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste"

EVANGELHO (Lucas 14,1.7-14): - "Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado"



Homilia do Diácono José da Cruz — 22º Domingo do Tempo Comum — ANO C

QUEM SE EXALTA SERÁ HUMILHADO

Lucas ao iniciar esse evangelho, faz questão de nos dizer que o Fariseu tinha uma “Ficha Limpa”, era alguém notável, íntegro, de boa índole, uma referência para a comunidade. Por ser admirado como grande Mestre, Jesus era sempre muito solicitado para estar á mesa com eles, na casa de algum líder da comunidade. O texto nos informa que “eles” o observavam, talvez para ver se tinha boas maneiras, se seguia a risca as determinações judaicas para se tomar uma refeição, ou simplesmente porque Jesus irradiava algo de sobrenatural, e cada gesto ou palavra sua, tinham um significado profundo.

Sem se sentir o centro das atenções e sem querer ser o grande “astro” ou celebridade, Jesus também se põe a observar o modo como os convidados do Fariseu escolhiam os primeiros lugares à mesa, e que era naturalmente os mais próximos ao Dono da Casa. Não sabemos em que lugar Jesus tomou assento, mas certamente não foi no lugar mais importante, julgando-se pela sua observação...

Penso ainda, que naquela refeição, Jesus notou que os serviçais tiveram que, educadamente, tirarem de seus lugares alguns que se julgavam o máximo e que deles haviam se apossado. Imaginem o “mico” de sair de um lugar mais importante para sentar-se em outro, menos importante. Vai ver que alguém se apressou em chamar Jesus para ocupar o lugar principal ao lado do Fariseu Anfitrião. Ao ver o constrangimento desses convivas, Jesus deve ter esboçado um leve sorriso aos que estavam ali por perto.

Em nossas comunidades algo semelhante ocorre nas ações litúrgicas, principalmente quando se trata da Santa Missa. Os lugares mais próximos do Padre são os mais visados e disputados nas escalas. Aliás, Liturgia é uma das maiores vitrines da nossa Igreja, nela os Egos são alisados, e os prazeres e alegrias plenamente satisfeitos. E quando a Paróquia realiza algum evento, como um Jantar Dançante, por exemplo, as mesas mais próximas a do Padre são as mais procuradas, ás vezes até reservadas com antecedência. Há muitas disputas para cargos que “aparecem”, mas por trabalhos humildes, que ficam quase no anonimato, não há disputas ou concorrências.

Poderia se disputar, por exemplo, quem faz mais visitas aos enfermos, aos pobres, aos presos, quem se doa mais a essas classes sofridas e injustiçadas, às vezes até dentro da própria comunidade. O que isso nos mostra?

Que o Amor doação, que se faz serviço desinteressado ao outro, anda meio longe de nossas comunidades, em certas ocasiões. É nesse sentido que Jesus alerta para esse perigo em nossas comunidades, onde quem se exalta vai acabar sendo humilhado, de que jeito? No dia em que a casa cair e todos ficarem sabendo de suas reais intenções. A humilhação será grande e a pessoa, envergonhada por ser desmascarada, vai acabar sumindo da comunidade. O que Jesus exalta nesse evangelho é exatamente a gratuidade nas relações fraternas, uma ajuda, um trabalho, uma ação feita a favor do outro, e que nada espera de recompensa ou gratificação. Nessa linha que devemos compreender a exortação de não convidar pessoas importantes para almoçar em nossa casa, mas sim de pessoas que nunca poderão retribuir. Jesus não é contra a ideias de acolhermos pessoas queridas em nossa casa para uma refeição, o que ele ensina é que, a conduta de um cristão, dentro da comunidade e fora dela, deve ser pautada pelos valores do evangelho, e não pelas grandezas fantasiosas que o mundo nos propõe. No mundo o que vale é o TER, na comunidade é o SER.

A interferência do TER no SER na Vida eclesial resulta em numa comunidade de relações mercantilizadas, onde cada um busca o benefício próprio e não o Bem Comum.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 22º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Prestigio profissional

É lícito sentar-se nos primeiros lugares? Não será falta de humildade? Jesus propõe que quando formos convidados a alguma celebração, um casamento, não ocupemos os primeiros lugares, mas, ao mesmo tempo, nos ensina como “chegar a ocupar o primeiro lugar”. Como? Não estou traindo a letra da Sagrada Escritura. Leiamos novamente: “Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, passa mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas” (Lc 14,10).

Como eu gostaria que houvesse muitos bons católicos ocupando os primeiros lugares! Logicamente, não se pode começar pelo primeiro, é preciso começar pelo “último lugar”. De fato, nenhum trabalhador chega numa empresa querendo dominar toda a situação logo no primeiro dia. Seria uma insensatez! No entanto, o bom trabalhador tem que ter a intenção de progredir, de que um dia lhe digam: “passa mais para cima, ocupa um cargo melhor, vou aumentar o seu salário”. Geralmente essas coisas acontecem, quando o profissional em questão é um bom trabalhador. O trabalho bem feito granjeia-lhe certo prestigio profissional que, para falar verdade, é ótimo.

Como a Igreja gostaria que houvesse muitos bons cristãos ocupando os primeiros lugares! Quando se procura ocupar o primeiro lugar para servir melhor às pessoas não só não se comete um pecado de orgulho, mas se faz um favor à sociedade. É questão de trabalhar bem, por amor a Deus, com o desejo de servir a todos, com pontualidade, sendo amável para com todos, sem servilismos nem falsidades. Com essa intenção de servir e de colocar a Cruz de Cristo em todas as atividades humanas não só é lícito desejar ocupar o primeiro lugar, mas constitui para o católico um dever. Cristo enviou-lhe a anunciar o Evangelho, esse anúncio não pode estar condicionado a fazer umas missões nos países africanos, por exemplo, incompatíveis com a profissão atual e que não passam de sonhos irrealizáveis. A evangelização se faz no dia-a-dia, a cada hora e em qualquer ambiente onde nos encontramos.

A corrupção política, a falta de respeito à vida desde a sua concepção até o seu término natural, a perversão dos costumes sociais é culpa nossa, dos cristãos. É porque não quisemos de alguma maneira ocupar os primeiros lugares, que outros, com idéias corrompidas, chegaram ao poder e aos cargos que tem uma influência em toda a sociedade. Formou-se então uma opinião pública errada e uma estrutura de pecado na sociedade na qual vivemos. Dediquemo-nos, cada um, a trabalhar bem, com competência profissional e chegaremos a ter prestígio. Dessa maneira, ainda que não aceitem Aquele em quem acreditamos, pelo menos nos aceitarão pela nossa perícia humana. Estabelecidos nos primeiros postos, mostraremos e proporemos – sem violência – o verdadeiro bem que realiza a pessoa humana criando uma sociedade na qual se pode respirar melhor.

Que o médico seja um bom médico; o arquiteto, um bom arquiteto; o policial, um bom policial; o padre, um bom padre; o agricultor, um bom agricultor; o político, um bom político. Todos, com prestígio profissional (também o padre no seu ministério sacerdotal) e um amor a Deus grande no coração, juntos tem a missão de evangelizar a través de qualquer ocasião que se apresente, a começar pela própria família e profissão. Somente assim se resolverá o problema da sociedade. Não! Os sacerdotes não devem candidatar-se nos partidos políticos para resolver os problemas atuais. Será que não existem outros homens capazes, com uma mente cristã e que – e isso é muito importante – entendam de política, de verdade?

É urgente que muitos cristãos ocupem o primeiro lugar. Nós, os sacerdotes, estamos dispostos a ajudar os outros fiéis, não a que subam na vida através da Igreja, mas a formar a inteligência e a vontade no amor de Cristo para que os homens e as mulheres de Deus, no meio da sociedade, atuem em conseqüência. Trata-se de que os cristãos através das coisas que tem no dia-a-dia sirvam a Deus e a Igreja sem servir-se de Deus e da Igreja para as próprias glórias humanas. Os sacerdotes os ajudam pregando a Palavra de Deus com máxima fidelidade, administrando os Sacramentos (especialmente a Confissão e a Eucaristia), dando direção espiritual, promovendo palestras de formação a vários níveis para ajudar os católicos a agirem de maneira coerente com a sua fé enquanto realizam as próprias tarefas profissionais.

Meus irmãos, nós, ministros do Senhor, já estamos convencidos – com o Concilio Vaticano II (cfr. LG 11 e 31) – de que a vocação do fiel leigo é, em primeiro lugar, no meio das atividades temporais e não nos movimentos e pastorais paroquiais. Logicamente, se lhes sobra tempo, ou melhor, conjugando o primordial com o secundário (que também é importante), ajudarão nas atividades da paróquia. E como estamos convencidos, queremos ajudar a todos a viver a própria vocação guardando a ordem interna das coisas.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — 22º Domingo do Tempo Comum — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Hb 12, 18-19. 22-24a)

O SINAI: Pois não vos aproximastes de um monte sendo tocado, e um fogo ardente e escuridão e trevas e tempestade (18). Non enim accessistis ad tractabilem et accensibilem ignem et turbinem et caliginem et procellam. Nesta exortação final, o autor da epístola contrapõe o inicio tenebroso do AT no monte Sinai à pacífica implantação do Reino do NT. O Sinai era o monte no qual Deus se manifestou e que na Epístola de hoje lemos que está SENDO TOCADO [psëlafömenö<5584>=tractabilem] do verbo psëlafaö, manobrar, tratar, tocar com a mão, ser sensível, estar em contato. Um exemplo é Lc 24, 39: vede as minhas mãos… Apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne. A versão KJV traduz monte que pode ser tocado. O sentido é que era um monte real não imaginário ou como traduz Nácar Colunga monte tangível. O versículo está em contradição aparente com o manifestado em Êx 19, 12: Guardai-vos de subir ao monte nem toqueis o seu limite; todo aquele que tocar o monte será morto. A solução parece ser que o não do princípio da frase determina também o monte, ou seja: não estejais próximos de um monte que não poderia ser tocado. É possível que o autor quisesse opor um monte material a uma cidade imaterial como é a Jerusalém celeste.  FOGO ARDENTE: As trevas e a escuridão e a tempestade eram os sinais de que Jahveh Deus estava lá com sua voz para amedrontar o povo e lançar seus mandatos. No Êx 19, 16 lemos: houve trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o monte e mui forte clangor de trombeta. E no versículo 18: Todo o monte Sinai fumegava porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha. É, pois, esta imagem a que descreve com palavras novas e apropriadas às circunstâncias, o autor da carta.

AS CIRCUNSTÂNCIAS MEDROSAS: E som de trombeta e voz de falas as quais os ouvintes suplicaram não acrescentar palavra (19). Et tubae sonum et vocem verborum quam qui audierunt excusaverunt se ne eis fieret verbum. Continua o autor a descrever as circunstâncias que rodearam a proclamação da Torah no AT. Vejamos a tradução do Êxodo correspondente: E o clangor da trombeta [o shofar] ia aumentando cada vez mais; Moisés falava e Deus lhe respondia no trovão (19,19).  Então falou Deus todas estas palavras (20,1): Eu sou o Senhor, teu Deus que te tirei da terra do Egito (20, 2). Não terás outros deuses, etc. E na continuação vêm os dez mandamentos. E uma vez terminado o decálogo, disseram a Moisés: Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus [Elohim] conosco, para que não morramos (20,19). Como vemos, as palavras de Hebreus se ajustam literalmente com o relato primeiro do Êxodo. Voz de falas é o trovão do qual fala o livro do Êxodo. E o trovão era a voz de Deus (Jo 12, 29).

NOVA SIÃO: Porém chegastes ao monte Sião e cidade do Deus vivo, Jerusalém celeste e reunião de miríades de anjos (22). Sed accessistis ad Sion montem et civitatem Dei viventis Hierusalem caelestem et multorum milium angelorum frequentiae. Os dois versículos que faltam na carta servem para reforçar a base de temor em que foi proclamada a antiga Aliança. O prêmio, ou melhor, o castigo era a consequência de uma conduta contrária à lei: Deus veio –dirá Moisés- para que seu temor esteja diante de vós a fim de que não pequeis (Êx 20, 20). Agora, na Nova Aliança, encontramos tudo o contrário: O monte é novo, sem limites de morte, e em tal monte nos encontramos com a cidade do Deus verdadeiro [o Deus vivo] que não pertence a terra mas é celeste a nova Jerusalém, cheia de miríades (dez mil) [hoje diríamos milhões] de anjos, pois miríade era na época o numeral mais alto conhecido. Como o Reino, esta Jerusalém não é um lugar específico, mas um conjunto de pessoas como uma reunião [panegyris [<3831>=frequentia]. Na realidade, era uma reunião de todo o povo para celebrar jogos públicos ou outras solenidades festivas. Na outra ocasião em que sai esta palavra é no versículo seguinte em Hb 12, 23, falando da reunião ou congresso e Igreja dos primogênitos. Neste caso se fala de anjos ou enviados, mensageiros, como devemos traduzir a palavra no seu sentido original. Mas em Hebreus, os anjos constituem uma espécie particular de seres que rodeiam o trono do Senhor, como lemos em 1,5 ao comparar os mesmos com Cristo-homem: A qual dos anjos disse jamais, tu és meu Filho. Com esta frase temos que essa Jerusalém é o Reino que está nos céus do qual Deus é o soberano como acostumamos rezar no Pai Nosso (Mt 6, 9).

SUA CONSTITUIÇÃO: À assembleia e eklesia dos primogênitos nos céus inscritos, e ao juiz Deus de todos e aos espíritos dos justos aperfeiçoados (23). Et ecclesiam primitivorum qui conscripti sunt in caelis et iudicem omnium Deum et spiritus iustorum perfectorum. ASSEMBLEIA [panëgyris<3831>=assembleia] Neste versículo temos a explicação de como é formada essa reunião que agora recebe também o título de IGREJA [ekklësia<1577>=ecclesia]. Ekklësia era a assembleia dos cidadãos em reunião pública para discutir os problemas da política cidadã. Tratando-se da reunião de cristãos, é a reunião dos mesmos como conjunto para um ato de culto; e, em termos universais, o conjunto de todos os fiéis que constituem a Igreja terrestre, ou a celeste triunfante nos céus, como é nosso caso. PRIMOGÊNITOS [prötotokos<4416>=primitivus] o primeiro em nascer como sucessor de um pai. O latim primitivus significa o que nasce temprano, ou primeiro, que é o mesmo que primogênito. Como assembleia ou ekklesia dos primogênitos  devemos entender todos os amados por Deus como se ama os primogênitos, ou seja, os escolhidos para formar seu séquito eterno no Reino dos céus, que geralmente chamamos de salvos. Na linguagem bíblica o filho, o amado [o agapetos<27>=dilectus] era o mesmo que primogênito, [em hebraico bekore<01060>] como podemos comparar Mt 3, 17 e Mc 1, 11 com Cl 1, 15 em que Paulo chama Jesus como sendo o primogênito de toda criatura. E como diz Hb 1, 6, de novo ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus O adorem. Primogênito por ser o archë<746>, com o duplo significado de começo e principal. Como primogênito, tinha o direito de ser o herdeiro do Pai, direito que o AT chama de bekorah<01062> e que a Setenta traduz como prötotokia<4413>=primogenitura. A primogenitura era o direito a ser o sucessor do Pai. Em termos materiais, era ter uma porção da herança dupla do conjunto dos demais irmãos (Dt 21, 17). Em termos espirituais, o primogênito recebia o nome da família, a qual representava como chefe da mesma; e no caso dos patriarcas, sobre ele recaia a bênção do pacto da Aliança, como vemos que Isaac deu a Jacó: Que os povos te sirvam e as nações se prostrem ante ti. Sê senhor de teus irmãos e os filhos de tua mãe se encurvem ante ti (Gn 27, 28-29). De modo que fazia o trabalho do pai submetendo seus irmãos a seu último parecer, pois era o chefe do clã. José em seus sonhos se transformou em primogênito ao ver como seu feixe se levantava em pé e os feixes de seus irmãos se inclinavam perante o meu (Gn 37, 7). PRIMEIRA INTERPRETAÇÃO: Mas no nosso caso, é a herança a que nos transforma em primogênitos, pois, como diz Paulo, somos transformados em filhos de Deus –adotivos, mas verdadeiros- em Cristo (Ef 1, 5); de modo que nele [em Cristo] fomos também feitos herança (Ef 1, 11). E Paulo pede que os olhos de vosso entendimento sejam iluminados para saberdes qual a riqueza da glória da sua herança (Ef 1, 18). A herança dos que amam a Deus é a de um primogênito; e por isso, os que rodeiam o trono de Deus são chamados de primogênitos. São, pois, os cristãos salvos pela sua incardinação em Cristo. SEGUNDA INTERPRETAÇÃO: Outra interpretação é que esses primogênitos sejam os anjos, primícias da criação. É a menos seguida pelos biblistas. Nesta hipótese seria difícil explicar quem são os espíritos dos justos perfeitos, pois onde entrariam os cristãos? INSCRITOS, pois segundo Paulo existe uma corrente contínua entre eleição e glorificação, como lemos em Rm 8, 29-30: Aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. De modo que por parte de Deus existem duas verdades: uma, a escolha dos mais fracos e inúteis (1 Cor 1, 27) que Jesus exprime em bemaventurados os humildes porque deles é o Reino dos céus (Lc 6, 20), A segunda, sua vontade de levá-los até o fim que é a  glorificação dos mesmos. Por parte do homem a humildade, considerando Deus como o fautor de sua santidade e os outros como superiores, para que assim seja verdadeira a sentença do Senhor Jesus: Os que se humilham serão exaltados (Lc 14, 11). Já o disse profeticamente Nossa Senhora: Exaltou os humildes (Lc 1, 52). Daí o dito de Teresa de Jesus: se queres ser santo sê humilde; se mais santo mais humilde; se santíssimo humildíssimo. ESPÍRITOS DOS JUSTOS: Não existe um comentário satisfatório sobre a natureza destes últimos citados. Talvez se refira aos patriarcas do AT, pois justo era quem cumpria a lei. Temos a passagem de Mt 13, 17 que determina os justos do AT como comparados aos profetas: Em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram. O Ap 11, 18 faz distinção entre os que receberão a recompensa: Teus servos os profetas, os santos e os que temem teu nome. Assim, os justos são os que cumpriram a lei, diferentes dos profetas e até dos patriarcas. Logo temos os APERFEIÇOADOS ou que chegaram à perfeição (TEB) talvez, porque não sendo batizados estariam no conjunto dos que Jesus fala como sendo inferiores aos filhos do Reino, ao comparar estes com o maior dos primeiros, como era o Batista (Mt 11, 10). Talvez seja uma alusão implícita a 1 Pd 2, 19 em que Jesus, antes de sua ressurreição, no espírito, desceu aos infernos para pregar aos espíritos em prisão. Nessa sua visita foram aperfeiçoados os justos do AT. Teremos em consequência, uma Jerusalém celeste formada não por tetos e colunas, mas por um assembleia constituída por miríades de anjos, explicados na continuação: por cristãos, salvos como primogênitos [antes da ressurreição final], com Deus, justo Juiz, e os espíritos dos justos que admitiram Cristo como Senhor na sua visita aos infernos. Ao falar dos espíritos dos justos, encontramos uma espécie de prova de que ainda não se deu a ressurreição dos mortos, [no mínimo devemos admitir isso como tradição]. Essa ressurreição, já de fato, imediata após a morte, é coisa que muitos modernos admitem, contrariando a tradição e afirmando que a ressurreição é imediata no momento da morte. É porque resulta difícil admitir uma ressurreição corporal e, tanto na ressurreição de Cristo como na nossa, prescindem do corpo. Para completar, falta o principal morador dessa Jerusalém que sai no versículo seguinte.

O MEDIADOR: E da nova aliança ao mediador Jesus (24). Et testamenti novi mediatorem Iesum. Finalmente, o principal, autor e habitante da nova Jerusalém, que é o símbolo da nova Aliança entre Deus, como juiz, e a humanidade como pecadora, perdoada por meio de um único mediador: Jesus. Com isso termina a comparação entre os dois pactos, o antigo do Sinai e o novo da Jerusalém celeste.

Evangelho (Lc 14, 1. 7-14)
O BANQUETE

NUM SÁBADO PARA COMER PÃO: E sucedeu que ao entrar Ele na casa de certo principal dos fariseus em sábado para comer pão, e eles o estavam observando (1). Et factum est cum intraret in domum cuiusdam principis Pharisaeorum sabbato manducare panem et ipsi observabant eum. Segundo os hábitos romanos, seguidos na época em quase todo o império, havia três comidas diárias: O JENTACULUM [café da manhã, derivado diminutivo de jentare, comer, daí o português janta] que consistia em pão simples ou com algum complemento como a cebola (Os pães e cebolas dos hebreus no Egito e que os romanos traduziam em panis et circenses). Os mais pobres recorriam como clientes aos patrões [de pater, pai] e após a salutatio [saúdo] na casa dos mesmos, recebiam deles uma cesta com comida chamada sportula ou no lugar da comida um pequeno pagamento em dinheiro. Um convite para a janta era também um presente típico. Para muitos pobres desempregados, esta era sua única fonte de vida, embora alguns pudessem ter um ofício retribuído. A segunda refeição do dia era o PRANDIUM; era uma comida fria de pão, fruta, nozes, queijo, azeitonas e salada, feita no fim da manhã. Finalmente a COENA ou cena, perto do pôr-do-sol. Para os pobres consistia em puls mingau de farinha cozida em água, ou um guisado de verduras e frutas, mas raramente comiam carne. Os ovos eram comida comum também entre os romanos, de modo que os postes de contar as voltas dos carros nas corridas do circo máximo terminavam em ovos. Entre os judeus da Galileia o peixe salgado e o pão sem fermento do tipo sírio, tostado na prancha, eram a comida mais comum junto com algumas frutas especialmente as secas e com azeitonas. No caso do simpósium [reunião para beber], o vinho, se existia, era avinagrado. Esta refeição tinha um horário de verão 6 da tarde e outro de inverno, 3 horas no dia mais curto do ano. Nas casas dos ricos existia uma sala chamada triclinium com três bancos em forma de U: no tramo da esquerda estava o banco lectus summus [leito superior] no horizontal o lectus medius [leito médio] e no vertical da direita o lectus imus [leito inferior]. Em cada leito, ou banco, reclinavam-se três pessoas: indo em sentido contrário ao relógio o summus, o medius e o imus. Os gregos só admitiam dois comensais por leito e os romanos até quatro, como foi o caso da última ceia. Os leitos podiam ser de pedra não horizontais, mas algo inclinados para permitir o accubatio, ou seja, para se reclinar neles acima de divãs. No centro do triclinium havia a mesa com os manjares. Os comensais tomavam a comida boca abaixo para logo se recostar sobre o lado esquerdo, apoiados no cotovelo respectivo. Era, pois natural que muitos se reclinaram no peito do comensal situado à sua esquerda, como foi o caso de João, na última ceia (13, 25). Por isso, deduzimos que esta maneira de banquetear-se tinha se introduzido desde os tempos gregos nas famílias mais ricas da Judeia. Os fariseus formavam associações religiosas que tinham como costume o banquete ritual dos sábados, em que a oração e bênção subsequentes os tornava verdadeiros irmãos. É possível que Jesus fosse convidado a um destes banquetes rituais. Como temos visto, a ordem nos mesmos era uma questão de honra. E Jesus observou a atuação dos comensais. Como exemplo do que era um banquete nas casas ricas de Roma temos um provável menu que se dividia em três partes: gustatio (aperitivo) com ovos cozidos, azeitonas, saladas etc. Prima mensa [prato principal] com peixe ou carne, miúdos de porco, etc. Secunda mensa [correspondente à nossa sobremesa] maçãs ou fruta, ostras, escargots [caracóis], vários doces etc. Aparentemente os ovos eram o tradicional aperitivo dos romanos porque tinham um provérbio: dos ovos às maçãs[ab ovo ad mala], equivalente ao dela sopa a los postres do castelhano. De fato, o pão era tão importante na dieta dos romanos que comer o pão equivalia à refeição. Por isso, Lucas diz no trecho de hoje: E sucedeu que ao entrar Jesus na casa de um dos líderes dos fariseus em sábado para comer o pão. Aparentemente, Só Jesus foi convidado. A intenção do hospedeiro e principalmente dos outros convivas era a de observar a conduta de Jesus.

A OBSEVAÇÃO DE JESUS: Dizia, pois, aos convivas uma parábola, observando como escolhiam os primeiros lugares, dizendo-lhes (7). Dicebat autem et ad invitatos parabolam intendens quomodo primos accubitus eligerent dicens ad illos. Quando fores chamado por alguém para um banquete não te reclines no primeiro lugar, que não exista que um mais honorável que tu sejas o chamado por ele (8). Cum invitatus fueris ad nuptias non discumbas in primo loco ne forte honoratior te sit invitatus ab eo. E chegando quem invitou a ti e a ele diga: dá lugar a este. E então comeces com vergonha ocupar o último lugar (9). Et veniens is qui te et illum vocavit dicat tibi da huic locum et tunc incipias cum rubore novissimum locum tenere. Mas quando fores chamado, vá reclinar no último lugar para que quando venha o que te chamou te diga: amigo, ascende mais alto.  Então será para ti glória ante os que contigo estão reclinados. (10). Sed cum vocatus fueris vade recumbe in novissimo loco ut cum venerit qui te invitavit dicat tibi amice ascende superius tunc erit tibi gloria coram simul discumbentibus. Porque todo o que se exalta será rebaixado; e quem se abaixa será exaltado. Lucas diz que Jesus falou em forma de parábola. Temos uma ideia de que parábola é um conto do qual só podemos usar como ensino a moral da história. Mas a parábola tem vários significados como provérbio, alegoria, enigma, que podem traduzir tanto a palavra mashal como hidah [enigma] ou simples reflexão. É uma comparação que usa termos descritivos mais do que narrativos para expor uma determinada valoração ou aplicação concreta. É como se observássemos uma página da vida para logo tirar as conclusões que ela nos oferece como exemplo. A primeira observação é para os convivas que com certeza lutaram pelos primeiros lugares. Jesus usa o convite de bodas [gamos, em plural um banquete] em que havia muito mais do que nove ou uma dúzia de convidados e no qual os lugares de honra não estavam previamente designados. Quem acredita ser melhor do que os outros, pode se ver na humilhação de ter que deixar seu posto a um outro mais honrado do que ele e, como todos os leitos estão ocupados, ter que ir para o último lugar. Por isso é melhor ocupar o último lugar para que o hospedeiro possa te dizer: amigo, ascende para um lugar mais importante. Já na palavra amigo se encontra uma grande manifestação de estima que se transforma em visível cortesia quando diante de todos se ocupe um lugar mais digno. Não serás envergonhado, mas exaltado, vem dizer a conclusão particular de Jesus. Os rabinos também diziam coisas semelhantes: Desce do lugar que pensas que te corresponde duas ou três posições; porque é melhor ouvir do hospedeiro sobe que escutar desce (Pr 25, 6-7). E por isso ele universaliza a conclusão, no plano divino, usando a passiva teocrática: Porque todo aquele que se exalta será humilhado e aquele que se humilha será exaltado (11).

OBSERVAÇÃO AO HOSPEDEIRO: Diziam, pois, também a quem o chamou: quando fizeres um almoço ou um jantar, não chames teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos, não seja que eles te convidem por sua parte e se torne para ti uma retribuição (12). Dicebat autem et ei qui se nvitaverat cum facis prandium aut cenam noli vocare amicos tuos neque fratres tuos neque cognatos neque vicinos divites ne forte et ipsi te reinvitent et fiat tibi retributio. Mas quando fizeres uma festa, chama mendigos, aleijados, coxos, cegos (13). Sed cum facis convivium voca pauperes debiles claudos caecos. E serás bendito porque não têm para te retribuir. Porém ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos (14). Et beatus eris quia non habent retribuere tibi retribuetur enim tibi in resurrectione iustorum. O grego usa duas palavras diferentes para classes de refeições ariston que podemos traduzir por almoço ou como temos visto o prandium romano e deipnon cuja tradução é, sem dúvida, jantar ou a coena dos mesmos, comida a mais importante do dia. Talvez Lucas esteja excetuando o jentaculum em que logicamente o proveito do patrão era ter como servos os fregueses a quem dava de comer. Nas outras duas ocasiões o proveito não era tão óbvio assim. Jesus, evidentemente, visa à recompensa: ou é dada de imediato, em forma de retribuição ou, pelo contrário, é melhor convidar pobres, aleijados coxos e cegos para a festa [doché]. Jesus está diretamente apontando verdadeiros mendigos, pois ptochós é a palavra do pobre que vive de esmolas; e aleijados, coxos e cegos eram precisamente aqueles que não podendo trabalhar, só tinham solução para poder viver, na caridade dos transeuntes das estradas, ou dos orantes no templo e sinagogas. Realmente esses tais não poderiam pagar.  Jesus mesmo nos oferece a solução evangélica a este problema humano: sereis benditos, porque não existindo quem vos possa retribuir, a vossa recompensa será na ressurreição dos justos (14). Os ouvintes eram fariseus que acreditavam na ressurreição (At 23, 8) sendo a mesma um prêmio especial para os que se consideravam a si mesmos justos (Lc 18, 19). À parte a ressurreição, eles podiam esperar um trato especial divino como recompensa pelo que não puderam fazer os seus convivas indigentes.

PISTAS:

1) A primeira observação de Jesus diz respeito à honra humana, essa que os rabinos tanto desejavam para serem vistos pelos homens (Mt 6, 5). Porém Jesus não fica unicamente no plano humano e por isso expõe a razão última da verdadeira humildade, como observada por Deus. É o próprio Deus, que nos seus planos, dispõe exaltar o verdadeiramente último em sua consciente interioridade, para degradar o que Maria chamará soberbo no fundo de seus pensamentos (Lc 1, 51).

2) A segunda observação é sobre o modo de acolher as pessoas que queremos ajudar: se unicamente temos como amigos os que podem retornar o bem feito, seria uma maneira comercial e egoísta de atuar. O mundo seria um comércio em que a lei dominante se tornaria a lei da oferta e da demanda. Mas se escolhemos os mendigos, os que nada podem oferecer como resposta, então seria o homem enquanto necessitado de nossa ajuda como valor universal quem dirigiria nossa atitude e modo de viver.

3) Evangelicamente nos interessa o modo de entender os planos divinos: Ele só premia o que os homens deixam injustamente de recompensar. Evidentemente a recompensa divina tem duas conotações que não podemos esquecer: a eternidade da mesma, e a magnanimidade de quem é infinitamente rico e dadivoso.

4) Não podemos evitar a reflexão de que, uma vez mais, o Reino é comparado a um banquete, uma festa, uma alegria por participar da vida divina plenamente em sua amabilidade e de que nós também devemos participar com os outros homens dessa alegria, de modo a sermos o sal e a luz dos que estão famintos ou cegos na vida.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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25.08.2013
21º DOMINGO DO TEMPO COMUM — ANO C
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – I SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Enviarei mensageiros para os povos... Eles anunciarão às nações minha glória." __

AGOSTO — MÊS VOCACIONAL — Quarta Semana:
VOCAÇÃO PARA O SERVIÇO DE DEUS - LEIGOS
Ministérios e serviços na comunidade - Dia Nacional do(a) Catequista

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Neste domingo a Igreja celebra a vocação leiga. O carisma da vocação laical ocupa um lugar central na Igreja, definindo-a para o mundo. O fiel cristão leigo tem o papel de libertar o mundo da secularidade, dos falsos ídolos e de todas as prisões que oprimem e destroem a pessoa humana. Ele é chamado a ser sinal visível de Jesus Cristo na família, no trabalho, na política, na economia, na educação, na saúde pública, nos Meios de Comunicação Social, nos órgãos públicos e em tantos outros espaços no meio da sociedade. Ele é chamado a viver sua missão batismal assumindo o "sacerdócio comum dos fiéis" e muitos, engajados no testemunho e no serviço da catequese. Através do carisma do leigo a Igreja se faz presente no mundo.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: A partir da mesa do Senhor, somos chamados a desempenhar os ministérios e os serviços na comunidade como sinal profético de Cristo, que veio para servir e não para ser servido. Entre esses sinais está o desempenho de nossos catequistas. Rezemos por eles, pois hoje é o Dia Nacional do Catequista. Aproveitemos o tema da quarta semana do mês vocacional para despertar em nossa comunidade maior zelo apostólico e serviço ao próximo. Rezemos também pela Região Ipiranga, que hoje faz sua peregrinação à Catedral da Sé no Ano da Fé. Para a mesma finalidade as Faculdades e Institutos de Teologia realizam a peregrinação no próximo dia 28 à Catedral da Sé.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Quando alguém nos ama realmente e nos fala chamando-nos por nosso nome, descobrimo-nos a nós mesmos e não estamos mais sozinhos. A vitória sobre a solidão gera a alegria; viver, então, é uma festa. O reino de Deus é comunhão; seu advento inaugura, por isso, um tempo de alegria. É festa que não se acaba, definitiva. Festa a que são convidados todos a humanidade.

Sintamos em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Isaías 66,18-21): - "E virei para reunir os homens de todas as nações e de todas as línguas; todos virão e verão minha glória."

SALMO RESPONSORIAL (Sl. 116/117): - "Proclamai o Evangelho a toda criatura!"

SEGUNDA LEITURA (Hebreus 12,5-7.11-13): - "Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos."

EVANGELHO (Lucas 13,22-30): - "Há últimos que serão os primeiros, e há primeiros que serão os últimos"



Homilia do Diácono José da Cruz — 21º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Que porta você escolhe?

Quando medito este evangelho sempre me lembro do “Miudinho”, apelido de um amigo da minha adolescência, que era bem “robusto” para não dizer que ele era “gordinho”. Por conta da obesidade ganhou fama de ser o molenga da nossa turma onde era sempre o último nas brincadeiras ou aprontações que fazíamos. Certa ocasião ficou entalado em um tubo de concreto que ficava no final da rua, por onde entrávamos sorrateiramente por uma galeria em desuso, tendo acesso a um terreno que pertencia a Dona Assunta, e onde deliciávamos com a doçura das mangas e amoras.

O muro era alto e o portão antigo era inacessível, até o dia em que descobrimos a tubulação e passamos a utilizá-la sendo para nós uma aventura porque engatinhando, varávamos coisa de três ou quatro metros por baixo do muro. Ao ficar entalado na galeria, por causa de ser gordinho, e não saindo para frente e nem para trás, Miudinho armou o maior berreiro chamando a atenção da vizinhança e assim, fomos pegos em flagrante pela proprietária do terreno, enquanto que os moradores, com muito esforço conseguiram desentalar o coitado do Miudinho. Decidimos, a partir daquele dia, deixá-lo fora de nossas aventuras porque ele não conseguia ter agilidade para nos acompanhar. O reino do céu é meio parecido com aquele terreno baldio, palco das nossas aventuras e onde curtíamos a doçura da fruta madurinha á sombra de grandes árvores: o acesso é por uma passagem bem estreita...

A pergunta dos discípulos, feita a Jesus, se é verdade que poucos irão se salvar, deve-se ao fato de que a salvação, para eles, era uma espécie de troféu, com que Deus premiava os que faziam boas obras e observavam com rigor a lei e todos os demais preceitos religiosos. Nós cristãos, que pertencemos à igreja, devemos também pensar nisso e perguntar se iremos nos salvar... Jesus nos alerta que a passagem é bem estreita e requer certo esforço de quem se fez discípulo. Há uma porta larga do ritualismo e do seguimento da lei, há eventos religiosos que reúne milhares de pessoas, há igrejas cristãs de todas as denominações, cujos templos ficam lotados de fiéis nos finais de semana. Será que nesta religião sem compromisso, todos já têm o passaporte carimbado para entrar no reino?

Para passar pela porta estreita é preciso se fazer pequeno e ter no coração e na mente esta consciência de que a salvação é dom de Deus e não fruto das nossas obras ou práticas religiosas, quem pensa diferente disso é semelhante ao meu amigo Miudinho e vai acabar ficando “entalado” no seu egoísmo e orgulho. Mas ser pequeno também significa servir aos irmãos e irmãs, a palavra servir vem de servo, escravo, aquele que se rebaixa, que se curva diante do outro, Jesus fez isso no “Lava-pés”, fazendo uma tarefa que pertencia a um escravo, o que prefigurou o rebaixamento final que iria ocorrer em Jerusalém, para onde Jesus caminha decidido a entregar-se por todos.

Portanto, o amor que se rebaixa traduzindo-se em serviço é que faz de nós verdadeiros cristãos, Filhos do Pai, que nos vocaciona para o amor, irmãos de Jesus, servo maior com quem nos identificamos e por quem somos reconhecidos. Os que pensam que já estão salvos, com um pé na vaga do céu, só porque pertencem a esta ou aquela denominação religiosa, e são observantes zelosos de toda doutrina e preceito, irão certamente ficar bem desapontados porque o Senhor não os reconhecerá como diz o evangelho: “Nós não saíamos de sua casa, comíamos e bebíamos na tua presença...”. “Sumam”! Não sei quem são vocês! Não os conheço!”--- dirá o Senhor”.
Fachada e aparência de nada adiantarão, só serão acolhidos no banquete do reino, e reconhecidos pelo Senhor aqueles que o imitando, doarem-se inteiramente aos irmãos e irmãs, não importando qual igreja ou denominação religiosa. Os que estiverem “inchados” de orgulho e autossuficiência, achando-se os primeiros, porque já estão dentro, irão bater com o “nariz na porta” e verão cheios de espanto e surpresa, os que eram os últimos, adentrarem por primeiro no banquete.

Nunca mais vi meu amigo “Miudinho”, dizem que ele emagreceu eliminando a gordura que tanto o incomodava. Que a religião seja para todos nós um compromisso de vida com Deus e com os irmãos, caso contrário não conseguiremos entrar no reino dos céus, pois como meu amigo Miudinho, acabaremos entalados na soberba e no egoísmo, e não passaremos pela porta estreita! Daí haverá choro e ranger de dentes...

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 21º Domingo do Tempo Comum — ANO C

Salvação

Um dos maiores desejos do ser humano é o da salvação. No entanto, tenho a impressão que algumas expressões utilizadas por nós, os cristãos, há muito tempo, já caíram no esquecimento ou ficaram, em certo sentido, vazias de conteúdo para muitos. O que é salvação? Quando uma pessoa está se afogando, grita pedindo socorro: que alguém o salve! Quando estamos enfermos, desejamos ser salvados, curados dos nossos males. Caso nos víssemos rodeados de feras selvagens, desejaríamos que aparecesse alguém mais forte que todas elas e nos salvassem. A salvação sempre vem ao encontro de quem está necessitado e só a pede quem se vê necessitado. Ainda que todos necessitem ser salvos, nem todos parecem percebê-lo. Esse é um dos grandes problemas da modernidade: quando se tem um bom salário, uma boa casa, o carro do ano, seguro médico, amigos com os quais divertir-se, etc. Que mais pode faltar? Salvação? De quê? De quem? Isso não acontece somente em ambientes ricos, também há muitos pobres que tendo um barraco e um pouco de comida para ir levando a vida, se contentam: salvação? De quê? Ganhar na loteria pareceria ser, nesse caso, a única salvação possível.

Há também misérias espirituais! Pobres e ricos terminam debaixo do chão ou numa caixinha destinada a guardar as suas cinzas; ambos podem pecar e contrair, também aumentar, os vícios; ricos e pobres podem ser – como de fato são – atacados pelo diabo. Essas misérias espirituais – morte, pecado, demônio – não ficam somente ao nível do espírito. No caso da morte está claro! Mas também em relação ao pecado e ao demônio: qualquer afinidade com essas realidades definha não só o nosso espírito, mas também o nosso corpo. O ser humano é uma unidade de alma e corpo inseparavelmente unida. Eu não posso ser atingido só no meu dedinho quando dou uma martelada errada no prego e acerto o polegar, a dor repercute em toda a minha pessoa, sou eu quem sofro essa dor, não só o meu dedo.

A salvação que Cristo oferece chega à pessoa em sua totalidade, mas começa pelo mais profundo. Quando se percebe que uma árvore está enferma na raiz é preciso remediar para sarar a raiz, as conseqüências serão folhas e frutos sadios. De maneira semelhante, Deus quis sarar-nos pela raiz, enviando o seu Filho para libertar-nos salvando-nos do pecado, do diabo e da morte. Salvou-nos pela raiz para que fossemos capazes de produzir folhas e frutos sadios. Ainda percebemos o poder do pecado, do demônio e da morte, não obstante, foi-nos dado o remédio para combatê-los sempre: a graça de Deus. A salvação total e definitiva acontecerá no céu. Nesses tempos, a salvação já realizada espera a consumação na Parusia, na segunda vinda de Cristo. Isso é assim porque se formos ao céu antes da Parusia, lá estaremos somente com a nossa alma, o qual indica que falta algo importantíssimo: o corpo. A consumação daquilo que já foi realizado, a nossa salvação, se dará nos novos céus e na nova terra.

Nesse contexto, entende-se perfeitamente a pergunta daquele incógnito: “Senhor, são poucos os homens que se salvam?” (Lc 13,23). Jesus dá duas respostas que se complementam:“Procurai entrar pela porta estreita” (Lc 13,24). Logo, parece que são poucos: a porta é estreita.“Virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e sentar-se-ão à mesa no Reino de Deus” (Lc 13,29). Logo, parece são muitos: do norte e do sul, do leste e do oeste. Logicamente, o fato de a porta ser estreita, não significa que passem poucos; nem o fato de virem de todas as partes significa que sejam muitos. Enfim, trata-se de uma curiosidade que Jesus não deseja satisfazer no momento.

Mas do que perguntar se são muitos ou poucos, é muito mais importante perguntar: Senhor, serei salvo? E como Deus “deseja que todos os homens se salvem” (1 Tm 2,4), é muito melhor perguntar: Senhor, faço tudo o que está ao meu alcance para ser salvo? A pergunta não é egoísta. Conscientes de que temos que pedir ao Senhor que nos salve – o homem não se pode salvar a si mesmo, é impossível! – é preciso colaborar para que a salvação já realizada por Jesus na Páscoa por cada um de nós esteja cada vez mais presente e atuante nas nossas vidas. “Já é hora de despertardes do sono. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé” (Rm 13,11). O mesmo apóstolo que diz que “o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus”(Rm 6,23), nos diz também: “trabalhai na vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2,12). A salvação depende totalmente de Deus, é dom, e totalmente de nós, é tarefa. “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (S. Agostinho).

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — 21º Domingo do Tempo Comum — ANO C
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPÍSTOLA (Hb 12,5-7.11-13)

INTRODUÇÃO: Como todo pai, Deus também usa da correção ou castigo para reformar condutas que de outro modo seria difícil ou impossível emendar. Claro que sua correção é dolorosa, mas finalmente serve para uma vida honrada e pacificamente serena. Fortalece os mais fracos e robustece os pés vacilantes de quem se encontra como parcialmente impossibilitado de caminhar. O autor fala do exemplo de Cristo que sofreu um máximo castigo sendo inocente. Até agora –diz ele- não derramaste o sangue. E por isso, exorta de novo seus designatários.

A CORREÇÃO: E tendes esquecido a consolação que a vós, como filhos, argui: Filho meu, não menosprezes a correção do Senhor, nem desanimes quando castigado (5). Et obliti estis consolationis quae vobis tamquam filiis loquitur dicens fili mi noli neglegere disciplinam Domini neque fatigeris dum ab eo argueri. CONSOLAÇÃO [paraclësis <3874>=consolatio]. O grego tem a mesma raiz que parakletos [=consolador ou confortador como advogado defensor]. Podemos falar de conforto, consolação, consolo, alívio. Um exemplo: Simeão que esperava a consolação de Israel (Lc 2, 25). ARGUI [dialegetai<1256>=loquitur] presente do verbo dialegomai com dois significados diferentes: pensar, matutar ou ponderar; e logo, como conversar, arguir, discutir. Com esse segundo sentido temos Mc 9, 34: Eles [os discípulos] discutiam entre si pelo caminho quem seria o maior. A JKV usa speaks, ou seja, diz e a TEB se dirige que é mais fácil de interpretar. MENOSPREZES [oligöreö<3643>=neglegere] o verbo grego é descuidar, despreocupar-se, negligenciar, menosprezar, desdenhar. É apax neste versículo. CORREÇÃO [paideia<3809>=disciplina], o grego significa o conjunto de ações para a educação de um menino, como o ensino, as ordens, admoestações, repreensões e especialmente os meios coercitivos, como o castigo. O vocábulo sai 4 vezes neste capítulo 12 com o mesmo significado que a JKV traduz sempre como chastening [castigo, punição] e que a TEB traduz como correção, sem dúvida de um modo eufemístico, já que o verbo usado mais tarde elegchö é repreender severamente, arreganhar e castigar. Traduzido como correção não descartamos o castigo, tão necessário nos tempos antigos em que o provérbio latino declarava pueri et naves per posteriora reguntur [crianças e naves são dominadas pelas partes posteriores]. DESANIMES [eklyö<1590>=fatigare] o verbo grego é desatar, soltar, afrouxar, enfraquecer, e em sentido metafórico, desanimar, enfraquecer, desmaiar. É com este sentido que em Mt 9, 36 se fala das multidões que estavam decaídas e exaustas como ovelhas sem pastor. CASTIGADO [elegchomenos<1651>=argueris] é o particípio de presente passivo do verbo elegchö que significa condenar, corrigir, repreender e finalmente castigar. O sentido é que não devemos nos sentir desanimados pelas humilhações e sofrimentos que nos acompanham na vida. Porque são uma forma de educar-nos. No livro dos Provérbios 3, 11, lemos: Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor nem te enfades da sua repreensão, um texto em grego da Setenta que coincide palavra por palavra com o texto dos Hebreus

CORREÇÃO DO AMADO: Porque a quem ama o Senhor corrige; açoita, porém, todo filho que acolhe (6). Quem enim diligit Dominus castigat flagellat autem omnem filium quem recipit. Temos aqui a razão dessa regra que podemos chamar de universal: O Senhor [Deus] corrige a quem ama. O verbo paideuö [<3811>=castigare] tem a mesma raiz que a palavra correção do versículo anterior. A correção é própria de quem ama, do amor; assim como a adulação corresponde ao que teme, ao servidor. Quem bem te quer te fará chorar, diz o provérbio, e é possível que a frase anterior de Hebreus tenha também um suporte proverbial. Em  seguida, o autor afirma que Deus, a quem acolhe como filho, castiga  [mastigoö <3146>=flagellare], com o significado de açoitar, usando o látego ou flagelo. Era o instrumento com o qual se castigava o escravo rebelde ou o filho culpável de uma falta grave. Mais tarde, será o cinto paterno o instrumento que seria usado com bastante frequência, até nos centros de educação inglesa como o próprio Churchil experimentou nos seus anos de juventude. Paulo sabia por experiência que para não se ensoberbecer, Deus lhe enviou um anjo de Satanás que me esbofeteasse. É interessante saber que em Pr 3, 12 a Setenta diz o mesmo que o autor dos hebreus e com as mesmas palavras gregas e na mesma ordem. Eis a tradução da RV: Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem, que outros traduzem como um pai ao filho querido.

O PAI CASTIGA: Se sofreis o castigo, como a filhos Deus vos trata: pois que filho há a quem pai não castigue? (7). In disciplina perseverate tamquam filiis vobis offert Deus quis enim filius quem non corripit pater. Um provérbio judeu diz: a doutrina do castigo é o silêncio. Melhor é ver no castigo uma bênção divina, como o Sl 94, 12: Bemaventurado o homem a quem tu repreendes. Pois do castigo segue-se uma conversão que de outro modo não seria possível. Assim lemos no Sirácida 23, 2: quem aplicará a vara a meus pensamentos e a disciplina a meu coração… para que não se multipliquem meus erros nem se acumulem meus pecados? A correção divina está motivada somente pelo amor divino para conosco, não pela justiça estrita que podemos igualar com vingança do olho-por-olho. Assim Paulo trata o incestuoso de Corinto, cujo corpo entrega a Satanás para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (1Cor 5,5). O castigo se torna correção ou se preferimos causa de conversão, de reformar o que não faríamos de outro modo por desídia ou falta de compreensão. Sendo erro o segundo motivo,  o primeiro já entra dentro do pecado, como vemos no versículo do Sirácida anteriormente citado.  Melhor do que SOFREIS [ypomenö <5278>= perseverare] embora o significado seja o de suportar, continuar, permanecer, é melhor traduzir por sofrer. Assim é a tradução da TEB, com o qual o autor afirma que o sofrimento e a humilhação formam parte da pedagogia com a qual Deus, o Pai, ilustra e educa seus filhos.

BONS FRUTOS DO CASTIGO: Pois todo castigo, no momento, não parece ser de alegria, mas de tristeza; porém, finalmente fruto pacífico para os que por ele exercitados, produz boa conduta (11). Omnis autem disciplina in praesenti quidem videtur non esse gaudii sed maeroris postea autem fructum pacatissimum exercitatis per eam reddit iustitiae. É lógico que todo castigo, como sofrimento é, de imediato, causa de tristeza e não de alegria; mas deve ser considerado como uma ascese necessária para produzir frutos de boa conduta. Faltam nesta leitura epistolar os versículos 8, 9 e 10. É interessante ver como no 8 podemos ler: se estais privados de castigo…então sois bastardos e não filhos. Entende-se isto melhor, sabendo que o bastardo não estava ao cuidado do pai e este não se interessava pela sua educação, que, como temos antes descrito, frequentemente incluía o castigo. O fruto é de paz e de justiça (TEB). Ou frutos apassíveis de justiça (Nácar). A paz é um dom de Deus, como o expressou o anjo (paz aos homens) anunciando o nascimento do Messias (Lc 2, 14). Se recebermos o sofrimento/castigo como filhos que necessitam de correção, teremos paz e ao reformarmos condutas erradas, o fruto é justiça [dikaiosynë] que não é a justiça distributiva, mas a conformidade com a lei divina, que pretende se conformar com o aequum et bonum [justo e bom], neste caso com a vontade do Pai e que devemos traduzir como boa conduta [righteousness em inglês].

ANIMADOS: Por isso, as descaídas mãos e os trópegos joelhos restabelecei (12). Propter quod remissas manus et soluta genua erigite. Lemos em Isaías 35, 3 a mesma exortação: fortalecei as mãos frouxas e firmai os joelhos vacilantes. É a palavra do profeta diante da presença de Jahveh que pretende recorrer ao deserto transformado em vergel do Líbano com sua presença. É tempo de se levantar e trabalhar não de depressão e desânimo em que o pessimismo dá lugar a falta de esperança.

AO TRABALHO: E fazei sendas retas para vossos pés para que o coxo não se desloque, pelo contrário seja curado (12). Et gressus rectos facite pedibus vestris ut non claudicans erret magis autem sanetur. Parece concordar com Pr 4, 26-27:Traça um trilho  para os teus pés e sejam seguros os teus caminhos. Não te desvies nem à direita nem à esquerda. Afasta os pés do mal. Em termos metafóricos, Provérbios descreve o que deve ser a atitude do cristão que está sujeito à correção divina e o triunfo final como corresponde a atitude de quem se acomoda com os desejos do Pai.

Evangelho (Lc 13, 22-30)
QUANTOS SÃO OS QUE SE SALVAM?

SEGUNDA PARTE DA VIAGEM: E caminhava pelas cidades e vilas ensinando e fazendo caminho em direção a Jerusalém (22). et ibat per civitates et castella docens et iter faciens in Hierusalem. No grande resumo doutrinal que constitui a viagem de Jesus desde a Galileia a Jerusalém, encontramos um segundo propósito da subida a Jerusalém, precisamente neste evangelho. Jesus atravessava cidades [polis] e pequenas aldeias [kome]. Lucas diz que isso era na sua viagem em direção a Jerusalém. É um marco literário para o evangelista emoldurar nele uma série de ensinamentos que Mateus recolhe no seu sermão da montanha. Um deles é o problema da salvação.

A PERGUNTA: Então lhe disse alguém: Senhor, se [são] poucos os salvos? Ele então lhes disse (23). Ait autem illi quidam Domine si pauci sunt qui salvantur ipse autem dixit ad illos. Alguém perguntou. É um recurso de Lucas para introduzir um tema em profundidade que Jesus, como Mestre, deve resolver. O interlocutor introduz sua pergunta com Kyrie [Senhor]. Logicamente não é o Kyrios, título do Ressuscitado, de quem tem o máximo poder na terra como representante do Deus vivo, como diriam os judeus. Sem dúvida que aqui é um título de respeito e cortesia de quem se espera uma resposta sábia. A pergunta indica uma base semítica clara. Não tem o verbo ser e, traduzida diretamente do grego, seria: Se poucos os salvados? É uma pergunta que hoje, como antigamente, forma parte de nossas ansiedades mais íntimas. Formaremos nós parte desses privilegiados? Porque se são poucos, estaremos em perigo de não ser contados entre eles.

A RESPOSTA: Lutai para entrar através da porta estreita porque muitos, vos digo, buscarão entrar e não poderão (24). Contendite intrare per angustam portam quia multi dico vobis quaerunt intrare et non poterunt. Não é uma resposta direta mas uma exortação para se preparar porque o tempo é curto e a entrada estreita. Sem dúvida que temos necessidade de ambientar a resposta, segundo os pareceres da época: 1o) Os judeus, que acreditavam na vida após a morte, afirmavam que a salvação era monopólio do povo escolhido, deles, pois (ver Mt 3, 9). 2o) Tanto a pergunta como a resposta estão limitadas pelas circunstâncias do momento. Trata-se de saber quantos dentre os contemporâneos de Jesus e do kerigma apostólico entrariam no Reino. Isto pode ser deduzido das palavras do versículo 25. Por isso Jesus exorta a lutar e se esforçar seriamente para entrar através da porta estreita, restrita e difícil que dá acesso ao banquete e separa o mundo exterior dos rejeitados, do mundo interno dos escolhidos. De fato, essa luta deu-se no início do cristianismo. O Reino dos Céus sofre violência (Mt 11, 12). Assim começa a pequena parábola que tem como ambiente o banquete de bodas.

A PARÁBOLA: Pois, do momento que entrar o dono e ter fechado a porta e começardes de fora, a estar de pé e bater na porta dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e respondendo vos diga: Não vos conheço de onde sois (25). Cum autem intraverit pater familias et cluserit ostium et incipietis foris stare et pulsare ostium dicentes Domine aperi nobis et respondens dicet vobis nescio vos unde sitis. Está dirigida aos contemporâneos de Jesus. Tem como lugar paralelo a parábola das dez virgens em Mateus 25, 1-13 e como comentários Mt 7, 13-14; 8, 11-12 e 21-23. Temos também como complemento a essas dificuldades do Reino nos primeiros anos de sua proclamação um comentário que Marcos recopila em 10, 24-25. Por isso dirá Jesus em Mateus que os filhos do Reino serão lançados fora, nas trevas (8, 12). Para entender a parábola de hoje devemos partir do fato de que Jesus compara a entrada definitiva no Reino com a resposta ao convite para um banquete de um rei pelas bodas de seu filho, como lemos em Mateus 22, 1-14. Ou em Lc 14, 15-24. Nesta  pequena parábola do evangelho de hoje, Jesus não quer dar uma reposta definitiva ao número, porque depende de circunstâncias temporais. Mas bem se refere a seus conterrâneos e a seu tempo, tempo que ele magistralmente descreve como os dos que comiam e bebiam com ele, de modo que os ensinamentos de Jesus eram escutados nas suas praças (26). E é para esse tempo e esses homens que Jesus está falando. Realmente foram poucos os que entraram no Reino e Jesus foi rejeitado, tanto pelas autoridades judaicas como por grande parte do povo em geral. Desta forma se cumpria o que Jesus tinha previsto: Muitos desejarão entrar e não poderão fazê-lo. Porque a entrada não está aberta de modo contínuo. A porta será fechada pelo dono da casa e muitos ficarão de pé do lado de fora batendo à porta. Estes últimos pedirão: Senhor abre-nos! A resposta do dono será: Não conheço de onde sois.

NÃO VOS CONHEÇO: Então começareis a dizer: Comemos contigo e bebemos e nas nossas praças ensinaste (26). E dirá: Digo-vos, não vos conheço de onde sois. Afastai-vos de mim todos os fautores da maldade (26). Ttunc incipietis dicere manducavimus coram te et bibimus et in plateis nostris docuisti. Et dicet vobis nescio vos unde sitis discedite a me omnes operarii iniquitatis. E os pretendentes iniciarão sua identificação dizendo que ele, o dono da casa, tinha comido e bebido com eles e até ensinado nas suas praças. Tudo era verdade para os judeus do tempo de Jesus, na Palestina. E termina a narração repetindo: Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos os operários [ergates] da maldade [adikia]. O ergates é um operário, um trabalhador, exatamente como pede Jesus em Lc 10, 2: a colheita é grande os operários são poucos. Adikia significa coisa contrária à lei que pode ser injustiça, maldade ou iniquidade. A frase é uma cópia do Sl 6, 9: Afastai-vos de mim malfeitores todos. Que Mateus 7,13 traduz mais literalmente usando as mesmas palavras do grego dos setenta, ou seja, os que praticam a maldade. Por isso preferimos a tradução trabalhadores da maldade, ou operários do mal. Também no salmo 101, 8 lemos: A cada manhã eu farei calar todos os ímpios da terra, para extirpar da cidade de Javé todos os malfeitores [Ergazomenous ten anomian]. Deste modo se confunde adikia e anomia. No dicionário bíblico de língua inglesa adikia [sem justiça] sai 23 vezes traduzida como unrightneousness [injustiça] no sentido de não fazer o correto, e somente duas vezes como injustiça no sentido de ilegal. Anomia tem como tradução iniquidade (12) e na sua origem sem lei [lawlessness inglesa]. Não podemos traduzir a adikia, pois, como injustiça no sentido moderno de ir contra a virtude moral, de uma justa repartição de riquezas. Tem o sentido mais amplo de ser uma conduta contrária às normas da Torá ou lei divina.

A REJEIÇÃO: Lá haverá o pranto e o ranger de dentes, quando virdes Abraão e Isaac e Jacó e todos os profetas no Reino de Deus; mas vós lançados fora (28). Ibi erit fletus et stridor dentium cum videritis Abraham et Isaac et Iacob et omnes prophetas in regno Dei vos autem expelli foras. PRANTO E RANGER DE DENTES: É uma expressão usada muito frequentemente por Mateus (8,12; 13,42; 13,50; 22,13; 24, 51; e 25,30) Ela está unida ao lugar onde se encontram as trevas (3 vezes) ou a fornalha de fogo (2 vezes) e somente relacionada com os hipócritas (24, 51), que muitos traduzem por não dignos de confiança como em lugar paralelo de Lucas 24, 46, por ser uma deficiência do aramaico. No caso, Lucas usa a expressão de pranto e ranger de dentes, unicamente nesta passagem, indicando o lugar de fora, a exclusão do reino, ou banquete, onde estarão os três patriarcas representantes da fé e eleição de Israel. Estando fora do banquete, só encontrarão as trevas, pois não existindo luzes de rua, essa era a situação das mesmas à noite. Ao choro, ou melhor, às lamúrias próprias dos mendigos que clamavam por uma porção do jantar como esmola, unia-se o ranger dos dentes devido ao frio da noite ou à indignação de serem expulsos. Temos a tradição judaica que atribuía o ranger de dentes aos diabos no inferno; pois declaravam que à lisonja com a que bajulavam Coré, no caso da insurreição deste contra Moisés (Nm 16), o príncipe do inferno rangeu seus dentes a eles. O qual recebeu o nome de indignação ou tumulto do inferno. A frase aparece nos Salmos 35, 16 e 37,12 para expressar as injúrias dos ímpios contra os justos. No nosso caso seria para expressar o rancor contra o próprio dono da casa, seja o Senhor Jesus, seja o próprio Deus. A expressão, em Mateus, serve para indicar os castigos escatológicos como em 13,50, onde os que praticam o mal serão lançados na fornalha acesa onde haverá choro e ranger de dentes, como diz a conclusão da parábola da pesca onde se escolhem os peixes bons e se jogam os peixes proibidos. Podemos deduzir de tudo isso que o inferno será um lugar de fogo? Da expressão de Lucas é difícil argumentar definitivamente. Mateus se aproxima mais à ideia do inferno de fogo. Somente a Tradição resolverá o caso e tratará como formal um elemento que ao que parece é simbólico e narrativo.

PATRIARCAS E PROFETAS: Os três nomes são clássicos na literatura hebraica. Os profetas não acompanhavam o grupo de líderes dos escolhidos; porém, Lucas em várias ocasiões os agrupa como conjunto que forma parte do Novo Reino. E termina: vós mesmos sereis lançados fora do mesmo. Esta última conclusão indica que Jesus se refere aos seus ouvintes conterrâneos. E que foi uma decisão divina, esta de rejeitar o povo, ao qual até agora pertenciam os filhos do Reino, naturais herdeiros das promessas.

OS NOVOS HERDEIROS: E virão do Oriente e Ocidente e do Norte e Sul e se reclinarão no Reino de Deus (29). Et venient ab oriente et occidente et aquilone et austro et accumbent in regno Dei. Dos quatro pontos do mundo virão os novos membros, ou filhos do Reino. Já Isaías o profetizou: Para que se saiba até o nascente do sol e até o poente que, além de mim, não há outro (45,6;) que Malaquias completa dizendo que nesses limites é grande o meu nome e em todo lugar lhe é queimado incenso e trazidas ofertas puras, porque é grande entre as nações (1,11). Se realmente faltam os outros dois pontos, Norte e Sul os encontramos em 49, 12: virão do Norte e do Ocidente e outros da terra de Sinim, que alguns identificam com o sul da China. É importante que Jesus o afirme. São todos os povos convidados e de todos eles se formará o novo Reino, sem distinção, como diz Paulo dos dois povos até então inimigos Deus fez um só, pois ele [Cristo] é nossa paz, tendo derrubado o muro de separação e suprimido em sua carne a inimizade (Ef 2, 14).

A MORAL DA HISTÓRIA: Porque eis que há últimos que serão primeiros e há primeiros que serão últimos (30). et ecce sunt novissimi qui erunt primi et sunt primi qui erunt novissimi. Evidentemente nessa afirmação há duas asseverações dignas de reflexão: Não são todos os últimos, os primeiros; e vice-versa. A segunda é que fundados no parágrafo anterior, as duas classes diferentes são gentios e judeus. Estes pertencem ao grupo dos primeiros e aqueles ao grupo inicial dos últimos. Logicamente o juízo é baseado na formação do novo Reino.

PISTAS:

1) Temos aqui um relato evangélico, aparentemente constituindo uma unidade tanto lógica como real. Porém, comparando-o com outros evangelistas vemos que é mais uma unidade lógica e redacional. Lucas escolheu um fim que é a moral da história e reuniu diversos materiais para escrever esta página que, separada do contexto, poderia ser tomada em termos absolutos e, embora Jesus não o afirme, nós o declaramos rotundamente, porque está na Bíblia: poucos são os escolhidos, os que se salvam, afirmamos.

2) Os evangelhos são relatos com bases históricas, mas com finalidade catequética ou apologética e por isso podem ser composições arbitrárias de fatos reais e palavras verdadeiras, que os evangelistas nem se atrevem a alterar. Assim o comprovam os lugares paralelos, porém usados com diferentes objetivos. Daí a diversidade nos contextos e conclusões.

3) Neste trecho nos encontramos com uma realidade que não podemos esquecer; pelo fato de ser circuncidados e pertencer ao povo eleito, o antigo Israel não foi salvo como um todo para entrar a formar parte do novo Reino, do novo Eon como agora se diz. Mas poucos foram os escolhidos, precisamente aqueles que tiveram que lutar e se esforçar contra corrente para entrarem, entre eles os que nada tinham a perder, os pequeninos, os que não eram sábios nem ilustrados [leídos] (Lc 10 21).

4) Fazendo uma apropriação parenética, a escolha do Reino deve ser imediata, não deixada para última hora, porque a porta pode estar fechada. Formamos parte do novo Israel, mas a conduta individual da qual depende em grande parte a escolha, é nossa responsabilidade. A prática da justiça, isto é, do bem [fazer a vontade do Pai] será a que nos torna verdadeiros discípulos e a que obrigará o dono a escolher e abrir a porta definitiva.


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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