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Índice desta página:
Nota: Cada seção contém Comentário, Leituras, Homilia do Diácono José da Cruz e Homilias e Comentário Exegético (Estudo Bíblico) extraído do site Presbíteros.com

. Evangelho de 08/12/2013 - Imaculada Conceição de Nossa Senhora
. Evangelho de 01/12/2013 - 1º Domingo do Advento


Acostume-se a ler a Bíblia! Pegue-a agora para ver os trechos citados. Se você não sabe interpretar os livros, capítulos e versículos, acesse a página "A BÍBLIA COMENTADA" no menu ao lado.

Aqui nesta página, você pode ver as Leituras da Liturgia dos Domingos, colocando o cursor sobre os textos em azul. A Liturgia Diária está na página EVANGELHO DO DIA no menu ao lado.
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08.12.2013
SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA — ANO A
( BRANCO, GLÓRIA, CREIO, PREFÁCIO PRÓPRIO – OFÍCIO DA SOLENIDADE )
__ "És a Imaculada. És resplendor. És Transparência e Plenitude de Graça." __

2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A
(Acender mais uma das quatro velas da coroa do Advento)

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

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NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Celebramos hoje, com alegria, a festa da Imaculada Conceição de Maria, a Toda Santa. A festa da Imaculada Conceição leva-nos a pensar em Maria como a perfeita discípula que correspondeu plenamente aos anseios de Deus, movida pela graça. A fidelidade de Maria decorreu de um especial dom divino, o dom de nascer mais integrada do que nós, com mais capacidade de ser livre e acolher a proposta divina. Contudo, a condição de agraciada por Deus não a eximiu do esforço de ser peregrina na fé, necessitada de crescer e de aprender, como acontece com todo ser humano. Sua originalidade consistiu em ter trilhado um caminho sempre positivo, sem fazer concessões às paixões desordenadas, ou ao próprio querer. A grandeza de seu testemunho de fé expressou-se na humildade com que o viveu, num contínuo esforço de discernir a vontade de Deus e em ser solícita em cumpri-la.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Celebramos hoje a imaculada conceição da Santíssima Virgem Maria, que por mérito da maternidade divina, foi concebida santa e isenta de toda mancha de pecado. Plasmada e feita nova criatura, Maria representa o futuro de toda a humanidade. O dogma da Imaculada Conceição, proclamado por Pio IX em 1854, tem fortalecido a esperança de que todos adiram ao Evangelho de Cristo e tornem-se puros pelo amor que nos foi doado gratuitamente.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: O pecado e a encarnação aparecem na bíblia como dois movimentos que têm por objetivo a eliminação do abismo entre o Criador e a criatura. O pecado significa que o ser humano quis superar a distância que existe entre ele e seu Criador, pretendendo fazer-se igual a Deus. A encarnação é o movimento inverso. Deus, de fato, superou a distância entre nós e ele, quando o Verbo eterno se fez homem (Aíla Luzia Pinheiro Andrade - Revista Vida Pastoral da Paulus Editora).

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Gênesis 3,9-15.20): - "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar."

SALMO RESPONSORIAL 97(98): - "Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios!"

SEGUNDA LEITURA (Efésios 1,3-6.11-12): - "Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo"

EVANGELHO (Lucas 1,26-38): - "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra."



Homilia do Diácono José da Cruz — Imaculada Conceição de Nossa Senhora — ANO A

Imaculada Conceição

(O Dogma da Imaculada Conceição, proclamado pelo Papa Pio IX em 1854 não faz de Maria uma deusa, mas mostra que em sua pessoa Jesus antecipou a Salvação, livrando-a da mancha do pecado original. Aos poucos Maria foi descobrindo isso, depois dela as comunidades cristãs também o descobriram em suas devoções marianas, só então a Igreja reconheceu e proclamou solenemente esse Dogma)

Depois do nome, a referência mais importante de uma pessoa é a sua filiação, filho de fulano e de cicrana, ter uma mãe e um pai, uma origem, algo que está na essência da nossa humanidade, sem essa referência, até da existência se pode duvidar. Quem é ele, filho de quem, onde mora? O Filho de Deus, onipotente, onipresente, onisciente, aceita trilhar o mesmo caminho do homem. A encarnação é obra de Deus, mas que irá acontecer com a colaboração do homem.

O rei Davi era a dinastia mais famosa de Israel, pois unificara o norte e o sul formando um dos maiores impérios do oriente, o povo sonhava com aqueles tempos em que Israel era uma nação respeitada e temida pelas demais, pois o rei Davi impunha respeito, pelo poder do seu numeroso exército, mas acima de tudo por ter sido ungido do Senhor, pois ser rei era uma missão divina. As profecias falavam que o esperado messias era dessa família e que seria igual ou até melhor que Davi, ele era para o povo o braço poderoso de Deus lutando a favor dos pobres, alinhando-se com os homens justos e punindo os maus.

Os grandes acontecimentos ou decisões importantes que representem mudança na vida do povo, só poderiam ocorrer no meio dos poderosos, ao povo cabia ouvir, dizer amém e aguentar as consequências. Entretanto a vinda do messias começa a ser articulada entre Deus e uma mocinha pobre da periferia chamada Nazaré, até ela própria fica assustada e surpresa quando percebe que está em suas mãos mudar os rumos da história do seu povo. A mudança dos rumos de uma nação, só começa a acontecer de fato, quando o povo descobre a sua força. Deus nunca seguiu as estruturas humanas para realizar a salvação da humanidade, escolhe como parceiro pessoas fracas, aparentemente incapazes de fazer qualquer mudança.

Por caminhos tortuosos, incompreensíveis para os homens, Deus irá cumprir com a promessa, o noivo de Maria chama-se José e pertence a família do grande rei Davi mas apesar disso, José é um homem do povo, que vive de sua profissão de carpinteiro. E Maria? Quais eram seus planos de vida?

Todos nós temos de ter um projeto de vida, quem não tem, acaba não vivendo bem e nem sabe o sentido da vida. Maria estava prometida em casamento a José, como seu povo ela também esperava o messias, ela também alimentava no coração a esperança de dias melhores.

E em um momento de oração Maria se abre para ouvir a Deus e descobrir a sua vontade a seu respeito. Somente uma fé madura e consciente consegue se abrir diante de Deus e ao mesmo o questiona. Há certas coisas em nossa vida de difícil solução, e que seria tão bom se Deus fizesse do nosso jeito. Não que Deus seja sempre do contra, mas nunca vai ser do nosso jeito. Em Maria vemos o que é realmente a fé, quando não fazemos questão que seja do nosso jeito, mas sim do jeito de Deus, daí é que as coisas vão acontecer. Só que o jeito de Deus não é muito fácil de aceitar porque ultrapassa a lógica humana.

Maria não é casada, não tem marido, quando ela apresenta essa dificuldade o anjo anuncia que as coisas irão acontecer do jeito de Deus e para que Maria possa confiar é lhe dado um sinal, a prima Isabel, avançada em idade e ainda por cima estéril, irá conceber uma criança. Os sinais de Deus nunca seguem a lógica humana, mas é preciso confiar. E Maria aceita totalmente a missão, que não será das mais fáceis, abre mão de todos os seus planos, inclusive o casamento com José, ela aceita o risco de ser acusada de infidelidade, o que poderia fazer com que fosse condenada á morte, caso o noivo a denunciasse.

Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra - Para nós, hoje é muito fácil aceitar e entender essa história. Mas pensemos um pouco em Maria, que não fazia idéia do que vinha pela frente, mas sabia que Deus estava com ela.

Hoje o reino de Deus vai acontecendo e sendo edificado em meio aos homens, na medida em que, como Maria, nós aceitamos o desafio, fazendo de nossa vida uma entrega total e silenciosa nas mãos do Pai. Para isso é sempre preciso renovar a cada dia a decisão em favor de Jesus e seu reino...

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — Imaculada Conceição de Nossa Senhora — ANO A

Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora

Conta-se que o Beato escocês João Duns Scoto (1266-1308), estando diante duma imagem de Nossa senhora, rezou da seguinte maneira: dignare me laudare te, Virgo sacrata: Virgem Santa, fazei com que eu fale bem de vós! Em seguida, o franciscano fez as seguintes perguntas:

- A Deus lhe convinha que a sua Mãe nascesse sem a mancha do pecado original?
Sim. A Deus lhe convinha que a sua Mãe nascesse sem nenhuma mancha, pois é mais honroso para ele.

- Deus podia fazer que a sua Mãe nascesse sem o pecado original?
Sim. Deus pode tudo e, portanto, podia fazer com que a sua Mãe fosse imaculada, sem mancha.

- Aquilo que é conveniente a Deus, ele o faz ou não?
Se Deus vê que uma coisa é conveniente, que é melhor, ele a realiza.

- Logo – exclamou Scoto –, já que para Deus era melhor que a sua Mãe fosse imaculada e podia fazer que assim o fosse, ele – de fato – a fez imaculada. Decuit, potuit, fecit! Convinha e Deus podia, Deus o fez!

Logicamente, esse não foi o primeiro raciocínio em torno à verdade da Imaculada Conceição. Muitos estudiosos da ciência teológica haviam pensado nessa verdade de fé e, não obstante, encontravam dificuldades à hora de afirmá-la, basicamente duas: a universalidade do pecado depois de Adão e a universalidade da redenção efetuada por Cristo. Se todos nascem com a mancha do pecado original, como retirar a Mãe de Jesus do meio do comum dos mortais? Essa era a primeira objeção. Ademais, Cristo salvou a todos. Afirmado o anterior, será que a defesa da imaculada conceição não vai em contra dessa universalidade da redenção de Cristo que atinge a todos? De fato, esses argumentos fizeram com que alguns teólogos – como Santo Anselmo, São Bernardo, Santo Alberto Magno, São Tomás de Aquino e São Boaventura – negassem que Maria fosse imaculada desde a sua conceição. Logicamente, naquele tempo não havia o dogma da imaculada conceição e, portanto, nenhum deles pode ser acusado de heresia.

Ao contrário desses grandes teólogos, Eadmero (+ 1124), monge beneditino e discípulo de Santo Anselmo, mais atento à fé do Povo de Deus que se sentia atingido em sua piedade quando se afirmava que Maria teve o pecado original, ofereceu uma boa base argumentativa para defender a imaculada conceição de Nossa Senhora. A sua maneira de pensar ajudou especialmente a resolver a primeira dificuldade, aquela que se referia à universalidade do pecado. Eadmero se apoiou, por um lado na analise que pode ser feita sobre a geração do ser humano e, por outro, na onipotência de Deus. Esse autor diz que em toda concepção há que considerar duas coisas, os pais que geram (dimensão ativa) e o filho que é gerado (dimensão passiva). Na concepção ativa (geração) há continuidade e, nesse sentido, transmissão do pecado; mas na concepção passiva (a criatura que é gerada) há uma descontinuidade porque começa um novo ser e, nesse sentido, pode dar-se a ruptura com o pecado na humanidade. Estabelecida a possibilidade, o monge beneditino inglês apoiou-se na onipotência de Deus para que aquilo que é possível venha a ser real. Eadmero deixou escrito em seu “Tratado sobre a conceição de Santa Maria”: Potuit plane et voluit; si igitur voluit, fecit”: como Deus pode e quis (romper a cadeia do pecado e fazer imaculada a Virgem Maria), fez aquilo que quis. Talvez essas palavras latinas – potuit, voluit, fectit: pôde, quis, fez – já se encontravam na piedade popular que, ao parecer, cantava da seguinte maneira:

Quis e não pôde, então não é Deus;
Pôde e não quis, então não é filho;
Digam, portanto, que pôde e quis.

Com Guilherme de Ware (+ 1300), a teologia franciscana sobre a imaculada conceição de Maria começa a andar a passos largos. Esse frei inglês foi professor em Oxford; filósofo e teólogo, ao parecer foi mestre de João Duns Scoto em Oxford. Guilherme oferece o argumento para resolver a segunda dificuldade, aquela que se referia à “incompatibilidade” entre a universalidade da redenção e a imaculada conceição de Maria. Para esse autor, Maria não teve o pecado original porque ela foi redimida por Cristo antecipadamente, de maneira preventiva: ela foi preservada, pelos méritos de Cristo, de contrair o pecado original.

O “cantor do Verbo encarnado e defensor da Imaculada Conceição”, o Beato Duns Scoto – como o definiu João Paulo II – soube unir todas essas tendências a favor da imaculada conceição de Nossa Senhora com grande sucesso. Bento XVI, na audiência do dia 07 de julho deste ano, quando falou sobre o beato Duns Escoto, explicava alguns aspectos ligados a esse dogma. A descrição do Papa é muito interessante: “Na época de Duns Escoto a maior parte dos teólogos fazia uma objeção, que parecia insuperável, à doutrina segundo a qual Maria Santíssima foi preservada do pecado original desde o primeiro momento da sua concepção: de fato, a universalidade da Redenção realizada por Cristo, à primeira vista, podia parecer comprometida por semelhante afirmação, como se Maria não tivesse precisado de Cristo e da sua redenção. Por isso os teólogos opunham-se a estes textos. Então, Duns Escoto, para fazer compreender esta preservação do pecado original, desenvolveu um tema que depois seria adoptado também pelo beato Papa Pio IX em 1854, quando definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. E este argumento é o da “Redenção preventiva”, segundo a qual a Imaculada Conceição representa a obra-prima da Redenção realizada por Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Por conseguinte Maria é totalmente remida por Cristo, mas já antes da concepção. Os Franciscanos, seus irmãos de hábito, aceitaram e difundiram com entusiasmo esta doutrina, e outros teólogos – muitas vezes com juramento solene – comprometeram-se a difundi-la e a aperfeiçoá-la”.

Depois de um longo caminho de piedade mariana imaculista e de reflexão teológica, Pio IX, no dia 08 de dezembro de 1854, rodeado por 92 bispos, 54 arcebispos, 43 cardeais e de muitíssimas outras pessoas definiu como dogma de fé a Imaculada Conceição da Virgem e Mãe de Deus, Maria Santíssima: “declaramos, proclamamos e definimos que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda mancha da culpa original no primeiro instante da sua conceição por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em atenção aos méritos de Cristo Jesus Salvador do gênero humano, está revelada por Deus e deve ser, portanto, firme e constantemente acreditada por todos os fiéis” (Bula Ineffabilis Deus).

Logicamente, a base bíblica dessa verdade de fé católica não pode ser mais que implícita. A inimizade entre Maria e o demônio (cfr. Gn 3,15), a plenitude de graça que há em Maria (cfr. Lc 1,28) e a benção que recai em Nossa Senhora (cfr. Lc 1,42) são realidades que, interpretadas na Tradição da Igreja, nos oferecem uma base sólida para contemplar, expor, viver e defender essa verdade da nossa fé.

Ao pensar na Imaculada Conceição, eu também gosto de pensar na pureza de vida que o Senhor pede que tenhamos e que pode resumir-se naquela bem-aventurança que diz “bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus”. Quando falamos de pureza de coração não nos referimos somente à castidade, mas àquela disposição interior que nos deixa livres para acolher o olhar penetrante de Deus nas nossas vidas e para que também nós, com uma felicidade antecipada, possamos ver – agora na fé e depois na visão – o Pai e o Filho e o Espírito Santo. A pureza do coração nos faz sensíveis às coisas do alto; um coração sujo, ao contrário, não percebe as coisas de Deus.

Bendita seja a tua pureza,
Seja bendita eternamente.
Pois todo um Deus se recreia
Em tão graciosa beleza.

A ti, celestial princesa,
Virgem sagrada, Maria,
Eu ofereço neste dia
A vida, a alma e o coração.
Olha-me com compaixão.
Não me deixes, ó minha Mãe.
(canto mariano tradicional)

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — Imaculada Conceição de Nossa Senhora — ANO A
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

Imaculada Conceição

INTRODUÇÃO: É lícito e plausível louvar o Senhor por suas obras. Salmos e profetas têm suas páginas impregnadas de semelhantes doxologias. E qual é a obra ápice para tal elogio? Sem dúvida, Jesus, o homem em que se encarnou o Verbo de Deus (Lc 1, 42). E como em toda tradição humana, será a mãe desse Jesus a que mereçe o máximo louvor após o dado ao Filho. Bendita és tu entre as mulheres (Lc 1, 42). Mas a razão dessa bênção será a dada pela mulher desconhecida do povo: Bendito o ventre que te gerou e os peitos que te alimentaram (Lc 11, 27). A correção de Jesus [antes bemaventurados os que ouvem a palavra de Deus e a praticam] que muitos evangélicos usam para denegrir os católicos que veneram Maria, não serve: Ela gerou antes em sua mente aquele que procriou no seu ventre (S. Agostinho). E a bênção definitiva de Jesus sobre os que cumprem a vontade do Pai, serve perfeitamente para Maria, que entregou sua liberdade [escrava do Senhor] para que a liberdade divina encontrasse o caminho completamente livre para cumprir seus desígnios em sua escrava (Lc 1, 28). Ela era a kecharitomene [literalmente, superfavorecida] já antes de dar a resposta. E que significa esse favor extremo e abundante do Senhor? De ordem espiritual devia ser segundo o que Jesus replica à mulher que louvou sua mãe em termos materiais. E o melhor dom a receber por uma criatura é a santidade, própria de Deus. Santidade que significa total ausência de pecado. Daí que Imaculada seja o título com o qual ela se declara como aparição à pequena Bernardete. E dessa eleição [epeblepsen=abaixou seu olhar] da insignificância de sua escrava resultam todos os privilégios [não seria do contrário superfavorecida] marianos. Comecemos por sua Conceição.

MARIA EM SUA CONCEIÇÃO: Em seu magnífico livro, conjunto de uma série de artigos sobre Maria, Vittorio Messori afirma que existe uma diferença entre a Imaculada Conceição dos católicos romanos e a Conceição Imaculada dos católicos ortodoxos. A primeira foi definida por Pio IX aos 8 de dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus. Assim o Papa se expressou: Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bemaventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis. Como vemos, o principal objetivo da bula papal é o pecado original. E sobre essa conceição, se afirma que foi sem pecado. Daí o título Imaculada Conceição, confirmado sobrenaturalmente pela aparição em Lourdes no dia 25 de março de 1858. Em dialeto local do Bearne, parecido com o aragonês pirenaico, que ainda se conserva nos pés da estátua da gruta, é: Que soy era Immaculada Councepçiou. Já os orientais falam de Conceição Imaculada, não da Virgem, mas de Jesus, embora admitem em Nossa Senhora ausência de pecado e por isso é chamada panagia [toda santa]. Nos ícones de Maria, esta é pintada com três estrelas que significam Virgem antes do parto, Virgem no parto e Virgem depois do parto.

MARIA COMO MÃE DE JESUS: Caro Iesu, caro est etiam Mariae: Essa era a clássica fórmula antiga: a carne de Jesus é também carne de Maria. Hoje, após o que sabemos de biologia podemos trocar por esta outra afirmação: Caro Mariae est etiam caro Jesu, especialmente podemos afirmar que no primeiro momento da vida de Jesus sua carne era totalmente mariana. Logo, em Jesus vemos a mãe, e, na mãe, vemos Jesus.

MARIA COMO MÃE DOS CRISTÃOS: Podemos afirmar que é totalmente certa aquela afirmação de um sacerdote que, numa locução interna, escutou esta verdade: Não pode ser chamado irmão de Jesus quem não aceita Maria como Mãe. Os evangélicos gostam de se chamar irmãos. Irmãos, logicamente através de Jesus, que chama seus discípulos de irmãos (Mt 12, 48-49). A frase estava dirigida especialmente aos sacerdotes que são os irmãos preferidos de Jesus, como era o discípulo amado a quem deixa como mãe Nossa Senhora ao pé da cruz. Se christianus alter Christus, o sacerdote é o próprio Cristo no momento da consagração, porque não diz este é o corpo de Cristo, como dirá no momento da comunhão, mas isto é meu corpo. E é esse sacramento que o torna especialmente sacerdote.

MARIA ASSOCIADA À PAIXÃO: A predição do velho Simeão: Uma espada te atravessará o coração (Lc 2, 35). E, efetivamente, Maria, ao pé da cruz, teve sua paixão associada à paixão de seu Filho. Se como diz Paulo, ele próprio membro do corpo de Cristo (1Cor 5, 15), sofre pelos colossenses completando em sua carne o que falta às tribulações de Cristo por seu corpo, que é a Igreja, Maria sofreu com seu Filho e completou também em sua carne completando o mistério do sofrimento de seu Filho. Assim, podemos compreender a famosa oração de S. Brígida pelas almas do purgatório e pelos pecadores, quando contempla as chagas do corpo de Jesus e oferece ao Pai Eterno através das mãos imaculadas da Virgem Maria as dores, os sofrimentos e o sangue derramado de seu Filho na paixão. Com certa propriedade, podemos afirmar que Maria foi o primeiro sacerdote, imediatamente após seu Filho e exerceu esse sacerdócio ao pé da cruz.

MARIA ASSUNTA: Não tenho nada a acrescentar ao magnífico escrito de Vittorio Messori. Foi o primeiro dogma [verdade teológica] proclamado pelo povo e logo aclamado solene e finalmente pelo Papa em nome do sensus fidei universal em 15 de agosto de 1950. Certamente era já comum antes do Concílio de Calcedônia (451) onde S Juvenal, bispo de Jerusalém, responde aos desejos do Imperador que queria ter o corpo de Maria, Mãe de Deus; falando que morreu na presença de todos os apóstolos, mas que sua tumba, aberta a pedido de S Tomás, foi encontrada vazia. O dogma é uma consequência de sua Conceição Imaculada: onde não existe pecado não podem existir as consequências do mesmo: a morte e a sua corrupção. Por isso, no lugar da morte se fala do Trânsito ou da Dormição de Maria. Porém, se antigamente predominava a ideia da vitória sobre a morte hoje é a glorificação de Maria em corpo e alma a que predomina na teologia e na veneração de Nossa Senhora.

PISTAS:

1) A veneração especial [hiperdulia] de Maria na Igreja Católica não é nem heresia, nem superstição, mas uma consequência desse olhar especial divino, dirigido a quem era e é sua escrava. Seguimos o exemplo do Altíssimo e as recomendações de sua profeta: bendita és tu entre as mulheres (Lc 1,42).

2) Pelo que respeita a sua intervenção mediadora, só temos que trasladar aos nossos tempos a sua mediação em Caná: Não têm mais vinho (Jo 3, 3). E Jesus, obediente, apesar de não ser sua hora, fez o milagre. Essa intervenção nas necessidades dos seus devotos tem sido uma constante na história da Igreja, como confirmação de que não esperamos numa vã realidade, numa inútil expectativa.

3) Podemos fazer nossas as palavras da Virgem de Guadalupe a seu mensageiro o índio Juan Diego: Não estou eu aqui que sou tua mãe? Não estás sob minha sombra e resguardo? Não estás nas dobras de meu manto, no cruzamento de meus braços?

EXEMPLO: É narrado por Vittorio Messori. É o relato de uma aparição que ainda mostra, como a de Guadalupe, a intervenção de Maria e desta vez como flor entre espinhos. O fato aconteceu em Bra, perto de Turim, Itália, no dia 29 de dezembro de 1336. Egídia Mathis, em estado avançado de gestação foi agredida por dois meliantes. Desesperada, ela se agarrou ao pilar onde estava desenhada a imagem da Virgem. Dela surgiu um relâmpago e uma luz que cegou os malfeitores. Fugidos estes, a Virgem consolou Egídia que no lugar teve um parto feliz. A mãe recolheu o filho no seu xale e se acolheu na casa mais próxima. O fato chamou a atenção dos vizinhos que foram visitar o pilar e ficaram maravilhados porque um espinheiro [abrunheiro, ou primus Espinosa] abundante no local, tinha florescido e suas rosas brancas enchiam o lugar num mês tão impróprio como dezembro. Até hoje esse espinheiro floresce no final de dezembro, a exceção de dois anos: 1887 e 1898. O florescimento, que normalmente dura 10 dias, está fora de época, pois normalmente é em fevereiro em todos os casos. Os cientistas não explicam como um arbusto normal, numa terra comum, pode fazer isso dois meses antes de sua floração normal. É para declarar que Maria é uma exceção da regra comum entre as mulheres? Não é que Maria deseja ser amada como Mãe, protegendo as mães, pois in flore Mater?


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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01.12.2013
1º DOMINGO DO ADVENTO — ANO A
( ROXO, CREIO, PREFÁCIO DO ADVENTO I – I SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Que alegria: Vamos à casa do Senhor!" __

INÍCIO DO NOVO ANO LITÚRGICO – ANO A
(Acender a primeira das quatro velas da coroa do Advento)

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
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APRESENTAÇÃO POWERPOINT

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NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGELHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Iniciamos um novo tempo litúrgico: o Advento. Nossa vida diária é marcada pela rotina dos acontecimentos. Do mesmo modo, como já não prestamos mais atenção na paisagem do caminho que fazemos de casa para o trabalho, porque já se tornou familiar e sem surpresas, muita gente deixa de prestar atenção para a meta final da vida pessoa. Para onde vou? Esta questão não existe em quem deixa que a “vida o leve”, como diz a letra de um samba popular; vive sem um destino. Quando alguém deixa que a vida o leve e embarca na vida com a rotina do dia a dia somente para sobreviver, o destino será a morte, e a vida, um peso. Diante de tal possibilidade, que é real e palpável em nossos dias, a liturgia deste primeiro domingo do Advento nos chamará à vigilância. Mais que uma atitude, o apelo da celebração de hoje quer nos acordar do nosso sono de se deixar levar pela vida, resultado do embalo rotineiro de todos os dias fazer sempre a mesma coisa, sem uma iluminação interior, incapaz de iluminar a vida com um brilho novo. Quem se faz refém da rotina, perde a esperança e, pouco a pouco, a luz da vida vai se apagando dentro de si. Este será tirado da vida. Permanece na vida quem se deixa iluminar com a luz divina.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: A Igreja inicia hoje o tempo do Advento, segundo o itinerário litúrgico do Ano A; tempo marcado pela espiritualidade da vigilância e da oração. É preciso que os cristãos estejam preparados para a vinda do Senhor, como também para enfrentar as turbulências da história. No Brasil, o Advento é enriquecido pela Campanha para a Evangelização, que tem como finalidade fortalecer os trabalhos missionários que levam o Evangelho para todas as fronteiras. A Igreja de São Paulo quer que seus filhos celebrem o Natal com o coração renovado e fortalecido pelo Mistério Pascal, de tal forma que estejam comprometidos com a Evangelização da cidade e do mundo.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Com o início de um novo Ano Litúrgico - ANO A. O Ciclo do Natal se inicia com o Advento e hoje nós começamos nossa preparação para a comemoração do Nascimento de Jesus, para a chegada do Menino Deus e Rei em nossas vidas. A cada ano celebramos esta chegada e proponho uma chamada de consciência para verdadeiramente aceitarmos Cristo como nosso único Rei e Salvador, Caminho, Verdade e Vida. Que a nossa fé não seja só de facahado ou de conveniência, mas que seja realmente a força que nos move a sermos verdadeiramente CRISTÃOS, com letras maiúsculas, Vigiando e Orando, sempre preparados para agir nos momentos precisos pelo bem de nossos irmãos e irmãs e receber ao Nosso Senhor, quando ele chegar.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo entoemos alegres cânticos ao Senhor!


(coloque o cursor sobre os textos em azul abaixo para ler o trecho da Bíblia)


PRIMEIRA LEITURA (Isaías 2,1-5): - "Casa de Jacó, vinde, caminhemos à luz do Senhor."

SALMO RESPONSORIAL 121(122): - "Que alegria quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!"

SEGUNDA LEITURA (Romanos 13, 11-14): - "A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé."

EVANGELHO (Mateus 24, 37-44): - "Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor."



Homilia do Diácono José da Cruz — 1º Domingo do Advento — ANO A

FICAI ATENTOS!

Nos meus tempos de seminário, nos anos 60, alguém da direção vez ou outra fazia de surpresa, uma inspeção em nossa cama, armário e criado mudo, e que muitas vezes ocorria em horas que não esperávamos. Na turma havia o “Ferreirinha”, um mineiro muito caprichoso que mantinha suas coisas em ordem, limpas e organizadas, despertando em toda a turma muita raiva e ciúmes. Quando o sineteiro tocava o sino fora de hora, era aquela correria de alunos subindo as escadas em direção ao dormitório, porque a inspeção iria começar. Nessas horas o Ferreirinha continuava tranquilamente a sua atividade, de estudo ou lazer, sorrindo satisfeito e divertido, ao ver a turma se atropelando no pé da escada, temerosos de serem punidos pela equipe de disciplina, que fazia a inspeção.

Um dia decidi acompanhar mais de perto o desempenho do meu amigo e percebi que ele nunca deixava nada para depois, na hora do banho ganhava um tempinho e limpava o criado mudo, na hora do recreio, dedicava dez minutinhos para ajeitar melhor a cama, o lençol e a fronha. Pela manhã agilizava a higiene pessoal e tinha um tempinho a mais para dar uma revisada no armário, e assim, fazendo um pouco a cada dia, ia mantendo sempre em ordem o seu canto, e quando chegava o sábado, que era dia de limpeza, tinha muito pouco a fazer, e para nossa inveja, ficava na sala de TV assistindo algum seriado, ou lendo algum livro.

Lembrei-me disso diante desse evangelho do primeiro domingo do advento, quando se inicia um novo tempo litúrgico, e a palavra chave é: Vigiais e estejais preparados!

Muita gente pensa que se trata de estar preparado para morrer, quando na verdade, é estar preparado para viver, e isso significa, em última análise, viver intensamente cada minuto da nossa existência, dedicando-nos a fazer o bem, em pequenos gestos e ações do dia a dia, exatamente como fazia o meu colega de seminário.

Porque estar atento e vigiar, é o mesmo que fazer faxina em nossa casa, quando deixamos para fazer tudo em um só dia, o trabalho é dobrado, a canseira é muita e a qualidade fica a desejar, se estivermos com pressa de acabar logo. Mas se dispusermos de alguns minutos para limparmos e cuidarmos de um cômodo por dia, com certeza teremos pouco trabalho pela frente e uma maior qualidade naquilo que for feito. Mas não se pode ter preguiça e deixar para depois, pois esse comodismo poderá custar caro.

A expressão usada por Jesus: “FICAI ATENTOS...” põe-nos de sobreaviso sobre algo que vai acontecer mais à frente, na história da nossa vida e da humanidade, para que não sejamos pegos de “calças curtas” na volta do Filho do Homem. No tempo de Noé ,muitos empurravam a vida com a barriga, não descobrindo no existir, qualquer sentido novo e para estes, tanto fazia o rio correr para o norte ou para o sul, não tinham um ideal e nem razão para buscar algo grandioso. Coração vazio, alma vazia, nada faz sentido, nem acontecimento bom ou ruim. Há outros que inventam falsos valores de felicidade e passam a vida inteira correndo atrás de bolinhas de sabão, quando as alcança, descobrem que tudo não passou de uma fantasia. A nossa sociedade é assim, vivendo de maneira perigosa no indiferentismo.

Todos terão um último e definitivo encontro com o Senhor da nossa Vida e da nossa História, essa verdade é proclamada por Mateus, em seu discurso apocalíptico no evangelho desse domingo, mas quando será e como se dará, isso ninguém sabe a não ser o Pai.

Tem gente que corre atrás de visões, adivinhações, premonições, principalmente nessa época de final de ano, quando não faltam ingênuos que pagam caro por uma consulta, para saber da saúde ou de negócios. No mundo têm bobo pra tudo...

Enquanto isso, a Palavra de Deus nos revela gratuitamente tudo que precisamos saber, para viver bem a nossa vida, onde em cada minuto a prática do amor, e a busca da verdade e da justiça nos ajuda a estarmos preparados e vigilantes, pois toda vez que deixamos um minuto passar em branco, sem amar ou ajudar ninguém, sem construir algo de bom e edificante, estamos desperdiçando a grande oportunidade de acolher o Senhor, que vem ao nosso encontro em tantas pessoas ou situações.

E desta forma, ajudar alguém, consolar quem está triste, encorajar quem está desanimado, chorar com quem está sofrendo, são algumas maneiras de nos encontrarmos com Jesus, ainda nessa vida, mas para isso é necessário estar sempre atento e vigilante, pois a oportunidade de fazermos o bem acontece todo dia, em situações rotineiras em que menos esperamos. Quem viver assim, não será surpreendido quando o Senhor voltar, para confirmar todo bem que se viveu, na plenitude do amor, vocação maior a qual fomos chamados.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  jotacruz3051@gmail.com


Homilia do Padre Françoá Costa — 1º Domingo do Advento — ANO A

Noé do século XXI

Não faz muito tempo, um amigo enviou-me uns conselhos interessantíssimos para recristianizar a sociedade. São verdadeiramente divertidos! Vamos aproveitá-los no dia de hoje de uma maneira bastante prática. Por outro lado, falando em recristianizar o nosso mundo, o nosso Brasil, vêm à mente as alegrias e as dificuldades que essa missão leva consigo.

Escutamos a comparação entre os tempos de Noé e os tempos da segunda vinda de Cristo: assim como, nos tempos de Noé, as pessoas, além de viver bem ordinariamente, estavam bastante distraídas, “assim será também na volta do Filho do homem” (Mt 24,39). Assim como os seres humanos que precederam o dilúvio universal, “comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento” (Mt 24,38), assim também estará a humanidade que precederá o juízo universal. Além da exortação que o Senhor faz para que estejamos vigilantes porque ele pode voltar a qualquer momento, não surpreende o fato de que nós frequentemente vivemos distraídos para essas coisas de dilúvios e de juízos. É normal, pois nos parece de grande proveito comer, beber e divertir-nos. E é verdade! Mas é preciso que unamos essas coisas ordinárias com as realidades sobrenaturais fazendo com que sejam uma só coisa na nossa vida: “quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Cor 10,31).

O critério está bem claro: se fizermos todas as coisas ordinárias tendo presente a glória de Deus não seremos surpreendidos no dia do juízo, estaremos sempre preparados para esse acontecimento. Mas, como ter sempre presente a glória de Deus? Como não andar frequentemente distraídos?

É nesse contexto que eu acho que se encaixa como uma luva à mão os conselhos do meu amigo para recristianizar a sociedade. São também bastante práticos para que tenhamos sempre presente a glória de Deus e não andarmos tão distraídos. Dos vinte e cinco conselhos formulados pelo meu amigo, vou mencionar somente alguns:

  1. Reze antes das refeições, também ao comer em restaurantes ou em qualquer outro lugar. Ser cristão não é ter AIDS!

  2. Escreva aquilo que você sabe, mas com sentido cristão. Não se preocupe! Aqueles que escrevem sem sentido cristão tampouco são escritores.

  3. Se for comer num restaurante numa sexta-feira, pergunte ao garçom pelos menus de abstinência. Caso ele fique um pouco admirado, é simples, explique o porquê.

  4. Se você é religioso, lembre-se que o hábito é um grande testemunho e é fera demais! Retire a poeira dele e use-o desde a manhã até a noite. Não se preocupe: os jovens também chamam a atenção com as roupas que eles utilizam.

  5. Não tenha vergonha de apresentar aos amigos os seus oito filhos.

  6. Se você é sacerdote passe cinco horas diárias no confessionário. Se não é, passe cinco minutos semanais pelo confessionário.

  7. Seja pós-moderno e atreva-se a elogiar diante dos seus amigos a santa pureza, a mortificação corporal, a virgindade e a obediência ao Papa; não se preocupe: aqueles que têm complexos irão ao psiquiatra.

  8. No tempo de calor, não se comporte como índio antes da colonização. Um pouco de decência, né!?

  9. Pela rua, vá de mãos dadas com a sua namorada; e se ela tiver frio, é só dar-lhe de presente um cachecol.

  10. Com idêntica soltura com que você cita a Maomé, Gandhi ou Martin Luther King, faça o mesmo com a Epístola aos Filipenses, o Evangelho segundo São Mateus ou São Cirilo de Jerusalém. Experimente!

  11. Sorria. Um Brasil mais cristão é um Brasil mais alegre.

  12. Não se queixe. Faça alguma coisa.

Sem dúvida, o meu amigo tem razão! Dizia um santo que nós temos que passar despercebidos quando está de moda chamar-se católico e ser valentes e aparecer quando os católicos desaparecem. Não precisamos vestir-nos como Noé, nem usar barba como ele, mas podemos despertar a sociedade: Jesus voltará!

Já que com esse primeiro domingo do Advento a Igreja inicia mais um Ano Novo Litúrgico, aproveito para felicita-lo também: felicidades neste Ano Novo e que seja de abundantes graças do Senhor.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


Comentário Exegético — 1º Domingo do Advento — ANO A
(Extraído do site Presbíteros - Elaborado pelo Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

EPíSTOLA (Rm 13,11-14ª)

INTRODUÇÃO: Como primeiro domino do Advento a liturgia no oferee uma série de avisos do aóstolo Paulo paa os fiéis que esperavam a Parousia, o segundo Advtigilância e preparfação. o do Senhoe. É tempo de vigilância e preparação, pois quem não está disposto a receber Jesus nascido como Salvador e Senhor de paz, recebê-lo-á como severo juiz e árbitro final de condenação.

O KAIROS: E isto, sabendo o tempo propício, pois que a hora de nós já do sono despertar (é) agora; pois está mais próxima a nossa salvação que quando acreditamos (11). Et hoc scientes tempus quia hora est iam nos de somno surgere nunc enim propior est nostra salus quam cum credidimus.Paulo está dando uma série de avisos centrados na prática da caridade da qual diz que é a plenitude da Lei. Daí o início deste versículo: E ISTO, como para acrescentar alguma coisa ao dito anteriormente, ou seja que, antes de mais nada, devem os fiéis guardar os mandatos que exige a caridade com o próximo: Pois isto: não adulterarás, não matarás, não robarás, não cobiçarás (13, 9); e agora a estes mandatos, base do amor ao próximo, deve acrescentar também um aviso importante, devido ao tempo ou época em que os fiéis se encontram, e que Paulo declara sendo KAIROS [<2540>=tempus] que podemos traduzir como uma medida, especialmente do tempo, de onde temos uma determinada época, em que existe uma crisis ou uma oportunidade, como um tempo que é o favorável ou conveniente, que temos traduzido por propício. Por isso, diz Paulo, que é hora de despertar do sono em sentido de estar vigilantes. O tempo é breve e a salvação está próxima. Mas de que tempo ou de que pessoas trata Paulo? Pode ser o tempo e vida de cada um, breve como é e do qual depende a salvação individual; mas parece que Paulo se refere a Parousia e o tempo é este em que a noite está já terminando e o dia está próximo (Ver 12). Este é o tempo em que se espera a segunda vinda de Cristo e a salvação ou saúde é a mesma que Paulo descreve desde o início da carta (1, 16). De uma parte, pertencemos ao  mundo da luz e devemos agir em consequência (v 12). Por outra parte, estamos ainda entre trevas, esperando o pleno dia em que a luz dissipe as mesmas. A salvação está mais próxima, dirá Paulo, do que estava quando inicialmente recebemos a fé. Os romanos receberam a fé pouco tempo após a morte de Cristo,  talvez após Pentecostes (ano 33) e sabemos que Pedro esteve em Roma nos primeiros anos de Claudio (41 a 44) e Paulo agora escreve perto do ano 58, com uma diferença de 14 anos no mínimo. A Parousia, para Paulo, tinha consequências e estava rodeada de circunstâncias bem diferentes do que agora nós pensamos sobre a mesma. Para nós, é um triunfo em que esperamos só os bens celestiais, dentro da renovação total do mundo e ressurreiçao dos corpos. Para Paulo, a Parousia está concentrada em Cristo: seu triunfo é o triunfo da fé, que agora espera o reconhecimento de que não estavam com uma esperança vã como quem vive de uma ilusão. A salvação individual é a nota dominante de nossa concepção da parousia; o triunfo da Igreja, pobre e humilde, em Cristo, era a mensagem que a primitiva fé necessitava como esperança de dias melhores. Dai que a Parousia era a idéia principal da evangelização, como um futuro próximo, desejável para manter a esperança num mundo de ilusão e expectativa, que se confiava estar próximo.

REVESTIDOS DA LUZ: A noite avançou, pois o dia tem se aproximado: despojemo-nos pois das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz (12). Nox praecessit dies autem adpropiavit abiciamus ergo opera tenebrarum et induamur arma lucis. Paulo continua com a metáfora das trevas/noite e luz/dia. Para Paulo, já estamos perto da aurora e o que importa é agir como quem tem a luz, e não pode agir como os que segundo João preferem as trevas, porque suas obras eram más (Jo 3, 19). E o apóstolo usa aqui também de uma metáfora:  O vestido, como quem adapta sua vida a certos hábitos de agir, deve ser precedido de um despir-se de obras más para se revestir das armas da luz ou do dia. Usando armas, Paulo deixa claro que existe uma luta, tanto no interior como no exterior do homem, para manter a ordem que a Lei exige como obediência a Deus e amor ao próximo.

DECÊNCIA: Como no dia, honestamente andemos, não em orgias e bebedices, não em cohabitações e dissoluções, não em contenda e inveja (13). sicut in die honeste ambulemus non in comesationibus et ebrietatibus non in cubilibus et inpudicitiis non in contentione et aemulatione.

HONESTAMENTE [euschëmonös <2156>=honeste] ou decentemente isto é como gente honrada, como corresponde a fiéis que devem dar conta de sua conduta diante do juiz do mundo.

ORGIAS [kömos<2970>=comesatio] propriamente é a folia e procissão noturna em honra de Baco, para ser usada em festanças e bebedeiras noturnas, prolongadas até tarde na noite.

BEBEDICES [methë <3178>=ebrietas] embriaguez, e em plural bebedeiras.

COABITAÇÕES [koitai<2845>=cubiles] koitë era um lugar para descansar, ou dormir.Também cama, cama de matrimônio ou alcova. Finalmente adultério, intercurso sexual, e coabitação tanto legal como ilegal. Poderiamos traduzir por promiscuidade sexual.

DISSOLUÇÕES [aselgeiai <766>=impuditia] lascívia descontrolada, licenciosidade, desregramento, devassidão. A diferença com o anterior, talvez seja em que a anterior implica mais o matrimônio e as relações entreos casais, e a atual os que são célibes onde promiscuidade seja a melhor opção, sendo que nesta última estaria incluido o homosexualismo e otras degradações e lascívias de todo gênero.

CONTENDA [eris<2054>=contentio] com o significado de brigas, disputas, discórdias e rivalidades.

DISSOLUÇÕES [zëlos<2205>=aemulatio] pode ser zelo como ardor e entusiasmo por uma coisa ou ideia; mas, tendo uma acepção negativa, devemos pensar em inveja, rivalidade, ciúmes. Estas coisas todas devem ser evitadas.

O MODELO: Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo(14). Sed induite Dominum Iesum Christum. Uma vez descartados da vida cristá vìcios que a comprometem e impedem sua incorporañáo ao Reino (1Cor 6, 10 e Gal), temos um dever que podemos chamar positivo: revestir-nos de Cristo. Assim como Cristo se revestiu de nossa humanidade, ou como diz Paulo, tomou a forma de um escravo (Fp 2, 7), nós devemos nos revestir  da humanidade de Cristo. A explicação deste revestimento está descrita por Paulo quando afirma: todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes (Gl 3, 27), ou, segundo a imagem daquele que vos criou (Cl 3, 10). E explica qual é o novo vestido do novo homem, criado em justiça e santidade da verdade (Ef 4, 24). Coisa que repete em Ef 6, 14: cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça [honradez], tudo o qual completa em 1Ts 5, 8: revestindo-nos da couraça da fé e do amor, tomando como  capacete a esperança da salvação. Esse vestido consiste principalmente nas relaçóes humanas em ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade (Col3, 12). Paulo termina este trecho de sua epístola pedindo uma vida, conforme a de Cristo, de modo que possamos dizer como o mesmo Paulo: Cristo vive em nós (Gal 2, 20).

EVANGELHO (Mt 24, 37-44) - PARUSIA E ESCATOLOGIA

INTRODUÇÃO: Este trecho é parte do chamado discurso escatológico de Jesus, que termina o mesmo com uma advertência para estarmos vigilantes, pois o cataclismo será como nos tempos de Noé, que encontrou desprevenida a maioria dos habitantes. O tempo e a hora serão imprevisíveis e não há como predizer o evento. É por isso que a melhor coisa a fazer é estarmos preparados ou vigilantes. A conclusão indica que há um meio de salvação e que o acontecimento não será uma calamidade universal, a não ser para os que não estejam preparados. Pois a vinda do Filho do Homem é tratada como era considerada pelos antigos profetas o DIA DE YHVH. Ou seja, um castigo para os maus e uma salvação para os bons. Vamos, pois, intentar interpretar os conceitos que encontramos no evangelho de hoje

OS TEMPOS DE NOÉ: Como pois, (n) os dias de Noé, assim será também a PARUSIA do Filho do homem (37). Sicut autem in diebus Noe ita erit et adventus Filii hominis. PARUSIA: A palavra só aparece em Mateus no círculo evangélico, todas as vezes no capítulo 24, quando Jesus afirma que as edificações do templo que lhe mostravam seriam destruídas, de modo a não ficar pedra sobre pedra. É então que lhe perguntam quando sucederá isso e qual o sinal de tua vinda [parusia] e do término do século [aion]. A pergunta foi mal interpretada, de modo a ser o aion tomado como mundo. E assim foi traduzida por: qual será o sinal de tua vinda [gloriosa] e do fim do mundo.  O texto grego diz literalmente synteleias tou aionos [= conclusão do século].  Por isso, o que os discípulos pedem é quando virá  e assim chegará o fim desta geração, desta época, na qual, os romanos e os dirigentes judeus impediam Jesus de tomar posse de seu Reino (Mt 11, 12). Pois, enquanto o templo estivesse funcionando, os dirigentes dos judeus enfrentariam Jesus e impediriam o seu reinado. Confirma-se o dito pela pergunta feita nos outros dois evangelistas em que não vemos o fim do mundo mas o fim destas coisas que predizes (Mc 13, 4 e Lc 21, 7). As traduções modernas falam do fim do mundo (?Esp e It), do fim da história (?IN) ou dos tempos (? F). A pior delas talvez seja a da Bíblia de Jerusalém: consumação dos tempos (sic, em plural?), sem dúvida porque é bastante literal da tradução francesa. Vamos ver o significado das palavras gregas. AION: é a palavra com que Mateus termina a pergunta dos discípulos. Seu significado é tempo ou período prolongado, como era [age em inglês]; e, por extensão, sempre ou eterno; e implicitamente, pode significar o mundo. Em especial emprega-se para distinguir os dois períodos em relação ao momento messiânico, tanto o anterior  como o posterior: é o nosso caso. Das 8 vezes que aparece em Mateus, 7 vezes é traduzida por age [idade ou período de vida] diretamente em inglês, e uma única por esta vida  em 13, 22.

SYNTELEIA: Completion em inglês que podemos traduzir por conclusão, acabamento muito melhor do que por fim, pois não é o termo final de tudo mas de uma época, como vemos na tradução da vulgata: consummationis saeculi, que, mais do que término, significa concluir inteiramente, acabar com perfeição uma obra ou um período. Também o saeculum latino tem o significado de, além de tempo de cem anos, o de idade, vida e, em plural, gerações. Com isso, vemos como as traduções atuais católicas adoecem de uma falta de crítica e dão uma idéia falsa da resposta de Jesus, como sendo a profecia do fim do mundo. Mas falta a parusia. Porém antes de estudar este novo conceito vamos expor as idéias dos contemporâneos de Jesus sobre a escatologia, que na Teologia anterior ao Concílio chamávamos de Novíssimos.

ESCATOLOGIA NO AT

Existem duas limitações nos livros sagrados do AT: a) A exceção do papel de honra ou desonra que acompanha o morto no Sheol, não existe prêmio ou castigo que diferencie bons de maus de modo explícito. Isto é feito na terra, durante a vida para a pessoa, ou para os descendentes. b) Tendência em absorver o indivíduo na nação ou na descendência. Esta última receberia o castigo ou prêmio correspondente ao indivíduo (Ex 20, 5-6). Por isso a escatologia prevalecente era a do povo e não a do indivíduo. Desta forma o reino messiânico era o reino escatológico do verdadeiro Israel  com o triunfo do verdadeiro Deus e o estabelecimento de sua justiça. Isso tudo dava ocasião a uma epifania de Javé no seu atributo de juiz e soberano. A ressurreição dos mortos em Is 26, 19 e Dn 12,2 introduz o Dia do Senhor em que tanto judeus como gentios seriam julgados e haveria uma renovação da terra que mais do que uma aplicação à nova situação do cristianismo, apontava ao fim do mundo ou do universo. Com isso, começava a nova era que propriamente seria um reino de Deus perfeito na terra, quando nós, os cristãos, só esperamos esse reino perfeito no céu, no termo deste universo atual. Finalmente, nos Salmos e em Jó, encontramos a esperança que assegura ao justo uma vida de bênçãos após a morte. Aqui encontramos um ardente desejo por uma eterna amizade com Deus, que é uma protestação clara contra o Sheol tradicional (ver Sl 48 e Jó 19,26-27). Segundo a tradução da vulgata, em seu corpo ressuscitado ele verá Deus. A doutrina da ressurreição será peculiar nos profetas como Is 26, 19 e Dn 12, 2. Em Isaías a ressurreição pessoal dos justos e em Daniel a de todos, sendo que, neste último,  julgamento e ressurreição estão unidos ao Dia do Senhor. Nos últimos livros  chamados deutero-canônicos, como  os Macabeus, até as orações e sacrifícios pelos defuntos são obras pias (2 Mc 11, 43). Nos apócrifos, o Sheol é o lugar de espera pela ressurreição, sendo que este Sheol tinha diversos apartamentos ou divisões para bons e maus. A morada dos maus recebe o nome de Inferno, ou Hades. A morada dos bons, o nome de Seio de Abraão. Finalmente, Gehena é o nome atribuído ao lugar dos malvados após a ressurreição, ou imediatamente após sua morte; e Paraíso é o lugar intermédio antes dos bons serem admitidos no céu, equivalente ao Seio de Abraão, ou melhor sua casa final de bem-aventurança com Deus no céu definitivo. O uso de Jesus destes termos indica a familiaridade com que os judeus contemporâneos os usavam.

ESCATOLOGIA NO NT

PARUSIA: Do léxico de uma Bíblia moderna tomo a seguinte definição: Termo técnico para designar a vinda gloriosa de Jesus ao final da história humana. Esta definição é repetida em outro CD de uso mais corrente. Porém a palavra tem vários significados: a) O etimológico [para ousia= estar junto]  de simples presença,(ver 2 Cor 10, 10: a presença [=parousia] pessoal de Paulo é fraca);  podendo significar bens e vinda. (ver I Cor 16, 17 : alegro-me com a vinda [parousia] de Fortunato]. b) Um segundo significado que poderíamos chamar de técnico ou administrativo-político como visita de personagens eminentes, reis ou imperadores a uma determinada região. Neste caso o personagem recebia homenagens, próprias de um deus ou salvador, com bens ou benefícios tão avultados que se iniciava  assim nova era para a historia local. Tal foi o caso de Nero nas visitas a Corinto e Pátras, cuja comemoração foi feita com uma moeda com a inscrição Adventus Aug(usti) Cor(inthi). O adventus latino equivale à parusia grega. Assim é traduzida na vulgata a parusia grega. Augustus era o Sebastos grego, ou seja adorável. c) Da linguagem política, o termo foi introduzido no vocabulário religioso, principalmente pelas religiões ditas de mistérios para significar a vinda solene da divindade através de ritos sagrados. d) A palavra é, em certo sentido, tomada como base para uma especial teologia católica, com base unicamente em Mateus no capítulo 24 ( versículos 3;27;37 e 39 com o número de Sprong 3952) e nas epístolas dos apóstolos, como as paulinas (ver 1 Cor 15, 20) e Tiago (9, 7-8). O curioso do caso é que à parte do versículo 3, nas outras ocasiões Jesus usa sempre a palavra unida ao Filho do Homem, ou seja parusia do Filho do Homem. O Nosso autor afirma: A Primeira comunidade não distinguiu bem entre proximidade teológica e proximidade cronológica, pelo qual durante algum tempo esperou a parusia como algo iminente. Os modernos exegetas se dividem entre os que dizem que as palavras de Jesus frente ao templo se podiam entender perfeitamente sobre a destruição unicamente do templo e os que além dessa época referem as palavras de Jesus como a segunda vinda no fim da história. Somos da primeira opinião. O FILHO DO HOMEM: Significa: 1º) Uma expressão semita que significa uma pessoa humana, sobretudo como ser frágil e mortal em oposição ao ser divino (Is 51,12). A frase sai em 29 versículos em Mateus , 13 em Marcos, 24 em Lucas e 12 em João. Somente uma vez [na visão de Estêvão] nos Atos, e duas vezes no Apocalipse. Sempre que sai nos evangelhos, é em lábios de Jesus, que a si mesmo se dá este título; representa sua natureza como indivíduo humano [não confundi-lo com pessoa] como era visto e ouvido por seus contemporâneos. 2º) Mas, em muitos casos, toma esse homem poderes divinos, como Mt 25,31: quando vier o Filho do Homem em sua glória  ou em 26, 64: vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. Devemos entender isso das nuvens do céu como uma expressão de tipo apocalíptico que indica poder divino, uma metáfora, não uma realidade, esta, resultante de uma interpretação fundamentalista. Assim o entendeu Caifás que exclamou: Blasfemou! Porque no livro de Daniel descreve-se o quinto reino, posterior ao de Epífanes, como tendo a figura de um homem, ou Filho do Homem, provindo das nuvens do céu (Dn 7, 13-14). Inicialmente, esse Filho do Homem significa o povo escolhido dos santos (Dn 7,18; 22 e 27). Porém como o reino era identificado com seu rei, daí que a expressão Filho do Homem tenha também um valor individual, glorioso e transcendente. É o que vemos na literatura intertestamentária, especialmente no apócrifo de Henoc. Com este sentido, Jesus o admite como único título messiânico dentre as setenta vezes que aparece nos evangelhos. Umas vezes para sublinhar seu poder e condição transcendente (Mt 9, 6 e 12, 8); outras para destacar o momento de sua paixão e ressurreição (Mc 8,3); outras para aludir ao fato de seu triunfo e sua parusia (Mc 8, 38) e finalmente ao se referir a si mesmo como substituto de “a gente” em português (Mt 8, 20 e 16, 13). Por isso as expressões de Mateus 24 podem ser entendidas nesse sentido metafórico em que a participação divina nos acontecimentos de Jerusalém é representada por meio de imagens celestes que nem sempre correspondem a fatos reais mas são figuras que devem ser corretamente interpretadas. Também podemos considerar que o capítulo 24 é um apanhado de Mateus entre o que Jesus falou, frente ao templo, do monte das Oliveiras, e o que Ele falou em outras circunstâncias e que Lucas reproduz em outras ocasiões. Tudo isso, nos oferece uma certa liberdade de interpretação, que não suportaria um sentido literal das palavras de Jesus. Finalmente vamos falar do DIA DO SENHOR: É uma expressão derivada do mundo judaico. O dia do julgamento tem como base mais primitiva, Joel l4, 1-21, em que Javé comina todos os povos que lutaram contra seus eleitos para serem julgados no vale de Josafá [=Deus julga]. Na liturgia judaica, o primeiro dia do mês Tishri [setembro/outubro], considerado o Ano Novo, tomou o aspecto de dia anual de julgamento para toda a humanidade. A tradição religiosa judaica fala do Rosh Hashaná, [cabeça do ano, em que segundo a tradição o mundo foi criado], celebrado o 1º e 2º dia de Tishri, que também recebe o nome de Yom Hadim [dia do julgamento] pois é com o ano novo que o homem e os povos serão julgados.  Seguem-se dez dias de penitência, devendo os decretos serem selados, finalmente, no dia do Yom Kippur [dia da Expiação]. Paulo toma essa tradição para afirmar sobre o dia da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (1 Cor 1, 8). Lucas apresenta o dia do Filho do Homem vindo como um relâmpago (17, 24). Esse dia será de condenação para os opositores de Cristo, e dia de exaltação para os justos de qualquer tribo, povo, língua e nação (Ap 5, 9).

CONDUTA INCONSCIENTE: Como pois eram [acontecia] nos dias anteriores à inundação, comendo e bebendo, casando e dando-se em casamento até o dia que entrou Noé na arca (38),  e não conheceram até que veio o cataclismo e tomou todos, assim será a parusia do Filho do Homem (39). Sicut enim erant in diebus ante diluvium comedentes et bibentes nubentes et nuptum tradentes usque ad eum diem quo introivit in arcam Noe et non cognoverunt donec venit diluvium et tulit omnes ita erit et adventus Filii hominis. Como vemos, não eram condutas impróprias, mas as que se dão em todos os tempos quando não se esperam grandes desastres naturais. È uma falta de preparação porque não existe consciência do perigo. O evangelho fala do kataklismós que significa inundação ou enchente que no caso de Noé era o dilúvio. Logo lemos sobre o kiboton que é uma caixa de madeira ou arca; era o barco de Noé, tanto como a arca de Moisés. Os contemporâneos não conheciam a catástrofe [aí está a força do argumento] e por isso foram todos tomados de surpresa. Também vocês sereis, tomados de improviso, será a conclusão do exemplo.

A PARUSIA: Temos falado no parágrafo anterior sobre o significado desta palavra no NT. Existe também uma outra palavra com um significado parecido. É EPIFANIA: Em grego epipháneia [manifestação ou advento, tanto passado como futuro] substitui a parusia. a) Desta palavra sabemos que, na língua religiosa do tempo, significava a manifestação da divindade oculta que agora se apresentava de forma, quer direta, quer indireta, (como por meio de um portento). Do imperador Adriano existe uma moeda com a inscrição Epipháneia Augustou. Esta expressão foi adotada por Paulo em 2Ts 2, 8 como sendo a manifestação da parusia dele [do Senhor] e especialmente em 1 Tm 6, 14 que está evidentemente no lugar de parusia. b) A palavra atualmente na liturgia tem o significado de primeiro advento de Cristo tendo em vista a festa dos magos, como manifestação de sua divindade aos gentios. Outra palavra com significado semelhante é APOCALIPSE: Revelação ou manifestação. Como exemplo temos Lc 2, 32 revelação aos gentios. Rm 2 5 em que exorta a se preparar para o dia da ira da revelação do justo juízo de Deus, frase que responde perfeitamente às expectativas de Mateus 24. Finalmente será 2 Ts 1, 7 quando do céu se manifestar o Senhor. Como vemos em Rm 2, 5 a manifestação está unida ao juízo  e dia do Senhor. Portanto, A  parusia é a presença vitoriosa de Jesus, como juiz, que pode ser vista do ponto de vista teológico ou cronológico, tendo como fundo a revelação que chamamos apocalíptica e como forma as imagens dos profetas para indicar uma ação direta de Deus. O apocalipse como fundo, é o triunfo do bem e da verdade sobre o mal e a mentira, triunfo que só será definitivo na escatologia final. Tomando esta palavra como forma significativa de um estilo, não de uma visão final, podemos afirmar que Jesus toma do AT as imagens para descrever duas coisas: o castigo dos rebeldes com a destruição do templo e portanto das leis mosaicas não naturais, e o início de um novo reino. As imagens do castigo estão tomadas quase literalmente de Isaías, sendo que Lucas une o mar (no seu abismo está o reino do mal) aos sinais perturbadores dos homens provindos do céu, onde estava escrito o sino da humanidade. E o julgamento será para, nesse dia [antigamente chamado de Jahveh e que agora se transforma no dia do Senhor Jesus], separar os crentes em Jesus dos que rejeitaram seu senhorio e se aferraram às práticas tradicionais para o rejeitar, como fizeram fariseus e escribas. Ficariam sem templo, sem lei e sem pátria. Seriam praticamente dizimados, a não ser pela abreviação dos dias por causa dos eleitos (Mt 24,22). Um segundo grupo de imagens é tomado de Daniel quando descreve no capítulo VII o quinto reino. “Eis que com as nuvens do céu vinha um como Filho do Homem; ele chegou até o Ancião e o fizeram aproximar-se da sua presença. E lhe foi dada a soberania, glória e realeza: as pessoas de todos os povos, nações e línguas o serviam. Sua soberania é uma soberania eterna, que não passará; e sua realeza, que jamais será destruída”(Dn 7,13-14). Tanto num caso como no outro, Jesus assume categorias divinas e assim o entenderam os juízes do Sinédrio e por isso decretaram que suas palavras eram blasfemas (Mt 26, 64-65).

A ESCOLHA: Então dois estarão na roça: um será tomado e o outro abandonado(40). Duas moendo no moinho:uma será recebida e outra largada( 41). Tunc duo erunt in agro unus adsumetur et unus relinquetur. Duae molentes in mola una adsumetur et una relinquetur. Agora se trata de uma verdadeira escolha: Não todos morrerão, mas haverá uma escolha, sendo que alguns serão salvos; fato que abre a esperança para a vigilância que é a conclusão final. Tanto no campo como na cidade, [o moinho de mão que usavam ao raiar do dia as mulheres], haverá quem morra, mas também quem seja salvo.  A que escolha e a que rejeição se refere Jesus? No mesmo capítulo, em versículos anteriores tinha dito que viria imediatamente após a tribulação desses dias (29) para começar a reunir seus eleitos de toda a terra (31). Evidentemente que isto não pode se referir ao eschaton final, mas a um anterior, secundário, em que alguns serão os escolhidos para o novo Reino e outros serão rejeitados e, como fim de tal  recusa, podemos pensar que terão o mesmo fim daqueles que não puderam entrar na arca.

VIGIAI: Estai vigilantes, porque não tendes conhecido em que hora vosso Senhor chega (42). Vigilate ergo quia nescitis qua hora Dominus vester venturus sit. A tradução  dos tempos verbais é em imperativo presente daí o estai e em perfeito do conhecer e em presente de chegar. O latim não tem, como no grego, a diferença entre imperativo aoristo e presente, daí o vigilate. E emprega, por motivos de gramática, o presente e o futuro dos outros dois verbos. O grego é mais incisivo ao promover uma vigilância constante e ao declarar que não se pode conhecer um fato do qual depende a vigilância. Dirigida a palavra a seus ouvintes presentes, a conclusão evidente e lógica é que estes serão testemunhas dessa vinda sem poder precisar o momento exato. Ver o Excursus final. Daí o exemplo e a conclusão final.

O EXEMPLO: Isso pois, sabei que se tivesse conhecido o pai de família em que vigília o ladrão vem, vigiaria e não permitiria ser perfurada a sua casa (43). Illud autem scitote quoniam si sciret pater familias qua hora fur venturus esset vigilaret utique et non sineret perfodiri domum suam. No possível, tenho guardado os tempos dos verbos no original grego. Vemos que o texto resulta pouco correto do ponto de vista gramatical. O latim, conserva a idéia e muda os tempos para ser sintaticamente correto. Três aclarações são convenientes: VIGÍLIA. As horas da noite eram contadas de três em três como vigílias, formando 4 vigílias ou horas de guarda durante a noite, do pôr-do-sol até a aurora. Já os judeus dividiam a noite em três vigílias de 4 horas cada uma.

VIGIAR: agrypneuo que originalmente significa estar sem sono e gregoreo  com  o significado de estar desperto. AGRYPNEÖ é usado 4 vezes sempre com o mesmo significado de estar atento, estar preparado, velar por, cuidar.  GREGOREÖ  [o verbo do versículo] com o significado de estar de vigília como o soldado, estar atento, cuidar, acautelar-se.  O encontramos 14 vezes no evangelho e 9 vezes no resto do NT. O sentido de gregoreo está claro no versículo 35 de Marcos 13, quando se contam as horas da vinda do amo segundo as vigílias dos soldados romanos. Muitos códices unem a oração a esta vigília noturna do versículo 33, como a Vulgata latina, usada como referencial durante muitos séculos. De modo que teríamos de traduzir vigiai e orai. Neste caso, compreenderíamos melhor o pedido de Jesus e a interpretação dos discípulos,  porque ambas as coisas estariam unidas.

PERFURAR: As casas no tempo de Jesus eram feitas,  na sua maioria, de adobes. Chama a atenção que o ladrão tenha que perfurar [diorisso] ou formar um túnel através das paredes da casa, ou no teto (Lc 5, 9). Era o método comum na época, assim como atualmente é o de arrombar as portas. Era mais fácil fazer um buraco em paredes de adobe que abrir uma porta grossa de chave volumosa, com uma chave mestra, pequena, que pudesse forçá-la. Nesta pequena parábola é o tempo desconhecido, o quando, que monopoliza a atenção.

CONCLUSÃO: Por isso, também vós, estai preparados, porque na hora que não tendes pensado, o Filho do Homem se apresenta (44). Ideoque et vos estote parati quia qua nescitis hora Filius hominis venturus est. Usando  o presente [se apresenta] vemos como o grego dá mais força à advertência de Jesus para um atento cuidado e tempo de vigilância.

EXCURSUS

IMEDIATAMENTE: [Eutheos de meta tem thlypsin ton emeron ekeinon, porque imediatamente após a tribulação daqueles dias] (Mt 24, 29). Talvez esta seja a palavra chave para a interpretação de todo o trecho, indicando que a vinda de Jesus [parusia] está unida no tempo à destruição de Jerusalém, mostrando que o discurso de Jesus em Mateus não é sobre um eschaton absoluto, mas relativo e parcial. Isso pode ser confirmado, refletindo sobre lugares paralelos do mesmo Mateus e dos outros dois sinóticos, no mesmo discurso, mal intitulado escatológico, como é Mt 24, 34, no qual Jesus afirma que tudo será realizado durante a sua geração, afirmação que Lucas também repete em 21, 32. Em Marcos e Lucas não existem referências ao fim do mundo, como parece em Mateus e só aparentemente se fala da ruína de Jerusalém, pois de sua queda resultou a salvação (Rm 11,11) “Quando acontecerem estas coisas levantai a cabeça pois está próxima a vossa libertação”(Lc 21,28). Paulo o explica dizendo que deviam ser cortados os ramos para que a oliveira silvestre (dos gentios ) fosse enxertada (Rm 11, 19).

A DÚVIDA: A que dia e hora se refere Jesus como o de sua vinda? Unicamente ao do fim da História humana, ou pode ser interpretado como o fim de uma época da mesma, especialmente do judaísmo como religião baseada no templo? Temos que interpretá-las como a história final, ou como história temporal? A consumatio orbis [do orbe] ou a consumatio urbis [da urbe ou cidade]?Nos textos de Marcos (cap 13) e Lucas (cap 21) não há nada que sugira uma história final. A pergunta é sobre o templo e os sinais que precedem sua ruína. Dir-se-á que existem certos fenômenos tanto cósmicos como sociais ainda sem cumprir, como em Lc 20, 25-27 ou em Marcos 13, 24-27 que devem suceder segundo Marcos após a grande tribulação. Que todos verão o Filho do Homem [Jesus como soberano e juiz] sobre as nuvens do céu. Em Lucas, temos uma passagem em que a vinda do Filho do homem está desvinculada da destruição de Jerusalém e que responde a quando virá o Reino de Deus (17, 22-37), que tem seu paralelo em Mateus 13, 24-27. Podemos, pois, afirmar que Mateus reuniu numa mesma redação dois momentos diferentes que Lucas distingue perfeitamente. Nos atrevemos, pois, a distinguir entre destruição de Jerusalém e Dia do Senhor,  que agora se transforma em dia do Filho do Homem. Sobre os fenômenos cósmicos e o comportamento social, comuns a Mateus, Lucas e Marcos, devemos dizer que são descrições de um gênero literário apocalíptico, em que as experiências [ou os fatos] estão cifradas e não reproduzem fatos históricos, mas são produtos de uma linguagem bíblica que não reflete exatamente uma realidade, mas uma profecia de calamidades. Ver Isaías 13, especialmente os versículos 10-16 sobre a queda de Babilônia. E não obstante, a ocupação da grande cidade foi uma entrada triunfal de Ciro no ano 539 o mais humano de todos os conquistadores. O pródromo [=mal-estar que precede uma doença] dos profetas é para indicar que na ação estava implicado o próprio Javé como causa cosmogônica e como vingador de condutas humanas detestáveis. Um autor, tão pouco heterodoxo como Tuya, afirma que não é necessária uma manifestação sensível e corporal de Cristo. Basta uma presença sua de ordem moral ou virtual.  Daí que Jesus pudesse afirmar que há aqui presentes que não gostarão da morte antes de ter visto o Filho do Homem vir em seu Reino (Mt 16, 28). O qual, evidentemente, não se refere a uma visão sensível de Cristo (Mt 10, 23): Não terminareis de percorrer as cidades de Israel até que venha o Filho do homem. Diante do Sinédrio, Jesus afirma: vereis de ora em diante o Filho do Homem sentado à direita do Poderoso vindo sobre as nuvens do céu. (Mt 26, 64).Tanto o grego como o latim usam palavras próprias para dizer que é de agora em diante [amodo e ap arti]. Com isso temos a solução: Desde sua morte, Jesus inicia um reinado que substitui o nacional teocrático, tornando-se Senhor do novo Eon e sendo juiz dos vivos e dos mortos, como tal constituído por Deus (At 10, 42). Estêvão dá a razão a Jesus muito antes da destruição de Jerusalém, quando viu os céus abertos e o Filho do Homem de pé à direita de Deus (At 7, 56). Conclusão: todos os capítulos 24 em Mt, 13 em Mc e 20 em Lc sobre o que chamamos discurso escatológico podem ser interpretados como tendo em vista a destruição de Jerusalém. Em vista desta proximidade do cumprimento desses dias de tribulação (Mt 24, 29) se compreende a advertência de vigiar dos versículos 32-51 com os quais termina o discurso. Em outro caso não teria razão de falar com gente que ainda nem tinha nascido.

EXPLICAÇÃO: O capítulo 24 início do chamado discurso escatológico (?) de Jesus, começa com a destruição do Templo. Tudo indica que com ele Jesus toma a iniciativa de ser ele o templo do Senhor [de Javé] na terra, como Senhor de um novo reino numa nova era ou Eón como dizem os modernos. De fato o evangelho não é um conjunto de normas ou dogmas, mas se reduz a uma pessoa: Cristo, e a um sinal: a cruz. Onde estiver a cruz está o Senhor e a ele devemos serviço e adoração. Daí que Jesus reprova toda outra figura messiânica que não seja ele próprio (4-5). Ele virá imediatamente após a tribulação desses dias (29) para começar a reunir seus eleitos de toda a terra (31). Que entendemos por tribulação? Marcos fala sobre a grande devastação (13,24) que seguirá a Abominação da Desolação [bdelygma tes eremoseos] (Mt 24, 15 e Mc 13,14). Esta devastação é vista com o mesmo nome de eremosis em Lucas como sendo o cerco dos exércitos romanos (daí a abominação) a Jerusalém e a desolação [ou devastação] consequente à sua conquista. Devastação porque não ficará pedra sobre pedra e porque ao redor de Jerusalém as árvores foram taladas, de modo a devastar a região, para formar máquinas para o assalto, e cruzes para o castigo. A abominação está unida ao culto dos ídolos. Como vemos em Lc 16, 15 em que o que os homens exaltam [adoram] é abominação diante de Deus. Ou os três textos do Apocalipse que são com o anterior os 4 únicos do NT em que bdelygma <946> aparece. Por isso lemos que (Roma) é a mãe das meretrizes e das abominações sobre a terra (Ap 17,5). Sabemos como a idolatria é comparada à prostituição. É, pois, esse cerco que atua como sinal para a Parusia de Jesus ( Mt 24, 33 e Lc 21, 27). É tempo de fuga para os que estão em Jerusalém ( Mt 24, 16-21) e é tempo de libertação para os discípulos pois se inicia uma nova era ou Eón como dizem os modernos (Lc 26, 28).

MORAL DA HISTÓRIA: A Parusia tem um significado etimológico como presença ou chegada. Mas em termos eclesiásticos ou cristológicos, significa Advento glorioso de Cristo no fim dos tempos. É bem verdade que também se admite uma segunda Parusia que foi o nascimento de Jesus em Belém  e além disso, seguindo o sentido etimológico, podemos falar de pequenas Parusias ou atos de presença de Cristo como poder divino, atuante na História. Uma delas é a destruição de Jerusalém. As tropas romanas foram o instrumento para a libertação dos cristãos. Outra, a batalha da ponte Milvio em que não faltou a cruz vista por Constantino e suas tropas. Outra, seria a batalha de Lepanto no século XVI em que as forças cristãs destruíram a marinha turca de modo a se iniciar a derrota do império muçulmano. Uma outra, nos tempos modernos, quando o muro de Berlim foi derrubado iniciando-se a desaparição do Comunismo Russo. Em todas elas a presença divina foi notável e teve como resultado a libertação dos homens e a afirmação de valores evangélicos. Vigilância, [estoimos] ou melhor, estai preparados. E dá a razão: porque não sabeis nem o dia nem a hora. Jesus não dá uma resposta definitiva à pergunta de quando e só dirá que tudo passará antes que acabe a sua geração [de 25 a 40 anos]. Consequentemente estamos vendo uma profecia de tempos já passados, mas que terá repetidas atuações em sucessivas dificuldades nos tempos presentes. Por que Deus não se manifesta de modo mais notável como um milagre espetacular? A resposta é que o milagre não conquista e, pelo contrário, torna muito mais culpados os que o rejeitam. Jesus o disse de modo mais categórico: O milagre que espera esta geração será o sinal de Jonas: a sua ressurreição (de Jesus) após três dias no seio da terra (Mt 16,4) porque  Nínive, pagã e pecadora, se converteu, enquanto os judeus não souberam interpretar os sinais dos tempos.

NOTA: O dogma do juízo final, após a consumação da História, tem no NT outras passagens que não podem neste artigo serem avaliadas. (ver Mt 12, 41-42). Uma outra consideração é sobre a ciência de Jesus que se considera limitada por sua condição humana, como ele mesmo diz, por não saber o dia nem a hora; mas também predisposta ou determinada pela ciência do seu tempo que a restringia.

PISTAS:

1) A vigilância: Lucas o explica em termos menos apocalípticos: Acautelai-vos por vós mesmos para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado pela devassidão, pela embriaguez, pelas preocupações da vida e não se abata sobre vós repentinamente aquele dia (21, 34). Por isso é necessário a vigilância e a oração (idem 36).

2) O que foi dito sobre um ato do passado, e em termos de coletividade, devemos repeti-lo sobre fatos futuros e individuais. Sabemos que a nossa Parusia particular é o dia da morte. Diante dessa certeza temos que recorrer à única preparação possível: Vigilância e oração, como temos visto em Lucas ou Paulo em Gl 5, 19-21.

3) Toda religião que promete um tempo imediato de parusia é falsa. Porque a parusia já está atuando desde a ruína do templo. Haverá momentos em que essa parusia (presença) se manifesta mais claramente como na queda do muro de Berlim, para citar um exemplo moderno. Mas Jesus está sempre presente e atuando na história. Assim como os judeus acreditavam na presença de Jahvé no templo, porque ele se manifestou no deserto, também temos o direito de ver Jesus na história, máxime quando sua presença é real na Eucaristia e ele a promete profeticamente: Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século (Mt 28,20).

4) Talvez seja esta a página mais sombria de um evangelho que se transmite como boa nova. Mas devemos pensar que as tintas negras são para um povo que, vendo, em primeira mão, a luz, não quis enxergar, e ouvindo diretamente as palavras da salvação, se obstinou em não escutá-las (Lc 8, 10). Por isso, a nossa oração deve ser como a do cego de Jericó: Senhor, que eu veja!(Mc 10,51)


EXCURSUS: NORMAS DA INTERPRETAÇÃO EVANGÉLICA

- A interpretação deve ser fácil, tirada do que é o evangelho: boa nova.

- Os evangelhos são uma condescendência, um beneplácito, uma gratuidade, um amor misericordioso de Deus para com os homens. Presença amorosa e gratuita de Deus na vida humana.
- Jesus é a face do Deus misericordioso que busca o pecador, que o acolhe e que não se importa com a moralidade ou com a ética humana, mas quer mostrar sua condescendência e beneplácito, como os anjos cantavam e os pastores ouviram no dia de natal: é o Deus da eudokias, dos homens a quem ele quer bem e quer salvar, porque os ama.

Interpretação errada do evangelho:

- Um chamado à ética e à moral em que se pede ao homem mais que uma predisposição, uma série de qualidades para poder ser amado por Deus.
- Só os bons se salvam. Como se Deus não pudesse salvar a quem quiser (Fará destas pedras filhos de Abraão).

Consequências:

- O evangelho é um apelo para que o homem descubra a face misericordiosa de Deus [=Cristo] e se entregue de um modo confiante e total nos braços do Pai como filho que é amado.
- O olhar com a lente da ética, transforma o homem num escravo ou jornaleiro:aquele age pelo temor, este pelo prêmio.
- O olhar com a lente da misericórdia, transforma o homem num filho que atua pelo amor.
- O pai ama o filho independentemente deste se mostrar bom ou mau. Só porque ele é seu filho e deve amá-lo e cuidar dele.
- Só através desta ótica ou lente é que encontraremos nos evangelhos a mensagem do Pai e com ela a alegria da boa nova e a esperança de um feliz encontro definitivo. Porque sabemos que estamos na mira de um Pai que nos ama de modo infinito por cima de qualquer fragilidade humana.


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Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje! Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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