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Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.com.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/liturgia.htm ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


20.05.2018
Solenidade de Pentecostes — ANO B
( Vermelho, Glória, Sequência, Creio, Prefácio Próprio – Ofício da Solenidade )
__ "O Espírito Santo anima a comunidade" __

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018
Tema: “Fraternidade e superação da violência”.
Lema: “Em Cristo todos somos irmãos” (Mt 23,8)

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO HOMILÉTICO DO PRÓXIMO DOMINGO (27.05.2018)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: O Espírito nos reúne numa assembleia de irmãos, com vários dons e ministérios para ouvir a Palavra e viver a alegria da partilha e da comunhão. É o Espírito Santo que transforma o pão e o vinho nos sinais da páscoa de Cristo e nos dá a força do alto para renovarmos a face da terra. Cada celebração é um novo Pentecostes. Somos hoje revestidos da força deste Espírito para sermos testemunhas alegres e corajosas do Cristo Ressuscitado senhor da vida e da história.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Chegando ao fim do tempo pascal, recordamos o dia em que o mistério pascal atingiu a sua plenitude no dom do Espírito derramado sobre a Igreja nascente. Damos graças ao Pai porque o Espírito revelou a todos os povos o mistério escondido nos séculos e reuniu todas as raças na alegria da salvação. Por esta celebração, somos revestidos da força do Espírito para sermos testemunhas de Cristo ressuscitado.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Pentecostes é a festa da plenitude da páscoa. O Espírito profético de Jesus torna-se o grande DOM da Igreja, tornando-a comunidade da proclamação e do testemunho! Bendizemos ao Pai porque o Espírito Santo abriu e revelou a todos os povos, raças e nações o mistério que estava escondido desde sempre e reuniu todos na alegria da libertação. Somos hoje revestidos da força deste Espírito para sermos testemunhas alegres e corajosas do Cristo Ressuscitado. É chegado o grande dia de Pentecostes; dia em que a força de Deus resplandeceu de forma sacramental, porque o amor foi derramado nos corações pelo Espírito Santo que nos foi doado (Rm 5,5.) Todas as nações compreenderam a Palavra de Deus, comunicada em todas as línguas, porque era mediada pelo Amor.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e meditemos profundamente a liturgia de hoje!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/20-de-maio-de-2018---pentecostes.pdf


Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/af_33_pentecostes.pdf


TEMA
A IGREJA, O ESPÍRITO E A UNIDADE

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Vida Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- A autoria do Roteiro Homilético da Paulus pertence aos diversos renomados escritores e estudiosos da Palavra de Deus que prestam serviços à Editora. Visitem a página da Revista Vida Pastoral e acompanhem os diversos temas ali publicados.

Introdução da Revista Vida Pastoral

“Envia teu Espírito, Senhor, e renova a face da terra”

O Espírito Santo é fonte e força do amor mútuo. É também sinal de que estamos vivendo um novo tempo. Jesus culminou o caminho dele aqui na terra e foi glorificado por Deus Pai, mas não nos deixou sozinhos: deu-nos o mesmo Espírito que o ungiu e o animou na missão.

A missão do Espírito que nos foi dado nos leva à verdade completa, faz-nos entrar em comunhão com os seres humanos e com Deus. O Espírito é presença de Deus nos caminhos da história por meio da Igreja, que é movida por ele. Ao unir os seres humanos no amor, o Espírito nos dá a certeza do que será no final dos tempos, a comunhão plena no Reino de Deus. Por causa desse amor que nos põe em comunhão, há partilha dos bens, há oração sincera, há evangelização. Em função da comunhão, o Espírito nos faz falar e compreender todas as línguas, porque a língua universal é o amor e sem ele somos apenas “sinos que retinem” (1Cor 13,1). Por isso, crer no Espírito significa crer no futuro da vida, na renovação radical de toda a terra, no caminho do amor que supera as dificuldades deste mundo e nos dirige ao amor em plenitude.

Introdução do Portal Dehonianos

O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
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O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

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O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
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O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

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OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo constitui a alma, a linfa vital da Igreja e de cada cristão: é o Amor de Deus que faz do nosso coração a sua morada e entra em comunhão com cada um de nós.

O próprio Espírito é “o dom de Deus” por excelência (cf. Jo 4,10), um presente de Deus e, por sua vez, transmite vários dons a quantos o acolhem. A Igreja identifica sete, número que simbolicamente significa plenitude, totalidade. Os dons do Espírito Santo são os seguintes: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

SABEDORIA – não se trata simplesmente da sabedoria humana, que é fruto do conhecimento e da experiência. A sabedoria é aquilo que o Espírito Santo realiza em nós, a fim de vermos todas as realidades com os olhos de Deus. Este é o dom da sabedoria.

ENTENDIMENTO – não se trata da inteligência humana, da capacidade intelectual. Ao contrário, é uma graça que só o Espírito Santo pode infundir e que suscita no cristão a capacidade de ir além do aspecto externo da realidade e perscrutar as profundidades do pensamento de Deus e do seu desígnio de salvação.

CONSELHO – é o dom com o qual o Espírito Santo torna a nossa consciência capaz de fazer uma escolha concreta em comunhão com Deus, segundo a lógica de Jesus e do seu evangelho.

FORTALEZA – em todos os dias da vida cotidiana devemos ser fortes, precisamos desta fortaleza, para fazer avançar a nossa vida, a nossa família, a nossa fé.

CIÊNCIA – a ciência que deriva do Espírito Santo não se limita ao conhecimento humano: trata-se de um dom especial, que nos leva a entender, através da criação, a grandeza e o amor de Deus e a sua profunda relação com cada criatura.

PIEDADE – indica a nossa pertença a Deus e o nosso vínculo profundo com ele, um elo que dá sentido a toda a nossa vida e que nos mantém firmes, em comunhão com ele, até nos momentos mais difíceis e atormentados.

TEMOR DE DEUS – não significa ter medo de Deus, ao contrário: o temor de Deus é o dom do Espírito que nos recorda como somos pequenos diante de Deus e do seu amor, e que o nosso bem está no nosso abandono com humildade, respeito e confiança nas suas mãos.

(Texto do papa Francisco, proveniente do ciclo de catequeses sobre os dons do Espírito Santo, 2014.)

Papa Francisco


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
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O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

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A NÓS DESCEI DIVINA LUZ!
Na solenidade de Pentecostes, celebramos o dia em que Jesus ressuscitado entrega à Igreja o Espírito Santo, para conduzi-la na missão de ser, no mundo, sinal do seu amor e anunciadora do reino de Deus. Nesta liturgia acolhamos, com alegria e fé, os dons que o Senhor nos concede por meio do seu Espírito e peçamos que ele renove nossa vida e a face de toda a terra.

LIÇÃO DE VIDA: Por meio do Espírito Santo, Deus continua nos concedendo muitos dons para servirmos a ele e ao nosso próximo com generosidade e amor.


RITOS INICIAIS

Sab 1, 7
Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

Ou: Rom 5, 5; 8, 11
O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

Diz–se o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração
Atenágoras afirmou que «sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo permanece no passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja é uma simples organização; a autoridade é um poder; a missão é propaganda; o culto, uma velharia; e o agir mora, um agir de escravos. Mas, no Espírito, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino; Cristo ressuscitado torna-Se presente; o Evangelho faz-se poder e vida; a Igreja realiza a comunhão trinitária; a autoridade transforma-se em serviço; a liturgia é memorial e antecipação; o agir humano é deificado». Animados pelo Espírito de Deus, celebremos jubilosamente a solenidade de Pentecostes.

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição: De harmonia com a promessa de Jesus, o Espírito Santo, manifestando a Sua presença sob os sinais sensíveis do vento e do fogo, desce sobre os Apóstolos, transforma-os totalmente e consagra-os para a missão, que Jesus lhes confiara. Com este Baptismo no Espírito Santo, nascia assim, oficialmente, a Igreja. Nesse dia, homens separados por línguas, culturas, raças e nações, começavam a reunir-se no grande Povo de Deus num movimento que só terminará com a vinda final de Jesus.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Atos 2,1-11

Leitura dos Atos dos Apóstolos. 2 1 Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2 De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. 3 Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4 Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5 Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. 6 Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: "Não são, porventura, galileus todos estes que falam? 8 Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9 Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, 10 a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, 11 judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!"
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16,17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes(cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33:seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

Todos ficaram cheios do Espírito Santo

Os discípulos, em grande número, estavam reunidos, perseveravam em oração enquanto aguardavam a vinda de Cristo, a qual associavam com o fim dos tempos. Ali onde esperavam o julgamento divino sobre o mundo, tiveram a grata surpresa de participar de uma ação que era exatamente o contrário do que pensavam. De fato, os profetas haviam previsto um derramamento do Espírito no final dos tempos, e unido a isso aconteceria o julgamento das nações e grandes catástrofes da natureza (como está escrito em Joel 2,28-32, citado em At 2,17-21).

Reunidos em oração, estavam dispostos a enfrentar o julgamento de Deus sobre as nações e morrer num grande acontecimento cósmico que revelaria a glória de Cristo. Mas o que aconteceu com a efusão do Espírito foi a comunhão entre todos os povos e culturas, a comunicação eficaz entre as línguas diferentes. Num primeiro momento, podemos pensar que a experiência de comunhão dá-se em plano limitado, no interior da comunidade; no entanto a comunhão realizada em Pentecostes transborda as limitações religiosas e nacionais e se expande ao longo de toda a terra.

Muitas leituras atuais desse texto bíblico enfatizam a experiência com o dom de línguas. Até mesmo se denominam de pentecostais grupos e igrejas que fazem algum tipo de experiência atribuída ao Espírito Santo. Mas se lermos atentamente esse texto, veremos que se trata de um dom para a evangelização, para a missão, para a expansão da comunidade, e não para o crescimento pessoal com conotações de verticalidade na experiência espiritual. Nesse texto não se afirma que os membros da comunidade oraram em línguas (como é mencionado por Paulo com relação a uma prática da comunidade de Corinto). O texto diz que as pessoas falavam idiomas diferentes e todos se compreendiam; o oposto da narrativa sobre a torre de Babel. O enfoque no dom de línguas vem do termo “línguas estranhas”, que significa o mesmo que “línguas estrangeiras”. Além da possibilidade de evangelização do mundo inteiro, porque o Espírito Santo capacita a Igreja para proclamar o evangelho em todas as culturas e idiomas, vemos nesse texto a comunhão entre todos os seres humanos, a unidade na diversidade.

O Espírito supera as velhas divisões entre os seres humanos. Ultrapassa as estruturas arcaicas da sociedade fundada em princípios de imposição dos mais favorecidos sobre os mais frágeis. A partir de Pentecostes, os seres humanos podem vincular-se por meio da graça de Deus, com base no dom do Espírito. A comunhão de todos os povos, que a partir de agora se realiza, é sinal e presença dos tempos escatológicos, meta da história humana que caminha para Cristo. A história humana, repleta de competições e de opressão de uns sobre os outros, realiza uma trajetória, marcada pelo Espírito do Cristo ressuscitado, para a comunhão plena de toda a humanidade num Reino de fraternidade e de paz.

AMBIENTE

Já vimos, no comentário aos textos dos domingos anteriores, que o livro dos “Actos” não pretende ser uma reportagem jornalística de acontecimentos históricos, mas sim ajudar os cristãos – desiludidos porque o “Reino” não chega – a redescobrir o seu papel e a tomar consciência do compromisso que assumiram, no dia do seu baptismo.

No que diz respeito ao texto que nos é proposto e que descreve os acontecimentos do dia do Pentecostes, não existem dúvidas de que é uma construção artificial, criada por Lucas com uma clara intenção teológica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre às imagens, aos símbolos, à linguagem poética das metáforas. Resta-nos descodificar os símbolos para chegarmos à interpelação essencial que a catequese primitiva, pela palavra de Lucas, nos deixa. Uma interpretação literal deste relato seria, portanto, uma boa forma de passarmos ao lado do essencial da mensagem; far-nos-ia reparar na roupagem exterior, no folclore, e ignorar o fundamental. Ora, o interesse fundamental do autor é apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que é assistida pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projecto libertador do Pai.

MENSAGEM

Antes de mais, Lucas coloca a experiência do Espírito no dia de Pentecostes. O Pentecostes era uma festa judaica, celebrada cinquenta dias após a Páscoa. Originariamente, era uma festa agrícola, na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo; mas, no séc. I, tornou-se a festa histórica que celebrava a aliança, o dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. Ao situar neste dia o dom do Espírito, Lucas sugere que o Espírito é a lei da nova aliança (pois é Ele que, no tempo da Igreja, dinamiza a vida dos crentes) e que, por Ele, se constitui a nova comunidade do Povo de Deus – a comunidade messiânica, que viverá da lei inscrita, pelo Espírito, no coração de cada discípulo (cf. Ez 36,26-28).

Vem, depois, a narrativa da manifestação do Espírito (Act 2,2-4). O Espírito é apresentado como “a força de Deus”, através de dois símbolos: o vento de tempestade e o fogo. São os símbolos da revelação de Deus no Sinai, quando Deus deu ao Povo a Lei e constituiu Israel como Povo de Deus (cf. Ex 19,16.18; Dt 4,36). Estes símbolos evocam a força irresistível de Deus, que vem ao encontro do homem, comunica com o homem e que, dando ao homem o Espírito, constitui a comunidade de Deus.

O Espírito (força de Deus) é apresentado em forma de língua de fogo. A língua não é somente a expressão da identidade cultural de um grupo humano, mas é também a maneira de comunicar, de estabelecer laços duradouros entre as pessoas, de criar comunidade. “Falar outras línguas” é criar relações, é a possibilidade de superar o gueto, o egoísmo, a divisão, o racismo, a marginalização… Aqui, temos o reverso de Babel (cf. Gn 11,1-9): lá, os homens escolheram o orgulho, a ambição desmedida que conduziu à separação e ao desentendimento; aqui, regressa-se à unidade, à relação, à construção de uma comunidade capaz do diálogo, do entendimento, da comunicação. É o surgimento de uma humanidade unida, não pela força, mas pela partilha da mesma experiência interior, fonte de liberdade, de comunhão, de amor. A comunidade messiânica é a comunidade onde a acção de Deus (pelo Espírito) modifica profundamente as relações humanas, levando à partilha, à relação, ao amor.

É neste enquadramento que devemos entender os efeitos da manifestação do Espírito (cf. Act 2,5-13): todos “os ouviam proclamar na sua própria língua as maravilhas de Deus”. O elenco dos povos convocados e unidos pelo Espírito atinge representantes de todo o mundo antigo, desde a Mesopotâmia, passando por Canaan, pela Ásia Menor, pelo norte de África, até Roma: a todos deve chegar a proposta libertadora de Jesus, que faz de todos os povos uma comunidade de amor e de partilha. A comunidade de Jesus é assim capacitada pelo Espírito para criar a nova humanidade, a anti-Babel. A possibilidade de ouvir na própria língua “as maravilhas de Deus” outra coisa não é do que a comunicação do Evangelho, que irá gerar uma comunidade universal. Sem deixarem a sua cultura e as suas diferenças, todos os povos escutarão a proposta de Jesus e terão a possibilidade de integrar a comunidade da salvação, onde se fala a mesma língua e onde todos poderão experimentar esse amor e essa comunhão que tornam povos tão diferentes, irmãos. O essencial passa a ser a experiência do amor que, no respeito pela liberdade e pelas diferenças, deve unir todas as nações da terra.

O Pentecostes dos “Actos” é, podemos dizê-lo, a página programática da Igreja e anuncia aquilo que será o resultado da acção das “testemunhas” de Jesus: a humanidade nova, a anti-Babel, nascida da acção do Espírito, onde todos serão capazes de comunicar e de se relacionar como irmãos, porque o Espírito reside no coração de todos como lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.

ACTUALIZAÇÃO

Para a reflexão, considerar as seguintes indicações:

• Temos, neste texto, os elementos essenciais que definem a Igreja: uma comunidade de irmãos reunidos por causa de Jesus, animada pelo Espírito do Senhor ressuscitado e que testemunha na história o projecto libertador de Jesus. Desse testemunho resulta a comunidade universal da salvação, que vive no amor e na partilha, apesar das diferenças culturais e étnicas. A Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Está reunida por causa de Jesus e à volta de Jesus? Tem consciência de que o Espírito está presente e que a anima? Testemunha, de forma efectiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?

• Nunca será demais realçar o papel do Espírito na tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja… Antes do Pentecostes, tínhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limitações humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consciência de que é o Espírito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espaço à acção do Espírito, em nós e nas nossas comunidades?

• Para se tornar cristão, ninguém deve ser espoliado da própria cultura: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos são convidados, com as suas diferenças, a acolher esse projecto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte é esse espaço de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e são acolhidos com amor e com respeito – mesmo os de outras raças, mesmo aqueles de quem não gostamos, mesmo aqueles que não fazem parte do nosso círculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta?

Subsídios:
1ª leitura: 
(At 2,1-11) O milagre das línguas – Pentecostes é interpretado como acontecimento escatológico a partir da profecia de Jl 3 (cf. At 2,16-21). Mas, sobretudo, é o cumprimento da palavra do Cristo (Lc 24,49; At 1,4; cf. Jo 14,16-17.26). Passa como um vendaval ao ouvido, como fogo aos olhos; mas permanece como transformação do “pequeno rebanho” em Igreja missionária. Também hoje. A Igreja do Cristo se reconhece pelo espaço que ela dá ao Espírito e pela capacidade de proclamar sua mensagem. * 2,1-4 cf. Mt 3,11; Lc 3,16; Jo 20,22; At 4,31.



Salmo Responsorial

Monição: Supliquemos ao Senhor que nos envie o Seu Espírito para que se renove a face da terra.

SALMO RESPONSORIAL – 103/104

Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.

Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas1

Se tirais o seu respiro, elas perecem
e voltam para o pó de onde vieram.
Enviais o vosso espírito e renascem
e da terra toda a face renovais.

Que a glória do Senhor perdure sempre,
e alegre-se o Senhor em suas obras!
Hoje, seja-lhe agradável o meu canto,
pois o Senhor é a minha grande alegria!

Segunda Leitura

Monição: O Espírito Santo é «a alma da Igreja». É Ele que dá aos Apóstolos a perfeita compreensão do Mistério Pascal e os leva a anunciar a Ressurreição a todos os homens, sem excepção. É por Ele que nós acreditamos que Jesus é Deus e essa nossa fé se mantém. É Ele que enriquece o Corpo Místico com dons e carismas, numa grande variedade de vocações, ministérios e actividades. É Ele que, ao mesmo tempo que nos distingue, dando-nos uma personalidade própria dentro da Igreja, nos põe em comunhão uns com os outros, de tal modo que a diversidade não destrói a unidade.

1 Coríntios 12,3-7.12-13

Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. 12 3 Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: "Jesus é o Senhor", senão sob a ação do Espírito Santo. 4 Há diversidade de dons, mas um só Espírito. 5 Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. 6 Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7 A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. 12 Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. 13 Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento: que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé; «Jesus é o Senhor» é a confissão de fé na divindade de Jesus. «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Um acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo, que pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico: a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo…». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito».Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação,pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente.

Batizados num só Espírito e formando um só corpo

O Espírito de Cristo une os seres humanos, a partir de Deus, em perdão e comunhão, por aquilo que são e não pelo que têm ou fazem. Até então não tinha havido nenhuma comunhão real, mas concorrência e competição, busca de influência, enfim, divisão generalizada. Agora, e somente agora, a partir da unidade de Cristo que nos torna irmãos, filhos do mesmo Pai, começa a história da graça que une a todos no amor e na liberdade. Há distribuição de carismas, mas é o mesmo Espírito; diversidade de ministérios, mas é o mesmo Senhor; divisão de tarefas, mas é Deus que opera tudo em todos. O Espírito é um só e une todos os seres humanos numa comunidade que não se baseia na pura experiência interior, em ideias ou princípios gerais, mas na comunhão e na confiança mútua.

O Espírito congrega pessoas muito diferentes umas das outras que, em vez de fazer concorrência entre si, se servem mutuamente e são felizes em realizar isso no amor. Trata-se de uma comunhão realizada pelo próprio Deus, e não por meio de um cooperativismo à maneira de um sindicato ou clube que une pessoas pelas tradições, costumes sociais ou culturais. Como o corpo é um só e tem muitos membros, assim é Cristo. Porque todos nós fomos batizados num só Espírito, formando um só corpo.

A comunhão realizada pelo Espírito Santo não se apoia em tradições sagradas nem em laços que vinculam as pessoas por aspectos culturais, econômicos ou políticos. Os cristãos não formam uma nação, um estado. A comunidade cristã tampouco é uma associação cultural, um clube espiritual, uma ONG com fins delimitados. A comunidade cristã quer suscitar uma comunhão não governamental ou política, mas de vida entre todos os seres humanos, fundada no Cristo.

Os cristãos querem formar uma comunidade de amor universal, em gratuidade, a partir dos mais pobres e excluídos, abrindo-se a todos os povos da terra, sem empregar meios de poder político-militar ou qualquer tipo de imposição.

AMBIENTE

A comunidade cristã de Corinto era viva e fervorosa, mas não era uma comunidade exemplar no que diz respeito à vivência do amor e da fraternidade: os partidos, as divisões, as contendas e rivalidades perturbavam a comunhão e constituíam um contra-testemunho. As questões à volta dos “carismas” (dons especiais concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas ou grupos para proveito de todos) faziam-se sentir com especial acuidade: os detentores desses dons carismáticos consideravam-se os “escolhidos” de Deus, apresentavam-se como “iluminados” e assumiam com frequência atitudes de autoritarismo e de prepotência que não favorecia a fraternidade e a liberdade; por outro lado, os que não tinham sido dotados destes dons eram desprezados e desclassificados, considerados quase como “cristãos de segunda”, sem vez nem voz na comunidade.

Paulo não pode ignorar esta situação. Na Primeira Carta aos Coríntios, ele corrige, admoesta, dá conselhos, mostra a incoerência destes comportamentos, incompatíveis com o Evangelho. No texto que nos é proposto, Paulo aborda a questão dos “carismas”.

MENSAGEM

Em primeiro lugar, Paulo acha que é preciso saber ajuizar da validade dos dons carismáticos, para que não se fale em “carismas” a propósito de comportamentos que pretendem apenas garantir os privilégios de certas figuras. Segundo Paulo, o verdadeiro “carisma” é o que leva a confessar que “Jesus é o Senhor” (pois não pode haver oposição entre Cristo e o Espírito) e que é útil para o bem da comunidade.

De resto, é preciso que os membros da comunidade tenham consciência de que, apesar da diversidade de dons espirituais, é o mesmo Espírito que actua em todos; que apesar da diversidade de funções, é o mesmo Senhor Jesus que está presente em todos; que apesar da diversidade de acções, é o mesmo Deus que age em todos. Não há, portanto, “cristãos de primeira” e “cristãos de segunda”. O que é importante é que os dons do Espírito resultem no bem de todos e sejam usados – não para melhorar a própria posição ou o próprio “ego” – mas para o bem de toda a comunidade.

Paulo conclui o seu raciocínio comparando a comunidade cristã a um “corpo” com muitos membros. Apesar da diversidade de membros e de funções, o “corpo” é um só. Em todos os membros circula a mesma vida, pois todos foram baptizados num só Espírito e “beberam” um único Espírito.

O Espírito é, pois, apresentado como Aquele que alimenta e que dá vida ao “corpo de Cristo”; dessa forma, Ele fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é o responsável pela unidade desses diversos membros que formam a comunidade.

ACTUALIZAÇÃO

Para reflectir e actualizar a Palavra, considerar os seguintes elementos:

• Temos todos consciência de que somos membros de um único “corpo” – o corpo de Cristo – e é o mesmo Espírito que nos alimenta, embora desempenhemos funções diversas (não mais dignas ou mais importantes, mas diversas). No entanto, encontramos, com alguma frequência, cristãos com uma consciência viva da sua superioridade e da sua situação “à parte” na comunidade (seja em razão da função que desempenham, seja em razão das suas “qualidades” humanas), que gostam de mandar e de fazer-se notar. Às vezes, vêem-se atitudes de prepotência e de autoritarismo por parte daqueles que se consideram depositários de dons especiais; às vezes, a Igreja continua a dar a impressão – mesmo após o Vaticano II – de ser uma pirâmide no topo da qual há uma elite que preside e toma as decisões e em cuja base está o rebanho silencioso, cuja função é obedecer. Isto faz algum sentido, à luz da doutrina que Paulo expõe?

• Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. As nossas comunidades são espaços de partilha fraterna, ou são campos de batalha onde se digladiam interesses próprios, atitudes egoístas, tentativas de afirmação pessoal?

• É preciso ter consciência da presença do Espírito: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consciência da presença do Espírito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indicações? Temos consciência de que, pelo facto de desempenharmos esta ou aquela função, não somos as únicas vozes autorizadas a falar em nome do Espírito?

Subsídios:
2ª leitura: (1Cor 12,3b-7.12-13) Unidade do Espírito na diversidade dos dons – “Jesus é o Senhor” é a confissão que une a Igreja primeva (cf. Fl 2,9-11). E esta confissão só se consegue manter na força do Espírito. Como a unidade da confissão, o Espírito dá também a multiformidade dos serviços na Igreja. Todos que pertencem a Cristo são membros diversos do mesmo Corpo. * 12,3 cf. Rm 10,9; Fl 2,11 * 12,7 cf. At 1,8; 1Cor 12,28-30; Rm 12,6-8; Ef 4,11-13 * 12,12-13 cf. Rm 12,4-5; Ef 4,4-6.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.
Vinde, Espírito divino, e enchei com vossos dons os corações dos fiéis; e acendei neles o amor como um fogo abrasador!

Evangelho

Monição: Com a Páscoa, inicia-se a nova Criação. E, como na primeira, também agora o Espírito Santo está presente, a insuflar aos homens, mortos pelo pecado, a vida nova do Ressuscitado. Jorrando do Corpo glorificado de Cristo, em que se mantêm as cicatrizes da Paixão, o Sopro purificador e recriador do mesmo Deus, comunica-se aos Apóstolos. Apodera-se deles, a fim de que possam prolongar a obra da nova Criação, e assim a humanidade, reconciliada com Deus, conserve sempre a paz alcançada em Jesus Cristo.

João 20,19-23

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor! 20 19 Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: "A paz esteja convosco!" 20 Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. 21 Disse-lhes outra vez: "A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós". 22 Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: "Recebei o Espírito Santo. 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.ºDomingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

Recebei o Espírito Santo

O texto do evangelho de hoje enfatiza desde o início o aspecto da comunhão: era o primeiro dia da semana, o dia do Senhor, e os discípulos estavam reunidos. As portas fechadas simbolizam o medo da hostilidade existente lá fora. São os inícios de uma Igreja que vive a fragilidade e as dúvidas, que necessita da presença do Senhor. Mas Cristo ressuscitado está com eles, sua presença se faz visível e ele coloca-se no centro, no meio deles.

“A paz esteja convosco!” é o início do diálogo por iniciativa do Ressuscitado. Os discípulos têm medo, e isso os deixa desconfiados. Mas Jesus os conforta com sua palavra e presença sensível, é o verdadeiro mestre que eles haviam seguido, possui as chagas que são os sinais gloriosos de sua vida terrena. Quem faz a experiência com o Ressuscitado sabe que ele não é uma fantasia.

Os discípulos estão reunidos como Igreja, e o Cristo lhes oferece o perdão e lhes envia em missão. Antes de tudo, a Igreja é a comunidade que recebe o perdão de Cristo e o distribui ao mundo. Evangelho e perdão não estão separados, pois a “boa notícia” que a Igreja dá ao mundo é que, em Jesus Cristo, o ser humano está perdoado por Deus, pois o Filho de Deus triunfou sobre a causa do pecado, a saber, o egoísmo.

A um mundo atormentado por injustiças, guerras e violências, Cristo oferece a paz fundadora e criadora que combate a raiz do pecado. A uma comunidade fechada por causa do medo, o Cristo estende a graça da vida dele, tornada princípio da missão universal. Jesus é a paz para aqueles que o recebem e para todos.

A Páscoa torna-se Pentecostes, pois o Ressuscitado sopra sobre seus discípulos dizendo: “Recebei o Espírito Santo” (v. 22). Um gesto que alude a uma nova criação, uma vez que, no princípio, Deus havia soprado sobre o ser humano, tornando-o ser vivente (cf. Gn 2,7). Agora o gesto de Jesus nos indica que o Cristo pascal leva ao ápice a criação que fora começada.

O Evangelho de João une Páscoa e Pentecostes em um mesmo mistério: a manifestação pascal de Cristo se torna efusão do Espírito do Ressuscitado sobre a totalidade da Igreja. A Páscoa significa que a morte de Jesus pela humanidade abre um caminho de amor e de transformação do mundo. E Pentecostes é o dom da Páscoa, é ter o mesmo Espírito de Jesus, é viver à luz do mesmo sopro vital que o animava.

AMBIENTE

Este texto (lido já no segundo domingo da Páscoa) situa-nos no cenáculo, no próprio dia da ressurreição. Apresenta-nos a comunidade da nova aliança, nascida da acção criadora e vivificadora do Messias. No entanto, esta comunidade ainda não se encontrou com Cristo ressuscitado e ainda não tomou consciência das implicações da ressurreição. É uma comunidade fechada, insegura, com medo… Necessita de fazer a experiência do Espírito; só depois, estará preparada para assumir a sua missão no mundo e dar testemunho do projecto libertador de Jesus.

Nos “Actos”, Lucas narra a descida do Espírito sobre os discípulos no dia do Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa (sem dúvida por razões teológicas e para fazer coincidir a descida do Espírito com a festa judaica do Pentecostes, a festa do dom da Lei e da constituição do Povo de Deus); mas João situa no anoitecer do dia de Páscoa a recepção do Espírito pelos discípulos.

MENSAGEM

João começa por pôr em relevo a situação da comunidade. O “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo” (vers. 19 a), são o quadro que reproduz a situação de uma comunidade desamparada no meio de um ambiente hostil e, portanto, desorientada e insegura. É uma comunidade que perdeu as suas referências e a sua identidade e que não sabe, agora, a que se agarrar.

Entretanto, Jesus aparece “no meio deles” (vers. 19b). João indica desta forma que os discípulos, fazendo a experiência do encontro com Jesus ressuscitado, redescobriram o seu centro, o seu ponto de referência, a coordenada fundamental à volta do qual a comunidade se constrói e toma consciência da sua identidade. A comunidade cristã só existe de forma consistente se está centrada em Jesus ressuscitado.

Jesus começa por saudá-los, desejando-lhes “a paz” (“shalom”, em hebraico). A “paz” é um dom messiânico; mas, neste contexto, significa, sobretudo, a transmissão da serenidade, da tranquilidade, da confiança que permitirão aos discípulos superar o medo e a insegurança: a partir de agora, nem o sofrimento, nem a morte, nem a hostilidade do mundo poderão derrotar os discípulos, porque Jesus ressuscitado está “no meio deles”.

Em seguida, Jesus “mostrou-lhes as mãos e o lado”. São os “sinais” que evocam a entrega de Jesus, o amor total expresso na cruz. É nesses “sinais” (na entrega da vida, no amor oferecido até à última gota de sangue) que os discípulos reconhecem Jesus. O facto de esses “sinais” permanecerem no ressuscitado, indica que Jesus será, de forma permanente, o Messias cujo amor se derramará sobre os discípulos e cuja entrega alimentará a comunidade.

Vem, depois, a comunicação do Espírito. O gesto de Jesus de soprar sobre os discípulos reproduz o gesto de Deus ao comunicar a vida ao homem de argila (João utiliza, aqui, precisamente o mesmo verbo do texto grego de Gn 2,7). Com o “sopro” de Deus de Gn 2,7, o homem tornou-se um “ser vivente”; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova e faz nascer o Homem Novo. Agora, os discípulos possuem a vida em plenitude e estão capacitados – como Jesus – para fazerem da sua vida um dom de amor aos homens. Animados pelo Espírito, eles formam a comunidade da nova aliança e são chamados a testemunhar – com gestos e com palavras – o amor de Jesus.

Finalmente, Jesus explicita qual a missão dos discípulos (ver. 23): a eliminação do pecado. As palavras de Jesus não significam que os discípulos possam ou não – conforme os seus interesses ou a sua disposição – perdoar os pecados. Significam, apenas, que os discípulos são chamados a testemunhar no mundo essa vida que o Pai quer oferecer a todos os homens. Quem aceitar essa proposta será integrado na comunidade de Jesus; quem não a aceitar, continuará a percorrer caminhos de egoísmo e de morte (isto é, de pecado). A comunidade, animada pelo Espírito, será a mediadora desta oferta de salvação.

ACTUALIZAÇÃO

Para a reflexão, considerar as seguintes coordenadas:

• A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos à aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? É com Ele que nos identificamos, ou é num qualquer ídolo de pés de barro que procuramos a nossa identidade? Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes?

• Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos “sinais” que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os “sinais” do amor de Jesus?

• As comunidades construídas à volta de Jesus são animadas pelo Espírito. O Espírito é esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o egoísmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em serviço simples e humilde… É Ele que nos faz vencer os medos, superar as cobardias e fracassos, derrotar o cepticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a audácia profética, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo. É preciso ter consciência da presença contínua do Espírito em nós e nas nossas comunidades e estar atentos aos seus apelos, às suas indicações, aos seus questionamentos.

Subsídios:
Evangelho: (Jo 20,19-23) Dom do Espírito pelo Cristo ressuscitado – Celebramos a 6ª-feira Santa, Páscoa e Pentecostes em três dias diferentes, mas a realidade é uma só: a “Exaltação” de Cristo na Cruz e na Glória, fonte do Espírito que ele nos dá. No próprio dia da Páscoa, diz Jo, Jesus vem entregar este dom aos seus, com a sua paz e a missão de tirar o pecado do mundo, missão de Jesus mesmo (cf. 1,29.35). O mundo ressuscita com Cristo pelo Espírito dado à Igreja. * 20,19-20 cf. Lc 24,36-43; Jo 14,27; 15,11; 16,22 * 20,21-23 cf. Jo 17,18; Mt 28,19; 16,19; 18,18. 

***   ***   ***

Pentecostes é a plenificação do Mistério pascal: a comunhão com o Ressuscitado só é completa pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa. A liturgia de hoje acentua a manifestação histórica do Espírito no milagre de Pentecostes (1ª leitura) e nos carismas da Igreja (2ª leitura), sinais da unidade e paz que o Cristo veio trazer. Isto, porque a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas, e porque a diversidade de dons na Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça. Ambos estes temas podem alimentar a reflexão de hoje.

No antigo Israel, Pentecostes era uma festa agrícola (primícias da safra, no hemisfério setentrional). Mais tarde, foi relacionada com o evento salvífico central da Aliança mosaica: ganhou o sentido de comemoração da proclamação da Lei no monte Sinai. Tornou-se uma das três grandes festas em que os judeus subiam em romaria a Jerusalém (as outras são Páscoa e Tabernáculos). Foi nesta festa que aconteceu a “explosão” do Espírito Santo, a força que levou os apóstolos a tomarem a palavra e a proclamarem, diante da multidão reunida de todos os cantos do judaísmo, o anúncio (“querigma”) de Jesus Cristo. Seria errado pensar que o Espírito tivesse sido dado naquele momento pela primeira vez. O evangelho (de João) nos ensina que Jesus comunicou o Espírito no próprio dia da Páscoa. O Espírito está sempre aí. Mas foi no dia de Pentecostes que esta realidade se manifestou ao mundo. Por isso, ele aparece em forma de línguas, operando o milagre das línguas e reparando a “confusão babilônica”.

A essa proclamação universal aludem a antífona de entrada, a oração do dia e a 1ª leitura. O Espírito leva a proclamar os magnalia Dei em todas as línguas. O conteúdo desta proclamação, já o conhecemos dos domingos anteriores: é o querigma da ressurreição de Jesus Cristo. Novamente, o Sl 104[103] comenta este fato (salmo responsorial).

2ª leitura mostra, por assim dizer, a obra “intra-eclesial” do Espírito: a multiformidade dos dons, dentro do mesmo Espírito, como as múltiplas funções em um mesmo corpo. Paulo chama isto de “carismas”, dons da graça de Deus; pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (que, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.

No evangelho encontramos a visão joanina da “exaltação” de Jesus: é a realidade única de sua morte, ressurreição e dom do Espírito, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,31-37). Assim, no próprio dia da ressurreição, Jesus aparece aos seus para lhes comunicar a sua paz (cf. 14,27) e conceder o dom do Espírito, para tirar o pecado do mundo, ou seja, para que eles continuem sua obra salvadora (cf. 1,29.35).

Este Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação, sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Neste sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce, não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda a entender o que é renovação carismática: não uma avalanche de fenômenos estranhos, mas o espírito do perdão e da unidade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial. A antiga sequência Veni Sancte Spiritus expressa isso maravilhosamente, e seria bom pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, novamente em contato com esse rico texto.

A Igreja, por sua unidade no Espírito, no vínculo da paz (Ef 4,3), torna-se sacramento (sinal operante), do perdão, da unidade, da paz no mundo, na medida em que ela o coloca em contato com o senhorio do Cristo pascal, no querigma e na práxis.

A OBRA DE CRISTO E O ESPÍRITO SANTO

“É bom para vós que eu me vá: se eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se eu for, eu o enviarei a vós” (Jo 16,7). Meditando sobre a festa de Pentecostes, poderíamos dizer assim: Jesus foi a presença de Deus “em carne”, em existência humana, limitada no tempo e no espaço. Mas a presença de Deus na história da humanidade e no universo não se esgota em Jesus. “O Espírito de Deus enche a terra e, contendo o universo, tem conhecimento de todo som” (Sb 1,7). O espaço que Jesus deixou ao encerrar sua missão na terra é preenchido pelo Espírito que vem do Pai, e que é também o Espírito de Jesus, pois, diferente dos dois, é o que une os dois.

Assim, o Espírito vem para continuar a obra de Jesus. Ele leva os discípulos a pregar o evangelho de Jesus (1ª leitura). Ele é dado à Igreja para vencer o pecado (evangelho), como fez Jesus, o “cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). A Igreja tem por missão limpar o mundo do pecado, do ódio, de tudo o que exclui Deus, tanto nas pessoas como nas estruturas da sociedade, na vida individual e na vida política – tudo isso, no poder do Espírito. Agindo assim, a Igreja completará a obra que Jesus selou com o dom da própria vida e mostrará que Jesus, “exaltado” na cruz, lhe confiou o Espírito.

O Espírito é a atualidade de Jesus. Por isso, é a alma do Corpo de Cristo, que é a Igreja (2ª leitura). Ele faz com que Jesus atue no mundo de hoje, por meio da Igreja. Ele faz com que a Igreja não seja mera instituição burocrática, preocupada apenas em perpetuar-se a si mesma, mas constante encarnação do Espírito que veio sobre Jesus no batismo e o levou a realizar sua missão de ser a palavra de amor que Deus dirige ao mundo. Assim, ele é o Espírito do Pai e do Filho, como diz o Credo. Ele é o Espírito do Senhor glorioso, laço do amor divino que nos une, e que transforma o mundo em nova criação, na qual todos se abrem à voz de Deus.

Ninguém pode reclamar para si esse Espírito se não está linha de Jesus. Mas o inverso é verdade também. Ninguém pode cumprir a missão recebida do Senhor glorioso se não se deixa animar pelo Espírito, que Jesus mesmo pede ao Pai para nós (Jo 14,16). Cristo é dinâmico e atual em nós graças ao Espírito Santo. Assim, Pentecostes continua acontecendo, como se mostrou no Concílio Vaticano II, quando a Igreja se voltou para os pobres e excluídos, e em tantas outras coisas que não chamam a atenção, mas que mostram a verdadeira “renovação da face da terra” (que o Sl 104[103],30 atribui ao Espírito de Deus).

O Espírito do Senhor enche a terra, contém o universo. Nada escapa a seu calor, se o deixarmos penetrar. Não desejemos o Espírito para brilhar, para sermos diferentes dos outros, mas para sermos condutores de seu calor, para que atinja a todos.

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO:

Há um tipo de vida que é morte, feita de lutas e concorrências, de inveja e egoísmo. Mas há um tipo mais elevado de vida feito de doação, gratuidade, acolhida, comunhão… Essa é a vida que se desvela na trajetória da Igreja, a vida do Espírito. A Igreja, comunidade fundada na comunhão realizada pelo Espírito, não propaga a exclusão, ao contrário, distribui o perdão que vem de Deus. Não nega o perdão a ninguém.

A Igreja somente pode ser considerada comunidade de Jesus se é sinal e fonte de perdão e, portanto, de inclusão. A própria Igreja expressa o perdão, encarna-o e o anuncia ao mundo. Portanto, onde o perdão é oferecido há perdão, e onde a Igreja mostra que não há perdão isso ocorre porque as pessoas ainda se afrontam e se confrontam. Somente onde a luta por justiça ainda não chegou ao seu término e quando a justiça ainda não tenha sido instaurada é que a Igreja retém o perdão, para que se possa realmente continuar lutando até edificar um mundo justo de paz e fraternidade universais.


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Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

Sugestões para a homilia

1. «Encontravam-se reunidos em Jerusalém com Maria, Mãe de Jesus, em oração» (cf. Act 1,14).

Celebramos hoje a festa do Pentecostes. Esta festa já existia no AT, mas tinha um sentido diferente daquele que hoje lhe damos. A palavra Pentecostes significa em grego quinquagésimo, isto é, 50 dias depois da festa da Páscoa. Os judeus chamavam-lhe, por isso, a Festa das Semanas, onde ofereciam a Deus as primeiras colheitas, como forma de agradecimento.

Mas nós, no Pentecostes, celebramos a descida do Espírito Santo cinquenta dias depois da ressurreição de Jesus. É o que nos relata a primeira leitura. Esta leitura narra o evento no dia em que os Apóstolos se encontravam reunidos em Jerusalém com Maria, Mãe de Jesus, em oração (cf. Act 1, 14). De repente, ouviu-se um rumor semelhante a forte rajada de vento e apareceram uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo e poisando sobre cada um deles. E todos ficaram cheios do Espírito Santo (cf. Act 2, 1-5).

2. «Nem sequer ouvimos falar de um Espírito Santo» (Act 19,2).

Mas afinal quem é o Espírito Santo? Todos nós aprendemos na catequese que é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade e até dizemos no Credo: «Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho…»

Mas apesar de tão belas palavras, podemos dizer que o Espírito Santo é o Deus desconhecido ou abandonado, é Aquele que está ausente da vida de muitas pessoas que se dizem cristãs. De certo modo, hoje acontece como no tempo dos Apóstolos. Quando S. Paulo chegou a Éfeso perguntou a uns cristãos daquela terra se tinham recebido o Espírito Santo quando abraçaram a fé em Jesus. A resposta não podia ser mais desoladora; disseram eles: «nem sequer ouvimos falar de um Espírito Santo» (Act 19, 2).

Julgo que não se pode afirmar que a maioria dos cristãos nunca ouviu falar do Espírito Santo; mas se lhes perguntarmos quem é o Espírito Santo, talvez muitos sentissem dificuldades em dizê-lo.

No nosso povo há muitas devoções e orações a Jesus Cristo e até muitas invocações a Nossa Senhora e aos santos. Mas porque é que nos esquecemos do Divino Espírito Santo na nossa oração e na nossa vida?

Há muitas razões para explicar que o Espírito de Deus seja tão desconhecido: a falta de formação e de catequese; e, sobretudo, a falta de experiência de viver e sentir a presença amorosa do Espírito na nossa vida. A nossa pobre fé leva-nos a pensar muitas vezes que o Espírito Santo só assiste o Papa e os bispos. Mas não… está em todos nós.

Para ficarmos a saber um pouco mais sobre o Espírito Santo, podíamos recordar algumas das palavras da Sequência que foi lida antes do Aleluia. Pelo texto da Sequência sabemos que o Espírito Santo é Amor ardente, Luz de santidade, Virtude na vida e amparo na morte; é Aquele que enche de alegria os nossos corações, que lava as nossas manchas, que sara os enfermos e que é paz e conforto no pranto.

3. «Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12,3b).

Mas não basta sabermos muitas coisas sobre o Espírito Santo, os seus sete dons e os doze frutos e até saber que o Espírito é representando em forma de pomba. Antes de mais, temos de saber que Jesus, tal como fez com os Seus discípulos, também nos diz: «Recebei o Espírito Santo».

E nós recebemo-lo no dia do nosso Baptismo, em especial no dia em que fomos Crismados. Por isso diz S. Paulo que o nosso corpo é templo do Espírito Santo. Portanto, o Divino Espírito habita em nossos corações, está connosco; é Ele que nos anima e fortalece a nossa fé. Neste sentido, dizia a segunda leitura: «Irmãos, ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ a não ser pela acção do Espírito Santo» (1 Cor 12, 3b).

Caros irmãos, se também nós estamos cheios do Espírito Santo devíamos fazer com os Apóstolos que, depois do Pentecostes, começaram a falar línguas.

Podemos nós não falar línguas, mas isto não significa que a chama do Pentecostes se tenha apagado; muito pelo contrário. Os carismas na Igreja de hoje talvez não sejam tão espectaculares como na Igreja primitiva, mas contudo o poder e acção do Espírito de Deus continua a manifestar-se ainda hoje. De facto, vemos que Ele está presente em muitas comunidades cristãs e em muitos aspectos da vida da Igreja.

Mas o Espírito manifesta-se também em todo o crente que abre o seu coração à acção do Espírito Divino. Assim, o exemplo e educação na fé que dão os esposos cristãos a seus filhos, a fidelidade de uma mãe, o trabalho honrado de um pai, a ajuda prestada a um vizinho ou amigo que tem problemas, a paciência alegre dum doente na sua dor ou de um idoso na solidão, a oração, a confiança em Deus, a alegria do dever cumprido e de uma consciência recta e honrada, tudo isto é dom do Espírito Santo. É que o cristão que recebe e deixa que a sua vida seja conduzida pela acção do Espírito de Deus só sabe usar uma linguagem que todos entendem e que a todos una; e essa linguagem é a do amor.

No dia de Pentecostes, olhemos para a Virgem Maria e procuremos imitar as suas virtudes, Ela que foi Templo e Sacrário do Espírito Santo.

E já que tantas vezes esquecemos a presença do Espírito de Deus na nossa vida, ao menos hoje procuremos viver unidos             a este Deus tão desconhecido e peçamos-Lhe:

Vinde, Espírito Santo,
Enchei os corações dos Vossos fiéis
E acendei neles o fogo do Vosso amor
Enviai, Senhor, o Vosso Espírito
E tudo será criado.
E renovareis a face da terra.

Fala o Santo Padre

«Jesus sopra sobre os apóstolos e dá-lhes de maneira renovada o seu amor, a sua verdade e a sua bondade.»

A primeira leitura e o Evangelho do Domingo de Pentecostes apresentam-nos duas grandes imagens da missão do Espírito Santo. A leitura dos Actos dos Apóstolos narra como, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo, sob os sinais de um vento poderoso e de fogo, irrompe na comunidade orante dos discípulos de Jesus e dá assim origem à Igreja. Para Israel, o Pentecostes, de festa da sementeira, tornou-se a festa que recordava a conclusão da aliança no Sinai. Deus demonstrou a sua presença ao povo através do vento e do fogo e depois ofereceu-lhe a sua lei, a lei dos 10 mandamentos. Só assim a obra de libertação, que começara com o êxodo do Egipto, se tinha cumprido plenamente: a liberdade humana é sempre uma liberdade partilhada, um conjunto de liberdades.

Só numa ordenada harmonia das liberdades, que abre para cada um o seu âmbito, se pode ter uma liberdade comum. Por isso o dom da lei no Sinai não foi uma restrição ou uma abolição da liberdade mas o fundamento da verdadeira liberdade. E dado que um justo ordenamento humano se pode reger apenas se provém de Deus e se une os homens na perspectiva de Deus, para uma disposição ordenada das liberdades humanas não podem faltar os mandamentos que o próprio Deus dá. Assim Israel tornou-se plenamente povo precisamente através da aliança com Deus no Sinai. O encontro com Deus no Sinai poderia ser considerado como o fundamento e a garantia da sua existência como povo. O vento e o fogo, que atingiram a comunidade dos discípulos de Cristo reunida no cenáculo, constituíram um ulterior desenvolvimento do acontecimento do Sinai e conferiram-lhe uma nova amplitude. Naquele dia encontravam-se em Jerusalém, segundo quanto referem os Actos dos Apóstolos, «Judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu» (Act 2, 5). E eis que se manifesta o dom característico do Espírito Santo:  todos compreenderam as palavras dos apóstolos: «Cada um os ouvia falar na sua própria língua» (Act 2, 6). O Espírito Santo concede o dom da compreensão. Ultrapassa a ruptura que teve início em Babel a confusão dos corações, que nos faz ser uns contra os outros, o Espírito abre as fronteiras. O povo de Deus que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração, é agora ampliado até ao ponto de já não conhecer fronteira alguma.

O novo povo de Deus, a Igreja, é um povo que provém de todos os povos. A Igreja desde o início é católica, esta é a sua essência mais profunda. São Paulo explica e realça isto na segunda leitura, quando diz: «De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos e livres, e todos bebemos de um só Espírito» (1 Cor 12, 13). A Igreja deve tornar-se sempre de novo aquilo que ela já é: deve abrir as fronteiras entre os povos e romper as barreiras entre as classes e as raças. Nela não podem haver esquecidos nem desprezados. Na Igreja existem unicamente irmãos e irmãs livres em Jesus Cristo. Vento e fogo do Espírito Santo devem infatigavelmente abater aquelas barreiras que nós homens continuamos a erguer entre nós; devemos sempre de novo passar de Babel, do fechamento em nós mesmos, para Pentecostes. Por isso, devemos continuamente pedir que o Espírito Santo nos abra, nos conceda a graça da compreensão, de modo que nos possamos tornar o povo de Deus proveniente de todos os povos ainda mais, diz-nos São Paulo: em Cristo, que como único pão a todos alimenta na Eucaristia e nos atrai para si no seu corpo martirizado na cruz, nós devemos tornar-nos um só corpo e um só espírito.

«A paz esteja convosco»: esta saudação do Senhor é uma ponte que ele lança entre céu e terra.

A segunda imagem do envio do Espírito, que encontramos no Evangelho, é muito mais discreta. Mas precisamente por isso faz compreender toda a grandeza do acontecimento de Pentecostes. O Senhor Ressuscitado entra através das portas fechadas no lugar onde os discípulos se encontravam e saúda-os duas vezes dizendo: a paz esteja convosco! Nós, continuamente, fechamos as nossas portas; continuamente, queremos pôr-nos a salvo e não ser incomodados pelos outros nem por Deus. Portanto, podemos suplicar continuamente o Senhor por isso, para que ele venha ao nosso encontro vencendo os nossos fechamentos e trazendo-nos a sua saudação. «A paz esteja convosco»: esta saudação do Senhor é uma ponte, que ele lança entre céu e terra. Ele desce por esta ponte até nós e nós podemos subir, por esta ponte de paz, até Ele. Nesta ponte, sempre juntamente com Ele, também nós devemos alcançar o próximo, alcançar aquele que tem necessidade de nós. Precisamente descendo com Cristo, nós elevamo-nos até Ele e até Deus: Deus é Amor e por isso descida, abaixamento, que o amor nos pede, e ao mesmo tempo é a verdadeira subida. Precisamente assim, abaixando-nos, saindo de nós mesmos, nós alcançamos a altura de Jesus Cristo, a verdadeira altura do ser humano.

À saudação de paz do Senhor seguem-se dois gestos decisivos para o Pentecostes: o Senhor deseja que a sua missão continue nos discípulos: «Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). Depois disto, sopra sobre eles e diz: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos» (Jo 20, 23). O Senhor sopra sobre os discípulos, e assim dá-lhes o Espírito Santo, o seu Espírito. O sopro de Jesus é o Espírito Santo. Reconhecemos aqui, antes de mais, uma alusão à narração da criação do homem no Génesis, onde está escrito: «O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida» (Gn 2, 7). O homem é esta criatura misteriosa, que provém totalmente da terra, mas no qual foi posto o sopro de Deus. Jesus sopra sobre os apóstolos e dá-lhe de maneira renovada, maior, o sopro de Deus. Nos homens, não obstante todas as suas limitações, existe agora algo absolutamente novo o sopro de Deus. A vida de Deus habita em nós. O sopro do seu amor, da sua verdade e da sua bondade. Assim podemos ver aqui também uma alusão ao baptismo e à confirmação a esta nova pertença a Deus, que o Senhor nos concede. O texto do Evangelho convida-nos a isto: a viver sempre no espaço do sopro de Jesus Cristo, a receber vida d’Ele, de modo que ele inspire em nós a vida autêntica a vida da qual morte alguma pode privar. Com o seu sopro, com o dom do Espírito Santo, o Senhor relaciona o poder de perdoar. Ouvimos anteriormente que o Espírito Santo une, abate as fronteiras, guia uns para os outros. A força, que abre e faz superar Babel, é a força do perdão. Jesus pode conceder o perdão e o poder de perdoar, porque ele mesmo sofreu as consequências da culpa e dissolveu-as na chama do seu amor. O perdão vem da cruz; ele transforma o mundo com o amor que nos doa. O seu coração aberto na cruz é a porta pela qual entra no mundo a graça do perdão. E unicamente esta graça pode transformar o mundo e edificar a paz.

Se compararmos os dois acontecimentos de Pentecostes, o vento poderoso do 50º dia e o leve sopro de Jesus na noite de Páscoa, podemos recordar-nos do contraste entre dois episódios, que aconteceram no Sinai, dos quais nos fala o Antigo Testamento. Por um lado encontra-se a narração do fogo, do trovão e do vento, que precedem a promulgação dos 10 Mandamentos e a conclusão da aliança (cf. Êx 19 ss.); por outro, a narração misteriosa de Elias no Monte Oreb. Depois dos dramáticos acontecimentos do Monte Carmelo, Elias tinha-se salvado da ira de Acab e de Gezabele. Por conseguinte, seguindo o mandamento de Deus, peregrinou até ao Monte Oreb. O dom da aliança divina, da fé no Deus único, parecia ter desaparecido em Israel. Elias, de certa forma, deve reacender a chama da fé no monte de Deus e reconduzi-la a Israel. Ele experimenta, naquele lugar, vento, terremoto e fogo. Mas Deus não está presente em tudo isto. Então ele apercebe-se de um murmúrio doce e leve. E Deus fala-lhe com esse sopro leve (cf. 1 Re 19, 11-18). O que aconteceu na noite de Páscoa, quando Jesus apareceu aos seus Apóstolos para lhes ensinar o que se deseja dizer? Não podemos porventura ver nisto a prefiguração do servo de Jahwé, do qual Isaías diz: «Ele não gritará, não levantará a voz, não clamará nas ruas» (42, 2)? Não sobressai talvez assim a humilde figura de Jesus como a verdadeira revelação na qual Deus se manifesta a nós e nos fala? Não são porventura a humildade e a bondade de Jesus a verdadeira epifania de Deus? Elias, no Monte Carmelo, tinha procurado combater o afastamento de Deus com o fogo e com a espada, matando os profetas de Baal. Mas desta forma não pôde restabelecer a fé. No Oreb ele deve aprender que Deus não está no vento, no terremoto, no fogo; Elias deve aprender a compreender a voz leve de Deus e, assim, a reconhecer antecipadamente que venceu o pecado não com a força mas com a sua Paixão; aquele que, com o seu sofrimento, nos doou o poder do perdão. Esta é a forma com a qual Cristo vence. […]

Papa Bento XVI, Solenidade do Pentecostes, 15 de Maio de 2005


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A LITURGIA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao Domingo do Pentecostes, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…

2. EVIDENCIAR OS CARISMAS.
O Pentecostes é a festa do nascimento da Igreja. Seria, pois, importante fazer uma liturgia em que aos variados carismas pudessem aparecer. Seria necessário pensar em fazer-se apelo aos talentos de leitores, de salmista, de músico, de director do canto, de decorador, etc… Importa que a assembleia apareça como una e diversa.

3. NÃO OMITIR A SEQUÊNCIA.
Não omitir a sequência de Pentecostes depois da segunda leitura e antes da aclamação ao Evangelho. Pode ser lida por duas pessoas (com um fundo musical) ou, melhor ainda, cantada.

4. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Bendito sejas, Deus de luz e de vida, sopro criador e fogo de amor. Nós Te louvamos pelo dom do teu Espírito, que chama todos os povos da terra a proclamar, cada um na sua língua, as maravilhas da tua bondade. Nós Te pedimos por todos os membros do teu Povo: torna-nos receptivos às múltiplas linguagens dos nossos irmãos e confiantes no teu espírito de unidade.
No final da segunda leitura:
Nós Te bendizemos, Pai, pelo novo corpo do teu Filho, que é a Igreja, e nós Te damos graças por nos teres permitido ser os seus membros, cada um na sua parte e na diversidade das funções confiadas. Nós Te pedimos, Espírito Santo, Tu que ages em nós para o bem de todos: nós acolhemos o teu sopro; manifesta em nós a tua presença.
No final do Evangelho:
Nós Te damos graças, Pai, pela maravilha realizada por Jesus ressuscitado, porque Ele deu nova força aos seus apóstolos, tirando-os do medo e da paralisia, comunicando-lhes o sopro da sua ressurreição. Nós Te suplicamos: que a tua Paz esteja connosco, por Jesus, vencedor de todas as formas de morte, e pelo teu Espírito, que é perdão e santificação.

5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística III, que contém uma oração própria para o Pentecostes e que evoca o Espírito…

6. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Tempestade! Fogo! Portas arrombadas! O Pentecostes é a irrupção do Espírito Santo na vida dos discípulos que vão deixar-se transformar em todas as dimensões do seu ser. O Pentecostes continua! Mas não estamos muitas vezes, face a este Espírito Santo, como diante de uma ameaça nuclear? Ousamos, enfim, deixar-nos irradiar por Ele sem qualquer protecção?

LITURGIA EUCARÍSTICA

PREFÁCIO: O mistério do Pentecostes

V. O Senhor esteja convosco.
R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.
R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.
R. É nosso dever, é nossa salvação.

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar–Vos graças, sempre e em toda a parte. Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé. Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo.

No Cânone Romano dizem–se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem–se também as comemorações próprias.

Monição da Comunhão: Alimentados pelo Pão da Vida e cheios do Espírito Santo, proclamemos as maravilhas de Deus.

Actos 2, 4. 11
Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final: E com o Pentecostes se conclui em cheio a Páscoa. Amanhã voltamos ao tempo quotidiano, «enviados pelo Espírito» a fazer novas todas as coisas… «E todos foram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus». Ide e fazei o mesmo.

Bênção solene

P. O Senhor esteja convosco.
T. Ele está no meio de nós.

P. Deus de luz que hoje iluminou os corações dos discípulos, derramando sobre eles o Espírito Santo, vos conceda a alegria da sua bênção e a plenitude dos dons do mesmo Espírito.
T. Amen.

P. Aquele fogo, descido de modo admirável sobre os discípulos, purifique os vossos corações de todo mal e vos transfigure pela sua luz.
T. Amen.

P. Aquele que na proclamação de uma só fé reuniu todas as línguas vos faça perseverar na mesma fé, passando da esperança à caridade.
T. Amen.

P. Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.
T. Amen.

P. A alegria do Senhor seja a vossa força. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe, aleluia, aleluia.
T Graças a Deus. Aleluia, Aleluia.

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o batistério e conservá–lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Batismo, se acenda na sua chama a vela dos batizados.

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça–feira depois do Pentecostes, pode dizer–se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).


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HOMILIAS FERIAIS

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

TEMPO PASCAL

__ª SEMANA

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>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Celebração e Homilia: ALFREDO MELO
Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Homilias Feriais: NUNO ROMÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – http://www.dehonianos.org/portal/


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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