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Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.com.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/formacao/formacao-liturgica/ ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


16.02.2020
6º DOMINGO DO TEMPO COMUM — ANO A
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – II SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Eu, porém, vos digo..." __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO HOMILÉTICO DO PRÓXIMO DOMINGO

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A liturgia de hoje nos mostra que Jesus não se colocou na contramão do Deus do Antigo Testamento. Ao contrário, revela o verdadeiro projeto do Senhor para a humanidade. Guiados por seus ensinamentos, peçamos que ele nos aponte seu querer divino, livrando-nos de dar-nos por satisfeitos com a observância superficial dos mandamentos.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, que bom estarmos na Casa de Deus! Hoje, dia do Senhor, a sua Igreja se reúne para bendizer ao Pai, por Jesus, na força do Espírito Santo. Cristo é o cumprimento das promessas de Deus, escritas na Lei. Nós queremos ouvir sua Palavra, acolher seus mandamentos de vida, nos alimentar do maná da salvação para sairmos daqui mais dispostos a anunciar o Reino de Deus com nosso testemunho. Bendigamos, pois, ao Senhor nosso Deus!.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Jesus não veio abolir a lei, mas levá-la à plenitude, dar-lhe algo "mais" que a faz superar como lei e aceitá-la como opção interior. De fato, a justiça do fariseu se limita à observância dos artigos da lei. A justiça do cristão não depende em primeiro lugar da sua observância da lei, mas de se terem realizado em Jesus os últimos tempos, porque ele veio para ser o primeiro a obedecer à lei em comunhão com Deus. Cristo estabelece um novo critério de avaliação moral: a intenção pessoal.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo entoemos alegres cânticos ao Senhor!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/16-de-fevereiro-de-2020---6-tc.pdf


Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano_44-a_-_09_-_6o_domingo_do_tempo_comum.pdf


TEMA
A VERDADEIRA JUSTIÇA

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Vida Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- A autoria do Roteiro Homilético da Paulus pertence aos diversos renomados escritores e estudiosos da Palavra de Deus que prestam serviços à Editora. Visitem a página da Revista Vida Pastoral e acompanhem os diversos temas ali publicados.

Introdução da Revista Vida Pastoral

FELIZES OS QUE ANDAM NA LEI DO SENHOR

A fidelidade à lei de Deus – melhor dizendo, à Torá ou instrução do Senhor – é um dos temas centrais do Antigo Testamento. O amor e a fidelidade à lei de Deus constituíam toda a justiça e santidade do povo de Israel.

A lei de Deus é boa e santa (Rm 7,12). Por isso, a lei não foi abolida por Jesus, mas sim plenificada (Mt 5,17). Plenificar significa que não basta cumprir a materialidade do mandamento, mas se perguntar pela intenção de Deus ao instituí-lo. Não é suficiente uma fidelidade externa, mas faz-se necessária uma fidelidade mais profunda, que empenhe mente e coração. Não basta somente uma conduta que todos possam ver, mas se requer reta intenção, que brote do mais profundo do coração e da mente, vista somente por Deus. Tal atitude é possível quando se é capaz de deixar-se penetrar pela sabedoria do evangelho, “misteriosa e oculta” (1Cor 2,7), sabedoria da cruz de Cristo. Isso é andar na lei do Senhor. Os atos meramente externos constituem um legalismo severamente criticado por Jesus.

Introdução do Portal Dehonianos

A liturgia de hoje garante-nos que Deus tem um projecto de salvação para que o homem possa chegar à vida plena e propõe-nos uma reflexão sobre a atitude que devemos assumir diante desse projecto.

Na segunda leitura, Paulo apresenta o projecto salvador de Deus (aquilo que ele chama "sabedoria de Deus" ou "o mistério"). É um projecto que Deus preparou desde sempre "para aqueles que o amam", que esteve oculto aos olhos dos homens, mas que Jesus Cristo revelou com a sua pessoa, as suas palavras, os seus gestos e, sobretudo, com a sua morte na cruz (pois aí, no dom total da vida, revelou-se aos homens a medida do amor de Deus e mostrou-se ao homem o caminho que leva à realização plena).

A primeira leitura recorda, no entanto, que o homem é livre de escolher entre a proposta de Deus (que conduz à vida e à felicidade) e a auto-suficiência do próprio homem (que conduz, quase sempre, à morte e à desgraça). Para ajudar o homem que escolhe a vida, Deus propõe "mandamentos": são os "sinais" com que Deus delimita o caminho que conduz à salvação.

O Evangelho completa a reflexão, propondo a atitude de base com que o homem deve abordar esse caminho balizado pelos "mandamentos": não se trata apenas de cumprir regras externas, no respeito estrito pela letra da lei; mas trata-se de assumir uma verdadeira atitude interior de adesão a Deus e às suas propostas, que tenha, depois, correspondência em todos os passos da vida.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
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O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

ASSINAR O PERIÓDICO

O JEITO DE JESUS INTERPRETAR A LEI

O texto do evangelho de hoje é a continuação do Sermão da Montanha. A Lei foi dada a Israel para ensinar-lhe o caminho da justiça. Jesus nunca pretendeu aboli-la, como muitos pensavam. Ele, novo legislador, não deseja anular a Escritura (Leis e Profetas), e sim ensinar como reinterpretá-la, propondo o pleno cumprimento dessas normas. Seu intento é nos libertar do legalismo doentio que não nos torna santos diante de Deus nem nos garante o acesso ao Reino. Além disso, destacam-se outros três aspectos importantes.

Compromisso com a vida. O mandamento “não matar” vai além do derramamento de sangue, pois exprime compromisso radical com a vida, recomendando atitude de respeito à dignidade de todos. Toda discriminação é uma forma de violência. Toda palavra ofensiva é uma forma de diminuir o ser humano. O culto que agrada a Deus exige a vivência da reconciliação; sem ela, a oferenda se torna inútil.

Compromisso com a fidelidade. O adultério se inicia antes do ato em si, começa com o olhar. O Mestre propõe cortar o mal pela raiz (arrancar o olho e cortar a mão). Ele condena não apenas o adultério, mas também pensamentos e desejos perversos, que levam a praticar injustiças e maldades. A justiça do Reino exige profundo respeito no trato com as pessoas, principalmente com as mais fragilizadas.

Compromisso com a palavra. Aqui Jesus se dirige principalmente aos homens – os que podiam decretar o divórcio. O cristão esforça-se para superar os conflitos, evitando apontar defeitos no cônjuge para justificar a separação. Quando se tem compromisso com a palavra dada, não há necessidade de juramento. Os juramentos não combinam com relações humanas baseadas na confiança. A palavra do cristão deveria ser sempre digna de crédito, e os problemas contornados mediante o diálogo e o perdão.

Por meio desses exemplos, percebemos o jeito novo de Jesus ver e interpretar as leis, sem querer aboli-las.

Pe. Nilo Luza, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
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O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

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O JEITO DE JESUS INTERPRETAR A LEI

O texto do evangelho de hoje é a continuação do Sermão da Montanha. A Lei foi dada a Israel para ensinar-lhe o caminho da justiça. Jesus nunca pretendeu aboli-la, como muitos pensavam. Ele, novo legislador, não deseja anular a Escritura (Leis e Profetas), e sim ensinar como reinterpretá-la, propondo o pleno cumprimento dessas normas. Seu intento é nos libertar do legalismo doentio que não nos torna santos diante de Deus nem nos garante o acesso ao Reino. Além disso, destacam-se outros três aspectos importantes.

Compromisso com a vida. O mandamento “não matar” vai além do derramamento de sangue, pois exprime compromisso radical com a vida, recomendando atitude de respeito à dignidade de todos. Toda discriminação é uma forma de violência. Toda palavra ofensiva é uma forma de diminuir o ser humano. O culto que agrada a Deus exige a vivência da reconciliação; sem ela, a oferenda se torna inútil.

Compromisso com a fidelidade. O adultério se inicia antes do ato em si, começa com o olhar. O Mestre propõe cortar o mal pela raiz (arrancar o olho e cortar a mão). Ele condena não apenas o adultério, mas também pensamentos e desejos perversos, que levam a praticar injustiças e maldades. A justiça do Reino exige profundo respeito no trato com as pessoas, principalmente com as mais fragilizadas.

Compromisso com a palavra. Aqui Jesus se dirige principalmente aos homens – os que podiam decretar o divórcio. O cristão esforça-se para superar os conflitos, evitando apontar defeitos no cônjuge para justificar a separação. Quando se tem compromisso com a palavra dada, não há necessidade de juramento. Os juramentos não combinam com relações humanas baseadas na confiança. A palavra do cristão
deveria ser sempre digna de crédito, e os problemas contornados mediante o diálogo e o perdão.

Por meio desses exemplos, percebemos o jeito novo de Jesus ver e interpretar as leis, sem querer aboli-las.

Pe. Nilo Luza, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
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O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

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Missa do 6º Domingo do Tempo Comum

Jesus não veio abolir a lei que existia, mas complementá-la e colocar mais amor no coração dos homens..

LIÇÃO DE VIDA: Jesus se alegra quando vê que nos esforçamos para viver, todos os dias, o que ele nos ensinou.


RITOS INICIAIS

ANTÍFONA DE ENTRADA: Sede a rocha do meu refúgio, Senhor, e a fortaleza da minha salvação. Para glória do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

Introdução ao espírito da Celebração
A liturgia deste 6.º Domingo do tempo comum faz-nos reflectir sobre a Lei de Deus e as implicações que a mesma tem nas nossas opções de vida. As leituras falar-nos-ão de liberdade, sabedoria, responsabilidade, morte, vida… Só em Deus poderemos conseguir a luz e a força, para alcançarmos o procedimento ideal que nos conduzirá à verdadeira liberdade e à plena felicidade. Porque nem sempre fomos fiéis ao Seu projecto, peçamos-Lhe humildemente perdão, com um firme propósito de obedecermos à Sua vontade. Confessemos os nossos pecados.

ORAÇÃO COLECTA: Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição: Deus criou o homem com plena liberdade. Ele não é coagido. Quotidianamente pode fazer opções que o colocarão perante a responsabilidade pela própria vida.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Eclesiástico 15,16-21

Leitura do livro do Eclesiástico. 15 16 Se quiseres guardar os mandamentos, e praticar sempre fielmente o que é agradável (a Deus), eles te guardarão. 17 Ele pôs diante de ti a água e o fogo: estende a mão para aquilo que desejares. 18 A vida e a morte, o bem e o mal estão diante do homem; o que ele escolher, isso lhe será dado, 19 porque é grande a sabedoria de Deus. Forte e poderoso, ele vê sem cessar todos os homens. 20 Os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, e ele conhece todo o comportamento dos homens. 21 Ele não deu ordem a ninguém para fazer o mal, e a ninguém deu licença para pecar;
— Palavra do Senhor!
— Graças a Deus.

A leitura é tirada da primeira parte da obra didáctica e poética de Jesus ben Sirac, também chamado Sirácida, que veio a tomar o nome de Eclesiástico, por ter sido o livro do A. T. mais utilizado pela Igreja na instrução dos catecúmenos.

O texto da leitura enquadra-se dentro de um conjunto de ensinamentos práticos em ordem a alcançar a verdadeira sabedoria: «quem se dedica à Lei possuirá a sabedoria» (15, 1); e o final do capítulo 15 é a apologia da liberdade (vv. 11-21). Como diz o Concílio Vaticano II, «Deus quis «deixar o homem entregue à sua própria decisão» (Sir 15, 14), para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e feliz perfeição, aderindo a Ele» (GS 17). A lei de Deus é o norte a orientar a liberdade humana, mas não no-la tira, como tão-pouco os sinais de trânsito; o que faz é proteger a nossa liberdade.

21 «Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado». A verdade, porém, é que há situações em que se torna difícil cumprir toda a Lei de Deus, mas não se pode dizer que seja impossível, segundo explica Santo Agostinho, «“porque Deus não manda coisas impossíveis, mas ao mandar aquilo que manda, convida-te a fazer o que puderes e a pedir o que não puderes” e ajuda-te para que possas. “Os seus mandamentos não são uma carga” (1 Jo 5, 3), o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 30).» (Veritatis Splendor, 102)

Fidelidade é fazer a vontade de Deus

Esse texto da primeira leitura destaca a liberdade de escolha, o livre-arbítrio do ser humano diante da vontade de Deus. O autor bíblico acentua a responsabilidade da pessoa quando ela decide se rebelar contra Deus.

Quem obedece à vontade de Deus, expressa principalmente na Escritura, tem qualidade de vida. Se todas as pessoas cumprissem os mandamentos de não roubar e não matar, entendidos em sentido amplo, incluindo injustiças e ofensas, a sociedade de hoje seria menos violenta.

Por isso, afirma o texto bíblico que a vida e a morte estão diante do ser humano, para que ele escolha o que deseja. A vontade de Deus gera vida em plenitude, o pecado gera morte. Tanto a vida quanto a morte, entendidas nesse sentido, são consequências das escolhas humanas.

O ser humano é livre e, por conseguinte, responsável pelas próprias ações. O mal que faz ao próximo não é culpa de Deus, pois “a ninguém Deus ordenou que fizesse o mal, a ninguém Deus deu licença de pecar” (v. 21). Deus nos deu o livre-arbítrio e a capacidade de fazer as escolhas certas.

AMBIENTE

O Livro de Ben Sira (designado na Bíblia Católica com o nome de "Eclesiástico") é um livro "sapiencial" - isto é, um livro cujo objectivo é apresentar indicações de carácter prático, deduzidas da reflexão e da experiência, sobre a arte de viver bem, de ter êxito, de ser feliz (é essa a temática da reflexão sapiencial no Médio Oriente, em geral, e em Israel, em particular). O seu autor é um tal Jesus Ben Sira, um judeu tradicional, convencido que a Tora (a Lei) dada por Deus a Israel é a súmula da sabedoria.

Estamos no início do séc. II a.C.; a cultura grega (instalada na Palestina desde 333 a.C., quando Alexandre da Macedónia venceu Dario III, em Issos, e se apossou da Palestina e do Egipto) minava há já algum tempo, a cultura, a fé, os valores tradicionais de Israel. Os mais jovens abandonavam a fé dos pais, seduzidos pelo brilho superior dessa cultura universal, que era a cultura helénica...

Jesus Ben Sira escreve para ajudar os israelitas a perceber a singularidade da sua fé e da sua cultura, a fim de que não se perca a identidade do Povo de Deus. Apresenta, na sua obra, uma síntese da religião tradicional e da sabedoria de Israel, mostrando que a cultura judaica não fica a dever nada à brilhante cultura grega.

Nos capítulos 14 e 15 do Livro de Ben Sira, há uma reflexão sobre como encontrar a verdadeira felicidade. É nesse contexto que devemos situar o nosso texto: dirigindo-se aos seus concidadãos, seduzidos pela cultura grega, Jesus Ben Sira sugere-lhes o caminho da verdadeira felicidade e convida-os a percorrê-lo.

MENSAGEM

O tema da opção entre dois caminhos - o caminho da vida e da felicidade e o caminho da morte e da desgraça - é um tema caro à teologia tradicional de Israel. Para os teólogos deuteronomistas, essa é a grande questão que condiciona o sentido da vida do homem e o sentido da história: se o homem escolhe caminhos de orgulho e de auto-suficiência, à margem de Deus e dos mandamentos, prepara para si e para a comunidade em que está inserido um futuro de morte e de desgraça; mas se o homem escolhe viver no "temor" de Deus e no respeito pelas propostas de Jahwéh (mandamentos), ele constrói para si e para o seu Povo um futuro de felicidade, de bem estar, de abundância, de paz. A questão está muito bem expressa em Dt 30,15-20.

A reflexão sapiencial tradicional mantém-se na mesma linha. Os "sábios" de Israel já perceberam (inclusive a partir da experiência que a própria história da sua nação lhes forneceu) que, quando respeita as indicações de Deus (mandamentos), o Povo constrói uma sociedade fraterna, livre, solidária, onde todos se respeitam e têm o que é necessário para viver de forma equilibrada e feliz; mas quando o Povo escolhe caminhos à margem de Jahwéh e faz "orelhas moucas" às propostas de Deus, constrói egoísmo, exploração, divisão e, portanto, sofrimento, privações, morte. As grandes catástrofes nacionais (nomeadamente o exílio na Babilónia) resultaram de opções por caminhos à margem de Deus e dos seus mandamentos.

Neste texto, Jesus Ben Sira pretende colocar os homens do seu tempo - sobretudo aqueles que oscilavam entre os valores da fé dos pais e os valores mais "in" da cultura dominante - diante da opção fundamental que a liberdade lhes oferece: a vida e a morte, a felicidade e a desgraça.

Um pormenor notável reside na convicção (aqui muito bem expressa) de que Deus respeita absolutamente a liberdade do homem. O homem não é, segundo Ben Sira, um títere nas mãos de Deus, ou um robot que Deus liga e desliga com o seu comando; mas o homem é um ser livre, que faz as suas escolhas (escolhas que condicionam, necessariamente, o seu futuro) e que tem nas suas mãos o próprio destino. Deus indica ao homem os caminhos para chegar à vida e à felicidade; mas, depois, respeita absolutamente as opções que o homem faz. Resta ao homem fazer as suas escolhas e construir o seu destino: ou com Deus, ou contra Deus; ou um destino de vida e felicidade, ou um destino de morte e de desgraça.

ACTUALIZAÇÃO

• A questão fundamental que aqui nos é posta é esta: existem caminhos diversos, opções várias, que dia a dia nos interpelam e desafiam. Em cada momento, corremos o risco da liberdade, assumimos o supremo desafio de escolher o nosso destino. Sentimos essa responsabilidade e procuramos responder ao desafio, ou passamos a vida a encolher os ombros e a deixar-nos ir na corrente, ao sabor das modas, do "politicamente correcto", aceitando que sejam os outros a impor-nos os seus esquemas, os seus valores, a sua visão das coisas?

• Uma proposta leva à vida e à felicidade. Quem quiser ir por aí, tem de seguir os "sinais" (mandamentos) com que Deus delimita o caminho que leva à vida. Percorrer esse caminho implica, evidentemente, viver numa escuta permanente de Deus, num diálogo nunca acabado com Deus, numa descoberta contínua das suas propostas. Esforço-me por viver na escuta de Deus e por descobrir os "sinais" que Ele me deixa?

• A outra proposta leva à morte. É o caminho daqueles que escolhem o egoísmo, a auto-suficiência, o orgulho, o isolamento em relação a Deus e às suas sugestões. Ao fechar-se em si e ao ignorar as propostas de Deus, o homem acaba por escolher os seus interesses e por manipular o mundo e os outros homens, introduzindo desequilíbrios que geram injustiça, miséria, exploração, sofrimento, morte. Talvez nenhum de nós escolha, conscientemente, este caminho; mas o orgulho, a ambição, a vontade de afirmar a nossa independência e liberdade, podem levar-nos (mesmo sem o notarmos) a passar ao lado dos "sinais" de Deus e a ignorá-los, resvalando por atalhos que vão dar ao egoísmo, ao fechamento em nós. Em cada dia que começa, é preciso fazer o balanço do caminho percorrido e renovar as nossas opções.

• Este texto levanta, também, a questão da liberdade. A Palavra de Deus que aqui nos é proposta deixa claro que Deus nos criou livres e que respeita absolutamente as nossas opções e a nossa liberdade. Deus não é um empecilho à liberdade e à realização plena do homem. Ele coloca-nos diante das diferentes opções, diz-nos onde elas nos levam, aponta o caminho da verdadeira felicidade e da realização plena e... deixa-nos escolher.

• Atenção: a morte e a desgraça nunca são um castigo de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos errados; mas é o resultado lógico de escolhas egoístas, que geram desequilíbrios e que destroem a paz, o equilíbrio, a harmonia do mundo, da família e de mim próprio.

Subsídios:
1ª leitura: 
(Eclo 15,15-21[20]) O homem tem a liberdade de escolher o bem e o mal (capacidade moral do homem) – O Eclesiástico critica as seguintes afirmações: 1) o pecado é inevitável; 2) Deus não se preocupa com a gente e seus pecados. Ao contrário, o homem é livre para escolher entre o bem e o mal (“livre-arbítrio”). Deus não abandonou o homem a uma existência absurda, mas quer que ele escolha o caminho da Salvação. * 15,16-17 cf. Dt 11,26-28; 30,15-20; Jr 21,8 * 15,18-19 cf. Sl 33[32],13-15; 34[33],16; Pr 15,3.



Salmo Responsorial

Monição: O Salmo responsorial faz eco da primeira leitura: abre-nos o coração e ajuda-nos a renunciar às nossas expectativas e seguranças e faz-nos acolher os planos de Deus.

SALMO RESPONSORIAL – 118/119

Feliz o homem sem pecado em seu caminho,
Que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

Feliz o homem sem pecado em seu caminho,
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
Feliz o homem que observa seus preceitos
e de todo o coração procura a Deus!

Os vossos mandamentos vós nos destes,
para serem fielmente observados.
Oxalá seja bem firme a minha vida
em cumprir vossa vontade e vossa lei!

Sede bom com vosso servo, e viverei,
e guardarei vossa palavra, ó Senhor.
Abri meus olhos, e então contemplarei
as maravilhas que encerra a vossa lei!

Ensinai-me a viver vossos preceitos;
quero guardá-los fielmente até o fim!
Dai-me o saber, e cumprir a vossa lei,
e de todo o coração a guardarei.

Segunda Leitura

Monição: A verdadeira sabedoria não nasce da confiança na própria capacidade, mas consiste em conhecer o projecto de Deus na atenção às inspirações do Espírito Santo.

1 Coríntios 2,6-10

Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios. Irmãos, 2 6 entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados. 7 Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. 8 Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória). 9 É como está escrito: "Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou", tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. 10 Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

A leitura é tirada da 1ª parte da Carta aos Coríntios, em que S. Paulo corrige uma série de desordens que havia na comunidade; a primeira delas eram as divisões que o Apóstolo atribui à procura duma sabedoria terrena, baseada na eloquência dos pregadores, quando o que Paulo pregava era uma sabedoria divina, a do plano salvador de Deus através da morte de Cristo na Cruz, que era «uma sabedoria entre os perfeitos, mas de uma sabedoria que não é deste mundo» (v. 6). Só a podiam entender «os perfeitos», isto é, os mais adiantados na perfeição, já com maior maturidade cristã, humana e sobrenatural. O Apóstolo não quer dizer que se trata de um grupo fechado deiniciados, como havia nas religiões mistéricas pagãs da época. Esta sabedoria é «misteriosa e oculta», o que não quer dizer que seja contrária à razão humana, mas, porque sendo sobrenatural, procede da Revelação divina, não estando ao alcance dos que não têm fé, embora sejam os donos do mundo: «os príncipes deste mundo».

8 «Não teriam crucificado o Senhor da glória». Não poderia ser mais clara a alusão à divindade de Jesus; como se não bastasse chamar-lhe Senhor (Kyrios, um título divino com que os LXX traduziram o nome divino de Yahwéh e com que a Igreja primitiva honrava a Jesus: Filp 2, 11), S. Paulo determina a sua qualidade de Senhor, a glória, que é um atributo divino, alusivo ao esplendor da majestade divina que refulge nas teofanias do AT (cf. Ex 40, 34-38; Ez 43, 2-5).

9 Temos aqui uma citação que não é literal de Isaías e Jeremias (Is 64, 3; 65, 17; Jer 3, 16), podendo ser feita através de algum targum (tradução livre aramaica), ou de algum apócrifo perdido. De qualquer modo, visa as maravilhas dagraça e da glória.

10 «O Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus». Temos aqui um dos textos bíblicos mais expressivos da divindade do Espírito Santo, como pessoa distinta do Pai, uma verdade de fé que inicialmente teve dificuldade em se exprimir. Está implícita esta comparação: assim como só o homem sabe o que se passa nas profundezas do seu íntimo, assim também só o Espírito de Deus pode conhecer directamente o que há no abismo incomensurável e impenetrável de Deus (tà báthê tou Theou).

Uma sabedoria que não é deste mundo

Paulo ensina os fiéis de Corinto a cultivar a sabedoria “misteriosa e oculta” revelada por Deus, que ultrapassa a sabedoria do mundo e dos poderosos.

A sabedoria de que Paulo fala é a cruz, na qual Cristo revela o Deus despojado. Na fragilidade de sua vida humana e totalmente ofertada ao Pai como dom de amor, Jesus desvenda aquilo que Deus “preparou desde toda a eternidade” para os seres humanos: o amor ao extremo. É, pois, na adesão à vida de Cristo que consiste a sabedoria divina, não reconhecida pelos poderosos, porque foge da lógica deste mundo. Somente aquele que se despoja da própria vida será capaz de reconhecer a sabedoria de Deus, que é Jesus Cristo crucificado.

AMBIENTE

Continuamos no ambiente da comunidade cristã de Corinto e à volta da discussão sobre a verdadeira sabedoria. Recordemos que o ponto de partida para a reflexão de Paulo é a pretensão dos coríntios em equiparar a fé cristã a um qualquer caminho filosófico, que devia ser percorrido sob a orientação de mestres humanos (para uns, Paulo, para outros Pedro, para outros Apolo), à maneira do que se fazia nas escolas filosóficas gregas. Os coríntios corriam, dessa forma, o risco de fazer da fé uma ideologia, mais ou menos brilhante conforme as qualidades pessoais ou a elegância do discurso dos mestres que defendiam as teses. Paulo está consciente, no entanto, que o único mestre é Cristo e que a verdadeira sabedoria não é a que resulta do brilho e da elegância das palavras ou da coerência dos sistemas filosóficos, mas é a que resulta da cruz.

Depois de denunciar a pretensão dos coríntios em encontrar nos homens a verdadeira proposta de sabedoria para chegar a uma vida plena, Paulo vai apresentar - de forma mais desenvolvida - a "sabedoria de Deus".

MENSAGEM

Para Paulo, falar da "sabedoria de Deus" é falar do projecto de salvação que Deus preparou para a humanidade (noutros textos, Paulo usa um outro conceito para falar da mesma coisa: "mystêrion" - cf. Rom 16,25; Ef 1,3-10; 3,3.4.9; Col 1,26; 2,2; 4,3). Trata-se de um plano "que Deus preparou para aqueles que o amam", no sentido de os levar à salvação, à vida plena. Esse plano resulta do amor e da solicitude de Deus pelos seus filhos, os homens. É um plano que o próprio Deus manteve misterioso e oculto durante muitos séculos, e só revelou através do seu Filho, Jesus Cristo (antes de revelação feita através das palavras, dos gestos, da pessoa de Cristo, dificilmente os homens estariam preparados para compreender o alcance e a profundidade do plano divino, da "sabedoria de Deus").

Na leitura que Paulo faz da história da salvação, as coisas são claras: Deus escolheu-nos desde sempre e quis que nos tornássemos santos e irrepreensíveis, a fim de chegarmos à vida eterna, à felicidade total, à realização plena. Por isso, veio ao nosso encontro, fez aliança connosco, indicou-nos os caminhos da vida e da felicidade; e, na plenitude dos tempos, enviou ao nosso encontro o seu próprio Filho, que nos libertou do pecado, que nos inseriu numa dinâmica de amor e de doação da vida e que nos convocou à comunhão com Deus e com os irmãos. Na cruz de Jesus, está bem expressa esta história de amor que vai até ao ponto de o próprio Filho dar a vida por nós... Esse plano de salvação continua, agora, a acontecer na vida dos crentes pela acção do Espírito: é o Espírito que nos anima no sentido de nascermos, dia a dia, como homens novos, até nos identificarmos totalmente com Cristo.

ACTUALIZAÇÃO

• O projecto de salvação que Deus tem para os homens, e que resulta do seu imenso amor por nós, é um projecto que nos garante a vida definitiva, a realização plena, a chegada ao patamar do Homem Novo, a identificação final com Cristo. Os crentes são, em consequência deste dinamismo de esperança que o projecto de salvação de Deus introduz na nossa história, pessoas que olham a vida com os olhos cheios de confiança, que sabem enfrentar sem medo nem dramas as crises, as vicissitudes, os problemas que o dia-a-dia lhes apresenta, e que caminham cumprindo a sua missão no mundo, em direcção à meta final que Deus tem reservada para aqueles que O amam.

• No entanto, Deus não força ninguém: a opção pelo caminho que conduz à vida plena, ao Homem Novo, é uma escolha livre que cada homem e cada mulher devem fazer. O que Deus faz é ladear o nosso caminho de "sinais" (mandamentos) que indicam como chegar a essa meta final de vida definitiva. Como é que eu percorro esse caminho: na atenção constante aos "sinais" de Deus, ou na auto-suficiência de quem quer ser o responsável único pela sua liberdade e não precisa de Deus para nada?

Subsídios:
2ª leitura: (1Cor 2,6-10) A sabedoria dos poderosos e o mistério de Deus – 1Cor começa mostrando a fraqueza humana no início da obra evangelizadora. Agora quer mostrar também que nela existe grandeza – mas esta, só o fiel amadurecido a pode alcançar, pois ela vem do Espírito Santo, não de considerações humanas. O mistério de Deus é o mistério da cruz, mistério que escapou à perspicácia dos poderes mundanos, pois, senão, não se teriam tornado os instrumentos (involuntários) de sua realização, crucificando Jesus. * 2,7 cf. Rm 16,25; Cl 1,26 * 2,8 cf. Ef 3,10; 1Pd 1,12 * 2,9-10 cf. Dt 29,28; Is 64,3; 52,15; Mt 13,11.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu te louvo, ó Pai santo, Deus do céu, Senhor da terra: os mistérios do teu reino aos pequenos, Pai, revelas (Mt 11,25).

Evangelho

Monição: Observar a lei não significa reduzi-la a cultos de observâncias, mas exige uma contínua conversão interior que inspire o amor, a justiça, a misericórdia e as relações fraternas numa simplicidade de criança.

Mateus 5,17-37

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus. — Glória a vós, Senhor! Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 5 17 "Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição. 18 Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei. 19 Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus. 20 Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. 21 Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal’. 22 Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: ‘Raca’, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: ‘Louco’, será condenado ao fogo da geena. 23 Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. 25 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. 26 Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo. 27 Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não cometerás adultério’. 28 Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração. 29 Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena. 30 E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena. 31 Foi também dito: ‘Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio’. 32 Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério. 33 Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos’. 34 Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. 36 Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro. 37 Dizei somente: ‘Sim’, se é sim; ‘não’, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.
— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!

Este texto do Evangelho pertence ao Sermão da Montanha de Mateus (Mt 5 – 7), logo a seguir às bem-aventuranças e declaração sobre o sal da terra e a luz do mundo. O evangelista vai ao encontro da expectativa messiânica, que esperava do Messias um intérprete definitivo da Lei de Moisés. Mas a verdade é que apresenta Jesus num plano superior a um simples intérprete autorizado da Lei, pois é apresentado ao mesmo nível de Deus. Jesus não revoga a Lei, mas apresenta-se com uma autoridade tal, que pode acrescentar ao que «foi dito» (entenda-se, por Deus), o que Ele agora determina: «Eu, porém, digo-vos» (passim).

17-18 «Não vim revogar…» Os preceitos dos livros do Antigo Testamento (Lei e Profetas), por serem divinamente inspirados, «conservam um valor perene» (Dei Verbum, 14), embora contenham coisas caducas e relativas a uma cultura e a um culto que não passava de uma preparação (uma sombra: Hebr ) para o novo culto centrado no sacrifício redentor de Cristo. Jesus não anula os preceitos morais do Decálogo, mas leva-os à sua perfeição: «vim completar». «Não passará da Lei a mais pequenina letra», o yod, a letra mais pequenina do alfabeto hebraico; naturalmente que Jesus se quer referir à lei moral, não aos aspectos rituais e jurídicos da Lei de Moisés.

20 «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus...» Não se trata da virtude da justiça que leva a «dar a cada um aquilo que lhe pertence». Aqui podia traduzir-se por «santidade»; a dos escribas é meramente externa e ritualista. «Entre eles, o cumprimento exato, minucioso, mas externo, dos preceitos tinha-se convertido numa garantia de salvação do homem diante de Deus: «se eu cumpri isto, sou justo, sou santo e Deus tem que me salvar». Com este modo de conceber a justificação, já não é Deus fundamentalmente quem salva, mas vem a ser o homem quem se salva pelas suas obras externas. (…) A justificação ou santificação é uma graça de Deus, com a qual o homem só pode colaborar secundariamente pela sua fidelidade a essa graça» (Bíblia de Navarra). Esta doutrina é o grande cavalo de batalha de S. Paulo contra os judaizantes (cf. Gal 3; Rom 2), pois ninguém se pode salvar, caso não supere esta típica noção de justificação própria dos escribas e fariseu, baseada nas obras, como Jesus graficamente deixou demonstrado na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14). Esta idéia judaica tinha como base a soberba humana, a auto-suficiência e conduzia fatalmente à falta de sinceridade e à hipocrisia que Jesus tanto lhes fustigou.

22 «Foi dito aos antigos… Eu, porém, digo-vos». A fórmula foi dito é uma típica expressão respeitosa para evitar pronunciar o nome divino (o chamado passivum divinum). É como se dissesse: «Deus disse… e Eu digo… », equiparando-Se a Deus.

A primeira palavra ofensiva, «imbecil» (em aramaico: «racá»), não tem a gravidade da segunda, «louco», que se podia traduzir por renegado, que implica uma ofensa verbal grave. A propósito desta passagem, comenta Sto. Agostinho: «devem-se notar três graus de faltas e de castigos. O primeiro: entrar em cólera por um movimento interno do coração, ao qual corresponde o castigo do juízo; o segundo: dizer alguma palavra de desprezo, que traz consigo o castigo do sinédrio; o terceiro: quando, deixando-nos levar pela ira até à obsessão, nós injuriamos desapiedadamente os nossos irmãos, o que é castigado com o fogo do Inferno» (Sermo Domini in monte, II, 9). Geena de fogo é uma forma simbólica de designar o Inferno; com efeito, a Geena ficava no vale de Henon, a Sul de Jerusalém, e era a lixeira da cidade a que se chegava o fogo e que ardia continuamente. Que significa a condenação eterna do Inferno também se pode ver em Mt 18, 8-9.

23-24 «Se fores apresentar a tua oferenda sobre o altar…» O Evangelho de S. Mateus é dirigido a cristãos vindos do judaísmo, por isso apresenta a fala de Jesus sem ter em conta o novo culto cristão, mas sim a realidade dos ouvintes imediatos de Jesus, que iam a Jerusalém levar oferendas ao templo. Esta maneira de falar é mais um sintoma do valor histórico do Evangelho que conserva a forma da pregação de Jesus e não a prática da comunidade cristã, numa altura em que o templo já estaria destruído.

27-30 «Todo aquele que olhar para uma mulher desejando-a», A Lei de Moisés proibia o desejar uma mulher casada (cf. Ex 20, 17); Jesus reprova todo o olhar pecaminoso dirigido a qualquer mulher. O desejo de que aqui se fala pressupõe o consentimento com a advertência na maldade desses actos impuros. Por olho direito mão direita entendemos tudo aquilo que nos é mais caro, a que temos de estar dispostos a renunciar, para não ofender a Deus.

31-32 «Dê-lhe certidão de repúdio». Erradamente autores antigos na linha do judaísmo disseram que Deus, no Antigo Testamento, autorizou o divórcio como um direito do marido, o que não é certo. Quando muito, Deus apenas condescendeu com um mal corrente na época. Segundo a interpretação mais habitual, a Lei de Moisés aqui aludida (Dt 24, 1) limitou-se a impor algumas limitações a uns costumes abusivos; com efeito, se naquela época só o marido tinha o direito ao repúdio, a Lei exigia que fosse dada à mulher uma carta que a deixasse livre para poder contrair novas núpcias, o que já mitigava a inferioridade da mulher. Mas, segundo uma leitura mais plausível do texto de Dt 24, 1-4, o que a Lei pretende não é regulamentar o divórcio, mas proibir que a mulher repudiada, depois de casar com outro marido, voltasse para o primeiro marido; os vv. 1 a 3 de Dt 21 devem ser lidos como a prótase(se…, se…) e o v. 4 como a apódose (então…): «então o primeiro marido que a despediu não a poderá tomar de novo por sua mulher depois de se ter manchado, porque isso é uma abominação aos olhos do Senhor» (v. 4); sendo assim, a Lei de Moisés não legisla sobre o divórcio, apenas o considera essa hipótese.

32 «Salvo em caso de união ilegal». De modo algum Jesus quer fazer uma excepção à lei natural da indissolubilidade do matrimónio. S. Jerónimo, e com ele a interpretação habitual, entendeu esta cláusula – traduzida comosalvo no caso de fornicação (adultério) – como uma circunstância a ter em conta para legitimar a separação da mulher infiel, mas sem autorizar a nenhum dos dois a passagem a segundas núpcias; simplesmente, quando a razão da separação não tivesse a gravidade do adultério, o marido seria moralmente responsável duma posterior união adulterina da repudiada, por isso diz: «fá-la cometer adultério». A verdade é que a Igreja Católica nunca teve, desde os tempos apostólicos, qualquer dúvida sobre a indissolubilidade do matrimónio, mesmo nos casos mais graves de adultério sem possibilidades de reconciliação, ensinando mesmo esta doutrina solenemente na definição tridentina (cânon 7 do Sacramento do Matrimónio); as declarações de nulidade dos tribunais eclesiásticos não são uma dissolução de um matrimónio verdadeiro.

Os modernos estudos dos escritos rabínicos acabaram por dar uma explicação mais simples deste texto de S. Mateus (Bonsirven, Diez Macho e outros). Aquela cláusula exclusiva de S. Mateus, que a repete em 19, 9 –excepta fornicationis causa – não se deve traduzir por: «excepto no caso de adultério», mas sim «excepto no caso de união ilegítima» (a tradução litúrgica diz ilegal), isto é, excepto no caso de um matrimónio inválido por algum impedimento «dirimente». S. Mateus põe como excepção a porneia; ora ele distingue porneia de adultério, dito moíkheia (Mt 15, 19); por isso, se ele quisesse falar de adultério, teria usado esta segunda palavra grega. Mais ainda, se ele quisesse que entendêssemos porneia como adultério, não tinha sentido a frase, pois na época ainda estava vigente a pena de morte para a mulher adúltera (cf. Jo 8, 4-5), o que tornava inútil o divórcio e até impossível, pois tudo ficava resolvido com a execução. Os Judeus só depois do ano 80 d. C. é que deixaram de aplicar a pena de morte à adúltera.

S. Mateus tem no seu Evangelho esta cláusula, porque tinha presente a situação específica dos seus destinatários: eram cristãos vindos do judaísmo e ele quer que se reconheçam com força de impedimento dirimente do matrimónio as determinações do Levítico 18, 6-18 (consideradas como «leis noáquicas», isto é, de direito natural e portanto que obrigam até os não judeus). S. Mateus tem esta cláusula porque quer que não se considerem válidos os matrimónios que, apesar de certos graus de parentesco, o direito pagão considerava legítimos. Os rabinos também não consideravam matrimónio incestuoso o casamento que, nesses casos de parentesco faziam os prosélitos pelo facto de os julgarem desligados da família pagã (pois com o baptismo dos prosélitos e a circuncisão tornavam-se uma nova criatura). É tendo em conta esta situação que S. Mateus declara como porneia (em hebraico, zenút; em aramaico, zenú), isto é, matrimónio inválido, união ilegítima, os casos de pagãos ou prosélitos casados com esses impedimentos de consanguinidade, que legitimavam e exigiam a separação, para evitar o que se considerava um incesto. Portanto este texto evangélico torna-se muito claro: quem repudiar a sua mulher – excepto no caso de união ilegítima em que não houve verdadeiro vínculo matrimonial devido ao impedimento de consanguinidade – expõe-na a ser adúltera… Como se vê, esta cláusula não é supérflua, uma vez que o Evangelista não se limita a dizer excepto no caso de concubinato (como alguns traduzem), mas pretende abranger precisamente aqueles casos que a lei romana e até os rabinos consideravam matrimónios válidos, como se acabou de explicar.

33-37 Jurar é invocar a Deus como testemunha de uma coisa que se afirma ou se promete, a fim de dar garantia e valor ao que se diz, o que é, em si, uma coisa boa e com que se honra a Deus (cf. Jer 4, 2). O perjúrio, ou juramento falso, é pecado grave (cf. Êx 20, 7; Num 30, 3; Dt 23, 22). Os judeus tinham o costume de jurar por tudo e por nada, o que torna ridícula uma acção santa, revertendo em falta de respeito para com Deus, embora de sua natureza leve. Mas os judeus, por um respeito mal entendido. evitaram pronunciar o nome de Deus, invocando as criaturas mais de perto relacionadas com Ele: o céu, Jerusalém. o templo, etc. Jesus, ao dizer: não jureis de modo nenhum, não quer proibir todo o juramento, mas só quando isso não for estritamente exigido, e sobretudo quer inculcar a sinceridade sempre: «sim, sim; não, não!» Se partimos do princípio da sinceridade, há confiança mútua nas relações humanas e jurar torna-se coisa supérflua; jurar a torto e a direito é um sintoma da falta de sinceridade entre as pessoas.

Eu não vim abolir, mas cumprir a lei

Jesus continua o discurso do monte, afirmando que, se o modo de agir, ou seja, se a justiça dos discípulos não for mais exigente que a dos escribas e dos fariseus, eles não participarão da construção do Reino de Deus. É isto que mostra o evangelho na liturgia de hoje: o cristianismo é muito mais exigente que o judaísmo.

Com o termo “ouvistes” se quer contrapor o ensinamento de Jesus ao ensinamento dos escribas e fariseus. Isso não significa, como muitos pensam, uma substituição do Antigo pelo Novo Testamento. Não se trata do que foi “escrito”, mas do que foi “ouvido” como homilia feita pelos doutores da lei, os mestres do judaísmo. Trata-se da interpretação de Jesus contra a interpretação dos escribas e fariseus a respeito da Sagrada Escritura.

A novidade da interpretação que Jesus faz da Escritura está na explicitação da intenção de Deus ao dar os mandamentos. Não basta, por exemplo, não matar. Devem-se evitar as palavras de desamor, de desprezo, de ressentimento contra o próximo. Era essa a intenção de Deus ao dar o mandamento “não matarás”.

“Deixa tua oferta diante do altar” (v. 24). No dia da expiação (ou do perdão, cf. Lv 16), os judeus confessam os pecados cometidos contra Deus e pedem perdão durante 24 horas. Mas acreditam que os pecados contra o “próximo” devem ser perdoados por quem sofreu a ofensa, e não por Deus; por isso, primeiramente pedem perdão ao próximo, para depois se dirigirem a Deus. Jesus faz uma mudança em relação ao judaísmo, afirmando que não somente num dia especial, mas todos os dias, os cristãos devem pedir perdão ao seu próximo para depois dirigir-se a Deus.

A compreensão dos escribas a respeito do adultério era diferente no caso da culpa da mulher e da culpa do homem. Entendiam que a mulher cometia adultério até mesmo sozinha, no coração, quando era casada e desejava outro homem. Cometia adultério quando observava um homem para vê-lo passar ou quando se exibia para ser notada por ele. Se fosse flagrada numa dessas atitudes, poderia ser apedrejada sozinha, porque seu adultério não dependia do consentimento de um homem. Jesus põe homem e mulher em pé de igualdade. Seja homem seja mulher, cada um comete adultério no coração. A intenção de Jesus é preservar a família e o matrimônio, e não lançar um fardo pesado demais sobre nossos ombros.

Quanto ao juramento, muitas vezes os judeus juravam sem pensar e se obrigavam a agir mesmo se descobrissem ser a vontade de Deus diferente do que foi prometido por juramento. Mesmo assim, algumas pessoas preferiam fazer algo que desagradava a Deus a descumprir um juramento, pois amaldiçoavam a si mesmas quando juravam (cf. 1Rs 19,1-2). Por isso, Jesus exorta a não jurar.

AMBIENTE

Terminado o preâmbulo do "sermão da montanha" (que vimos nos dois anteriores domingos), entramos no corpo do discurso. Recordamos aquilo que dissemos nos domingos anteriores: o discurso de Jesus "no cimo de um monte" transporta-nos à montanha da Lei (Sinai), onde Deus Se revelou e deu ao seu Povo a Lei; agora, é Jesus que, numa montanha, oferece ao novo Povo de Deus essa nova Lei que deve guiar todos os que estão interessados em aderir ao "Reino". Neste discurso (o primeiro dos cinco grandes discursos que Mateus apresenta), o evangelista agrupa um conjunto de "ditos" de Jesus e oferece à comunidade cristã um novo código ético, a nova Lei, que deve guiar os discípulos de Jesus na sua marcha pela história.

Para entendermos o "pano de fundo" do texto que nos é hoje proposto, convém que nos situemos no ambiente das comunidades cristãs primitivas e, de forma especial, no ambiente da comunidade mateana: trata-se de uma comunidade com fortes raízes judaicas, na qual preponderam os cristãos que vêm do judaísmo... As questões que a comunidade põe, na década de oitenta (quando este Evangelho aparece), são: continuamos obrigados a cumprir a Lei de Moisés? Jesus não aboliu a Lei antiga? O que é que há de verdadeiramente novo na mensagem de Jesus?

MENSAGEM

Mateus tenta conciliar as tendências e as respostas dos vários grupos que, no contexto da sua comunidade cristã, eram dadas a estas questões.

Na primeira parte do Evangelho que hoje nos é proposto (vers. 17-19), Mateus sustenta que Cristo não veio abolir essa Lei que Deus ofereceu ao seu Povo no Sinai. A Lei de Deus conserva toda a validade e é eterna; no entanto, é preciso encará-la, não como um conjunto de prescrições legais e externas, que obrigam o homem a proceder desta ou daquela forma rígida, no contexto desta ou daquela situação particular, mas como a expressão concreta de uma adesão total a Deus (adesão que implica a totalidade do homem, e que está para além desta ou daquela situação concreta). Dito de outra forma: os fariseus (que eram a corrente dominante no judaísmo pós-destruição de Jerusalém) tinham caído na casuística da Lei e achavam que a salvação passava pelo cumprimento de certas normas concretas; mas Mateus achava que a proposta libertadora de Jesus ia mais além e passava por assumir uma atitude interior de compromisso total com Deus e com as suas propostas.

Na segunda parte do texto que nos é proposto (vers. 20-37), Mateus refere quatro exemplos concretos desta nova forma de entender a Lei (na realidade, são seis os exemplos que aparecem no conjunto do texto mateano; mas o Evangelho de hoje só apresenta quatro; os outros dois ficam para o próximo domingo).

O primeiro (vers. 21-26) refere-se às relações fraternas. A Lei de Moisés exige, simplesmente, o não matar (cf. Ex 20,13; Dt 5,17); mas, na perspectiva de Jesus (que não se resume ao cumprimento estrito da letra da Lei, mas exige uma nova atitude interior), o não matar implica o evitar causar qualquer tipo de dano ao irmão... Há muitas formas de destruir o irmão, de o eliminar, de lhe roubar a vida: as palavras que ofendem, as calúnias que destroem, os gestos de desprezo que excluem, os confrontos que põem fim à relação. Os discípulos do "Reino" não podem limitar-se a cumprir a letra da Lei; têm que assumir uma nova atitude, mais abrangente, que os leve a um respeito absoluto pela vida e pela dignidade do irmão. A propósito, Mateus aproveita para apresentar à sua comunidade uma catequese sobre a urgência da reconciliação (o cortar relações com o irmão, afastá-lo da relação, marginalizá-lo, não é uma forma de matar?). Na perspectiva de Mateus, a reconciliação com o irmão deve sobrepor-se ao próprio culto, pois é uma mentira a relação com Deus de alguém que não ama os irmãos.

O segundo (vers. 27-30) refere-se ao adultério. A Lei de Moisés exige o não cometer adultério (cf. Ex 20,14; Dt 5,18); mas, na perspectiva de Jesus, é preciso ir mais além do que a letra da Lei e atacar a raiz do problema - ou seja, o próprio coração do homem... É no coração do homem que nascem os desejos de apropriação indevida daquilo que não lhe pertence; portanto, é a esse nível que é preciso realizar uma "conversão". A referência a arrancar o olho que é ocasião de pecado (o olho é, nesta cultura, o órgão que dá entrada aos desejos) ou a cortar a mão que é ocasião de pecado (a mão é, nesta cultura, o órgão da acção, através do qual se concretizam os desejos que nascem no coração) são expressões fortes (bem ao gosto da cultura semita mas que, no entanto, não temos de traduzir à letra) para dizer que é preciso actuar lá onde as acções más do homem têm origem e eliminar, na fonte, as raízes do mal.

O terceiro (vers. 31-32) refere-se ao divórcio. A Lei de Moisés permite ao homem repudiar a sua mulher (cf. Dt 24,1); mas, na perspectiva de Jesus, a Lei tem de ser corrigida: o divórcio não estava no plano original de Deus, quando criou o homem e a mulher e os chamou a amarem-se e a partilharem a vida.

O quarto (vers. 33-37) refere-se à questão do julgamento. A Lei de Moisés pede, apenas, a fidelidade aos compromissos selados com um juramento (cf. Lv 19,12; Nm 20,3; Dt 23,22-24); mas, na perspectiva de Jesus, a necessidade de jurar implica a existência de um clima de desconfiança que é incompatível com o "Reino". Para os que estão inseridos na dinâmica do "Reino", deve haver um tal clima de sinceridade e confiança que os simples "sim" e "não" bastam. Qualquer fórmula de juramento é supérflua e sinal de corrupção da dinâmica do "Reino".

A questão essencial é, portanto, esta: para quem quer viver na dinâmica do "Reino", não chega cumprir estrita e casuisticamente as regras da Lei; mas é preciso uma atitude interior inteiramente nova, um compromisso verdadeiro com Deus que envolva o homem todo e lhe transforme o coração.

ACTUALIZAÇÃO

• Os discípulos de Jesus são convidados a viver na dinâmica do "Reino", isto é, a acolher com alegria e entusiasmo o projecto de salvação que Deus quis oferecer aos homens e a percorrer, sem desfalecer, num espírito de total adesão, o caminho que conduz à vida plena.

• Cumprir um conjunto de regras externas não assegura, automaticamente, a salvação, nem garante o acesso à vida eterna; mas, o acesso à vida em plenitude passa por uma adesão total (com a mente, com o coração, com a vida) às propostas de Deus. Os nossos comportamentos externos têm de resultar, não do medo ou do calculismo, mas de uma verdadeira atitude interior de adesão a Deus e às suas propostas. É isso que se passa na minha vida? Os "mandamentos" são, para mim, princípios sagrados que eu tenho de cumprir, mecanicamente, sob pena de receber castigos (o maior dos quais será o "inferno"), ou são indicações que me ajudam a potenciar a minha relação com Deus e a não me desviar do caminho que conduz à vida? O cumprimento das leis (de Deus ou da Igreja) é, para mim, uma obrigação que resulta do medo, ou o resultado lógico da opção que eu fiz por Deus e pelo "Reino"?

• "Não matar", é, segundo Jesus, evitar tudo aquilo que cause dano ao meu irmão. Tenho consciência de que posso "matar" com certas atitudes de egoísmo, de prepotência, de autoritarismo, de injustiça, de indiferença, de intolerância, de calúnia e má língua que magoam o outro, que destroem a sua dignidade, o seu bem estar, as suas relações, a sua paz? Tenho consciência que brincar com a dignidade do meu irmão, ofendê-lo, inventar caminhos tortuosos para o desacreditar ou desmoralizar é um crime contra o irmão? Tenho consciência que ignorar o sofrimento de alguém, ficar indiferente a quem necessita de um gesto de bondade, de misericórdia, de reconciliação, é assassinar a vida?

• Não podemos deixar, nunca, que as leis (mesmo que sejam leis muito "sagradas") se transformem num absoluto ou que contribuam para escravizar o homem. As leis, os "mandamentos", devem ser apenas "sinais" indicadores desse caminho que conduz à vida plena; mas o que é verdadeiramente importante, é o homem que caminha na história, com os seus defeitos e fracassos, em direcção à felicidade e à vida definitiva.

Subsídios:
Evangelho: (Mt 5,17-37 ou 5,20-22a.27-28.33-34a.37) A verdadeira justiça – Mt 5,17-48 resume a relação entre Jesus e a Lei. Jesus não quer abolir a Lei, mas salvá-la do formalismo (= observância exterior a fim de “ganhar o céu”), para a restituir a Deus, mostrando sua radicalidade e sua penetração até o íntimo da pessoa (agir “em consciência” e procurar a verdadeira “justiça” não é observar meramente a letra da lei, mas agir em harmonia com a vontade amorosa de Deus por trás da letra). Quando Jesus diz: “Ora, eu vos digo...”, revela a vontade original do Pai. * 5,17-19 cf. Lc 16,17; Tg 2,10 * 5,21-26 cf. Ex 20,13; Ef 4,26; 1Jo 3,15; Lc 12,58-59 * 5,27-30 cf. Ex 20,14; Mt 18,8-9 * 5,31-32 cf. Dt 24,1; Mt 19,7-9; Mc 10,11-12; Lc 16,18; 1Cor 7,10-11; Ml 2,14-16.

***   ***   ***

Não basta observar leis para ser justo; é preciso observá-las de maneira pessoal, consciente daquilo que se está fazendo, a fim de realizar o bem a que a lei visa. Isso se chama: agir conforme o espírito da lei. Vale para a lei civil e, muito mais ainda, quando se trata da lei de Deus: devemos observá-la conforme o Espírito de Deus. A letra da lei mata, o Espírito vivifica.

Os nossos pais na fé, os antigos israelitas, veneravam a Lei (religiosa e civil ao mesmo tempo) como uma encarnação da sabedoria e do espírito de Deus. O salmo responsorial de hoje, Sl 119[118], é um bom exemplo disto. A Lei era uma luz, um caminho, uma razão de justo orgulho perante os outros povos (cf. Dt 4,7-8). Graças aos mandamentos esperavam o bem que Deus lhes propunha (não o fogo, mas a água; Eclo 15,17[16]; 1ª leitura).

Mas observar a lei pode também acontecer num outro espírito, que não é o de Deus. Havia os que observavam a Lei com espírito de barganha: “Vamos fazer exatamente o que lá está escrito, nem menos nem mais; então seremos justos, e Deus nos deverá conceder o paraíso!” Certos escribas e fariseus apoderaram-se da Lei para fazer dela um instrumento de dominação (Mt 23,2-4). Jesus pretende tirar a Lei das mãos dessa gente e restituí-la a Deus, isto é, deixá-la ser novamente expressão da vontade de Deus, de seu amor e fidelidade (cf. 1ª leitura). Jesus não é contra a Lei, antes pelo contrário, ele quer restabelecê-la em toda a sua pureza. Não a quer abolir, mas dar-lhe sua perfeição: não o legalismo farisaico, mas o Espírito de Deus mesmo (Mt 5,17-20, evangelho).

Ora, restituir a Lei a Deus significa uma profunda conversão da nossa “justiça” (cf. Mt 5,20). Significa, no fundo, que nossa justiça, enquanto ela só vier de nós mesmos, nunca será suficiente para observar a Lei. Pois, entendida segundo o espírito do legislador, ninguém conseguirá jamais realizar tudo o que Deus quis sugerir através da Lei. “Não matarás”, cita Jesus, mas também não sufocarás psicologicamente teu irmão por desprezo e rixa. “Não adulterarás” (5,27), mas também não alimentarás cobiça por mulher alheia no teu coração. O divórcio (mais exatamente, o repúdio da esposa) entrou na lei de Moisés, mas não era da intenção de Deus (cf. Mt 19,1ss); conforme o espírito de Deus não deve haver divórcio, pois, se o divórcio for alguma vez o mal menor, nunca será um bem... Mesmo jurar é uma aberração, se a gente considera bem, pois Deus quer que sempre se diga a verdade; por que então jurar (Mt 5, 33-37)?

Com sua tremenda radicalidade na interpretação da Lei, Jesus derruba toda auto-suficiência. Diante de Deus, ninguém é sem pecado (cf. Sl 130[129],3). Mas isso não nos dispensa de tentar fazer o melhor que podemos. Os fariseus punham, através de sua casuística, a Lei em moldes humanos e, depois, se gabavam de a ter observado perfeitamente. Jesus mostra a dimensão infinita e inesgotável da vontade de Deus, da qual os mandamentos são uma expressão fraca. Pela radicalidade de Jesus tomamos consciência de ficarmos devendo; e é muito salutar essa consciência: é o começo de nossa salvação. Nunca estaremos em dia com Deus, mas, fazendo aquilo de que somos capazes, podemos contar com sua graça, pois ele é o nosso Pai. Essa certeza enquadra a liturgia de hoje.

Na 2ª leitura continua a exposição de Paulo sobre a sabedoria do mundo e a de Deus. Esta “despistou” os poderosos do cosmo, fazendo com que o Filho de Deus viesse entre nós revestido de fragilidade. Se a sabedoria e o poder do mundo tivessem reconhecido o Deus despojado que é Cristo, não o teriam crucificado; teriam tratado de “cooptá-lo...”. Pode-se estabelecer um paralelo: a oposição entre o autossuficiente legalismo farisaico e a “absurda” radicalidade do Sermão da Montanha por um lado, e a oposição entre a brilhante sabedoria grega e o absurdo da Cruz por outro. Em ambos os casos, Deus se mostra infinitamente superior aos critérios humanos. Só reconhecendo isso, temos chances de nos entendermos com ele.

O ESPÍRITO DOS MANDAMENTOS

A sabedoria do Antigo Testamento ensinava que temos uma consciência, para escolher entre o bem e o mal. Para ajudar-nos no escolher, Deus propõe a lei, os mandamentos (1ª leitura). Antes disso, Moisés codificou os mandamentos de Deus para os israelitas. Mas o que significam esses preceitos? Como interpretá-los? No tempo de Jesus havia quem os interpretasse conforme a letra,materialmente: “Não matar” significava simplesmente não tirar a vida de ninguém. Jesus, noevangelho, nos ensina a interpretá-los conforme o espírito do Pai. Escutar Deus mesmo por trás da letra da lei! E o que Deus deseja é “justiça”, isto é, seu plano de amor para com a humanidade: o “projeto de Deus”. Procurar a justiça verdadeira é olhar a vida com amor radical. Então, “não matar” significará muito mais do que a letra diz...

Também hoje, muitos interpretam a lei de modo material, sem escutar a vontade de Deus. “Adorar Deus” significa então ir à Igreja, sem amor a Deus. “Não adulterar” significa então respeitar o “contrato matrimonial”, sem renovar diariamente seu amor de esposo. “Não roubar” torna-se bandeira da intocável propriedade privada, em vez de freio contra a exploração...

Jesus restituiu a Lei a Deus: puxou-a das mãos dos fundamentalistas e a fez ser novamente interpretação e instrumento do amor do Pai. E com isso, restituiu-a ao povo, pois assim, ela serve para a paz, a felicidade profunda do povo que Deus ama. A nós cabe interpretar a lei pelo amor que Cristo nos fez conhecer. É isso a moral cristã. Colocar a lei a serviço de um amor inesgotável. Então, nunca ficaremos “satisfeitos”: sempre descobriremos uma maneira mais completa para realizar o bem que Deus “aponta” através da lei. A letra da lei não diz nada sobre política, mas o espírito de Jesus nos ensina que hoje, para sermos justos, devemos mexer com as estruturas políticas e econômicas da sociedade. Escutando a voz da consciência e orientando-nos pelo amor que Cristo nos ensina, veremos melhor o que na prática os mandamentos exigem de nós.

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO:

— Durante muito tempo se entendeu que fazer a vontade de Deus significava cumprir apenas seus mandamentos de forma rigorosa. No entanto, essa concepção levou muitos a cair num legalismo exacerbado, o que gerou uma moral escravizadora. Ainda hoje muita gente sofre por causa de certos julgamentos pautados numa visão legalista da Escritura. Mas a proposta de Jesus sempre foi outra. Isso não significa um relaxamento na conduta do ser humano; ao contrário, a proposta de Jesus é exigente, porque mira o interior da pessoa, no qual foi escrita a vontade de Deus. Deus não quer seus filhos escravos, mas livres. E somente no exercício da liberdade o ser humano poderá ser verdadeiramente fiel aos mandamentos divinos.


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Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

Sugestões para a homilia

Inconsciência e sinais de Deus

A liturgia deste domingo ensina-nos a atender à Palavra de Deus, que é actual.

Os caminhos da nossa vida são constantemente orientados por sinais: são os sinais de trânsito que nos advertem das dificuldades da estrada, os sinais em falésias que se podem desmoronar, os sinais em caminhos que não oferecem saída… Quando desobedecemos a essas sinaléticas corremos o risco de não termos saída ou pagarmos com a vida a nossa imprudência. Se atendêssemos a esses sinais estaríamos muito mais protegidos.

Existe também muita semelhança entre estes sinais e a sinalética de Deus como indicação segura para a nossa vida.

Deus criou-nos para que fôssemos livres e em responsabilidade pelos nossos próprios actos, a fim de que livremente construíssemos a nossa felicidade. Fomos colocados perante o fogo e a água, segundo o primeiro texto de hoje, tendo-nos sido concedida a independência de escolher o caminho que optávamos. A vida e a morte estão diante de todos, e a cada um será oferecido aquilo que escolher. O caminho da vida está marcado pelos mandamentos, o caminho da morte está indicado pelos vícios, paixões, desrespeito aos sinais do Pai, enfim, pela nossa própria inconsciência em corresponder à sabedoria do amor divino.

A sabedoria revelada pelo Espírito

Essa «sabedoria de Deus», de que nos fala a segunda leitura, não vem do conhecimento dado pelo mundo, mas brota do próprio Espírito Santo que a ensina àqueles que se deixam conduzir por Ele.

A sabedoria humana é incapaz de responder às interrogações sobre o sentido da nossa existência: o porquê da vida; o porquê da morte.

O Espírito Santo, dá-nos a conhecer o projecto amoroso de Deus, pensado desde o princípio do mundo para nos levar à Sua glória.

De posse desta verdadeira «sabedoria», do conhecimento deste «mistério», sabemos o que Deus está a realizar, por nós e para nós e ultrapassa tudo aquilo que possamos imaginar, todos os nossos desejos e esperanças, todas as nossas interrogações e expectativas.

Tal «sabedoria» aconselha-nos, também, a abrirmos o nosso coração e a nossa razão à actividade do Pai que, «de muitas maneiras», nos foi revelando tais planos, para se manifestarem plenamente na pessoa de Jesus e na sua mensagem, como indicação do caminho certo.

O caminho certo

O pleno cumprimento de tudo quanto estava escrito é-nos revelado por Jesus no Evangelho. Ele veio para aperfeiçoar a Lei, libertando-a dos abusos, das falsas interpretações e do legalismo, transformando-os numa relação de amor.

Jesus apresenta quatro exemplos do envolvimento da Lei de Deus na nossa vida. Ao falar da Lei Jesus fá-lo com a autoridade divina que Lhe é própria: «foi dito aos antigos…»«Eu digo-vos…». Abre, assim, novos caminhos de perfeição e exigência espiritual.

«Não matar» não se reduz apenas ao tirar a vida física das pessoas, mas implica as situações de todos quando matamos os outros dentro do nosso próprio coração: aqueles a quem não dirigimos a palavra, os que difamamos, caluniamos ou tiramos o bom nome e reputação, quando proferimos palavras ofensivas, nos irritamos ou deixamos dominar pelo ódio… Recomenda que não é o corpo que precisa de estar limpo, mas o próprio coração para poder amar; e a reconciliação conseguida com o irmão, que substitui todas as purificações exteriores.

Quanto ao adultério, Jesus insiste na interioridade e fidelidade matrimonial, apelando ao amor verdadeiro e leal. As pessoas que se deixam levar pelos instintos podem provocar graves problemas a si próprias, às suas famílias e aos outros, pelo que é preciso ter coragem para saber cortar pela raiz determinadas situações que possam vir a causar posteriores contratempos.

Jesus confirma que o matrimónio é indissolúvel. Não nos dá, todavia, o direito de condenar, humilhar ou isolar aqueles que, por qualquer motivo, falharam na sua vida conjugal. Quantos dramas, quantas dificuldades, quantos sofrimentos envolveram as separações matrimoniais. Temos, isso sim, que manifestar a ternura, o acolhimento e a compreensão que o próprio Jesus exprimiu em tais situações.

Por fim, Jesus diz-nos o que se deve entender quanto ao «juramento e a verdade». A necessidade de juramento é sinal de que a mentira e a desconfiança pervertem as relações humanas. Deus Pai apenas exige um relacionamento em que as pessoas sejam verdadeiras e responsáveis. Os discípulos de Jesus não pedem ao Mestre que justifique as suas exigências. Acreditam no amor do Pai e estão certos que este é o verdadeiro caminho da vida.

Saibamos nós percorrer este caminho sendo fiéis ao projecto de Deus, nosso Pai.


ALGUMAS REFLEXÕES À LUZ DO EVANGELHO
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A LITURGIA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 6º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo... Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa...


LITURGIA EUCARÍSTICA

Monição do ofertório: As oferendas que colocamos sobre o altar exprimem o desejo de uma presença activa, fraterna e reconciliadora com todos os nossos irmãos.

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Concedei, Senhor, que estes dons sagrados nos purifiquem e renovem, para que, obedecendo sempre à vossa vontade, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SANTO

Saudação da paz
Devemos procurar no cumprimento da Lei a inspiração para a justiça, a misericórdia, a compreensão e o amor, a fim de que, na nossa vida, existam relações de verdadeira fraternidade que nos levem a estar em paz connosco, com os outros e com Deus. Que seja esse o sentimento que nos leva a traduzir, neste sinal, o amor que dedicamos à observância da vontade de Deus Pai.

Monição da Comunhão: A comunhão do vosso Corpo e Sangue nos sirva de fortaleza para seguirmos caminhos com opções coerentes de vida atenta aos sinais da lei de Deus.

Sl 77(78),29-30
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: O Senhor deu-lhes o pão do Céu: comeram e ficaram saciados.

ou Jo 3,16
Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito. Quem acredita n’Ele tem a vida eterna.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, concedei-nos a graça de buscarmos sempre aquelas realidades que nos dão a verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final: Fomos convidados a procurar os sinais que nos apontam para a verdadeira vida. Saibamos corresponder-lhes na liberdade que o Senhor nos concedeu, pedindo-Lhe a graça da docilidade à voz do Espírito Santo. Com a «sabedoria de Deus» saibamos tomar as melhores opções de vida e renunciar àquilo que nos afasta da responsabilidade em corresponder ao Seu amor de Pai.


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HOMILIAS FERIAIS

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TEMPO COMUM

6ª SEMANA

2ª Feira, 15-II: S. Cirilo e Metódio: O Evangelho da esperança.

Act 13, 46-49 / Lc 10, 1-9
Designou o Senhor setenta e dois discípulos e mandou-os em missão dois a dois a todas as cidades e lugares.

Esta cena repetiu-se no século IX com os irmãos Cirilo e Metódio, que partiram para evangelizar os povos eslavos (Oração).
João Paulo II fez um convite a todos os fiéis para participar na reevangelização da Europa: «O Evangelho da esperança precisa de ser diariamente anunciado e testemunhado. Esta é também a missão da Igreja hoje na Europa». «A Europa exige evangelizadores credíveis, cuja vida, em sintonia com a Cruz e ressurreição de Cristo, irradia a beleza do Evangelho» (Igreja na Europa, 45 e 49).

3ª Feira, 16-II: A ‘invasão do pecado’.

Gen 6, 5-8; 7, 1-5. 10 / Mc 8, 14-21
O Senhor viu que era grande sobre a terra a malícia e, do homem, os projectos do seu coração eram sempre e unicamente para o mal.

Depois do primeiro pecado, segue-se uma verdadeira ‘invasão do pecado’: «a corrupção universal como consequência do pecado (Leit.)» (CIC, 401). Apesar de tal ambiente de corrupção, há um homem que é fiel e atrai as graças de Deus: Noé (Leit.). Esta ‘invasão do pecado’ continua também nos nossos tempos. Se Deus encontrar homens e mulheres fiéis desistirá do castigo sobre a humanidade. Em Fátima, a última parte do segredo mostrou que Nossa Senhora e as penitências dos fiéis evitaram grandes males para a humanidade.

4ª Feira, 17-II:As bênçãos de Deus.

Gen 8, 6-13. 20-22
Noé ergueu um altar ao Senhor, tomou animais puros e aves puras e ofereceu holocaustos sobre o altar.

«A oferenda de Noé é ‘agradável’ a Deus que o abençoa e, através dele, abençoa toda a criação (Leit.), porque o seu coração é justo e íntegro. Também ela ‘anda com Deus’» (CIC, 2569). Jesus também abençoa o cego, devolvendo-lhe a vista através de sinais sensíveis: a saliva e a imposição das mãos: «È pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes (Ev.) e abençoa as crianças. Este sinal da efusão omnipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais» (CIC, 699).

5ª Feira, 18-II: Um melhor conhecimento das acções de Deus.

Gen 9, 1-13 / Mc 8, 27-33
Jesus perguntou-lhes: E quem dizeis vós que eu sou? Pedro tomou a palavra: Tu és o Messias.

Também actualmente muitas pessoas ficariam atrapalhadas para responder a esta pergunta de Jesus (Ev.). Mas a maior ignorância será o desconhecimento de tantos mistérios sobrenaturais. O próprio S. Pedro não entendeu o valor salvífico da Paixão do Senhor, procurando impedi-lo. Pode vencer-se esta ignorância lendo o Novo Testamento. È igualmente interessante conhecer o conteúdo da ‘Aliança Cósmica’ estabelecida com Noé: ajuda a conhecer melhor o valor dos animais (CIC, 2146-2148).

6ª Feira, 19-II: Os caminhos para o Céu.

Gen 11, 1-9 / Mc 8, 34-39
Vamos edificar para nós uma torre cujo cimo atinja os céus.

«Esta decisão manifesta o orgulho duma humanidade decaída que, unânime na sua perversidade, pretendia refazer por si mesma a própria unidade, à maneira de Babel (Leit.)» (CIC, 57). O homem quer chegar à felicidade, sem a ajuda de Deus, mas o episódio da torre de Babel mostrou que isso era impossível. O nosso verdadeiro caminho é o indicado por Cristo: «Quem quiser salvar a sua própria vida, há-de perdê-la; mas quem quiser perder a vida por causa de mim há-de salvá-la» (Ev.).

Sábado, 20-II: A luz que provém da fé.

Heb 11, 1-7 / Mc 9, 2-13
Jesus transfigurou-se diante deles: as vestes tornaram-se brilhantes, muitíssimo brancas.

Esta cena é como um ícone da contemplação (RV Maria, 9). É muito importante levarmos à nossa oração pessoal os acontecimentos de cada dia, para conseguirmos ver mais claramente, com uma nova luz, o seu significado. É com a luz da fé que chegamos mais além: «A fé constitui a garantia dos bens que se esperam e a prova de que existem as coisas que não se vêem» (Leit.). Também cada um de nós há-de procurar iluminar os caminhos da terra com a luz da nossa fé, para indicarmos aos outros os caminhos da vida eterna.

Celebração e Homilia: Aurélio Araújo Ribeiro
Nota Exegética: Geraldo Morujão
Homilias Feriais: Nuno Romão
Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha
Fonte: Celebração  Litúrgica

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – http://www.dehonianos.org/portal/


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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