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Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.org.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/liturgia.htm ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


01.03.2015
2º Domingo da Quaresma — ANO B
( ROXO, CREIO, PREFÁCIO PRÓPRIO – II SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "Deus não poupou seu único Filho..." __

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015
Tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”
Lema: “Eu vim para servir” (Mc 10,5)

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGLEHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Acolhemos com alegria a revelação que o Pai nos faz de sermos, em Jesus, seus filhos amados. Conscientes desta dignidade, somos encorajados a permanecer firmes em seu caminho, obedientes ao mandamento de escutar atentos sua Palavra. É preciso perceber que se Deus é por nós, ninguém será contra nós. Por isso, queremos nesta celebração, aprender a escutar o que o Filho amado do Pai tem a nos dizer. Participamos do mistério de sua morte e ressurreição, recebemos seu corpo glorioso e somos motivados a transfigurar com Ele nossa realidade ainda tão desfigurada.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: A transfiguração de Jesus é o prenúncio da nossa transfiguração. Imitemos a Cristo, que se afasta do “triunfalismo” e assume o caminho da Cruz como método de vida e paradigma de salvação. Assim seremos uma Igreja servidora e em constante saída.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo entoemos alegres cânticos ao Senhor!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/01-03-15.pdf


Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/sites/default/files/18%202%C2%BA%20Dom%20Quaresma%202015.pdf


TEMA
A RESTAURAÇÃO DA HUMANIDADE EM CRISTO E O BATISMO

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- Autoria do Roteiro Homilético da Paulus para o período de Março/Abril-2015: Luiz Alexandre Solano Rossi Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e pós-doutor em História Antiga pela Unicamp e em Teologia pelo Fuller Theological Seminary (Califórnia, EUA). É professor no programa de Mestrado e Doutorado em Teologia da PUCPR. Publicou diversos livros, a maioria pela PAULUS, entre os quais: A falsa religião e a amizade enganadora: o livro de Jó; Como ler o livro de Jeremias; Como ler o livro de Abdias; Como ler o livro de Joel; Como ler o livro de Zacarias; Como ler o livro das Lamentações; A arte de viver e ser feliz; Deus se revela em gestos de solidariedade. E-mail: luizalexandrerossi@yahoo.com.br

Introdução da Revistal Vida Pastoral

A obediência é uma das maiores virtudes do discípulo de Jesus. No entanto, geralmente queremos seguir Jesus de longe. Usufruindo, é verdade, de sua presença, mas a uma distância considerável e confortável para não ouvir a sua voz de mestre. Escutar e, ato contínuo, praticar tudo quanto o mestre falou é sinal de compromisso e de maturidade. Ouvir a voz de Deus é primordial e, por que não dizer, o primeiro aprendizado para também aprendermos a ouvir uns aos outros.

Introdução do Portal Dehonianos

No segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projectos, o caminho da obediência total e radical aos planos do Pai.

O Evangelho relata a transfiguração de Jesus. Recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, o autor apresenta-nos uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projecto libertador em favor dos homens através do dom da vida. Aos discípulos, desanimados e assustados, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-o, vós também.

Na primeira leitura apresenta-se a figura de Abraão como paradigma de uma certa atitude diante de Deus. Abraão é o homem de fé, que vive numa constante escuta de Deus, que aceita os apelos de Deus e que lhes responde com a obediência total (mesmo quando os planos de Deus parecem ir contra os seus sonhos e projectos pessoais). Nesta perspectiva, Abraão é o modelo do crente que percebe o projecto de Deus e o segue de todo o coração.

A segunda leitura lembra aos crentes que Deus os ama com um amor imenso e eterno. A melhor prova desse amor é Jesus Cristo, o Filho amado de Deus que morreu para ensinar ao homem o caminho da vida verdadeira. Sendo assim, o cristão nada tem a temer e deve enfrentar a vida com serenidade e esperança.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
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O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

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LUZ QUE TRANSFORMA

A montanha é, na Bíblia, o lugar preferido por Deus para se revelar. E a revelação divina é sempre uma experiência luminosa, pois, sendo Luz, Deus irradia luz, ilumina a vida das pessoas.

Retirando-se para o alto da montanha com três de seus discípulos, Jesus também se revela, tendo seu corpo transfigurado num corpo radiante de luz. É a antecipação do corpo glorificado pelo Pai, que ressuscitará o Filho e deixará aberto para todos o caminho da ressurreição.

O aparecimento de Elias e Moisés, que conversam com Jesus, quer representar os profetas e a lei, ou seja, a caminhada do povo a quem Deus havia se revelado no passado. Mas a transfiguração de Jesus é um acontecimento novo, no qual Deus não mais se revela por meio de mandamentos ou leis. Jesus é, ele mesmo, a revelação perfeita de Deus, a irradiação da luz de Deus. Seu corpo radiante, portanto, é a própria revelação da glória de Deus. Revelação acompanhada pela nuvem, que representa a presença de Deus, a proteger com sua sombra. E a voz divina, vinda da nuvem, faz a grande revelação: “Este é o meu Filho amado. Escutem-no!”

O Pai se revela no Filho. Escutar o Filho é de algum modo entrar no mistério de Deus, receber sua luz, ouvir sua palavra, continuando em nossa vida as ações de Jesus.

A antecipação da glória futura é como uma injeção de ânimo para nós, que por vezes nos cansamos, procurando fazer o bem, mas acabando sofrendo o mal. A luz de Deus transforma, ilumina nosso caminho, leva-nos a trabalhar para que corpos sofredores e maltratados sejam hoje transfigurados em corpos dignos. Não tem sentido, por isso, tentar fugir da realidade, contentando-nos com as tendas do passado. Deus se revela a nós hoje, nas palavras e ações do Filho. Ouvir o Filho implica voltar sempre ao chão do dia a dia, comprometer-se com a vida, recordando que a glória de Deus será nossa realidade definitiva, como bem expressou santo Irineu: “A glória de Deus é o ser humano vivente, e o ser humano vivo é a visão de Deus”.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
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O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

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Pedagogia da Quaresma

Quem quiser ser um cristão fiel precisa dar importância à celebração do Mistério Pascal, mistério central da nossa salvação, na Quaresma, que representa uma estação importante no curso do ano e no fluir do tempo concedido à nossa vida presente.

Trata-se de uma pedagogia salutar, tanto mais oportuna quanto mais estamos, hoje em dia, reféns do mundo do prazer, da sensualidade e do consumo. É tempo favorável para redescobrir o evangélico espírito cristão, o sentido moral do comportamento e da nossa relação com Deus. Em síntese, é tempo favorável da graça de Deus para reacender em nós a concepção cristã da nossa vida.

A Quaresma, com seus exercícios espirituais do jejum, da oração e da caridade, quer nos dispor para o domínio de nós mesmos, a verdadeira liberdade obtida pelo despertar da nossa consciência cristã, carente do sentido do bem e do mal.

Este tempo de conversão e reavivamento do nosso batismo visa a fortalecer o freio da temperança e o espírito de generosidade para com os mais necessitados e a valorizar o silêncio interior para a escuta prazerosa do eco da Palavra de Deus, por meio da oração pessoal e comunitária.

É tempo de restaurar em nós a criatura humana feita à imagem e semelhança de Deus, instaurando a imagem do homem novo redimido, Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, a profecia de Ezequiel se realizará em nós: “Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados. Eu vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos. Eu vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós. Arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne; porei o meu espírito dentro de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus mandamentos” (Ez 36,25-27).

D. Orani João Tempesta, O.Cist., Cardeal Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
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O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

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É bom estarmos com Jesus!

remessas 3 e 4-(9-2 -quaresma).

COMPROMISSO DE VIDA: Estar com Jesus na oração nos conduz ao encontro dos nossos irmãos e irmãs.


RITOS INICIAIS

Salmo 26, 8-9
ANTÍFONA DE ENTRADA: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

Ou cf. Salmo 24, 6.3.22
Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

Não se diz o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração
Hoje, neste segundo Domingo da Quaresma, continua a ecoar nos nossos ouvidos aquela voz vinda do Céu, no alto da montanha da Transfiguração, que dizia aos primeiros discípulos de Jesus: «Escutai-O!». Disponhamos os nossos corações, através do arrependimento dos nossos pecados, para poder discernir a voz de Deus no meio da confusão de tantas mensagens desencontradas. (pausa) Arrependidos, confessemos que somos pecadores.

ORAÇÃO COLECTA: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição: Como Abraão (1ª leitura), também nós confiamos na Palavra de Deus. e como São Paulo (2ª leitura), nós também queremos tomar a sério o chamamento de Deus à santidade de vida, deixando-nos transfigurar à imagem de Jesus, que hoje mostra a sua glória divina no mistério da Transfiguração.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Gênesis 22,1-2.9-13.15-18

Leitura do livro do Gênesis. 22 1 Depois disso, Deus provou Abraão, e disse-lhe: “Abraão!” “Eis-me aqui”, respondeu ele. 2 Deus disse: “Toma teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te indicar.” 9 Quando chegaram ao lugar indicado por Deus, Abraão edificou um altar; colocou nele a lenha, e amarrou Isaac, seu filho, e o pôs sobre o altar em cima da lenha. 10 Depois, estendendo a mão, tomou a faca para imolar o seu filho. 11 O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do céu: “Abraão! Abraão!” “Eis-me aqui!” 12 “Não estendas a tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora eu sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu filho único.” 13 Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos; e, tomando-o, ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho. 15 Pela segunda vez chamou o anjo do Senhor a Abraão, do céu, 16 e disse-lhe: “Juro por mim mesmo, diz o Senhor: pois que fizeste isto, e não me recusaste teu filho, teu filho único, eu te abençoarei. 17 Multiplicarei a tua posteridade como as estrelas do céu, e como a areia na praia do mar. Ela possuirá a porta dos teus inimigos, 18 e todas as nações da terra desejarão ser benditas como ela, porque obedeceste à minha voz.”
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

1 «O Senhor disse a Abraão». Estamos nas origens do antigo povo de Deus, como preparação do caminho do Evangelho: «no devido tempo Deus chamou Abraão para fazer dele um grande povo» (Dei Verbum, 3). A aliança com Deus implica uma série de exigências: deixar terra, família, casa e lançar-se para o desconhecido, «a terra que Eu te indicar…», fiando-se apenas na palavra de Deus. É assim que S. Paulo há-de insistir no exemplo de fé e de obediência ao Deus de Abraão: Rom4; cf.Hebr 11, 8-19.

A primeira leitura nos põe diante de Abraão e seu importante desafio. Todavia, ainda que o desafio se apresente de uma maneira exigente e no limite da força de qualquer pessoa, a única reação de Abraão diante de Deus é: “Eis-me aqui”. Ele caminha pela fé. O mais importante para ele é o ato de obedecer. Não se fazem discípulos sem obediência. Por isso, cada passo de Abraão significa a construção de um itinerário de fé. Cada passo é símbolo de um novo tijolo colocado nesta grande edificação que é a vida. Abraão caminha como se visse o invisível e, por isso, seus passos constroem nova história.

Abraão compreende que a vida precisa ser protegida a qualquer custo. Deus é, necessariamente, o Deus da vida, e não da morte. O sacrifício de Isaac, seu filho, corresponderia à anulação de projeto de vida de Deus. A vocação de Abraão é ser um construtor de vida, não um artífice da morte. Sacrifícios humanos, tanto ontem quanto hoje, são inadmissíveis, e, consequentemente, o texto parece reagir ao culto dos reis ao deus Moloc ou a outras divindades que podem ter incluído sacrifícios humanos não só em Israel e Judá, mas também em seus arredores.

AMBIENTE

A primeira leitura de hoje faz parte de um bloco de textos a que se dá o nome genérico de “tradições patriarcais” (cf. Gn 12-36). Trata-se de um conjunto de relatos singulares, originalmente independentes uns dos outros, sem grande unidade e sem carácter de documento histórico. Nesses capítulos aparecem, de forma indiferenciada, “mitos de origem” (descreviam a “tomada de posse” de um lugar pelo patriarca do clã), “lendas cultuais” (narravam como um deus tinha aparecido nesse lugar ao patriarca do clã), indicações mais ou menos concretas sobre a vida dos clãs nómadas que circularam pela Palestina durante o 2º milénio e reflexões teológicas posteriores destinadas a apresentar aos crentes israelitas modelos de vida e de fé.

O relato do sacrifício de Isaac (Gn 22) é uma “lenda cultual”. Nasceu, provavelmente, num santuário do sul do país, muito antes de os patriarcas bíblicos se terem instalado na zona. A lenda primitiva contava como num lugar sagrado (o texto sugere que esse lugar se chamaria “El Yreêh”) o deus aí adorado tinha salvo uma criança destinada a ser oferecida em sacrifício (no mundo dos cananeus, os sacrifícios humanos eram relativamente frequentes). A partir daí, nesse lugar, os sacrifícios de crianças tinham sido substituídos por sacrifícios de animais. Foi essa a primeira etapa da tradição que nos é hoje proposta.

Numa segunda fase, esta história primitiva foi aplicada à figura de Abraão, quando o clã de Abraão se instalou na zona. O pai cananeu da primitiva história, que levava o filho para ser oferecido em sacrifício, foi identificado com o patriarca Abraão. A tradição acabou por englobar um clã ligado ao de Abraão, o clã de Isaac. Isaac tornou-se, assim, o filho destinado ao sacrifício de que falava a velha lenda pré-israelita.

Numa terceira fase, os teólogos elohistas (séc. VIII a.C.) pegaram na antiga lenda cultual e puseram-na ao serviço da sua catequese. Na reflexão dos catequistas de Israel, a antiga lenda cultual de “El Yreêh” tornou-se uma catequese sobre uma “prova” em que o justo Abraão manifestou a sua obediência radical e a sua confiança em Elohim.

Por fim, um redactor pós-elohista acrescentou ao texto outros elementos de carácter teológico. Foi, certamente, ele que ligou a lenda do sacrifício de Isaac com o monte santo dos sacrifícios do Templo de Jerusalém; foi ele, também, que acrescentou à história a ideia de que o comportamento de Abraão para com Deus mereceu uma recompensa e que essa recompensa iria, no futuro, derramar-se sobre todos os descendentes de Abraão.

MENSAGEM

No início da narração (vers. 1), aparece um verbo que vai presidir a todo o relato e definir o sentido que os catequistas elohistas atribuíram a esta história: o verbo “pôr à prova” (em hebraico “nassah”). No Antigo Testamento, este verbo apresenta, com frequência, as “nuances” de “examinar”, “experimentar”, “demonstrar”, “testar”. À partida, define-se logo o que está em jogo: Deus vai “submeter Abraão a um teste”. A ideia de que Deus submete o seu Povo ou indivíduos particulares a “provas” é relativamente frequente no Antigo Testamento. Estas “provas” servem, normalmente, para que Deus possa conhecer o coração do seu Povo e experimentar a sua fidelidade (cf. Dt 8,2). São uma forma de Deus confirmar que tal comunidade ou tal pessoa é digna e é capaz de viver uma relação de especial comunhão e intimidade com Ele. Abraão, contudo, não sabe que está a ser “testado”.

A “prova” a que Abraão é submetido é especialmente dramática: Jahwéh pede-lhe que tome Isaac, o seu único filho, e o ofereça em holocausto sobre um monte (vers. 2). Contudo, Isaac não é, apenas, o filho único e amado de Abraão, embora só isso já fosse suficiente para tornar esta “prova” tremendamente dura; mas Isaac é, também, o herdeiro dessa promessa que Deus, continuamente, renovou a Abraão… Isaac é a garantia de um futuro, dessa descendência numerosa que irá tomar posse da terra; é a garantia dessas promessas que deram sentido à peregrinação de Abraão desde que Deus o mandou deixar a sua terra, a sua família e a casa de seus pais. Abraão encontra-se diante de um Deus que parece retomar o que havia dado e cuja palavra de hoje parece desmentir a de ontem. Porquê essa mudança de planos? Quais são, na realidade, os desígnios de Deus? Pode-se confiar num Deus que muda de ideias desta forma? A aposta de Abraão em deixar tudo (cf. Gn 12) para apostar nos desafios de Deus terá sido uma boa opção? A verdadeira “prova” é esta… É o absurdo de uma exigência que nega a própria história da salvação; é o continuar a esperar num Deus que, num instante, parece querer destruir os sonhos que Ele próprio ajudou a criar; é o continuar a confiar num Deus que Se contradiz e que parece, de repente, esquecer tudo o que tinha prometido; é o impasse, a obscuridade, o sofrimento em que Abraão de repente se acha; é o ser convidado a atirar-se às cegas para um caminho escuro e incompreensível.

Como é que Abraão vai reagir a esta tremenda “prova”? Do princípio ao fim, Abraão não abre a boca a não ser para dizer “aqui estou” (vers. 1. 11) – expressão de disponibilidade total diante de Deus. De resto, Abraão não discute, não argumenta, não procura obter respostas para esse drama incompreensível que parece hipotecar tudo o que Deus lhe havia prometido. Abraão age, apenas. Levanta-se de madrugada, prepara as coisas para o holocausto, põe-se a caminho. Já no “monte do sacrifício”, Abraão constrói o altar, amarra a vítima e puxa do cutelo para matar o filho. O silêncio de Abraão, a imediatez da resposta e a forma determinada como age mostram a entrega, a confiança absoluta em Deus, a obediência levada até às últimas consequências.

Percorrido o longo e angustiante caminho da “prova”, chega finalmente o momento em que Deus, pela voz do seu mensageiro, faz o balanço e constata o resultado. A “prova” é conclusiva: todo o comportamento de Abraão ao longo desta “crise” testemunha que ele “teme o Senhor” (vers. 12). A expressão – frequente no Antigo Testamento – traduz, por um lado, a reverência e o respeito e, por outro lado, a pronta obediência à vontade divina, a confiança inamovível no Deus que não falha, a humilde renúncia aos próprios critérios, a adesão incondicional à vontade de Deus, a aceitação plena das propostas e mandamentos de Deus.

A nossa história termina com uma referência à “recompensa” oferecida por Deus. A obediência de Abraão irá gerar plenitude de vida e de dons divinos (bênção), uma descendência numerosa “como as estrelas do céu ou como a areia que está na margem do mar” e a posse da terra (vers. 17). O mais interessante é a indicação de que a obediência do “justo” Abraão terá um alcance universal e resultará em bênção para “todas as nações da terra”.

Nesta “catequese”, a intenção fundamental do autor não é dizer-nos quem é Deus e como é que Ele age (por isso, não adianta estarmos a “perguntar” ao texto se, na realidade, os métodos de Deus passam por submeter o homem a provas desumanas a fim de o “testar”). A história do sacrifício de Isaac destina-se, sobretudo, a propor-nos a atitude que o crente deve assumir diante de Deus. Abraão é apresentado como o protótipo do crente ideal, que sabe escutar Deus e acolher os seus projectos com obediência incondicional, com confiança total… Mesmo que as propostas de Deus resultem incompreensíveis ou que os desafios de Deus interfiram com os projectos do homem, o crente ideal deve acolher os planos de Deus e realizá-los com fidelidade. Foi para deixar esta lição aos seus concidadãos – lição que serve, naturalmente, para os crentes de todos os tempos – que os teólogos elohistas foram buscar esta velha lenda.

ACTUALIZAÇÃO

• O comportamento de Abraão face a esta “crise” revela, antes de mais, o lugar absolutamente central que Deus ocupa na sua existência. Deus é, para Abraão, o valor máximo, a prioridade fundamental; por isso, Abraão mostra-se disposto a fazer a Deus um dom total e irrevogável de si próprio, da sua família, do seu futuro, dos seus sonhos, das suas aspirações, dos seus projectos, dos seus interesses. Para Abraão, nada mais conta quando estão em jogo os planos de Deus… Na vida do homem do nosso tempo, contudo, nem sempre Deus ocupa o lugar central que Lhe é devido. Com frequência, o dinheiro, o poder, a carreira profissional, o reconhecimento social, o sucesso, ocupam o lugar de Deus e condicionam as nossas opções, os nossos interesses, os valores que nos orientam. Abraão, o crente para quem Deus é a coordenada fundamental à volta da qual toda a vida se constrói convida-nos, nesta Quaresma, a rever as nossas prioridades e a dar a Deus o lugar que Ele merece.

• Na sua relação com Deus, o crente Abraão manifesta uma vasta gama de “qualidades” – a reverência, o respeito, a humildade, a disponibilidade, a obediência, a confiança, o amor, a fé – que o definem como o crente “ideal”, o modelo para os crentes de todas as épocas. Neste tempo de preparação para a Páscoa, são estas “qualidades” que nos são propostas, também. É preciso que realizemos um caminho de conversão que nos torne cada vez mais atentos e disponíveis para acolher e para viver na fidelidade aos planos de Deus.

• O crente Abraão ensina-nos, ainda, a confiar em Deus, mesmo quando tudo parece cair à nossa volta e quando os caminhos de Deus se revelam estranhos e incompreensíveis. Quando os nossos projectos se desmoronam, quando as nuvens negras da guerra, da violência, da opressão se acastelam no horizonte da nossa existência, quando o sofrimento nos leva ao desespero, é preciso continuar a caminhar serenamente, confiando nesse Deus que é a nossa esperança e que tem um projecto de vida plena para nós e para o mundo.

• A ideia de que a obediência de Abraão é fonte de vida para ele, para a sua família e para “todas as nações da terra”, deve ser uma espécie de “selo de garantia” que atesta a validade deste caminho. Fazer de Deus o centro da própria existência e renunciar aos próprios critérios e interesses para cumprir os planos de Deus não é uma escravidão, mas um caminho que nos garante (a nós e aos nossos irmãos) o acesso à vida plena e verdadeira.

Subsídios:
1ª leitura:
(Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18) Abraão obediente até o sacrifício de seu filho único –Pedindo que Abraão sacrificasse seu Filho, Deus não apenas testou sua obediência, mas colocou em questão todo o futuro de sua descendência. Será que Deus precisa de tais provas para saber se o homem lhe é fiel? Ou será que a fidelidade e a confiança só crescem quando são provadas? Prestes a sacrificar toda segurança, o homem se torna realmente livre; e é assim que Deus o quer, para que seja seu aliado. * Cf. Eclo 44,21[20]; Hb 11,17-19; Tg 2,21-22; Jo 3,16; Rm 8,32.



Salmo Responsorial

Monição: ESPERAMOS, SENHOR, NA VOSSA MISERICÓRDIA.

SALMO RESPONSORIAL – 115/116B

Andarei na presença de Deus,
junto a ele na terra dos vivos.

Guardarei a minha fé, mesmo dizendo:
“É demais o sofrimento em minha vida!”
É sentida por demais pelo Senhor
a morte de seus santos, seus amigos.

Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,
vosso servo que nasceu de vossa serva;
mas me quebrastes os grilhões da escravidão!
Por isso oferto um sacrifício de louvor,
invocando o nome santo do Senhor.

Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
na presença de seu povo reunido;
nos átrios da casa do Senhor,
em teu meio, ó cidade de Sião!

Segunda Leitura

Monição: Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade

Romanos 8,31-34

Leitura da carta de são Paulo aos Romanos. 8 31 Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas? 33 Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é quem intercede por nós!
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

8 S. Paulo, nas vésperas da sua execução pelo ano 67, no seu segundo cativeiro romano, aparece a animar o seu discípulo a sofrer também pelo Evangelho.

9-10 Estes versículos, num contexto exortatório, constituem mais uma das belas sínteses paulinas da salvação, em forma de hino, em prosa ritmada; esta «salvação» tem, como ponto de partida, um desígnio divino gratuito e (à letra) «chamou-nos com um chamamento santo», santo, não só por ser de Deus, mas por levar a Deus; daí a tradução litúrgica, menos formal: «chamou-nos à santidade».

Quem poderia impedir a chegada do projeto de Deus? Não existe nada que possa impedir Deus de manifestar seu amor para com a humanidade. Cristo, morto e ressuscitado, é o grande artífice do projeto de Deus. Por meio dele, e somente por ele, a comunidade pode se aproximar do amor de Deus.

Em Romanos, a vitória pertence a Deus. A pessoa justificada por Deus possui a certeza da vitória. Em Cristo, somos mais do que vencedores. A base fundamental de toda a vida reside naquilo que aconteceu em Jesus. Por causa dele, e somente por causa dele, é que podemos caminhar em direção ao amanhã.

AMBIENTE

Quando Paulo escreve aos Romanos, está a terminar a sua terceira viagem missionária e prepara-se para partir para Jerusalém. Tinha terminado a sua missão no oriente (cf. Rom 15,19-20) e queria levar o Evangelho ao ocidente. Dirigindo-se por carta aos Romanos, Paulo aproveita para contactar a comunidade cristã de Roma e para apresentar aos membros da comunidade os principais problemas que o ocupavam (entre os quais sobressaía a questão da unidade – um problema bem presente na comunidade cristã de Roma, afectada por alguns problemas de relacionamento entre judeo-cristãos e pagano-cristãos). Estamos no ano 57 ou 58.

Na primeira parte da Carta aos Romanos (cf. Rom 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos cristãos divididos que o Evangelho é a força que congrega e que salva todo o crente, sem distinção de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afecta todos os homens (cf. Rom 1,18-3,20), a “justiça de Deus” dá vida a todos, sem distinção (cf. Rom 3,1-5,11); e é em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rom 5,12-8,39). Os crentes devem, portanto, fazer a experiência do amor de Deus que os une e alegrar-se por esse plano de salvação que Deus quer oferecer a todos. Acolher a salvação que Deus oferece, identificar-se com Jesus e percorrer com Ele o caminho do amor a Deus e da entrega aos irmãos (vida “segundo o Espírito”) não é, no entanto, um caminho fácil, de triunfos e de êxitos humanos; mas é um caminho que é preciso percorrer, tantas vezes, na dor, no sofrimento e na renúncia, enfrentando as forças da morte, da opressão, do egoísmo e da injustiça.

Apesar das barreiras que é necessário vencer, das nuvens ameaçadoras e dos mil desafios que, dia a dia, se põem ao crente que segue o caminho de Jesus, o cristão pode e deve confiar no êxito final. Porquê?

Num hino de triunfo, apaixonado e optimista, que exalta o amor de Deus (cf. Rom 8,31-39), Paulo diz aos cristãos porque é que eles devem ter esperança no triunfo final.

MENSAGEM

A razão para a esperança dos cristãos está na certeza que Deus ama todos os seus filhos com um amor imenso e eterno. O envio ao mundo de Jesus Cristo, o Filho único de Deus, que nos ensinou o caminho da vida plena e da felicidade sem fim, que lutou até à morte contra tudo o que oprimia e escravizava o homem, é a “prova provada” do imenso amor de Deus por nós (vers. 32).

Ora, se Deus nos ama dessa forma tão intensa e tão total, nada nem ninguém nos pode acusar, condenar, destruir ou fazer mal. É Deus “quem nos justifica” (vers. 33) – quer dizer, é Deus que, na sua imensa bondade, pronuncia sobre nós um veredicto de graça e de perdão, apesar das nossas faltas e infidelidades. Ninguém nos condena pois o próprio Deus (o único que o poderia fazer) escolheu salvar-nos, mesmo que o não merecêssemos.

Sendo assim, o cristão deve enfrentar a vida com serenidade e esperança, confiando totalmente no amor de Deus.

ACTUALIZAÇÃO

• Para Paulo, há uma constatação incrível, que não cessa de o espantar: Deus ama-nos com um amor profundo, total, radical, que nada nem ninguém consegue apagar ou eliminar. Esse amor veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, atingiu a nossa existência e transformou-a, capacitando-nos para caminharmos ao encontro da vida eterna. Ora, antes de mais, é esta descoberta que Paulo nos convida a fazer… Nos momentos de crise, de desilusão, de perseguição, de orfandade, quando parece que todo o mundo está contra nós e que não entende a nossa luta e o nosso compromisso, a Palavra de Deus grita: “não tenhais medo; Deus ama-vos”.

• Descobrir esse amor dá-nos a coragem necessária para enfrentar a vida com serenidade, com tranquilidade e com o coração cheio de paz. O crente é aquele homem ou mulher que não tem medo de nada porque está consciente de que Deus o ama e que lhe oferece, aconteça o que acontecer, a vida em plenitude. Pode, portanto, entregar a sua vida como dom, correr riscos na luta pela paz e pela justiça, enfrentar os poderes da opressão e da morte, porque confia no Deus que o ama e que o salva.

Subsídios:
2ª leitura:  (Rm 8,31b-34) Deus não poupou seu único Filho – Quem de fato sacrifica seu filho não é Abraão, mas Deus mesmo: prova de seu amor por nós, que não conseguimos imaginar, mas no qual acreditamos firmemente. * 8,32 cf. Gn 22,16; Rm 5,6-11; 1Jo 4,10; Jo 3,16 * 8,33-34 cf. Is 50,8-9; Hb 7,25.

Aclamação ao Evangelho

Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória!
Numa nuvem resplendente fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu Filho muito amado, escutai-o, todos vós (Lc 9,35).

Evangelho

Monição: A glorificação de Jesus no monte Tabor, diante de seus discípulos, completa a profissão de fé dos discípulos e o anúncio da Paixão, que eles não entenderam

Marcos 9,2-10

9 2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E 3 transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. 4 Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. 5 Pedro tomou a palavra: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 6 Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. 7 Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o”. 8 E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. 9 Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. 10 E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: “Ser ressuscitado dentre os mortos”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

O facto de esta cena nos ser apresentado todos os anos no 2º Domingo da Quaresma tem um sentido para a nossa vida a ter em conta. Assim como para aqueles discípulos a Transfiguração de Jesus serviu de preparação para se confrontarem com a sua desfiguração na agonia do Getxemani, assim também nós temos de nos dispor com olhos de fé para a celebração do tríduo pascal.

1 «A um alto monte. Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, segundo uma tradição procedente do séc. IV, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas modernos que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes.

Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gál 2, 9) particularmente firmes, igualmente testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro. Jesus sabia que a sua Paixão e Morte lhes iria provocar um violentíssimo choque, por isso quer prepará-los para enfrentarem com fé e coragem tamanha provação. Pedro acabara de confessar Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16); Jesus tinha-o declarado «bem-aventurado» por essa confissão de fé, que afinal era muito frágil, pois, logo a seguir, perante o primeiro anúncio da Paixão, Jesus havia de o repreender pela sua visão humana (cf. Mt 16, 23).

3 «Moisés e Elias». São os dois maiores expoentes de toda a revelação do Antigo Testamento: representam a Lei e os Profetas a convergirem em Cristo.

9 «Não conteis a ninguém». Esta ordem enquadra-se na chamada «disciplina do segredo messiânico», que tinha por fim evitar uma exagerada exaltação do espírito dos Apóstolos; assim Jesus obviava a possíveis agitações populares que só viriam prejudicar e perturbar a sua missão. Em Marcos esta imposição do silêncio adquire um significado teológico muito particular.

Na transfiguração relatada no Evangelho de Marcos, a passagem-chave é a exortação dirigida aos três discípulos: Pedro, Tiago e João. Uma expressão/exortação que do passado reverbera com força, atravessando tempo e espaço e nos alcançando com igual intensidade: “Escutai-o”. Na Quaresma se faz necessário abrir os ouvidos para escutar com verdadeira atenção. Não se fazem discípulos que fecham os ouvidos às palavras de seu mestre. Todo discípulo é, primeiramente, de fato e de verdade, um ouvinte.

Todavia, é necessário também ouvir os outros. Não vivemos isolados em ilhas. Somos seres relacionais e, do ponto de vista cristão, vivemos em comunidades. Tudo leva a considerar o outro como alguém que possibilita o diálogo: falamos e ouvimos a fim de construir verdadeira humanidade. Às vezes fica a impressão de que temos grande facilidade de ouvir os meios de comunicação, discursos os mais diversos, até mesmo alguma música. Porém não temos a mesma facilidade para escutar alguém. Uma multidão de sons pode povoar nosso interior, desde que não sobre espaço para os sons de irmãos e de irmãs. Transformamo-nos em consumidores de ruídos e, negando os sons da fraternidade, esvaziamo-nos de nós mesmos. Escutar Jesus dentro de nossos próprios contextos é o maior dos nossos desafios. Acolher a palavra de Jesus requer tempo e qualidade de tempo. Caso contrário, corremos o risco de confundir os ruídos do cotidiano com a voz do nosso mestre.

Jesus sobe a montanha para viver uma experiência inusitada. Lá ele, diante dos olhos estarrecidos dos três discípulos, se transfigura. Suas vestes são mudadas e passam a se parecer com aquelas dos mártires (veja Ap 3,15.18). No entanto, para além da transfiguração, aparecem também Elias e Moisés. A presença deles vem confirmar o caminho de Jesus na direção do conflito final. A presença deles indica que a sua missão não é marcada pela neutralidade. De forma contrária a essa percepção, a vida de Jesus transcorre num caminho marcado pelo conflito e, no conflito, assume uma posição de solidariedade a favor das vítimas que o conduzirá inevitavelmente à morte.

Todavia, a missão de Jesus não era a mesma de Pedro. Quantas e quantas vezes nossas visões e interesses se distanciam do projeto de Jesus? Pedro, diante de uma experiência fantástica, pensa que o alto da montanha é o melhor lugar para permanecer. Sente o desejo de fazer tendas, estabelecer-se ali mesmo e vivenciar a vida cristã como se fosse um eterno retiro, longe do barulho das pessoas, das cidades e vilas. Um ambiente ideal para viver de contemplação. Pedro, porém, ouvia tão somente a própria voz. Tinha um projeto pessoal que se distanciava muitissimamente do projeto de Jesus. Quando ouvimos a própria voz, deixamos de ouvir a voz de Deus. Nesse sentido, os ruídos que nos atrapalham não são somente externos, mas também internos.

Descer a montanha será para os discípulos muito mais difícil do que subi-la. Eles se acostumariam facilmente com a zona de conforto proporcionada pela experiência religiosa e da experiência ficariam reféns. Transformariam a vida de Cristo numa experiência intimista e desconectada da realidade conflituosa. Mas se fazia necessário descer a montanha. É justamente em meio ao povo que se vive e se faz missão. Jesus bem sabia que a boa notícia não poderia ficar escondida. Descer a montanha traz o sentido de fazer o caminho para dentro da realidade. Toda a mensagem de Jesus nasce da realidade política, social, econômica e religiosa. Ele jamais nega a realidade, pois vive para transformá-la. Nesse caso, o cotidiano é o espaço privilegiado da atuação de Jesus. Ele pode até mesmo, por breves momentos, subir montanhas. Mas suas raízes e missão se encontram no meio do povo.

Pedro, como porta-voz de seus companheiros, é apresentado como carente de inteligência. Ele traz no coração o desejo de reter permanentemente a revelação da glória celeste. Pode-se dizer que esse desejo, na perspectiva humana, é compreensível, mas se contrapõe ao chamado dos discípulos ao seguimento de Jesus pelo caminho da cruz. Eles experimentam uma antecipação da bem-aventurança celestial e por isso dizem: “É bom estarmos aqui”. Pedro pensava segundo a perspectiva do triunfo. Imaginava um Cristo vitorioso para vitoriosos. A lógica da vitória impedia Pedro de se ver adequadamente e, por isso, sua proposta parecia querer desviar Jesus de seu trajeto de solidariedade com as vítimas da história. Jesus, por sua vez, constrói seu itinerário pessoal e teológico com base na solidariedade com os pequeninos, mesmo que para isso seja necessário ser vítima do Império Romano, como tantos outros do seu povo já haviam sido.

AMBIENTE

A segunda parte do Evangelho de Marcos começa com um anúncio da Paixão, posto na boca de Jesus (cf. Mc 8,31-32). Nesta altura, os discípulos já tinham percebido que Jesus era o Messias libertador que Israel esperava (cf. Mc 8,29); mas ainda acreditavam que a missão messiânica de Jesus se ia concretizar num triunfo militar sobre os opressores romanos. Marcos vai explicar aos crentes a quem o Evangelho se destina que o projecto messiânico de Jesus não se vai concretizar em triunfos humanos, mas sim na cruz – isto é, no amor e no dom da vida.

O relato da transfiguração de Jesus é antecedido do primeiro anúncio da paixão (cf. Mc 8,31-33) e de uma instrução sobre as atitudes próprias do discípulo (convidado a renunciar a si mesmo, a tomar a sua cruz e a seguir Jesus no seu caminho de amor e de entrega da vida – cf. Mc 8,34-38). Depois de terem ouvido falar do “caminho da cruz” e de terem constatado aquilo que Jesus pede aos que O querem seguir, os discípulos estão desanimados e frustrados, pois a aventura em que apostaram parece encaminhar-se para um rotundo fracasso; eles vêem esfumar-se – nessa cruz que irá ser plantada numa colina de Jerusalém – os seus sonhos de glória, de honras, de triunfos e perguntam-se se vale a pena seguir um mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na cruz.

É neste contexto que Marcos coloca o episódio da transfiguração. A cena constitui uma palavra de ânimo para os discípulos (e para os crentes, em geral), pois nela manifesta-se a glória de Jesus e atesta-se que Ele é – apesar da cruz que se aproxima – o Filho amado de Deus. Os discípulos recebem, assim, a garantia de que o projecto que Jesus apresenta é um projecto que vem de Deus; e, apesar das suas próprias dúvidas, recebem um complemento de esperança que lhes permite “embarcar” e apostar nesse projecto.

Literariamente, a narração da transfiguração é uma teofania – quer dizer, uma manifestação de Deus. Portanto, o autor do relato vai colocar no quadro todos os ingredientes que, no imaginário judaico, acompanham as manifestações de Deus (e que encontramos quase sempre presentes nos relatos teofânicos do Antigo Testamento): o monte, a voz do céu, as aparições, as vestes brilhantes, a nuvem e mesmo o medo e a perturbação daqueles que presenciam o encontro com o divino. Isto quer dizer o seguinte: não estamos diante de um relato fotográfico de acontecimentos, mas de uma catequese (construída de acordo com o imaginário judaico) destinada a ensinar que Jesus é o Filho amado de Deus, que traz aos homens um projecto que vem de Deus.

MENSAGEM

Esta página de catequese, destinada a ensinar que Jesus é o Filho de Deus e que o projecto que Ele propõe vem de Deus, está construída sobre elementos simbólicos tirados do Antigo Testamento. Que elementos são esses?

O monte situa-nos num contexto de revelação: é sempre num monte que Deus Se revela; e, em especial, é no cimo de um monte que Ele faz uma aliança com o seu Povo.

A mudança do rosto e as vestes brilhantes, muitíssimo brancas, recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai (cf. Ex 34,29), depois de se encontrar com Deus e de ter as tábuas da Lei.

A nuvem, por sua vez, indica a presença de Deus: era na nuvem que Deus manifestava a sua presença, quando conduzia o seu Povo através do deserto (cf. Ex 40,35; Nm 9,18.22; 10,34).

Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus e que permitem entender Jesus); além disso, são personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no “dia do Senhor”, quando se manifestasse a salvação definitiva (cf. Dt 18,15-18; Mal 3,22-23).

O temor e a perturbação dos discípulos são a reacção lógica de qualquer homem ou mulher, diante da manifestação da grandeza, da omnipotência e da majestade de Deus (cf. Ex 19,16; 20,18-21).

As tendas parecem aludir à “festa das tendas”, em que se celebrava o tempo do êxodo, quando o Povo de Deus habitou em “tendas”, no deserto.

A mensagem fundamental, amassada com todos estes elementos, pretende dizer quem é Jesus. Recorrendo a simbologias do Antigo Testamento, o autor deixa claro que Jesus é o Filho amado de Deus, em quem se manifesta a glória do Pai. Ele é, também, esse Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei (Moisés) e pelos Profetas (Elias). Mais ainda: Ele é um novo Moisés – isto é, Aquele através de quem o próprio Deus dá ao seu Povo a nova lei e através de quem Deus propõe aos homens uma nova Aliança.

Da acção libertadora de Jesus, o novo Moisés, irá nascer um novo Povo de Deus. Com esse novo Povo, Deus vai fazer uma nova Aliança; e vai percorrer com ele os caminhos da história, conduzindo-o através do “deserto” que leva da escravidão à liberdade.

Esta apresentação tem como destinatários os discípulos de Jesus (esse grupo desanimado e frustrado porque no horizonte próximo do seu líder está a cruz e porque o mestre exige dos discípulos que aceitem percorrer um caminho semelhante). Aponta para a ressurreição, aqui anunciada pela glória de Deus que se manifesta em Jesus, pelas “vestes brilhantes, muitíssimo brancas” (que lembram a túnica branca do “jovem” sentado junto do túmulo de Jesus e que anuncia às mulheres a ressurreição – cf. Mc 16,5) e pela recomendação final de Jesus (“que não contassem a ninguém o que tinham visto, enquanto o Filho do Homem não ressuscitasse dos mortos” – Mc 9,9): diz-lhes que a cruz não será a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus (e, consequentemente, dos discípulos que seguirem Jesus) está a ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.

Uma palavra final para o desejo – manifestado por Pedro – de construir três tendas no cimo do monte, como se pretendesse “assentar arraiais” naquele quadro. O pormenor pode significar que os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus. Jesus nem responde à proposta: Ele sabe que o projecto de Deus – esse projecto de construir um novo Povo de Deus e levá-lo da escravidão para a liberdade – tem de passar pelo caminho do dom da vida, da entrega total, do amor até às últimas consequências.

ACTUALIZAÇÃO

A reflexão pode fazer-se partindo das seguintes questões:

• A questão fundamental expressa no episódio da transfiguração está na revelação de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o projecto salvador e libertador do Pai em favor dos homens através do dom da vida, da entrega total de Si próprio por amor. Pela transfiguração de Jesus, Deus demonstra aos crentes de todas as épocas e lugares que uma existência feita dom não é fracassada – mesmo se termina na cruz. A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de pôr a sua vida ao serviço dos irmãos.

• Na verdade, os homens do nosso tempo têm alguma dificuldade em perceber esta lógica… Para muitos dos nossos irmãos, a vida plena não está no amor levado até às últimas consequências (até ao dom total da vida), mas sim na preocupação egoísta com os seus interesses pessoais, com o seu orgulho, com o seu pequeno mundo privado; não está no serviço simples e humilde em favor dos irmãos (sobretudo dos mais débeis, dos mais marginalizados, dos mais infelizes), mas no assegurar para si próprio uma dose generosa de poder, de influência, de autoridade, de domínio, que dê a sensação de pertencer à categoria dos vencedores; não está numa vida vivida como dom, com humildade e simplicidade, mas numa vida feita um jogo complicado de conquista de honras, de glórias, de êxitos. Na verdade, onde é que está a realização plena do homem? Quem tem razão: Deus, ou os esquemas humanos que hoje dominam o mundo e que nos impõem uma lógica diferente da lógica do Evangelho?

• Por vezes somos tentados pelo desânimo, porque não percebemos o alcance dos esquemas de Deus; ou então, parece que, seguindo a lógica de Deus, seremos sempre perdedores e fracassados, que nunca integraremos a elite dos senhores do mundo e que nunca chegaremos a conquistar o reconhecimento daqueles que caminham ao nosso lado… A transfiguração de Jesus grita-nos, do alto daquele monte: não desanimeis, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.

• Os três discípulos, testemunhas da transfiguração, parecem não ter muita vontade de “descer à terra” e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no céu, alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, ser seguidor de Jesus obriga a “regressar ao mundo” para testemunhar aos homens – mesmo contra a corrente – que a realização autêntica está no dom da vida; obriga a atolarmo-nos no mundo, nos seus problemas e dramas, a fim de dar o nosso contributo para o aparecimento de um mundo mais justo e mais feliz. A religião não é um ópio que nos adormece, mas um compromisso com Deus, que se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens.

Subsídios:
Evangelho:  (Mc 9,2-10) Manifestação de Jesus como filho querido de Deus – A glorificação de Jesus no monte Tabor, diante de seus discípulos, completa a profissão de fé dos discípulos e o anúncio da Paixão, que eles não entenderam. É preciso que tenham diante dos olhos ambas as realidades do mistério de Cristo: a cruz e a glória. A voz da nuvem proclama Jesus messias. Já não se dirige a Jesus, como no batismo (1,11), mas aos discípulos (9,7). Jesus recebe o testemunho de Moisés e Elias, “a Lei e os profetas”. Só depois de sua ressurreição, os discípulos entenderão esta visão. * 9,2-8 cf. Mt 17,1-8; Lc 9,28-36; Ex 24,16-18; Mc 16,5; 2Pd 1,16-18; 2Cor 3,18 * 9,9-10 cf. Mt 17,9-13.

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Hoje, a liturgia nos concede uma espiadinha no céu: Jesus revela sua glória diante de seus discípulos (evangelho). Devemos situar esta visão no contexto que Mc criou ao conceber a estrutura fundamental dos evangelhos escritos. Na primeira parte de sua atividade, Jesus se dirige às multidões mediante sinais e ensinamentos, que deixam transparecer sua “autoridade” (cf. primeiros domingos do Tempo Comum), mas não dizem nada sobre seu mistério interior. Na segunda metade (a partir de 8,27), Jesus revela – não à multidão, mas aos Doze, futuras testemunhas de sua missão – seu mistério interior: sua missão de Servo Padecente (melhor, Filho do Homem padecente) e sua união com o Pai. O que foi confiado a Jesus pessoalmente, pelo Pai, na hora do Batismo, quando a “voz da nuvem” lhe revelou: “Tu és meu filho amado, no qual está meu agrado” (Mc 1,11), é agora revelado aos discípulos: “Este é meu filho amado; escutai-o”. O mistério do Enviado de Deus não é mais reservado ao próprio Jesus; é comunicado aos que deverão continuar sua missão. E lhes é revelado, embora não entendam (9,10; cf. 8,32-33), ou melhor, porque não entendem, pois aproxima-se o momento em que eles deverão enfrentar o escândalo da cruz. Por isso, por uma frestinha, podem enxergar pedacinho do céu. E gostam: “Façamos aqui três tendas...”, diz Pedro. Porém, “ele não sabia o que estava dizendo” (9,6). Pois Jesus não podia ficar onde estavam. Devia caminhar. Não há glória sem cruz, não há Páscoa sem Semana Santa (cf. 9,12b).

Muitos gostariam de que existisse Páscoa sem Semana Santa. Um Jesus festivo, jovem, simpático, com olhos românticos; ou até com ar de revolucionário, mas não um Jesus esmagado e aniquilado! Mc, porém, e também a liturgia, situam a visão da glória na perspectiva da cruz, no início do caminho que conduz ao Gólgota, logo depois do convite aos discípulos de assumirem sua cruz no seguimento de Jesus (8,34). Aprendemos hoje que não devemos construir as “tendas eternas” antes da hora. Jesus deve caminhar ainda, e nós também. Mas, entretanto, precisamos de uma “pré-visão” de sua glória, para, na noite do sofrimento, enxergar o sentido final, que se revela nestas breves palavras: “Este é meu filho amado...”. Deus quer mostrar-nos que o mistério que nos salva é sua própria doação por nós, na morte de seu Filho. É o que nos explica Paulo, na 2ª leitura: “Não poupou seu próprio filho”. E, para que nos sensibilizemos do que significam estas palavras, a 1ª leitura nos lembra o conflito que explodiu na alma de Abraão, quando Javé lhe exigiu seu querido e único filho em sacrifício. O filho que encarnava a promessa de descendência. O filho em quem estava toda a sua vida. Concretamente: Jesus era o homem que interpretava, ensinava e vivia de modo perfeito a vontade de Deus. Qualquer um de nós diria: “Este homem vale ouro, devemos dar-lhe todas as chances; não o podemos queimar; devemos protegê-lo, promovê-lo”. Deus não. Deus sabe que o coração humano é orgulhoso e só cai em si depois de ter destruído sua própria felicidade. Deus sabe que os homens só se convertem “elevando os olhos para aquele que traspassaram” (Zc 12,10). A sede do poder, a agressividade, só reconhece seu vazio depois de ter esmagado o justo que a ela se opõe. Deus quer pagar este preço para conquistar o coração do ser humano. O Filho que ele envolve com sua glória, e que recebe o testemunho da Lei e dos Profetas (Moisés e Elias), Deus não o poupou, pois era preciso que se realizasse sua oferta de amor até o fim. Eis o risco que Deus quis correr.

Mas não aboliu Deus os sacrifícios humanos desde Abraão, impedindo, no último momento, o sacrifício de Isaac e contentando-se com um carneiro? Deus pôs fim aos sacrifícios em que homens oferecem outros homens. Mas, em seu Filho, ele mesmo quis sofrer, para nos ganhar com seu amor. Ele mesmo quis viver o amor até o fim, porque o Filho era, como se diz em termos humanos, o “amado” – uma parte de si, o único que encarnava plenamente sua vontade salvífica, o único verdadeiramente obediente, completamente dado ao plano do Pai. Nele Deus “se perdeu” a si mesmo em seu amor por nós...

“Escutai-o”. Os ensinamentos de Jesus, que agora seguirão, são os ensinamentos sobre a humildade, o despojamento, o serviço, a doação em prol dos “muitos” (10,45). Só podemos aceitar este ensinamento na confiança de que “ele teve razão” quando deu sua vida por nós. É isto que a liturgia de hoje, antecipadamente, nos deixa entrever.

DEUS DÁ SEU FILHO POR NÓS

No domingo passado vimos como Jesus, tendo assumido no batismo ser Filho e Servo de Deus, se preparou por sua “quaresma” para iniciar sua missão. Hoje, no 2ª domingo da Quaresma, o mesmo Filho é mostrado diante da fase final de sua missão, prestes a subir a Jerusalém, onde enfrentará inimizade mortal (cf. Mc 10,1.32). Já tinha anunciado seu sofrimento aos discípulos, equivocados a seu respeito (Mc 8,31-33). No evangelho de hoje, Pedro, Tiago e João são testemunhas de uma revelação em que vêem Jesus, antecipadamente, envolto na glória de Deus: a Transfiguração. E ouvem a Voz: “Este é meu Filho amado: escutai-o” (Mc 9,2-10). Antes de acompanhar Jesus no sofrimento, os discípulos recebem um sinal da glória de Jesus, para que saibam que o Pai está com ele quando ele vai dar sua vida por todos. Pois não é só Jesus dando a própria vida, é o Pai que dá seu Filho por nós, como diz Paulo na 2ªleitura.

É isso também que prefigura a 1ª leitura, que mostra Abraão disposto a sacrificar o próprio filho. Texto “escandaloso”: como pode Deus mandar sacrificar um filho? Expliquemos bem. Naquele tempo havia povos que pensavam que o primogênito, não só do rebanho, mas dos próprios filhos – sobretudo do chefe – devia ser dedicado a Deus mediante um sacrifício humano (assim acreditavam também, na América, os índios astecas etc.). Ora, Isaac era o herdeiro legítimo (filho da mulher legítima), que Abraão em sua velhice recebera de Deus. Tinha poucas chances de ter outro herdeiro. Mesmo assim, estava disposto a dar ouvido à voz da crença que ditava sacrificar o primogênito. Mas Deus não quis – e não quer – sacrifícios humanos. Por isso mandou um animal para substituí-lo.

O gesto magnânimo de Abraão tornou-se imagem da incompreensível magnanimidade de Deus, que dá seu “Filho unigênito” para nós (Jo 3,16). Magnanimidade, de fato, muito mal compreendida. Há quem pense que Deus é um carrasco, que quer que seu Filho pague com seu sangue os pecados dos demais. Mas, muitos séculos antes de Cristo, os profetas negaram tal ideia: cada um é responsável por seu próprio pecado (Ez 18; Jr 31,29 etc.). Deus não é vingativo nem sanguinário, mas antes de tudo rico em misericórdia e fidelidade (Ex 34,6, Sl 115,1 etc.). E é por isso que dispõe de seu Filho, para que este nos mostre a misericórdia e fidelidade de Deus por sua própria prática de vida. Jesus é Filho de Deus na medida em que sua atitude representa o amor fiel de Deus. É precisamente no momento de subir a Jerusalém para enfrentar a inimizade mortal das autoridades que isso se verifica. Jesus poderia ter virado o casaco, desistido de suas bonitas lições sobre o amor fraterno, poderia ter salvo sua pele. Não quis. Quis ser a imagem do amor fiel de Deus. Por isso, quando Jesus dá sua vida por nós, é o Pai que a dá.

Nossa mentalidade egocêntrica, alimentada pela ideologia da competição e do consumo, dificilmente admite que Deus possa ser imaginado como um superlativo de Abraão, como alguém tão generoso que aceita a fidelidade de Jesus até o fim como se fosse o dom de seu único filho e herdeiro. “Este é meu Filho amado”. Nele, Deus se reconhece a si mesmo, reconhece seu próprio modo de agir.

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

Precisamos nos transformar de consumidores de ruídos em facilitadores de diálogos. O ruído provoca atritos e acaba por construir muros entre as pessoas. E o diálogo é um exímio instrumento para criar pontes entre as pessoas. Somente por meio do diálogo, ou seja, da arte de falar e reconhecer esse mesmo direito ao nosso interlocutor, é que podemos conhecer novos mundos que estão além de nós mesmos.

A vida cristã acontece na história, em meio aos conflitos nela gerados, e não no alto das montanhas. Jesus deixou bem claro que o local preferencial para o exercício da vida cristã é justamente entre as pessoas. A vida cristã não pode ser vista nem muito menos ser compreendida como fator de alienação. A história é o palco onde vivemos intensamente a vida de Cristo a fim de transformá-la.



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Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

Sugestões para a homilia

Introdução

Continuamos hoje as homilias de carácter mais doutrinal, que começámos a oferecer para os Domingos do Advento.

Como em todos os anos, no 2º Domingo da Quaresma faz-se a leitura do Evangelho da Transfiguração, hoje segundo a narrativa de S. Mateus, o evangelista do ano. Este é um texto paralelo ao da narração do Baptismo de Jesus, em que, pela primeira vez, aparece a revelação explícita do mistério da vida no interior de Deus, a Santíssima Trindade.

Deus tem vida; se não tivesse vida, não seria Deus. E, como é Deus, a sua vida é infinita e incompreensível e misteriosa. Nós nunca saberíamos nada da vida de Deus, se não fosse Ele a manifestar-se como Ele é, o que aconteceu com a vinda do Filho de Deus à terra.

O único Deus é Pai, Filho e Espírito Santo

Que Deus é Pai é uma verdade comum a muitas religiões, ao reconhecerem-no como o Criador do Universo, que cuida da sua obra; por isso dizia Tertuliano que «ninguém é tão pai como Deus». Mas a grande novidade é a que temos no Evangelho de hoje: Deus aparece como o Pai que apresenta o seu «Filho muito amado», um Filho num sentido absolutamente original – «o Unigénito» (Jo 1, 14.18; 3, 16.18) – que desde sempre estava em Deus, sendo Deus (cf. Jo 1, 1), a «imagem do Deus invisível» (Col 1, 15), «o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância» (Hebr 1, 3). O Evangelho de S. João usa mesmo uma palavra para designar este Filho Unigénito (Υἱός) diferente da palavra que emprega para indicar os homens como filhos de Deus (τέκνα) A fé que professamos no Credo, que a seguir vamos proclamar, diz que este Filho é «consubstancial ao Pai», isto é, da mesma natureza que o Pai, sendo um só com Ele: «Filho Único de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado…».

Mas a vida em Deus não se esgota na relação Pai-Filho, pois o circuito da vida íntima de Deus engloba também o Espírito Santo, «que procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado». Jesus falou do Espírito Santo, dizendo que «procede do Pai e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai» (Jo 15, 26). Jesus enviou os Apóstolos a todos os povos para baptizarem «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», indicado assim que deste modo ficamos a participar da vida do único Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.

É na Igreja que entramos em comunhão com a vida íntima de Deus

Uma saudação que hoje se costuma usar no início da celebração eucarística corresponde àquela já usada por S. Paulo nas cartas que escrevia às suas comunidades: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai, e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13; cf. 1 Cor 12, 4-6; Ef 4, 4-6).

É pelo Baptismo que passamos a fazer parte da Igreja; e o Concílio Vaticano II começa por apresentar a Igreja na sua ligação intrínseca com a Santíssima Trindade, ao concluir os primeiros números da Constituição Dogmática sobre a Igreja: «Assim a Igreja toda aparece como um “povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”» (LG 4). A Igreja não tem uma origem humana, mas procede dum plano eterno do amor de Deus, que destina o ser humano à comunhão na riqueza da sua vida trinitária.

Como é que Deus pode ser um e três ao mesmo tempo?

A fé na Santíssima Trindade não implica uma contradição, pois não é como se disséssemos 1+1+1=1; com efeito o Pai não se soma ao Filho e ao Espírito Santo, pois são o único e mesmo Deus e compenetram-se numa mesma torrente de vida eterna, num mesmo abismo de sabedoria e amor; recorrendo à linguagem matemática, diríamos antes: 1x1x1=1.

O transcendente mistério da Santíssima Trindade não é algo que afasta o crente de Deus – tão incompreensível Ele é –, mas, pelo contrário, é um mistério fascinante, que exerce nas almas enamoradas de Deus uma espécie de santa vertigem, uma antecipação do Céu: a atracção do abismo da grandeza e misericórdia divinas. Se Deus é quem é – o Ser infinito – tem que ser sumamente amável, ainda que incompreensível.

Como se exprime em linguagem humana um mistério tão grande da vida íntima de Deus: uno e trino?

Sucede que a Igreja, desde os primeiros séculos, se preocupou com formular a sua fé recebida de Jesus e do ensino dos Apóstolos, de maneira a tornar inteligível o que poderia parecer um absurdo paradoxo. Ao mesmo tempo, a Igreja procurava preservar a sua fé da contaminação de erros que a tentavam deformar. Para isso, socorreu-se duma série de termos que não aparecem nas Escrituras, mas que pertencem à linguagem filosófica da cultura grega ambiente. Foi assim que adoptou o termosubstância (correspondente a essência ou natureza) para designar o ser divino na sua unidade; por outro lado, empregou o termo pessoa, ou hipóstase, para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na sua distinção real entre si. O termo relação serviu para designar o facto de que a distinção das pessoas consiste numa referencia vital de uns aos outros. Dizemos que em Deus há três pessoas, mas com isto não queremos dizer que em Deus haja três indivíduos, como quando se fala de três pessoas humanas; o que queremos é dizer que em Deus há três sujeitos que são uma só coisa. Mas como se pode entender isto?

A reflexão teológica tem procurado esclarecer ao máximo este tão grande mistério do que é a vida de Deus na «trindade de uma só natureza», tomando como ponto de partida as palavras de Jesus e o ensino dos Apóstolos. As três Pessoas são iguais – uma mesma e única divindade – e são distintas: o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo, o Espírito Santo não é o Pai, mas apenas se distinguem no que a Teologia classificou de “relações opostas de origem”, relações estas que derivam de o Filho proceder do Pai e o Espírito Santo do Pai e do Filho (ou pelo Filho).

Em tudo o mais não há a mínima distinção, a tal ponto que tudo o que Deus faz fora de si é comum às três Pessoas divinas, embora nós possamos apropriar de alguma delas em particular uma determinada acção ou atributo divino: para o Pai, a omnipotência e a criação; para o Filho, a sabedoria e todas as obras da sabedoria divina; para o Espírito Santo, o amor, a santificação do homem, a inspiração das Escrituras, etc.

Como diz o Catecismo da Igreja Católica , nº 267: «Inseparáveis no que são, as Pessoas divinas são também inseparáveis no que fazem. Mas, embora sendo a actuação divina uma única coisa em que intervêm as três Pessoas, a verdade é que cada uma manifesta o que Lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Incarnação e do dom do Espírito Santo».

E que tem que ver a vida íntima de Deus com a nossa vida? Poderemos relacionar-nos com cada uma das Pessoas divinas?

São João diz que Deus é amor (1 Jo 4, 8.16). O Pai, «ao enviar-nos o seu Filho Único e o Espírito de Amor, revela o seu segredo mais íntimo: Ele próprio é eternamente comunhão de amor: Pai, Filho e Espírito Santo; e destinou-nos a tomar parte nessa comunhão». Se Deus é uma eterna comunicação de Amor, é compreensível que esse Amor transborde para fora d’Ele na sua actuação.

«“Na Trindade encontra-se o modelo original da família humana” (João Paulo II) e a sua vida íntima é a aspiração verdadeira de todo o amor humano… Cada pessoa foi criada à imagem e semelhança da Trindade (cf. Gn 1, 27) e está feita para viver em comunhão com os outros homens e, sobretudo, com o Pai Celestial. Aqui se encontra o fundamento último do valor da vida de cada pessoa humana, independentemente das suas capacidades ou das suas riquezas» (Giulio Maspero).

Deus destina-nos ao Céu. E o Céu consiste em ver a Deus «tal como Ele é» (1 Jo 3, 2), contemplar, louvar, amar e gozar por toda a eternidade da vida infinita da Trindade Santíssima; é entrar nesse circuito infinito de Amor sem fim que une as Pessoas divinas. Viver aqui na graça de Deus já é o começo dessa felicidade do Céu. (cf. Jo 14, 23). É assim que os santos são as pessoas mais felizes do mundo, mesmo no meio dos maiores sofrimentos, pois vivem desta certeza de que Deus habita dentro deles.

As orações da Liturgia, em especial a oração eucarística, são habitualmente dirigidas à pessoa do Pai, por meio do Filho, em união com o Espírito Santo, a alma da nossa alma, a alma da Igreja. Há uma festa dedicada à SS. Trindade, no domingo imediato ao do Pentecostes, mas todos os domingos são dedicado a Ela. Aprendamos a saborear a dimensão trinitária de Missa: «Por Cristo, com Cristo, em Cristo…» e façamos do nosso dia um «Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo», repetindo muitas vezes esta jaculatória.

Todos os cristãos começamos o dia benzendo-nos: «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»; assim queremos dedicar todos os nossos pensamentos, palavras e acções a honrar a Deus, Trindade Santíssima, actualizando assim a nossa consagração baptismal, pois fomos baptizados, isto é, mergulhados, consagrados para Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.

Também nos benzemos ao entrar numa igreja, para nos recordarmos de que é na Igreja de Cristo que nós estamos capacitados para viver como filhos de Deus e que é nela que aurimos a graça de Deus nas fontes de vida divina que são os Sacramentos. Traçamos o sinal da Cruz ao benzermo-nos para recordar a ligação que há entre a Cruz de Jesus a o mistério da vida de Deus, que é um abismo infinito de amor, de doação mútua, de que a máxima expressão visível é a entrega que o Pai nos faz do seu Filho na Cruz para nos dar o Espírito Santo a habitar dentro de nós como num templo. Ao fazermos nesta Quaresma o exercício da Via Sacra, procuremos vivê-la enquadrada na sua dimensão trinitária original.

Fala o Santo Padre

«Jesus manifesta aos Apóstolos a sua glória, para que tenham a força de enfrentar o escândalo da cruz.»

Queridos irmãos e irmãs!

[…] Hoje, segundo domingo da Quaresma, prosseguindo o caminho penitencial, a liturgia, depois de nos ter apresentado no domingo passado o Evangelho das tentações de Jesus no deserto, convida-nos a reflectir sobre o acontecimento extraordinário da Transfiguração na montanha. Considerados juntos, os dois episódios antecipam o mistério pascal: a luta de Jesus com o tentador introduz o grande duelo final da Paixão, enquanto a luz do seu Corpo transfigurado antecipa a glória da Ressurreição. Por um lado vemos Jesus plenamente homem, que partilha connosco até a tentação, por outro, contemplamo-lo como Filho de Deus, que diviniza a nossa humanidade. Deste modo, poderíamos dizer que estes dois domingos servem de pilares sobre os quais se baseia todo o edifício da Quaresma até à Páscoa, e aliás, toda a estrutura da vida cristã, que consiste essencialmente no dinamismo pascal: da morte à vida.

A montanha – o Tabor como o Sinai –  é o lugar da proximidade com Deus. É o espaço elevado, em relação à existência quotidiana, onde respirar o ar puro da criação. É o lugar da oração, no qual estar na presença do Senhor, como Moisés e como Elias, que aparecem ao lado de Jesus transfigurado e falam com Ele acerca do “êxodo” que o espera em Jerusalém, isto é, da sua Páscoa. A Transfiguração é um acontecimento de oração: rezando, Jesus imerge-se em Deus, une-se intimamente a Ele, adere com a própria vontade humana à vontade de amor do Pai, e assim a luz invade-o e torna-se visível a verdade do seu ser: Ele é Deus, Luz da Luz. Também a veste de Jesus se torna branca e resplandecente. Isto faz pensar no Baptismo, na veste branca que os neófitos traziam. Quem renasce no Baptismo é revestido de luz antecipando a existência celeste, que o Apocalipse representa com o símbolo das vestes brancas (cf. Ap 7, 9.13). Encontra-se aqui o ponto central: a transfiguração é antecipação da ressurreição, mas esta pressupõe a morte. Jesus manifesta aos Apóstolos a sua glória, para que tenham a força de enfrentar o escândalo da cruz e compreendam que é preciso passar através de muitas tribulações para alcançar o Reino de Deus. A voz do Pai, que ressoa do alto, proclama Jesus seu Filho predilecto como no Baptismo no Jordão, acrescentando: “Ouvi-O” (Mt 17, 5). Para entrar na vida eterna é preciso ouvir Jesus, segui-lo pelo caminho da cruz, levando no coração como Ele a esperança da ressurreição. “Spe salvi”, salvos na esperança. Hoje podemos dizer: “Transfigurados na esperança”.

Dirigindo-nos agora em oração a Maria, reconheçamos n’Ela a criatura humana transfigurada interiormente pela graça de Cristo, e confiemos na sua orientação para percorrer com fé e generosidade o percurso da Quaresma.

Papa Bento XVI, Angelus, Domingo, 17 de Fevereiro de 2008


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 2º Domingo da Quaresma, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. PALAVRA DE VIDA.
Jesus encontra-Se com o seu Pai. O monte é o lugar de encontro com Deus: Moisés e Elias encontram Deus no monte Horeb, Jesus retira-Se muitas vezes para o monte para rezar. Naquele dia, Deus toma a palavra para reconhecer Jesus como seu Filho bem-amado, e pede para O escutar. Jesus encontra-Se com Moisés e Elias, estes porta-vozes cheios do poder de Deus libertador junto do seu povo. A sua presença no monte da transfiguração revela que Jesus veio cumprir tudo o que os profetas tinham anunciado. Enfim, Jesus encontra-Se no monte das Oliveiras com as testemunhas adormecidas da Paixão. E se Jesus Se transfigura a seus olhos, é para lhes fazer ver a glória que Lhe vem de seu Pai. Mas para conhecer esta glória, é preciso passar pelo sofrimento e pela morte. Ainda não chegou o momento para nos sentarmos, é preciso retomar o caminho para “passar” com o Mestre.

3. À ECUTA DA PALAVRA.
A sua Palavra como uma semente de vida… “Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias”. Dito de outro modo: instalemo-nos, fiquemos aqui para sempre, estamos tão bem a contemplar a tua glória! Como seria tão bom se nós tivéssemos podido guardar Jesus glorioso no meio de nós! Ele manifestaria desde agora a sua vitória sobre todas as forças do mal e sobre a própria morte. Ele curaria todas as doenças, Ele estabeleceria a justiça, Ele apaziguaria todas as tempestades, Ele suprimiria todas as violências. Jesus estaria sempre ao nosso serviço, à nossa disposição! Seria verdadeiramente o paraíso na terra! Mas Jesus não se deixou apanhar na armadilha. “Olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles”. Foi necessário retomar o caminho quotidiano. Será preciso que atravessem a noite do Gólgota, depois os seus próprios sofrimentos e a sua própria morte. Jesus não veio tirar-nos da nossa condição humana com uma varinha mágica. Mas Ele vem juntar-se a nós nos nossos caminhos pedregosos, dando-nos o seu Espírito para que nos tornemos capazes de O escutar, no mais íntimo de nós mesmos. Então a sua Palavra pode enraizar-se cada vez mais profundamente em nós, como uma semente de vida. Não a percebemos sempre… mas ela rebentará na plenitude da luz, na Ressurreição com Jesus.

4. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
A nossa fé na ressurreição… Concretamente, como fazer, que fazer? Alguns meios podem ajudar-nos: a oração, para pedir a Deus a fé (que é graça) e a sua luz; a meditação da Palavra de Deus; leituras, livros de teologia ou de espiritualidade, testemunhos de crentes; ou ainda a ajuda de um conselheiro espiritual, que nos permita debater questões mais actuais (incompatibilidade entre fé na ressurreição e crença na reincarnação, por exemplo).

LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SANTO

Monição da Comunhão: Se nos sentimos com as devidas disposições de corpo e alma, jejum eucarístico, estado de graça e recta intenção de progredir no amor de Deus e do próximo, é o momento de nos aproximarmos da mesa eucarística. Não vemos Jesus transfigurado em glória como aquele núcleo duro do Colégio Apostólico – Pedro, Tiago e João – lá no alto da montanha, mas temos diante de nós o mesmo Jesus oculto nas humildes espécies do pão consagrado. Ele é o alimento, o sustento da nossa fé, da nossa esperança e do nosso amor.

Mt 17, 5
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final: Vamos avançar pelos caminhos da conversão da nossa Quaresma e mostrar, com a nossa vida, a todos quantos nos rodeiam, o rosto sereno e alegre de Jesus vivo em cada um de nós.



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HOMILIAS FERIAIS

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

2ª SEMANA

2ª Feira, 5-III: Aprender a viver a misericórdia.

Dan 9, 4-10 / Lc 6, 36-38
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.

Pedimos a Deus a sua misericórdia: «Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia, porque somos tão miseráveis» (S. Resp). E Ele pede-nos que sejamos igualmente misericordiosos. Para isso, precisamos reconhecer os nossos pecados: «Nós pecámos, deixámos os vossos mandamentos e as vossas leis» (Leit). Só assim seremos mais compreensivos. Depois, recebendo com frequência o sacramento da misericórdia: Recebendo com frequência este sacramento, somos levados a ser misericordiosos como Ele (Ev). E também, vivendo bem as obras de misericórdia.

3ª Feira, 6-III: Conversão interior e obras boas.

Is 1, 10. 16-20 / Mt 23, 1-12
Lavai-vos, purificai-vos, afastai os meus olhos a malícia das vossas acções, deixai de praticar o mal. Aprendei a fazer o bem.

Jesus queixa-se dos escribas e fariseus (Ev). E pede-nos a conversão do coração: «procurai um coração novo e um espírito novo» (S. Resp). A conversão interior conduz às boas obras: «O apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa primariamente as obras exteriores, os jejuns e as mortificações, mas a conversão do coração, a penitência interior. Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude em sinais visíveis, gestos e obras de penitência (Leit)» (CIC, 1430).

4ª Feira, 7-III: Dar a vida como resgate pelos outros.

Jer 18, 18-20 / Mt 20, 17-28
O Filho do homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos escribas. Eles hão-de entregá-lo aos pagãos, para que o escarneçam, açoitem e crucifiquem.

Jeremias queixa-se de que, apesar do bem que tinha feito, o querem maltratar (Leit). O mesmo aconteceu a Jesus (Ev). Quando aparecerem as contrariedades, ou tivermos dificuldades no cumprimento dos nossos deveres e na vivência da caridade, procuremos recorrer à sua ajuda: «Salvai-me, Senhor, na vossa misericórdia» (S. Resp). E imitarmos o Senhor, oferecendo esses sacrifícios pela salvação de todos: «O Filho do homem não veio para ser servido, veio para servir e dar a vida como resgate pela multidão» (Leit).

5ª Feira, 8-III: Solidariedade no uso dos bens materiais.

Jer 17, 5-10 / Lc 16, 19-31
Abraão respondeu-lhe (ao homem rico): Filho, lembra-te que recebeste os benefícios durante a vida, tal como Lázaro os infortúnios.

Como usamos os bens materiais que o Senhor pôs à nossa disposição? Em primeiro lugar, termos um maior sentido de responsabilidade: «O drama da fome no mundo chama os cristãos, que oram com sinceridade, a assumir uma responsabilidade efectiva em relação aos irmãos, tanto nos seus comportamentos pessoais como na solidariedade para com a família humana. A petição da oração do Pai-nosso não pode ser isolada da parábola do pobre Lázaro (Ev)» (CIC, 2831). E, depois, depositando muita confiança no Senhor (Leit e S. Resp.).

Celebração, Homilia e:Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Homilias Feriais: NUNO ROMÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – www.ecclesia.pt/dehonianos


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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