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Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.org.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/liturgia.htm ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


02.08.2015
18º DOMINGO DO TEMPO COMUM — ANO B
( VERDE, GLÓRIA, CREIO – II SEMANA DO SALTÉRIO )
__ "EU SOU O PÃO DA VIDA" __

DIA DO PADRE
ABERTURA DO MÊS VOCACIONAL
VOCAÇÃO PARA O MINISTÉRIO ORDENADO, PADRES DIÁCONOS E BISPOS

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

NOTA ESPECIAL: VEJA NO FINAL DA LITURGIA OS COMENTÁRIOS DO EVANGLEHO COM SUGESTÕES PARA A HOMILIA DESTE DOMINGO. VEJA TAMBÉM NAS PÁGINAS "HOMILIAS E SERMÕES" E "ROTEIRO HOMILÉTICO" OUTRAS SUGESTÕES DE HOMILIAS E COMENTÁRIO EXEGÉTICO COM ESTUDOS COMPLETOS DA LITURGIA DESTE DOMINGO.

CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO HOMILÉTICO DO PRÓXIMO DOMINGO (09.08.2015)

Ambientação:

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Ao nos reunirmos para celebrar o Mistério Pascal de Cristo, partilhamos do pão da Palavra e da Eucaristia. Hoje o Cristo sacia não apenas a fome do povo com o pão material, mas se apresenta como o pão da vida eterna. No entanto, para que Ele possa doar-se a nós, é necessário que estejamos abertos à sua proposta. Esta é a fé que nos leva a vivermos com Cristo e a colocar em prática o seu Evangelho, servindo aos nossos irmãos que mais necessitam. Iniciamos o mês de agosto, mês dedicado às vocações. E, neste primeiro domingo, celebramos o dia do padre. Rezemos hoje pelos nossos sacerdotes.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Iniciamos o mês vocacional, dedicado à oração, reflexão e ação sobre o chamado aos ministérios. Nesta primeira semana, o foco é a vocação para o ministério ordenado, que compreende os diáconos, padres e bispos, escolhidos e enviados para pregar o amor de Deus, celebrar os sacramentos e servir a Igreja e o mundo.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: A liturgia de hoje continua o tema da Eucaristia. No deserto, durante quarenta anos, Deus alimentou seu povo com o maná. Este era figura de um outro pão que desceria do céu para dar vida ao mundo, mas vida eterna. No Evangelho, Jesus pede para que acreditemos nele. Fará um milagre grandioso, mas este não será visível como foi o da multiplicação dos pães. Por isso ele diz: "a obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou". Mudará pão em seu corpo e vinho em seu sangue. Ele garante: "eu sou o pão da vida". Iniciamos o mês de agosto, dedicado a oração, reflexão e ação sobre o tema das vocações. Nesta primeira semana, o foco é a vocação para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. São escolhidos para levar avante o projeto de Deus, que é a fé em Jesus Cristo, o Pão da vida. Rezemos, pois, hoje do DIA DO PADRE, pelos padres e diáconos que nos ajudam na comunidade e pelos nossos bispos. Também rezemos pelos candidatos ao diaconato permanente e ao presbiterato. Estes últimos são os nossos seminaristas, dos quais muitos são conhecidos entre nós. Rezemos, pois, para que sejam perseverantes na vocação e corajosos em entregar-se sem reserva a Deus e ao serviço dedicado ao seu povo.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e meditemos profundamente a liturgia de hoje!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/02-de-agosto-de-2015-18-tc.pdf


Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/44_18o_domingo_do_tempo_comum.pdf


TEMA
A VONTADE DE DEUS E O “PÃO DA VIDA”

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- Autoria do Roteiro Homilético da Paulus para o período de Julho/Agosto-2015: Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje – BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas). E-mail: aylanj@gmail.com

Introdução da Revistal Vida Pastoral

Deu-lhes a comer o pão do céu

Continuando com o tema do sinal do pão, a liturgia de hoje – e nos domingos seguintes – centra-se no discurso de Jesus sobre o “pão da vida” ou “pão do céu”.

Por meio do maná (pela manhã) e das codornizes (à tarde), Deus sustentava a vida do povo no deserto. Apesar da benevolência divina, o povo não mudava de atitude, não parava de murmurar e de preferir a antiga vida de escravidão à vida nova, com dignidade, dada por Deus. É bem adequada a exortação da carta aos Efésios para que os cristãos não tornem a proceder como antigamente, na futilidade de pensamentos: “foi bem outra coisa o que aprendestes de Cristo” (Ef 4,20).

Introdução do Portal Dehonianos

A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum repete, no essencial, a mensagem das leituras do passado domingo. Assegura-nos que Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva.

A primeira leitura dá-nos conta da preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A acção de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores.

No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o “pão” da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse “pão” – isto é, que escutem as palavras que Ele diz, que as acolham no seu coração, que aceitem os seus valores, que adiram à sua proposta.

A segunda leitura diz-nos que a adesão a Jesus implica o deixar de ser homem velho e o passar a ser homem novo. Aquele que aceita Jesus como o “pão” que dá vida e adere a Ele, passa a ser uma outra pessoa. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
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O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

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JESUS SACIA A FOME E A SEDE

Parece que a multidão não entendeu muito bem o gesto da multiplicação ou da partilha realizado por Jesus: foi visto apenas como saciedade da fome biológica. Por isso, o evangelho introduz o discurso de Jesus sobre o pão da vida, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum: “Trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna, alimento que o Filho do homem dará a vocês”. A multiplicação deve ser vista como sinal: o acesso ao pão de cada dia conduzindo ao compromisso com Jesus e seu projeto.

Cada um procura Jesus por um motivo ou outro. Mas devemos evitar procurá-lo apenas quando temos alguma dificuldade pessoal, para satisfazer apenas “a minha” necessidade, para resolver “o meu” problema.

Sabemos que o pão material é importante para a sobrevivência e uma necessidade básica do ser humano. Mas a pessoa carece de algo mais, de outro alimento: aquele que Jesus nos oferece, que sacia a fome de vida. Não se pode investir apenas no transitório, no perecível, no que não cria raízes nem consistência e, por isso, deixa a pessoa fragilizada e prostrada diante de qualquer adversidade. É preciso investir no essencial, naquilo que humaniza, torna a pessoa firme no seguimento de Jesus e solidária com os outros em suas necessidades.

Entrar na barca significa seguimento e convivência com os outros que estão nela. Entrar na barca com Jesus não significa apenas participar de algumas celebrações semanais ou rezar o terço de vez em quando. Entrar na barca é trilhar os passos de Jesus e com Jesus; é alimentar-nos do alimento da vida eterna que ele nos oferece. Alimento que sacia definitivamente nossa fome de justiça, paz, esperança, solidariedade e fraternidade.

Jesus é o pão da vida eterna, o alimento que não perece, que nos comunica Deus, nos abre ao seu amor e nos leva a amar os irmãos e as irmãs. A fé é a porta de entrada nesse dinamismo.

Pe. Nilo Luza, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
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O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

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BUSCAR A DEUS EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA DA VIDA

“A glória de Deus é o homem vivo”, disse santo Irineu. Homem vivo é aquele atento aos sinais de Deus, aquele que se põe sempre a caminho com Deus em busca do bem e de sua realização. No batismo nos tornamos membros da grande família dos filhos e filhas de Deus e recebemos dele preceitos a observar. Aceitamos abandonar tudo que nos impede de viver plenamente o nosso compromisso, o nosso relacionamento com ele e com os irmãos e irmãs,

e também distanciar-nos de tudo o que se opõe ao projeto do reino.

Nessa nossa caminhada rumo ao bem supremo que é o Pai, sempre haverá momentos de aflições e provações, momentos de alegrias e realizações. Diante dos problemas e das dificuldades que surgem na nossa vida, temos logo a tendência de pensar que Deus nos abandonou e está longe de nós. Assim, nasce um sentimento de desespero, de desânimo e de revolta contra Deus, às vezes até de abandono das práticas de piedade. Assim fez o antigo povo de Deus e assim continua a fazer o novo, isto é, os homens e as mulheres de hoje: quando se viram sem água e sem alimento, murmuraram contra a Providência e lamentaram o que tiveram de abandonar, as panelas de carne deixadas no Egito, esquecendo as múltiplas intervenções de Deus em sua vida e mostrando a pobreza e fraqueza de sua fé. Embora suas queixas fossem descomedidas, Deus intervém mais uma vez em favor deles: “Eis que vos farei chover pão do céu” (Ex 16,4).

Nos momentos de alegria e de estabilidade na vida, a tendência é esquecer a Deus, deixando-o de lado. Muitas vezes só o procuramos quando há problemas, complicações e quando a vida parece sem saída, como fez a multidão de quem o evangelho nos fala. Ela foi à procura de Jesus só para garantir os bens temporais, os bens materiais: “Não por terdes visto sinais me procurais, mas porque comestes dos pães e ficastes satisfeitos” (Jo 6,26). A busca de Deus fica só em função de vantagens temporais. Mas Jesus nos convida a enxergar muito além disso.

Jesus se apresenta e se oferece a nós como o pão da vida, o alimento que nos dá força para caminhar com maior firmeza, ajudando-nos a superar dificuldades e obstáculos que podem aparecer no caminho até chegarmos à vida plena junto de Deus. A nossa busca de Deus tem de ser constante e em qualquer circunstância da vida. Seja na alegria ou na tristeza, precisamos manter Deus no centro de tudo. Pois quem fundamenta sua vida em Deus tem sua esperança sempre renovada.

Pe. Gilbert Mika Alemick, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
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O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

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Senhor, dá-nos sempre desse pão!

Em nossa caminhada cristã, encontramos sempre em Jesus o verdadeiro alimento. Ele é o pão vivo descido do céu que sacia nossa fome de Deus. Hoje, primeiro domingo de agosto, é o dia do padre, e somos convidados a rezar por todos os bispos, padres e diáconos, para que se mantenham firmes na vocação de servir o povo de Deus anunciando o evangelho.

DCMC 2015 31

Compromisso: Continuarmos unidos como comunidade.


RITOS INICIAIS

Salmo 69, 2.6
ANTÍFONA DE ENTRADA: Deus, vinde em meu auxílio, Senhor, socorrei-me e salvai-me. Sois o meu libertador e o meu refúgio: não tardeis, Senhor.

Introdução ao espírito da Celebração
Todo o homem tem anseio de felicidade e procura-a geralmente em coisas materiais: prazeres, passeios, bebidas, festas, boa comida, sexo… mas acaba por reconhecer que continua insatisfeito. A liturgia da Palavra deste Domingo fala-nos do maná dado por Deus ao seu povo e que o alimentava dando robustez a um corpo destinado a perecer. Todavia, diz-nos ainda, o verdadeiro pão da vida é a Sua Palavra, incarnada em Jesus de Nazaré, que é capaz de modificar toda a nossa vida transformando-nos em «homens novos», conduzidos a uma vida que não acaba. Pensemos um pouco nas vezes que procurámos a felicidade onde ela não se pode encontrar e desprezámos a Palavra que dá vida. E, com humildade, peçamos perdão ao Senhor.

ORAÇÃO COLECTA: Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai-Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição: A leitura que vamos ouvir é um convite a descobrir a presença de Deus em tudo o que acontece. Ele acompanha com cuidadoso amor a vida e o objectivo de cada homem e de cada povo.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Êxodo 16,2-4.12-15

Leitura do livro do Êxodo. 16 2 Toda a assembléia dos israelitas pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão no deserto. 3 Disseram-lhes: “Oxalá tivéssemos sido mortos pela mão do Senhor no Egito, quando nos assentávamos diante das panelas de carne e tínhamos pão em abundância! Vós nos conduzistes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão.” 4 O Senhor disse a Moisés: “Vou fazer chover pão do alto do céu. Sairá o povo e colherá diariamente a porção de cada dia. Pô-lo-ei desse modo à prova, para ver se andará ou não segundo minhas ordens. 12 “Ouvi as murmurações dos israelitas. Dize-lhes: esta tarde, antes que escureça, comereis carne e, amanhã de manhã, vos fartareis de pão; e sabereis que sou o Senhor, vosso Deus”. 13 À tarde, com efeito, subiram codornizes (do horizonte) e cobriram o acampamento; e, no dia seguinte pela manhã, havia uma camada de orvalho em torno de todo o acampamento. 14 E, tendo evaporado esse orvalho, eis que sobre a superfície do deserto estava uma coisa miúda, granulosa, miúda como a geada sobre a terra! 15 Vendo isso, disseram os filhos de Israel uns aos outros: “Que é isso?”, pois não sabiam o que era. Moisés disse-lhes: “Este é o pão que o Senhor vos manda para comer”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Este relato é tirado daquela parte do Êxodo que refere a caminhada pelo deserto em direcção ao monte Sinai, o cenário da Aliança que é o ponto central do livro (Ex 15, 22 – 17, 16). As grandes contrariedades desta duríssima viagem são remediadas por uma extraordinária providência divina que multiplica os seus prodígios, engrandecidos por toda a tradição posterior: o saneamento das águas amargas (Ex 15, 22-27), o abundante envio de alimento, o maná e as codornizes (Ex 16), o fornecimento de água em horas de sede desesperada (Ex 17, 1-7) e a vitória sobre os amalecitas (Ex 17, 8-16).

2-4 «Israel começou a murmurar… Então o Senhor disse…» O autor sagrado insiste em pôr em evidência o impressionante contraste entre as queixas persistentes do povo sem fé e a fidelidade amorosa de Deus, que, apesar das murmurações contra Ele, está sempre pronto a vir em socorro deste povo (cf. Ex 14, 11; 15, 24; 17, 3; Nm 11, 1.4; 14, 2; 20, 2; 21, 4-5).

13 «Apareceram codornizes». O aparecimento das codornizes costuma ser entendido como um fenómeno natural, embora providencial; ainda hoje enormes bandos destas aves pousam na península do Sinai, nos seus voos periódicos entre as regiões quentes da África e as zonas mais temperadas da Europa e da Ásia; cansadas pelo longo voo sobre o Mar Vermelho, facilmente podem ser apanhadas.

14 «Apareceu uma fina substância granulosa». O maná aqui descrito parece ter semelhanças com uma espécie de resina açucarada que o tamariz ou tamargueira da península do Sinai (tamarix manífera) continua a segregar, quando picadas por insectos, que ali existem (em vias de extinção); as gotas brancas que se formam na casca da planta solidificam com o ar fresco da noite e chegam a cair no chão, em pequenos grãos. Se não se apanham cedo, o sol derrete-as aos 20 graus centígrados (cf Ex 16, 21). Os beduínos do Sinai ainda hoje aproveitam este produto como guloseima e exportavam-no até há pouco para doçaria.

15 A verificação destes fenómenos naturais nada tira à visão de fé com que o autor sagrado pretende exaltar a providência de Deus, apresentando-os como uma das maravilhas de Deus a favor do seu povo. A providência ordinária, bem vistas as coisas, não significa menos amor ou menos poder divino, como poderia pensar uma mentalidade milagreira. O próprio nome «maná» presta-se a um jogo de palavras, a partir duma etimologia popular, que põe em evidência a surpresa que havia de marcar a memória e a tradição religiosa deste povo em face do sucedido. Com efeito, maná diz-se em hebraico «man», que também é um pronome interrogativo aramaico, significando «que coisa?» (é isto=hu). O dom do maná espevitará a fé e a gratidão do povo de Deus ao longo dos séculos, por isso, há-de ser recordado e engrandecido com sucessivas actualizações: «nem só de pão vive o homem» (Dt 8, 3); «um trigo do Céu… pão dos fortes» (Salm 78, 24-25; 105, 40), «alimento do Céu, pão dos anjos, pão sem esforço, capaz de todos os sabores e adaptado a todos os gostos, que se acomodava ao gosto de quem o comia e se transformava segundo o desejo de cada um» (Sab 16, 20-21); mas sobretudo há-de servir de figura da SS. Eucaristia (cf. Jo 6, 32 e o Evangelho deste domingo).

Farei chover pão do céu para vós

A leitura afirma que “toda a comunidade dos israelitas murmurava” (v. 2). Isso significa que todos estavam de acordo sobre um ponto: era melhor ser escravo no Egito e ter o que comer do que ser livre e passar fome. A comunidade formava uma multidão interesseira. O povo rapidamente esqueceu que havia chorado sob os açoites dos feitores egípcios e que clamou a Deus, pedindo que o libertasse. Após a libertação, os israelitas lembravam-se do cheiro e do gosto dos temperos nos cozidos de carne, mas haviam esquecido as chicotadas dos feitores e o trabalho forçado. A que preço, anteriormente, comeram aquele alimento sem ter direito à vida e à dignidade, correndo risco de morte a cada instante.

Nas reclamações dos israelitas há uma acusação contra o Senhor: “Por que nos trouxe o Senhor a este deserto? Para matar de fome toda esta gente?” (v. 3). Conforme essas palavras, não há diferença entre Deus e o faraó, pois ambos armam ciladas para destruir o povo. No entanto, na literatura judaica, o faraó e o Egito simbolizam a ausência de respeito à vida e à dignidade humana, significam opressão e escravidão. Ambos são a negação da vida e do reino de Deus.

O faraó é o contrário de Deus e de seu projeto salvífico. O povo necessita mudar de mentalidade e de atitude. O Senhor não intenta matar Israel no deserto. Na dureza da vida no deserto, o povo é cuidado por Deus como os pais cuidam de seus bebês. Os israelitas foram levados ao deserto para fazer a experiência de serem amados e cuidados por Deus, já que no Egito tinham experimentado apenas o rigor da servidão. Os israelitas conheciam apenas o faraó como senhor, agora necessitavam saber quem era Deus. Eles foram alimentados e cuidados no deserto para que tivessem uma experiência diferente: “Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus” (v. 12).

AMBIENTE

A secção de Ex 15,22-18,27 desenvolve um dos grandes temas do Pentateuco: a marcha pelo deserto. Aqui estamos, ainda, na primeira etapa dessa marcha – a que vai desde a passagem do mar, até ao Sinai.

Três dos episódios apresentados nesta secção tratam o tema da murmuração do Povo (cf. Ex 15,22-27; 16,1-21; 17,1-7). O esquema é simples e é sempre o mesmo: o Povo desconfia e murmura diante das dificuldades, subleva-se contra Moisés e chega a acusar Deus pelos desconfortos da caminhada; quando estão prestes a sofrer o castigo pela sua revolta, Moisés intercede diante do Jahwéh e o Senhor perdoa o pecado do Povo; finalmente, apesar do pecado, Jahwéh concede ao Povo os bens de que este sente necessidade. Os relatos apresentam-se sempre de uma forma dramática, com um crescendo de intensidade até ao desfecho final, que se apresenta sempre na forma de uma intervenção prodigiosa de Deus, em benefício do seu Povo. 

Provavelmente, estes relatos têm por base elementos de carácter histórico (dificuldades reais sentidas pelos hebreus que saíram do Egipto com Moisés, no seu caminho para a Terra Prometida, através do deserto do Sinai) e que ficaram na memória colectiva; no entanto, os catequistas bíblicos estão mais interessados em fazer catequese, do que em apresentar uma reportagem jornalística da viagem (o episódio mistura uma catequese “jahwista”, do séc. X a.C. com uma catequese “sacerdotal”, do séc. VI a.C). A catequese apresentada pretende sempre avisar o Povo contra a tentação de procurar refúgio e segurança fora de Jahwéh…

Aqui, Israel fala em regressar ao Egipto, onde eram escravos, mas tinham pão e carne em abundância: o Egipto representa a tentação que o Povo sentiu, em tantas situações da sua história, de voltar atrás, de abandonar os valores e a vida de Deus, de se instalar comodamente em esquemas à margem de Deus. O catequista jahwista garante ao seu Povo que Deus o acompanha sempre ao longo da sua caminhada e que só ele oferece a Israel vida em abundância.

O episódio que hoje nos é proposto – o episódio das codornizes e do maná – é situado no deserto de Sin, “que está entre Elim e o Sinai, no décimo quinto dia do segundo mês após a saída da terra do Egipto” (Ex 16,1). O deserto de Sin estende-se de Kadesh-Barnea para ocidente.

A história das codornizes tem por base um fenómeno que se observa, por vezes, na Península do Sinai: a migração em massa de codornizes que, depois de atravessar o mar, chegam ao Sinai muito cansadas da viagem, pousam junto das tendas dos beduínos e deixam-se apanhar com facilidade. A história do maná deve ter por base uma pequena árvore (“tamarix mannifera”) existente em certas zonas do Sinai que, após ser picada por um insecto, segrega uma substância resinosa e espessa que logo se coagula; os beduínos recolhem, ainda hoje, essa substância (que chamam “man”), derretem-na ao calor do sol e passam-na sobre o pão. 

Vai ser com estes elementos – elementos que o Povo conheceu e que o impressionaram, ao longo da marcha pelo deserto – que os catequistas bíblicos vão “amassar” a catequese que nos transmitem no texto que nos é proposto.

MENSAGEM

1. O episódio começa com a murmuração do Povo “contra Moisés e contra Aarão” (vers. 2). Por estranho que pareça, Israel sente saudades do tempo em que passou no Egipto pois, apesar da escravidão, estava sentado “ao pé de panelas de carne” e comia “pão com fartura” (vers. 3). Ao longo da caminhada, vêm ao de cima as limitações e as deficiências de um grupo humano ainda com mentalidade de escravo, demasiado “verde” e sem maturidade, agarrado à mesquinhez, ao egoísmo, ao comodismo, que prefere a escravidão à liberdade. Por outro lado, é um Povo que ainda não aprendeu a confiar no seu Deus, a segui-lo de olhos fechados, a responder sem hesitações às suas propostas, a segui-l’O incondicionalmente no caminho da fé.

2. A resposta de Deus é “fazer chover pão do céu” (vers. 4) e dar ao Povo carne em abundância (vers. 12). O objectivo de Deus é, não só satisfazer as necessidades materiais do Povo, mas também revelar-Se como o Deus da bondade e do amor, que cuida do seu Povo, que está sempre ao seu lado ao longo da caminhada, que milagrosamente entrega de bandeja a Israel a possibilidade de satisfazer as suas necessidades mais básicas e de vencer as forças da morte que se ocultam nas areias do deserto. Dessa forma, o Povo pode fazer uma experiência de encontro e de comunhão com Deus, que se traduzirá em confiança, em amor, em entrega. O cuidado, a solicitude e o amor de Deus experimentados nesta “crise”, não só ajudarão o Povo a sobreviver, mas irão permitir-lhe, também, superar mentalidades estreitas e egoístas, fazendo-o ver mais além, alargar os horizontes, tornar-se mais adulto, mais consciente, mais responsável e mais santo. Israel aprende, assim, a confiar em Deus, a entregar-se nas suas mãos, a não duvidar do seu amor e fidelidade… Israel aprende, neste percurso, que Jahwéh é a rocha segura em quem se pode confiar nas crises e dramas da vida.

3. O facto de se dizer que Deus apenas dava ao Povo a quantidade de maná necessária “para cada dia” (vers. vers. 4) é uma bonita lição sobre desprendimento e confiança em Deus. Ensina o Povo a não acumular bens, a não viver para o “ter”, a libertar o coração da ganância e do desejo de possuir sempre mais, a não viver angustiado com o futuro e com o dia de amanhã; ensina, também, a confiar em Deus, a entregar-se serenamente nas suas mãos, a vê-l’O como verdadeira fonte de vida.

ACTUALIZAÇÃO

• Mais uma vez, a Palavra de Deus que nos é proposta dá-nos conta da preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A acção de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores. Para Deus, “alimentar” o Povo é ajudá-lo a descobrir os caminhos que conduzem à felicidade e à vida verdadeira. O Deus em quem nós acreditamos é o mesmo Deus que, no deserto, ofereceu a Israel a possibilidade de libertar-se de uma mentalidade de escravo e de descobrir o caminho para a vida nova da liberdade e da felicidade… Ele vai connosco ao longo da nossa caminhada pelo deserto da vida, vê as nossas necessidades, conhece os nossos limites, percebe a nossa tendência para o egoísmo e o comodismo e, em cada dia, aponta-nos caminhos novos, convida-nos a ir mais além, mostra-nos como podemos chegar à terra da liberdade e da vida verdadeira. Este texto fala-nos da solicitude e do amor com que Deus acompanha a nossa caminhada de todos os dias; convida-nos, também, a escutar esse Deus, a aceitar as propostas de vida que Ele faz e a confiar incondicionalmente n’Ele.

• As “saudades” que os israelitas sentem do Egipto, onde estavam “sentados junto de panelas de carne” e tinham “pão com fartura”, revelam a realidade de um Povo acomodado à escravidão, instalado tranquilamente numa vida sem perspectivas e sem saída, incapaz de arriscar, de enfrentar a novidade, de querer mais, de aceitar a liberdade que se constrói na luta e no risco. Esta mentalidade de escravidão continua, bem viva, no nosso mundo… É a mentalidade daqueles que vivem obcecados pelo “ter” e que são capazes de renunciar à sua dignidade para acumular bens materiais; é a mentalidade daqueles que trocam valores importantes pelos “cinco minutos de fama” e de exposição mediática; é a mentalidade daqueles que têm como único objectivo na vida a satisfação das suas necessidades mais básicas; é a mentalidade daqueles que se instalam comodamente nos seus esquemas cómodos, nos seus preconceitos e se recusam a ir mais além, a deixarem-se interpelar pela novidade e pelos desafios de Deus; é a mentalidade daqueles que vivem voltados para o passado, que idealizam o passado, recusando-se a enfrentar os desafios da história e a descobrir o que há de positivo e de desafiante nos novos tempos; é a mentalidade daqueles que se resignam à mediocridade e que não fazem nenhum esforço para que a sua vida faça sentido… A Palavra de Deus que nos é proposta diz-nos: o nosso Deus não Se conforma com a resignação, o comodismo, a instalação, a mediocridade que fazem de nós escravos e que nos impedem de chegar à vida verdadeira, plenamente vivida e assumida; Ele vem ao nosso encontro, desafia-nos a ir mais além, aponta-nos caminhos, convida-nos a crescer e a dar passos firmes e seguros em direcção à liberdade e à vida nova… E, durante o caminho, nunca estaremos sozinhos, pois Ele vai ao nosso lado.

• A ideia de que Deus dá ao seu Povo, dia a dia, o pão necessário para a subsistência (proibindo “juntar” mais do que o necessário para cada dia) pretende ajudar o Povo a libertar-se da tentação do “ter”, da ganância, da ambição desmedida. É um convite, também a nós, a não nos deixarmos dominar pelo desejo descontrolado de posse dos bens, a libertarmos o nosso coração da ganância que nos torna escravos das coisas materiais, a não vivermos obcecados e angustiados com o futuro, a não colocarmos na conta bancária a nossa segurança e a nossa esperança. Só Deus é a nossa segurança, só n’Ele devemos confiar, pois só Ele (e não os bens materiais) nos liberta e nos leva ao encontro da vida definitiva.

Subsídios:
1ª Leitura:
 (Ex 16,2-4.12-15) Deus sacia o povo com o maná, no deserto – O caminho de Israel pelo deserto é ambíguo. O povo é duro de cerviz e de coração, murmura contra o Senhor. No entanto, Deus é generoso e atende à reclamação do povo com “o pão que desce do céu”, como diz poeticamente o Sl 78[77] (salmo responsorial). Na realidade, o maná é um produto natural (resina de tamareira), mas, no contexto do Êxodo, era um sinal da incansável providência de Deus. * 16,2-4 cf. Ex 5,20-21; 14,11-12; 15,24; 17,2-3; Nm 11,4-9; Dt 8,3.16 * 16,15 cf. Sl 147,15-17[146,4-6]; Eclo 43,21[19].



Salmo Responsorial

Monição: A história é uma sucessão de gerações que transmitem uma à outra a memória activa da presença de Deus e as acções maravilhosas que Ele realiza em favor dos homens. É isto que o salmo nos quer comunicar.

SALMO RESPONSORIAL – 77(78)

O Senhor deu a comer o pão do céu.

Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,
e transmitiram para nós os nossos pais,
não haveremos de ocultar a nossos filhos,
mas à nova geração nós contaremos:
as grandezas do Senhor e seu poder.

Ordenou, então, às nuvens lá dos céus,
e as comportas das alturas fez abrir;
fez chover-lhes o maná e alimentou-os,
e lhes deu para comer o pão do céu.

O homem se nutriu do pão dos anjos,
e mandou-lhes alimento em abundância.
Conduziu-os para a terra prometida,
para o monte que seu braço conquistou.

Segunda Leitura

Monição: Muitas vezes somos tentados a renunciar às promessas baptismais para recuperar velhos hábitos. Poderemos aceitar esta retoma depois de termos orientado a nossa vida para Cristo?

Efésios 4,17.20-24

Leitura da carta de são Paulo aos Efésios. 4 17 Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas ideias frívolas. 20 Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, 21 se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém à verdade em Jesus. 22 Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. 23 Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, 24 e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Este trecho é tirado da segunda parte da epístola, em que o Apóstolo se detém a considerar e expor as consequências práticas para a vida do cristão, que derivam da sua inserção em Cristo e incorporação no seu Corpo, que é a Igreja, como «membros da família de Deus» (2, 19). Temos aqui um forte apelo a não voltar a «proceder como os pagãos» (v. 17); o cristão tem de «abandonar a vida de outrora» – a vida anterior à conversão (v. 22) –; e isto não apenas por razões de uma simples ética natural, mas por uma profunda exigência do novo ser, da nova criatura que é (2, 10; cf. Gal 6, 15), «o homem novo, criado à imagem de Deus» (v. 24).

Aquele que desceu do céu

O apóstolo faz que os efésios se recordem do que eram antes de se converterem, ou seja, da maneira como viviam e de como os gentios ao redor deles ainda procedem. Na Bíblia, a vida é frequentemente comparada a uma jornada, e por isso o apóstolo diz que os cristãos não devem caminhar como antigamente o faziam e como ainda fazem os seus conterrâneos.

Os gentios se comportam com “vaidade” de mente, afirma o texto. A palavra “vaidade” nas Escrituras significa “vacuidade” e denota um mal no âmbito da moral. Na Bíblia, comumente esse termo é aplicado aos que adoram ídolos vãos, em contraposição a quem conhece o Deus vivo e verdadeiro. Para religiões tão diferentes, os comportamentos humanos igualmente devem ser muito diferentes; os efésios precisam saber disso e mudar de atitude.

O homem vão é aquele que caminha de acordo com os próprios interesses, mas coisa muito diferente foi ensinada aos cristãos. Cristo ensinou que a religião exige abandono total no curso da vida.

Com ironia sutil o texto diz: “se é que ouvistes falar de Cristo e nele fostes instruídos” (v. 21). Quem escuta atentamente as instruções de Cristo sabe qual é o verdadeiro propósito da “religião” (relacionamento com Deus). A respeito da conduta anterior ou dos hábitos de vida, os cristãos devem deixar de lado tudo o que pertence a uma natureza egoísta.

O Filho de Deus, que desceu do céu para conviver conosco, instrui-nos sobre o que agrada a Deus; ele nos deu essa instrução com a sua própria vida. Jesus nos mostrou como vive um verdadeiro filho de Deus. E isso não é algo que esteja além dos limites humanos. Mostrou que é possível ao ser humano tirar do foco os próprios interesses e identificar a própria vontade com a vontade de Deus.

AMBIENTE

Continuamos a ler a Carta aos Efésios, essa “carta circular” que Paulo escreve enquanto está na prisão (em Roma, durante os anos 61-63?) e que envia a várias comunidades cristãs da parte ocidental da Ásia Menor. É uma carta (já o dissemos atrás) onde Paulo apresenta, de forma extremamente serena e reflectida, uma teologia amadurecida, completa, bem elaborada, sobre as exigências da vida nova em Cristo.

A secção da Carta aos Efésios que vai de 4,1 a 6,20 (já o dissemos também no passado domingo) é um texto parenético, que tem por objectivo principal exortar os cristãos a viverem de forma coerente com o seu Baptismo e com o seu compromisso com Cristo. Depois de convidar os crentes a viverem na unidade do amor (cf. Ef 4,1-6) e de lhes apresentar uma reflexão sobre a comunidade, Corpo de Cristo formado por muitos membros (cf. Ef 4,7-13), Paulo exorta os cristãos a viverem de acordo com a sua condição de Homens Novos em Cristo (cf. 4,14-5,14). O texto que nos é hoje proposto como segunda leitura é parte dessa exortação.

MENSAGEM

O nosso texto é, fundamentalmente, um convite – feito com a veemência que Paulo usava sempre nas suas exortações – a deixar a vida antiga e os esquemas do passado, para abraçar definitivamente a vida nova que Cristo veio propor.

Paulo usa duas expressões opostas para definir a realidade do homem antes do encontro com Cristo e depois do encontro com Cristo. O homem que ainda não aderiu a Cristo é, para Paulo, o homem velho, cuja vida é marcada pela mediocridade, pela futilidade (vers. 17), pela corrupção, pela escravidão aos “desejos enganadores” (vers. 22). O homem que já encontrou Cristo e que aderiu à sua proposta é o homem novo, que vive na verdade (vers. 21), na justiça e na santidade verdadeiras (vers. 24).

O Baptismo – o momento da adesão a Cristo – é o momento decisivo da transformação do homem velho em homem novo. O próprio rito do Baptismo (o imergir na água significa o morrer para a vida antiga de pecado; o emergir da água significa o nascimento de um outro homem, purificado do egoísmo, do orgulho, da auto-suficiência, do pecado) sugere a transformação e a ressurreição do homem para uma vida nova – a vida em Cristo. A partir daí, o homem devia adoptar uma nova maneira de pensar e de agir, consequência do seu compromisso com Cristo e com a proposta de vida que Cristo veio apresentar.

Contudo, mesmo depois de ter optado por Cristo, o homem continua marcado pela sua condição de debilidade e de fragilidade… Essa condição faz com que, por vezes, sinta a tentação de regressar ao homem velho do egoísmo, do orgulho, do pecado… O crente, animado pelo Espírito é, portanto, chamado a renovar cada dia a sua adesão a Cristo e a construir a sua existência de forma coerente com os compromissos que assumiu no dia do seu Baptismo. O homem novo não é uma realidade adquirida de uma vez por todas, no dia em que se optou por Cristo; mas é uma realidade continuamente a fazer-se, que exige um trabalho contínuo e uma constante renovação.

ACTUALIZAÇÃO

• O cristão é, antes de mais, alguém que encontrou Cristo, que escutou o seu chamamento, que aderiu à sua proposta. A consequência dessa adesão é passar a viver de uma forma diferente, de acordo com valores diferentes, e com uma outra mentalidade. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo. Antes de mais devemos tomar consciência de que também nós encontrámos Cristo, fomos chamados por Ele, aderimos à sua proposta e assumimos com Ele um compromisso. O momento do nosso Baptismo não foi um momento de folclore religioso ou uma ocasião para cumprir um rito cultural qualquer; mas foi um verdadeiro momento de encontro com Cristo, de compromisso com Ele e o início de uma caminhada que Deus nos chama a percorrer, com coerência, pela vida fora, até chegarmos ao homem novo.

• Paulo convida insistentemente os crentes a deixar a vida do homem velho… O homem velho é o homem dominado pelo egoísmo, pelo orgulho, que vive de coração fechado a Deus e aos irmãos, que vive instalado em esquemas de opressão e de injustiça, que gasta a vida a correr atrás dos deuses errados (o dinheiro, o poder, o êxito, a moda…), que se deixa dominar pela cobiça, pela corrupção, pela concupiscência, pela ira, pela maldade e se recusa a escutar a proposta libertadora que Deus lhe apresenta. Provavelmente, não nos revemos na totalidade deste quadro; mas não teremos momentos em que construímos a nossa vida à margem das propostas de Deus e em que negligenciamos os valores de Deus para abraçar outros valores que nos escravizam?

• Paulo apela a que os crentes vivam a vida do homem novo. O homem novo é o homem continuamente atento às propostas de Deus, que aceita integrar a família de Deus, que não se conforma com a maldade, a injustiça, a exploração, a opressão, que procura viver na verdade, no amor, na justiça, na partilha, no serviço, que pratica obras de bondade, de misericórdia, de humildade, que dia a dia dá testemunho, com alegria e simplicidade, dos valores de Deus. É este o meu “projecto” de vida? Os meus gestos e atitudes de cada dia manifestam a realidade de um homem novo, que vive em comunhão com Deus e no amor aos irmãos?

• Todos nós, no dia do nosso Baptismo, optámos pelo homem novo… É preciso, no entanto, termos consciência que a construção do homem novo nunca é um processo acabado… A monotonia, o cansaço, os problemas da vida, as influências do mundo, a nossa preguiça e o nosso comodismo levam-nos, muitas vezes, a instalarmo-nos na mediocridade, nas “meias tintas”, na não exigência, na acomodação; então, o homem velho espreita-nos a cada esquina e toma conta de nós… Precisamos de ter consciência de que em cada minuto que passa tudo começa outra vez; precisamos de renovar continuamente as nossas opções e o nosso compromisso, numa atenção constante ao chamamento de Deus. O cristão não cruza os braços considerando que já atingiu um nível satisfatório de perfeição; mas está sempre numa atitude de vigilância e de conversão, para poder responder adequadamente, em cada instante, aos desafios sempre novos de Deus.

Subsídios:
2ª leitura: (Ef 4,17.20-24) Revestir-se com Jesus Cristo, o homem novo – Cristo é o homem novo; nele se plenifica a palavra de Gn 1,27: o homem é criado à imagem de Deus (Ef 4,24). Devemos despir-nos do homem velho, inautêntico, e revestir-nos com o novo, que vive para sempre a verdade e a santidade. * 4,17 cf. Rm 1,21 * 4,22-24 cf. Cl 2,6-7; 3,9-10; Gl 6,8; Ef 2,15; Fl 3,27; Rm 13,14.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.
O homem não vive somente de pão, mas vive de toda palavra que sai da boca de Deus e não só de pão, amém, aleluia, aleluia! (Mt 4,4)

Evangelho

Monição: A Palavra da Escritura é pão que faz resistir às tentações e tem a capacidade de transformar todas as estruturas segundo a vontade de Deus.

João 6,24-35

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João. — Glória a vós, Senhor! 6 24 E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, Jesus entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura. 25 Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: “Mestre, quando chegaste aqui?” 26 Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. 27 Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal”. 28 Perguntaram-lhe: “Que faremos para praticar as obras de Deus?” 29 Respondeu-lhes Jesus: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou”. 30 Perguntaram eles: “Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: ‘Deu-lhes de comer o pão vindo do céu’”. 32 Jesus respondeu-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu; 33 porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34 Disseram-lhe: “Senhor, dá-nos sempre deste pão!” 35 Jesus replicou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Continuamos hoje com o capítulo 6 de São João. O milagre da multiplicação dos pães (vv. 1-15), vai dar origem ao discurso da sinagoga de Cafarnaum, o discurso do pão da vida (vv. 35-58). Este é introduzido, à boa maneira joanina, por um diálogo (vv. 25-34) que culmina num mal-entendido; os ouvintes ao pedirem a Jesus o pão do Céu (v. 34), continuam a pensar numa fácil solução económica (v. 26). O mal-entendido deixa ver o confronto entre duas posições extremas e irredutíveis: a do egoísmo interesseiro, centrado na obtenção de vantagens terrenas, e a da fé, empenhada em alcançar a vida eterna. O discurso de Jesus aborda dois temas bem diferenciados, o tema do pão da vida (vv. 35-50) – Jesus em quem é preciso crer –, e o tema do pão vivo (vv. 51-58) – Jesus-Eucaristia que é preciso receber –, temas que serão objecto das leituras dos próximos domingos.

27. «A marca», com que o Pai assinalou a Jesus como seu Filho enviado ao mundo, são os milagres, precisamente designados em S. João como «sinais»; mas há quem pense que se alude antes à consagração e missão de Jesus (cf. Jo 10, 36; 17, 18-19); por outro lado, segundo alguns exegetas apoiados na tradição patrística, haveria aqui uma alusão à descida do Espírito Santo sobre Jesus, por ocasião do seu Baptismo no Jordão, e à voz vinda do Céu, como a proclamação solene e autêntica da sua condição de Messias.

31-32. O judaísmo da época, apoiando-se na promessa de Ex 16, 4, esperava que, com a vinda do Messias, se renovariam os prodígios do Êxodo (nesta linha está a tentação de Jesus de Mt 4, 3-4). O texto citado parece ser o do Salm 78, 24 (cf. Ex 16, 14-15; Sab 16, 20). Repare-se na força da argumentação, à maneira rabínica: «não foi Moisés quem vos deu… meu Pai é quem vos …»; aqui o sentido mais profundo das Escrituras obtém-se por um método de actualização (chamado al tiqrey=não leias), que consiste em ler as consoantes do verbo hebraico (ntn) não com as vogais do perfeito (natan=deu), mas com as do presente(noten=dá), de modo a pôr em evidência que o verdadeiro pão do Céu não é algo do passado, «o maná», mas o próprio Jesus («pão da vida», isto é, pão que dá a vida), o qual procede do Pai. Ao longo do A. T., o maná também foi tema de reflexão e de actualização (cf. Dt 8, 3; Ne 9, 20-21; Salm 78, 24-25; 105, 40; Sab 16, 20-21).

Eu sou o pão da vida

A multidão está à procura de Jesus, movida não pelo que o sinal do pão aponta, mas pelo interesse pessoal de saciar a fome. Por isso, Jesus reprova a multidão, que não o busca por ele mesmo. Ele chama a atenção para que a multidão se empenhe mais pelo alimento que permanece, e não apenas pelo alimento perecível. Esse empenho deve ocupar a vida do cristão em sua totalidade. O verdadeiro alimento é Jesus, que dá a vida eterna àqueles que o buscam. Vida eterna significa uma existência reconciliada com Deus. Por isso, essa vida inicia-se já aqui na história.

Movida pelo interesse pessoal, a multidão pede a Jesus que realize a obra de Deus, mas não sabe a profundidade do pedido que faz. A obra que Deus quer realizar é que o ser humano busque a Jesus (v. 29), o caminho para Deus. E buscar a Deus significa abandonar-se incondicionalmente ao seu amor e à sua vontade. Por isso a multidão não compreende o alcance de seu pedido, já que se nega a fazer a vontade de Deus, que é crer naquele que ele enviou.

O pedido do sinal também revela a incapacidade de enxergar, porque viram o sinal, mas, como não têm fé, não viram a ação de Deus. E os sinais que a multidão pede devem superar os milagres realizados no antigo Israel, milagres que legitimam suas pretensões messiânicas. Para isso recordam o prodígio do êxodo, quando Moisés alimentou o povo no deserto com o maná. A isso Jesus responde, mostrando que o verdadeiro pão do céu quem dá é o Pai. E o pão do céu é o próprio Jesus, que veio dar a vida eterna. Esse sinal revela o messianismo de Jesus, a multidão não precisa então de outro sinal.

Contudo, a multidão continua sem compreender o sinal, porque pede a Jesus que lhe dê sempre desse pão. Não entendem o verdadeiro alcance de suas palavras. A resposta de Jesus é semelhante à que foi dada à samaritana (Jo 6,35): quem vai a Jesus nunca mais terá fome nem sede.

No deserto, o povo foi alimentado com o maná e teve a sede saciada com a água que saiu da rocha. Mas o povo morreu; isso mostra que aquelas realidades antigas eram apenas uma prefiguração de Jesus, o enviado de Deus, que oferece o verdadeiro alimento e sacia totalmente a sede que a criatura tem de seu Criador.

AMBIENTE

No passado domingo, João contou-nos como Jesus alimentou a multidão com cinco pães e dois peixes, na “outra” margem do Lago de Tiberíades (cf. Jo 6,1-15). Ao “cair da tarde” desse dia, Jesus e os discípulos voltaram a Cafarnaum (cf. Jo 6,16-21).

O episódio que o Evangelho de hoje nos apresenta situa-nos em Cafarnaum, no “dia seguinte” ao episódio da multiplicação dos pães e dos peixes. Nessa manhã, a multidão que tinha sido alimentada pelos pães e pelos peixes multiplicados e que ainda estava do “outro lado” do lago apercebeu-se de que Jesus tinha regressado a Cafarnaum e dirigiu-se ao seu encontro.

A multidão encontra Jesus na sinagoga de Cafarnaum – uma cidade situada na margem ocidental do Lago e à volta da qual se desenrola uma parte significativa da actividade de Jesus na Galileia. Confrontado com a multidão, Jesus profere um discurso (cf. Jo 6,22-59) que explica o sentido do gesto precedente (a multiplicação dos pães e dos peixes).

MENSAGEM

A cena inicial (vers. 24) parece sugerir, à primeira vista, que a pregação de Jesus alcançou um êxito total: a multidão está entusiasmada, procura Jesus com afã e segue-O para todo o lado. Aparentemente, a missão de Jesus não podia correr melhor.

Contudo, Jesus percebe facilmente que a multidão está equivocada e que O procura pelas razões erradas. Na verdade, a multiplicação dos pães e dos peixes pretendeu ser, por parte de Jesus, uma lição sobre amor, partilha e serviço; mas a multidão não foi sensível ao significado profundo do gesto, ficou-se pelas aparências e só percebeu que Jesus podia oferecer-lhe, de forma gratuita, pão em abundância. Assim, o facto de a multidão procurar Jesus e Se dirigir ao seu encontro não significa que tenha aderido à sua proposta; significa, apenas, que viu em Jesus um modo fácil e barato de resolver os seus problemas materiais.

Na verdade, o gesto de repartir pela multidão os pães e os peixes gerou um perigoso equívoco. Jesus está consciente de que é preciso desfazer, quanto antes, esse mal-entendido. Por isso, nem sequer responde à pergunta inicial que Lhe põem (“Mestre, quando chegaste aqui?” – vers. 25); mas, mal se encontra diante da multidão, procura esclarecer coisas bem mais importantes do que a hora da sua chegada a Cafarnaum… As palavras que Jesus dirige àqueles que O rodeiam põem o problema da seguinte forma: eles não procuram Jesus, mas procuram a resolução dos seus problemas materiais (vers. 26). Trata-se de uma procura interesseira e egoísta, que é absolutamente contrária à mensagem que Jesus procurou passar-lhes. Depois de identificar o problema, Jesus deixa-lhes um aviso: é preciso esforçar-se por conseguir, não só o alimento que mata a fome física, mas sobretudo o alimento que sacia a fome de vida que todo o homem tem. A multidão, ao preocupar-se apenas com a procura do alimento material, está a esquecer o essencial – o alimento que dá vida definitiva. Esse alimento que dá a vida eterna é o próprio Jesus que o traz (vers. 27).

O que é preciso fazer para receber esse pão? – pergunta-se a multidão (vers. 28). A resposta de Jesus é clara: é preciso aderir a Jesus e ao seu projecto (vers. 28). Na cena da multiplicação dos pães, a multidão não aderiu ao projecto de Jesus (que falava de amor, de partilha, de serviço); apenas correu atrás do profeta milagreiro que distribuía pão e peixes gratuitamente e em abundância… Mas, para receber o alimento que dá vida eterna e definitiva, é preciso, que a multidão acolha as propostas de Jesus e aceite viver no amor que se faz dom, na partilha daquilo que se tem com os irmãos, no serviço simples e humilde aos outros homens. É acolhendo e interiorizando esse “pão” que se adquire a vida que não acaba.

Os interlocutores de Jesus não estão, no entanto, convencidos de que esse “pão” garanta a vida definitiva. Custa-lhes a aceitar que a vida eterna resulte do amor, do serviço, da partilha. O que é que garante, perguntam eles, que esse seja um caminho verdadeiro para a vida definitiva (vers. 30)? Qual a prova de que a realização plena do homem passe pelo dom da própria vida aos demais? Porque é que Jesus não realiza um gesto espectacular – como Moisés, que fez chover do céu o maná, não apenas para cinco mil pessoas, mas para todo o Povo e de forma continuada – para provar que a proposta que Ele faz é verdadeiramente uma proposta geradora de vida (vers. 31)?

Jesus responde pondo a questão da seguinte forma: o maná foi um dom de Deus para saciar a fome material do seu Povo; mas o maná não é esse “pão” que sacia a fome de vida eterna do homem. Só Deus dá aos homens, de forma contínua, a vida eterna; e esse dom do Pai não veio ao encontro dos homens através de Moisés, mas através de Jesus (vers. 32-33). Portanto, o importante não é testemunhar gestos espectaculares, que deslumbram e impressionam mas não mudam nada; mas é acolher a proposta que Jesus faz e vivê-la nos gestos simples de todos os dias.

A última frase do nosso texto identifica o próprio Jesus, já não com o “portador” do pão, mas como o próprio pão que Deus quer oferecer ao seu Povo para lhe saciar a fome e a sede de vida (vers. 35). “Comê-lo” será escutar a sua Palavra, acolher a sua proposta, assimilar os seus valores, interiorizar o seu jeito de viver, fazer da vida (como Jesus fez) um dom total de amor aos irmãos. Seguindo Jesus, acolhendo a sua proposta no coração e deixando que ela se transforme em gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, o homem encontrará essa “qualidade” de vida que o leva à sua realização plena, à vida eterna.

ACTUALIZAÇÃO

• O caminho que percorremos nesta terra é sempre um caminho marcado pela procura da nossa realização, da nossa felicidade, da vida plena e verdadeira. Temos fome de vida, de amor, de felicidade, de justiça, de paz, de esperança, de transcendência e procuramos, de mil formas, saciar essa fome; mas continuamos sempre insatisfeitos, tropeçando na nossa finitude, em respostas parciais, em tentativas falhadas de realização, em esquemas equívocos, em falsas miragens de felicidade e de realização, em valores efémeros, em propostas que parecem sedutoras mas que só geram escravidão e dependência… Na verdade, o dinheiro, o poder, a realização profissional, o êxito, o reconhecimento social, os prazeres, os amigos são valores efémeros que não chegam para “encher” totalmente a nossa vida e para lhe dar um sentido pleno. Como podemos “encher” a nossa vida e dar-lhe pleno significado? Onde encontrar o “pão” que mata a nossa fome de vida?

• Jesus de Nazaré é o “pão de Deus que desce do céu para dar a vida ao mundo”. É esta a questão central que o Evangelho deste domingo nos propõe. É em Jesus e através de Jesus que Deus sacia a fome e a sede dos homens e lhes oferece a vida em plenitude. Isto leva-nos às seguintes questões: que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? Ele é, verdadeiramente, a coordenada fundamental à volta da qual construímos a nossa existência? Para nós, Jesus é uma figura do passado (embora tenha sido um homem excepcional) que a história absorveu e digeriu, ou é o Deus que continua vivo e a caminhar ao nosso lado, oferecendo-nos vida em plenitude? Ele é “mais uma” das nossas referências (ao lado de tantas outras) ou a nossa referência fundamental? Ele é alguém a quem adoramos, com respeito e à distância, ou o irmão que nos indica o caminho, que nos propõe valores, que condiciona a nossa atitude face a Deus, face aos irmãos e face ao mundo?

• O que é preciso fazer para ter acesso a esse “pão de Deus que desce do céu para dar a vida ao mundo”? De acordo com o Evangelho deste domingo, a resposta é clara: é preciso aderir (“acreditar”) a Jesus, o “pão” que o Pai enviou ao mundo para saciar a fome dos homens. Aderir a Jesus é escutar o seu chamamento, acolher a sua Palavra, assumir e interiorizar os seus valores, segui-l’O no caminho do amor, da partilha, do serviço, da entrega da vida a Deus e aos irmãos. Trata-se de uma adesão que deve ser consequente e traduzir-se em obras concretas. Não chegam declarações de boas intenções, ou actos institucionais que nos fazem constar dos livros de registo da nossa paróquia; aderir a Jesus é assumir o seu estilo de vida e fazer da própria vida um dom de amor, até à morte.

• No Evangelho deste domingo, Jesus mostra-Se profundamente incomodado quando constata que a multidão o procura pelas razões erradas e, sem preâmbulos, apressa-Se em desfazer os equívocos. Ele não quer, de forma nenhuma, que as pessoas O sigam por engano, ou iludidas. Há, aqui, um convite implícito a repensarmos as razões porque nos envolvemos com Cristo… É um equívoco procurar o Baptismo porque é uma tradição da nossa cultura; é um equívoco celebrar o matrimónio na Igreja porque, assim, a cerimónia é mais espectacular e proporciona fotografias mais bonitas; é um equívoco assumir tarefas na comunidade cristã para nos auto-promovermos ou para resolvermos os nossos problemas materiais; é um equívoco receber o sacramento da Ordem porque o sacerdócio nos proporciona uma vida cómoda e tranquila; é um equívoco praticarmos certos actos de piedade para que Jesus nos recompense, nos livre de desgraças, nos pague resolvendo algumas das nossas necessidades materiais… A nossa adesão a Jesus deve partir de uma profunda convicção de que só Ele é o “pão” que nos dá vida.

• A recusa de Jesus em realizar gestos espectaculares (como fazer o maná cair do céu), mostra que, normalmente, Deus não vem ao encontro do homem para lhe oferecer a sua vida em gestos portentosos, que deixam toda a gente espantada e que testemunham, de forma inequívoca, a sua presença no mundo; mas Deus actua na vida do homem de forma discreta, embora duradoura e permanente. Deus vem, todos os dias, ao encontro do homem e, sem forçar nem se impor, convida-o a escutar a Palavra de Jesus, propõe-lhe a adesão a Jesus e ao seu projecto, ensina-lhe os caminhos do amor, da partilha, do serviço. Convém que nos familiarizemos com os métodos de Deus, para o conseguirmos perceber e encontrar, no caminho da nossa vida.

Subsídios:
Evangelho: (Jo 6,23-35) “Eu sou o pão da vida” – A pedagogia de Jesus, em Jo, é partir de uma realidade terrestre ambígua, para revelar-se a si mesmo como o dom de Deus, assinalado por esta realidade para quem quiser acreditar. A multidão viu no milagre do pão só fartura material, em vez de um “sinal” (6,26). Jesus chama a atenção para o alimento espiritual, que não perece (cf. a água que apaga a sede para sempre, Jo 4,14). O acesso a esse alimento é a fé no Enviado de Deus (6,29). – Os judeus pedem um sinal, como o de Moisés, que fez descer pão do céu. Resposta de Jesus: Moisés não deu o pão do céu. O pão do céu é o que desce do Pai e dá vida ao mundo. Os judeus, ainda pensando em termos materiais, pedem este pão que dispensa de trabalhar (6,34). Então, Jesus revela-se como o dom que vem de Deus para dar vida ao mundo. O cristão o reconhece como tal, pela fé. * 6,27 cf. Ex 15,20-21; Is 55,2-3; Mt 8,10; Jo 1,32-34 * 6,30-31 cf. Mt 12,38-39; 16,1-4; Sl 78[77],23-34; Sb 16,20-22; 1Cor 10,3-4 * 6,35 cf. Pr 9,5-6; Eclo 24,26-30[19-22]; Jo 4,10.14.

***   ***   ***

A liturgia do hoje é estruturada pela oposição tipológica entre o maná, o “pão do céu” do Antigo Testamento (tipo), e Jesus, o verdadeiro “pão do céu” do Novo Testamento (antítipo), explicitação daquilo que significa o “sinal do pão” (cf. domingo passado). Como o maná do Antigo Testamento, também o pão multiplicado era apenas material, e quem o procura por seu valor material está perdendo o mais importante: neste ponto começa o evangelho de hoje.

Depois da multiplicação dos pães, vendo que o povo o entendera mal (6,14-15) Jesus se tinha retirado para a montanha, sozinho, enquanto os discípulos atravessaram o lago. O povo tinha observado isso. Procuraram então Jesus perto do lugar onde tinha realizado o milagre, mas, não o encontrando, voltaram a Cafarnaum, em outros barcos (6,22-24). E aí encontraram Jesus (que tinha atravessado o lago andando sobre as ondas). Admiram sua presença, mas com a mesma superficialidade que os levou a ver no sinal do pão não um sinal, mas apenas a satisfação de sua fome: é o que Jesus lhes repreende (6,26).

Inicia então um diálogo, em que o pessoal de Cafarnaum aparece como preocupado com a Lei, mas obtuso quanto à realidade de Deus. Perguntam o que devem fazer. Jesus lhes diz que a obra do Pai é que acreditem no Filho (Jo 6,28)! Então, pedem um sinal como o de Moisés (o maná). Jesus responde que o sinal não era de Moisés (relativização do sistema mosaico, do qual eles são os árduos defensores contra os cristãos, expulsos da sinagoga), mas de Deus. Este mesmo Deus dá agora mais do que um sinal; oferece a plenitude de sua obra: seu enviado, Jesus Cristo, que faz o homem viver verdadeiramente, por sua palavra.

1ª leitura lembra o que é o maná: 1) um pão material e perecível (leia Ex 16,19-30, as regras de recolhimento diário e conservação do maná); 2) uma coisa dada por intermédio de Moisés (conforme Jo 6,32, os judeus parecem ter esquecido que Moisés fora apenas o intermediário); 3) algo que não se sabe o que é, pois o nome que lhe deram, “maná”, significa “Que é isso?” A isso, o evangelhoopõe o pão do Novo Testamento: 1) uma comida que não perece, mas que permanece para a vida eterna (6,27); 2) uma obra de Deus mesmo (6,32); 3) uma realidade bem determinada: é Jesus em pessoa, acolhido na fé (6,35).

Esse contraste é acentuado pelo salmo responsorial, queevoca a maravilha do pão que Deus “fez chover do céu” (o texto que os judeus citam para Jesus: Jo 6,31 = Sl 78[77],24), enquanto aaclamação ao evangelho opõe a isso a realidade que se manifesta no Novo Testamento; não só de pão é que se vive, mas, antes de tudo, da “palavra” que vem da boca do Altíssimo.

Entre os dois painéis dessa tipologia antitética, fica prensada a 2ª leitura. Fala também da oposição entre o antigo e o novo. O antigo, aí, não é tanto o sistema da Lei judaica, mas o paganismo, do qual provém boa parte dos cristãos de Éfeso. Os pagãos não procuravam “obras de Deus” ultrapassadas, como os judeus. Simplesmente eram dirigidos por concupiscências. Seja como for, tanto o judeu apegado ao sistema mosaico quanto o pagão envolvido com ídolos falsos (e esse pagão vive no meio de nós) devem abrir o ouvido para Cristo, a palavra da verdade que vem de Deus.

A audiência dada a Cristo é que faz viver verdadeiramente: esta é a mensagem central de hoje. Por isso, Jesus é chamado “o Pão da Vida”. Concretamente, temos em nós o judeu de Cafarnaum e o pagão de Éfeso; o homem que quer ficar em dia com Deus mediante determinadas práticas religiosas e o ateu prático, que decide na vida tudo conforme seu proveito imediato. Nem uma nem outra coisa serve para realizar o sentido eterno de nossa vida. Não devemos querer ter a última palavra, mas entregar-nos àquele que traz o selo de garantia de Deus (Jo 6,27). Arriscar o caminho da vida que ele nos mostra em sua própria pessoa. Pois ele não apenas ensina, ele é palavra, fala por sua maneira de ser. Jesus não ensina “coisas”, mas se apresenta a nós, e na medida em que temos comunhão com ele, nos imbuindo de seu modo de ser, de seu espírito, vivemos realmente. Isso se manifestará na doação sem restrição, da qual ele nos deu o exemplo. A vida verdadeira, que não perece, é a vida dada como ele a deu.

“AS COISAS QUE PASSAM E AS QUE NÃO PASSAM”

evangelho de hoje é o início do “sermão do Pão da Vida”, com o qual o evangelista João dá continuidade ao “sinal” da multiplicação dos pães narrado domingo passado. Nos próximos domingos, o tema continua.

Depois da multiplicação dos pães, Jesus volta a Cafarnaum (Jo 6,24). Os conterrâneos querem saber como de repente ele está de volta, se não embarcou com os discípulos na noite anterior. Jesus lhes faz sentir que, apesar de terem presenciado o milagre do pão, não enxergaram aí um sinal daquilo que ele significa: a realidade de Deus oferecida ao mundo. Apenas se saciaram de pão. Não entenderam que a refeição era um sinal. Eram como um motorista que pensa que sinal vermelho é apenas enfeite...

Os judeus de Cafarnaum então perguntam que esforço Deus espera deles – pois querem se esforçar para que Deus se veja obrigado a dar-lhes a salvação! Mas Jesus diz que o esforço que Deus espera deles é que acreditem naquele que ele enviou (6,29).

Percebem que Jesus está falando de si mesmo. Para acreditarem nele querem ver suas credenciais. No tempo de Moisés, seus antepassados comeram o maná, no deserto, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu a comer” (6,31; cf. Sl 78[77],24). Responde Jesus que não foi Moisés quem deu o pão do céu, no passado, mas que agora o Pai está dando o verdadeiro pão do céu: aquele que desce do céu e que dá vida ao mundo. Ininteligentes como o motorista que pensa que sinal vermelho é enfeite, ficam raciocinando no trilho do pão material, pensando no problema do sustento: “Dá-nos sempre esse pão”. Então Jesus diz abertamente o que significam a sua palavra ambígua e o sinal que ele realizou no dia anterior: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (6,35).

Percebem que Jesus está falando de si mesmo. Para acreditarem nele querem ver suas credenciais. No tempo de Moisés, seus antepassados comeram o maná, no deserto, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu a comer” (6,31; cf. Sl 78[77],24). Responde Jesus que não foi Moisés quem deu o pão do céu, no passado, mas que agora o Pai está dando o verdadeiro pão do céu: aquele que desce do céu e que dá vida ao mundo. Ininteligentes como o motorista que pensa que sinal vermelho é enfeite, ficam raciocinando no trilho do pão material, pensando no problema do sustento: “Dá-nos sempre esse pão”. Então Jesus diz abertamente o que significam a sua palavra ambígua e o sinal que ele realizou no dia anterior: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (6,35).

Percebem que Jesus está falando de si mesmo. Para acreditarem nele querem ver suas credenciais. No tempo de Moisés, seus antepassados comeram o maná, no deserto, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu a comer” (6,31; cf. Sl 78[77],24). Responde Jesus que não foi Moisés quem deu o pão do céu, no passado, mas que agora o Pai está dando o verdadeiro pão do céu: aquele que desce do céu e que dá vida ao mundo. Ininteligentes como o motorista que pensa que sinal vermelho é enfeite, ficam raciocinando no trilho do pão material, pensando no problema do sustento: “Dá-nos sempre esse pão”. Então Jesus diz abertamente o que significam a sua palavra ambígua e o sinal que ele realizou no dia anterior: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (6,35).

Percebem que Jesus está falando de si mesmo. Para acreditarem nele querem ver suas credenciais. No tempo de Moisés, seus antepassados comeram o maná, no deserto, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu a comer” (6,31; cf. Sl 78[77],24). Responde Jesus que não foi Moisés quem deu o pão do céu, no passado, mas que agora o Pai está dando o verdadeiro pão do céu: aquele que desce do céu e que dá vida ao mundo. Ininteligentes como o motorista que pensa que sinal vermelho é enfeite, ficam raciocinando no trilho do pão material, pensando no problema do sustento: “Dá-nos sempre esse pão”. Então Jesus diz abertamente o que significam a sua palavra ambígua e o sinal que ele realizou no dia anterior: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (6,35).

Quem conhece as Escrituras reconhece nestas palavras a proclamação registrada em Isaías, no tempo do exílio babilônico. Em meio à idolatria da Babilônia, o profeta orienta o coração dos exilados para o único Senhor, muito mais valioso que o sistema babilônico com seus deuses e ilusões. O que se consegue com os babilônios não vale nada, é mero engodo comercial, pão que não alimenta! Mas quem escuta a voz do Senhor recebe a sabedoria da vida, a Aliança duradoura com Deus, o cumprimento de suas promessas (Is 55,1-3). Assim, quem se alimenta com a palavra de Jesus recebe o “pão da vida”, quem se dirige a ele sofre nem fome nem sede.

Mas não interpretemos isso com falso materialismo, dizendo que as coisas materiais passam e as espirituais, permanecem. Depende do que se entende por esses termos! Se “espiritual” significa apenas erudição e brilho intelectual ou divagação etérea em doutrinas sublimes, então isso é o que passa! E se “material” significa dedicar-se ao pão dos pobres, isto é o que permanece! Pois é a vontade do Pai.

Mas não interpretemos isso com falso materialismo, dizendo que as coisas materiais passam e as espirituais, permanecem. Depende do que se entende por esses termos! Se “espiritual” significa apenas erudição e brilho intelectual ou divagação etérea em doutrinas sublimes, então isso é o que passa! E se “material” significa dedicar-se ao pão dos pobres, isto é o que permanece! Pois é a vontade do Pai.

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

Já que estamos iniciando o mês das vocações, é bom ressaltar o seguinte:

– Há pessoas que fazem da religião uma fonte de lucro ou de privilégios pessoais, usando-a para o conforto e prosperidade pessoais.

– Os hebreus eram escravos no Egito e lá recebiam apenas pão para a própria sobrevivência. Livres no deserto, queriam continuar no mesmo esquema: Deus teria de alimentá-los. Mas Deus queria ter com eles um relacionamento que não se baseasse na troca de favores.

– O Deus de Jesus Cristo é diferente do faraó e dos deuses antigos dos efésios, ele liberta da escravidão do pecado e do egoísmo. Deus é livre, não se deixa manipular em favor de interesses egoístas. Deus cuida dos seres humanos porque ele é bom.

– Hoje cresce o número de pessoas que buscam o sagrado porque querem ter um emprego, um companheiro, cursar uma universidade etc. Não buscam a Deus, mas milagres e curas. Os santos, no entanto, buscavam a Deus por ele mesmo, e não por causa do que lucrariam com a religião. Eles entenderam a instrução de Jesus e trabalharam pelo pão que não perece e que permanece até a vida eterna (Jo 6,27).


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Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

Sugestões para a homilia

1. Deus está em tudo aquilo que nos acontece
2. E constitui para nós um desafio
3. Que nos torna homens novos

1. Deus está em tudo aquilo que nos acontece

Segundo o que ouvimos na primeira leitura, o povo israelita, passados os primeiros dias de entusiasmo pela saída libertadora do Egipto, começava a murmurar desanimado, sonhando com coisas que nunca havia tido nessa terra. A fome faz-lhes recordar a carne que eles nunca comeram… mas que agora sonhavam com ela!

A resposta de Deus a esse bulício não foi a de castigar os israelitas, mas enviar-lhes o maná que constituía um dom e um estímulo para os obrigar a crescer na fé, pois não podiam juntar alimento para o dia seguinte, mas deveriam contentar-se com o pão quotidiano.

O Senhor queria fazer compreender ao seu povo que o homem não vive só de pão, fruto da terra e do seu trabalho, mas do alimento que é fornecido pela Palavra de Deus.

Poderemos colher daqui uma mensagem: descobrir em tudo aquilo que nos acontece a presença de Deus que acompanha com amor cuidadoso a vida e o destino de cada homem e de cada povo.

É natural que também na nossa vida de cristãos tenhamos momentos de desânimo e sintamos muitas «fomes»: fome de pão, de liberdade, de amor, de paz, de fraternidade, de respeito, de estima, de felicidade. Será que pomos a nossa confiança nas nossas forças e nas promessas dos homens, ou acreditamos realmente que todas as nossas «fomes» serão saciadas pela Palavra de Deus? Se partilharmos os nossos bens materiais, espirituais, intelectuais, não ajudaremos a matar a «fome», seja ela qual for, a todos os que dela padecem? Deus não se zanga com os nossos desânimos, está ainda mais próximo de nós, como aconteceu com o povo judeu, pois Deus está em tudo aquilo que nos acontece, o que constitui para nós um grande desafio.

2. E constitui para nós um desafio

Como aconteceu naquele tempo, segundo o relato do Evangelho, também Jesus não conseguiu fazer compreender o «sinal» da multiplicação dos pães que havia realizado. Aquelas pessoas procuravam-n’O não para aprofundar a sua mensagem ou compreenderem os gestos que realizara, mas apenas para comerem gratuitamente pão em abundância, que lhes seria garantido sem necessidade de trabalho. Ele não concede a Sua graça para favorecer a preguiça. Ele pretende ensinar que o amor e a partilha produzem pão em abundância.

Isto é um desafio para nós ainda hoje. Convida-nos a reconsiderar as razões que nos levam a procurar Cristo e por que recorremos a Deus e à religião. Alimentaremos uma secreta esperança de poder obter alguma graça, algum milagre extraordinário, um favorecimento especial por realizarmos determinadas práticas e devoções que nos livrarão de desgraças, encontrar emprego bem remunerado, superar as provas com brilhantismo? Teremos compreendido o significado do sinal dos pães dado por Jesus?

Acreditar não consiste em estar convencido da existência de Jesus, de que foi um homem sábio, que pregou o amor e nos deixou normas excelentes de vida. Implica a opção de unir a própria vida à d’Ele, no dom de si aos irmãos. O pão de Cristo não perece: quando é recolhido em cestos e conservado, é redistribuído, sempre completo e saboroso, a quem quer que esteja com fome.

Deus continua a dar hoje ao mundo o verdadeiro pão que alimenta e dá a vida à humanidade inteira tornando-nos «homens novos».

3. Que nos torna homens novos

E Jesus responde ao povo daquele tempo e ainda hoje a nós que aqui nos encontramos: «Eu sou o pão da vida; quem vem a Mim nunca mais terá fome e quem crê em Mim nunca mais terá sede».

Ele é o único pão que nos torna «homem novo» saciando a nossa necessidade de felicidade e de paz, com a Sua Palavra. O pão descido do céu é o seu Evangelho e não o maná do deserto. Não é um texto que se lê e se esvazia de significado, sem compromissos, mas necessita ser assimilado como o pão, que se torna parte componente da pessoa que o come. Jesus não se refere ainda à Eucaristia, mas o pão é Ele próprio, enquanto Palavra de Deus.

Todos os que O assimilam tornam-se homens inteiramente novos.

Quem orienta a sua vida para Cristo poderá estar comprometido com vícios que nada têm a ver com esta realidade?

Pensemos nisto…


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
..........

2. BILHETE DE EVANGELHO.
..........

3. À ESCUTA DA PALAVRA.
..........

4. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
..........

LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Santificai, Senhor, estes dons que Vos oferecemos como sacrifício espiritual, e fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SANTO

Monição da Comunhão: Que a comunhão do vosso Corpo e Sangue nos fortaleça no empenhamento de acolher o pão da Palavra do Evangelho e a pô-la em prática durante toda a nossa vida terrena.

Sab 16, 20
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Saciastes o vosso povo com o pão dos Anjos, destes-nos, Senhor, o pão do Céu.

Ou Jo 6, 35
Eu sou o pão da vida, diz o Senhor. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem crê em Mim nunca mais terá sede.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Senhor, que nos renovais com o pão do Céu, protegei-nos sempre com o vosso auxílio, fortalecei-nos todos os dias da nossa vida e tornai-nos dignos da redenção eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final: Apoiados na reflexão deste domingo, acolhamos a Palavra como verdadeiro pão do céu que nos torna «homem novo», nos ajuda nos caminhos difíceis desta vida e sacia a nossa fome e sede da verdadeira felicidade que não tem fim.


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HOMILIAS FERIAIS

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

18ª SEMANA

2ª Feira, 6-VIII: O alimento supersubstancial.

Num 11, 4-15 / Mt 14, 13-21
Pegou nos cinco pães e nos dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou a bênção.

«O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão, prefiguram a superabundância deste pão único da sua Eucaristia (cf Ev)» (CIC, 13353) O povo de Israel queixou-se no deserto por não gostar do alimento (o maná), outra prefigura da Eucaristia. Agradeçamos ao Senhor o «pão-nosso de cada dia»; preparemo-nos para recebê-lo com maior fé e devoção.

3ª Feira, 7-VIII: S. Cura d’Ars: Deus sempre pronto a socorrer-nos.

Num 12, 1-13 / Mt 14, 22-36
Mas (Pedro), ao notar a ventania, teve medo e, começando a afundar-se, lançou um grito: Salva-me, Senhor!

Este episódio exprime a confiança dos amigos do Senhor e que d’Ele esperam socorro e cura (cf Ev). O mesmo aconteceu com Moisés, que falava com Deus frente a frente, e pediu a cura de Maria: «por piedade, Senhor, curai-a» (Leit). Para caminharmos no meio das dificuldades, precisamos apoiar-nos mais na Eucaristia: «Quanto mais viva for a fé eucarística do povo de Deus tanto mais profunda será a sua participação na vida eclesial» (Sacramentum caritatis, SC, 6). Apoiado na Eucaristia, o Santo Cura d’Ars conseguiu abundantes conversões.

4ª Feira, 8-VIII: Dedicação Basílica Sª Mª Maior: Apoio em Deus e Nª Senhora.

Num 13, 1-2. 25-14, 1. 26-29.34-35 / Mt 15, 21-28
(Jesus): Mulher é grande a tua fé. Terás aquilo que desejas.

Os exploradores, enviados à terra de Canaã (cf Leit) parecem encontrar grandes obstáculos e o povo recusa-se a entrar nela. Pelo contrário, a mulher cananeia (cf Ev), apesar de uma 1ª resposta negativa do Senhor, insiste na cura da filha. Os primeiros foram impedidos por Deus de entrar na terra prometida, e a cananeia conseguiu um milagre. Sejamos perseverantes nos nossos pedidos, apesar das dificuldades. Hoje é dia da Dedicação da Basílica de Sª Mª Maior, ligada ao agradecimento por um milagre de NªSª e ao cumprimento dos seus desejos.

Celebração e Homilia: ANTÓNIO E. PORTELA
Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Homilias Feriais: NUNO ROMÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – http://www.dehonianos.org/portal/default.asp


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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