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Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.org.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/liturgia.htm ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


08.05.2016
Ascensão do Senhor — ANO C
(Branco, Glória, Creio, Prefácio da Ascensão – Ofício da Solenidade)
__ O destino do Homem Novo: O ressuscitado continua conosco __

DIA DAS MÃES
Semana preparatória de Pentecostes

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO HOMILÉTICO DO PRÓXIMO DOMINGO (15/05/2016)

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: A solenidade da Ascensão que hoje celebramos está permeada por um grande sentido de alegria: “Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças [...]” A liturgia de hoje não é, portanto, uma saudosa liturgia de adeus a Jesus que deixa a terra e volta ao seu tranquilo paraíso, mas uma liturgia de louvor e exaltação. Descobrir o motivo deste louvor e desta exaltação significa celebrar o verdadeiro mistério do dia de hoje. A festa da Ascensão é uma festa de entronização, pois celebra o Cristo ressuscitado enquanto constituído Senhor pelo Pai, isto é, soberano do mundo. Assentado à direita do Pai, Jesus continua junto à humanidade. Celebramos hoje também o dia mundial das comunicações sociais, com o tema: “Comunicação e misericórdia: um encontro fecundo”. Alegres celebramos também com todas as mães neste dia a elas dedicado.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Neste domingo, celebrando a Ascensão do Senhor, agradeçamos a Deus Pai a elevação sagrada de seu Filho e recebamos d’Ele a confirmação de que todos nós fomos, com Ele, introduzidos na intimidade definitiva de Deus. Com Maria e os apóstolos, aguardemos a força do alto, conforme a promessa de Cristo. Recordando as mães, ofereçamos a Deus este sacrifício de louvor também por todas elas, vivas e já falecidas, para que experimentem sempre da misericórdia do Senhor.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Interpretando teologicamente a Ascensão de Jesus, recomendam os anjos que não se fique a olhar para o céu, mas que se espere e prepare a volta gloriosa do Senhor. Esta é, até o fim dos tempos, a missão da Igreja, em tensão entre o visível e o invisível, entre a realidade presente e a futura cidade para a qual caminhamos (cf SC 2).

Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos alegres cânticos ao Senhor!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/08-de-maio-de-2016---ascensao.pdf


Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/32_ascencao_do_senhor.pdf


TEMA
EXALTAÇÃO E SENHORIO DE CRISTO

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- Autoria do Roteiro Homilético da Paulus para o período de Maio/Junho-2016: Celso Loraschi Mestre em Teologia Dogmática com Concentração em Estudos Bíblicos, professor de evangelhos sinóticos e Atos dos Apóstolos no Instituto Teológico de Santa Catarina (ITESC). E-mail: loraschi@itesc.org.br

Introdução da Revistal Vida Pastoral

MISSÃO DE JESUS: MISSÃO DOS DISCÍPULOS

Os relatos da ascensão do Senhor não querem indicar o afastamento de Jesus deste mundo. Querem, sim, revelar plenamente quem é Jesus, conforme já anunciado nas Sagradas Escrituras: o Messias sofredor que é glorificado. Revelam também que a missão de Jesus deve ser continuada pelos seus discípulos. Em nome dele, a boa notícia do perdão dos pecados, mediante o arrependimento, deverá ser proclamada a todas as nações. O Espírito Santo, promessa de Deus, é a força do alto que revestirá os discípulos missionários. Sem essa força, prevalecem os interesses próprios e as ambições de poder. Confessar a fé em Jesus, que morreu, ressuscitou e subiu ao céu, é voltar o olhar para a realidade deste mundo e comprometer-se com sua transformação (Evangelho e Atos). Sejam dadas honra e glória a Deus, pois nos ama de maneira humilde e criativa. Sua grandeza e seu amor revelam-se plenamente em Jesus Cristo. O seu Espírito abre a nossa mente para que possamos conhecê-lo verdadeiramente. E nos chama a participar do Corpo Místico, a Igreja, cuja cabeça é Cristo, o qual está acima de todo poder (II leitura). Esta unidade precisa ser conservada e cultivada em cada comunidade e também entre as Igrejas cristãs, pois as divisões entre os membros do mesmo corpo impedem a vida digna e saudável.

Introdução do Portal Dehonianos

A Solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, em comunhão com Deus. Sugere, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projecto libertador de Deus para os homens e para o mundo.

O Evangelho apresenta-nos as palavras de despedida de Jesus que definem a missão dos discípulos no mundo. Faz, também, referência à alegria dos discípulos: essa alegria resulta do reconhecimento da presença no mundo do projecto salvador de Deus e resulta do facto de a ascensão de Jesus ter acrescentado à vida dos crentes um novo sentido.

Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projecto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus – a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo caminho de Jesus. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projecto de Jesus.

A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos – membros do mesmo “corpo” – e em comunhão com Cristo, a “cabeça” desse “corpo”. Cristo reside nesse “corpo”.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
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O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

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COMUNICAÇÃO E MISERICÓRDIA

No evangelho da liturgia deste domingo, solenidade da Ascensão do Senhor, Jesus ressuscitado envia seus discípulos a anunciar a conversão e o perdão dos pecados por meio do testemunho (Lc 24,47-48). Isso nos mostra que a evangelização é acompanhada de gestos concretos que ajudam a construir um mundo reconciliado. 

É nesta perspectiva que podemos celebrar, hoje, o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, cujo tema “comunicação e misericórdia: um encontro fecundo”, escolhido pelo papa Francisco, põe-nos em sintonia com o mandato de Jesus e também com o Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

De fato, comunicação e misericórdia têm estreita relação. As tecnologias são importantes e até nos fascinam, mas não bastam quando pretendemos melhorar a qualidade da comunicação. Como cristãos, precisamos ver até que ponto os conteúdos que circulam na cultura da comunicação, especialmente na grande mídia e nas redes sociais, são expressão de misericórdia que abre ao diálogo, aproxima as pessoas e gera encontros humanos profundos.

A instauração da paz e da harmonia nas relações interpessoais passa necessariamente pela comunicação, e esta se torna cada vez mais humana e cristã quando compreende a escuta atenta, a acolhida e o respeito. Inspirados no Senhor, somos convocados a ser comunicadores de misericórdia, que leva ao perdão, “que é uma força que ressuscita para nova vida e infunde coragem para olhar o futuro com esperança” (Misericordiae Vultus, n. 10).

Pe. Valdir José de Castro, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
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O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

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COMUNICAÇÃO E MISERICÓRDIA

No evangelho da liturgia deste domingo, solenidade da Ascensão do Senhor, Jesus ressuscitado envia seus discípulos a anunciar a conversão e o perdão dos pecados por meio do testemunho (Lc 24,47-48). Isso nos mostra que a evangelização é acompanhada de gestos concretos que ajudam a construir um mundo reconciliado.

É nesta perspectiva que podemos celebrar, hoje, o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, cujo tema “Comunicação e misericórdia: um encontro fecundo”, escolhido pelo papa Francisco, põe-nos em sintonia com o mandato de Jesus e também com o Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

De fato, comunicação e misericórdia têm estreita relação. As tecnologias são importantes e até nos fascinam, mas não bastam quando pretendemos melhorar a qualidade da comunicação. Como cristãos, precisamos ver até que ponto os conteúdos que circulam na cultura da comunicação, especialmente na grande mídia e nas redes sociais, são expressão de misericórdia que abre ao diálogo, aproxima as pessoas e gera encontros humanos profundos.

A instauração da paz e da harmonia nas relações interpessoais passa necessariamente pela comunicação, e esta se torna cada vez mais humana e cristã quando compreende a escuta atenta, a acolhida e o respeito. Inspirados no Senhor, somos convocados a ser comunicadores de misericórdia, que leva ao perdão, “que é uma força que ressuscita para nova vida e infunde coragem para olhar o futuro com esperança” (Misericordiae Vultus, n. 10).

Pe. Valdir José de Castro, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
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O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

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Cristo subiu ao céu e sempre nos abençoa

A Ascensão do Senhor nos recorda que Jesus, depois de ter passado neste mundo e nos amado até o fim, volta para junto de Deus deixando a promessa do envio do Espírito Santo, para sermos continuadores da sua missão. Tudo o que ele viveu e ensinou deve inspirar nossa vida e nossas ações. Neste dia das mães, peçamos que Deus as abençoe, para que exerçam a missão de cuidar de suas famílias com dedicação e amor.

08 de maio

COMPROMISSO DA SEMANA Que tal nesta semana encontrar um tempo para dizer à sua mãe do grande amor e carinho que você tem por ela? Escrever uma cartinha também pode ser uma opção.


RITOS INICIAIS

cf. Actos 1, 11
ANTÍFONA DE ENTRADA: Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Como vistes Jesus subir ao céu, assim há-de vir na sua glória. Aleluia.

Diz-se o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração
A Solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final de um caminho que Ele percorreu no amor e na doação, ensina-nos qual é a nossa a vida definitiva, em comunhão com Deus. Lembra-nos, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, os seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projecto libertador de Deus para os homens e para o mundo. Este mistério da vida de Jesus fala-nos da comunicação entre dois mundos: este, material, visível, e o sobrenatural. Paulo VI, de saudosa memória, instituiu nesta solenidade, em 1966, o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Eles são como sabemos, muito abundantes: a imprensa, a rádio, a televisão, o telefone, a música gravada, a internet, etc. O Santo Padre Bento XVI dirige-nos uma Mensagem, convidando-nos a reflectir sobre o modo como utilizamos estes Meios entre nós: «Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade

ACTO PENITENCIAL
Coloquemo-nos humildemente na presença do Senhor, e reconheçamos que, por vezes, temos usado mal estes progressos que os homens conseguem, pela inteligência recebida de Deus, e peçamos perdão. Com uma visão positiva destes inventos, o Santo Padre não deixa de chamar a atenção para os perigos do mau uso destes meios.

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

• Senhor, temos perdido, por vezes, tempo demasiado no uso dos nossos Meios de Comunicação Social. Senhor, tende piedade de nós! Senhor, tende piedade de nós!

• Cristo, descuidamo-nos em procurar bons programas, perdendo tempo e, às vezes, manchando a nossa alma. Cristo, tende piedade de nós! Cristo, tende piedade de nós!

• Senhor, isolamo-nos da família e amigos pelo excesso no uso de alguns dos Meios de Comunicação Social. Senhor, tende piedade de nós! Senhor, tende piedade de nós!

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

ORAÇÃO COLECTA: Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial acção de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição: S. Lucas, autor humano dos Actos dos Apóstolos, narra-nos a Ascensão de Jesus. Antes de subir gloriosamente ao Céu, recomenda-lhes que se preparem cuidadosamente para a vinda do Espírito Santo, antes de partirem para evangelizar o mundo. Eles acolhem a ordem recebida e o Mestre sobre triunfalmente às alturas, deixando-se ocultar por uma nuvem.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Atos 1,1-11

Leitura dos Atos dos Apóstolos. 1 1 Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, 2 desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). 3 E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. 4 E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, "que ouvistes", disse ele, "da minha boca; 5 porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias". 6 Assim reunidos, eles o interrogavam: "Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?" 7 Respondeu-lhes ele: "Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, 8 mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo". 9 Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. 10 Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: 11 "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu".
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Lucas começa o livro de Actos com a referência ao mesmo facto com que tinha terminado o seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel de charneira, pois assinala tanto a ligação como a distinção entre a história de Jesus, que se realiza aqui na terra (o Evangelho), e a história da Igreja que então tem o seu início (Actos).

3 «Aparecendo-lhes durante 40 dias». Esta precisão do historiador Lucas permite-nos esclarecer algo que no seu Evangelho não tinha ficado claro quanto ao dia da Ascensão, pois o leitor poderia ter ficado a pensar que se tinha dado no dia da Ressurreição. A verdade é que a Ascensão faz parte da glorificação e exaltação de Jesus; por isso S. João parece pretender uni-la à Ressurreição, nas palavras de Jesus a Madalena (Jo 20, 17), podendo falar-se duma ascensão invisível na Páscoa de Jesus, sem que em nada se diminua o valor do facto sucedido 40 dias depois e aqui relatado, a Ascensão visível de Jesus, que marca um fim das manifestações visíveis aos discípulos, «testemunhas da Ressurreição estabelecidas por Deus». A Ascensão visível engloba também uma certa glorificação acidental do Senhor ressuscitado, «pela dignidade do lugar a que ascendia», como diz S. Tomás de Aquino (Sum. Theol., III, q. 57, a. 1). Há numerosas referências à Ascensão no Novo Testamento: Jo 6, 62; 20, 17; 1 Tim 3, 26; 1 Pe 3, 22; Ef 4, 9-10; Hbr 9, 24; etc.. Mas a Ascensão tem, além disso, um valor existencial excepcional, pois nos atinge hoje em cheio: Cristo, ao colocar à direita da glória do Pai a nossa frágil natureza humana unida à Sua Divindade (Cânon Romano da Missa de hoje), enche-nos de esperança em que também nós havemos de chegar ao Céu e diz-nos que é lá a nossa morada, onde, desde já, devem estar os nossos corações, pois ali está a nossa Cabeça, Cristo.

4 «A Promessa do Pai, da qual Me ouvistes falar». Na despedida da Última Ceia, Jesus não se cansou de falar aos discípulos do Espírito Santo: Jo 14, 16-17.26; 16, 7-15.

5 «Baptizados no Espírito Santo», isto é, inundados de enorme força e luz do Espírito Santo, cheio dos seus dons, dez dias depois (cf. Act 2, 1-4).

8 «Minhas Testemunha em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra». Estas Palavras do Senhor são apresentadas por S. Lucas para servirem de resumo temático e estruturante do seu livro de Actos. O que nele nos vai contar ilustrará como a fé cristã se vai desenvolver progressivamente seguindo estas 3 etapas geográficas: Jerusalém (Act 2 – 7); Judeia e Samaria (8 – 12); até aos confins da Terra (13 – 28).

A exaltação de Jesus

O prólogo de Atos dos Apóstolos faz ligação com o início do Evangelho de Lucas, esclarecendo que se trata da continuação da obra endereçada ao mesmo destinatário, Teófilo (etimologicamente “amigo de Deus”), o qual, no plano simbólico, pode representar a comunidade cristã. Enquanto o primeiro volume tratou da vida de Jesus Cristo, o segundo vai ocupar-se da vida da Igreja, guiada pelo Espírito Santo. Ela está intimamente ligada à vida e à missão de Jesus, bem como à história de Israel, representada pelo seu centro religioso, Jerusalém, e pelo cumprimento da promessa anunciada na Sagrada Escritura.

O cristianismo tem suas raízes no judaísmo. Não há ruptura entre Israel e a Igreja: há continuidade. O testemunho dos apóstolos deverá percorrer uma trajetória sempre mais ampla, partindo de Jerusalém até os confins do mundo (1,8). Para isso, deverão antes mergulhar na experiência do Espírito Santo, que descerá sobre eles no dia de Pentecostes.

Para a narrativa da ascensão em Atos, Lucas inspira-se em passagens do Primeiro Testamento, como o arrebatamento de Elias aos céus (2Rs 2,1-18). Eliseu, discípulo de Elias, por testemunhar o arrebatamento do seu mestre, recebe “dupla porção” do seu espírito e torna-se o continuador da missão profética; como testemunhas oculares da ascensão de Jesus, seus discípulos receberão o Espírito Santo para continuar a sua obra. Os dois homens vestidos de branco são os mesmos de Lc 24,4, que anunciam às mulheres a ressurreição de Jesus e as fazem recordar as palavras por ele ditas. Aqui, em Atos, eles recordam aos discípulos a verdade da ascensão.

Ressurreição e ascensão são dois momentos que exprimem o novo modo de ser de Jesus: aquele que foi obediente ao Pai até a morte é glorificado e exaltado, mas permanece na comunidade. O transcendente manifesta-se na história humana.

AMBIENTE

O livro dos “Actos dos Apóstolos” dirige-se a comunidades que vivem num certo contexto de crise. Estamos na década de 80, cerca de cinquenta anos após a morte de Jesus. Passou já a fase da expectativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o “Reino” e há uma certa desilusão. As questões doutrinais trazem alguma confusão; a monotonia favorece uma vida cristã pouco comprometida e as comunidades instalam-se na mediocridade; falta o entusiasmo e o empenho… O quadro geral é o de um certo sentimento de frustração, porque o mundo continua igual e a esperada intervenção vitoriosa de Deus continua adiada. Quando vai concretizar- se, de forma plena e inequívoca, o projecto salvador de Deus?

É neste ambiente que podemos inserir o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura. Nele, o catequista Lucas avisa que o projecto de salvação e libertação que Jesus veio apresentar passou (após a ida de Jesus para junto do Pai) para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito. A construção do “Reino” é uma tarefa que não está terminada, mas que é preciso concretizar na história e exige o empenho contínuo de todos os crentes. Os cristãos são convidados a redescobrir o seu papel, no sentido de testemunhar o projecto de Deus, na fidelidade ao “caminho” que Jesus percorreu.

MENSAGEM

O nosso texto começa com um prólogo (vers. 1-2) que relaciona os “Actos” com o 3º Evangelho – quer na referência ao mesmo Teófilo a quem o Evangelho era dedicado, quer na alusão a Jesus, aos seus ensinamentos e à sua acção no mundo (tema central do 3º Evangelho). Neste prólogo são, também, apresentados os protagonistas do livro – o Espírito Santo e os apóstolos, ambos vinculados com Jesus.

Depois da apresentação inicial, vem o tema da despedida de Jesus (vers. 3-8). O autor começa por fazer referência aos “quarenta dias” que mediaram entre a ressurreição e a ascensão, durante os quais Jesus falou aos discípulos “a respeito do Reino de Deus” (o que parece estar em contradição com o Evangelho, onde a ressurreição e a ascensão são apresentadas no próprio dia da Páscoa – cf. Lc 24). O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre. Aqui define, portanto, o tempo simbólico de iniciação ao ensinamento do Ressuscitado.

As palavras de despedida de Jesus (vers. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar “até aos confins do mundo”. Temos aqui resumida a experiência missionária da comunidade de Lucas: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo, desde Jerusalém a Roma. Na realidade, trata-se do programa que Lucas vai apresentar ao longo do livro, posto na boca de Jesus  ressuscitado. O autor quer mostrar com a sua obra que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito.

O último tema é o da ascensão (vers. 9-11). Evidentemente, esta passagem necessita de ser interpretada para que, através da roupagem dos símbolos, a mensagem apareça com toda a claridade.

Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu (vers. 9a). Não estamos a falar de uma pessoa que, literalmente, descola da terra e começa a elevar-se; estamos a falar de um sentido teológico (não é o “repórter”, mas sim o “teólogo” a falar): a ascensão é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai.

Temos, depois, a nuvem (vers. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra, a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do divino (cf. Ex 13,21.22; 14,19.24; 24,15b-18; 40,34-38). Ao mesmo tempo, a nuvem, simultaneamente, esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, sombra e luz, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos.

Temos, ainda, os discípulos a olhar para o céu (vers. 10a). Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projecto de libertação do homem e do mundo.

Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (vers. 10b). O branco sugere o mundo de Deus – o que indica que o seu testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar, na história, a obra de Jesus, embora com a esperança posta na segunda e definitiva vinda do Senhor.

O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o caminho de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projecto de salvação no meio do mundo.

ACTUALIZAÇÃO

Ter em conta, para a reflexão e actualização, os seguintes elementos:

- A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos que uma vida vivida na fidelidade aos projectos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo caminho de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.

- A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projecto libertador no meio dos homens nossos irmãos. É essa a atitude que tem marcado a caminhada histórica da Igreja? Ela tem sido fiel à missão que Jesus, ao deixar este mundo, lhe confiou?

- O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia? Qual o real impacto desse testemunho na nossa família, no local onde desenvolvemos a nossa actividade profissional, na nossa comunidade cristã ou religiosa?

- Não é invulgar ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus vivem a olhar para o céu e ignoram os dramas da terra. Estamos, efectivamente, atentos aos problemas e às angústias dos homens, ou vivemos de olhos postos no céu, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquietações, pelas misérias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperanças que enchem o coração dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solidários com todos os homens?

Subsídios:
1ª Leitura:
 (At 1,1-11) Ascensão de Jesus e missão dos apóstolos – Os dias entre a Páscoa e a Ascensão formam “o retiro de preparação” (40 dias!) para o desabrochamento da Igreja. Foram as últimas instruções de Jesus aos seus: promessa e missão. Eles deverão levar a mensagem de Jesus ao mundo inteiro, e para isso receberão a força do Espírito. Até o Senhor voltar, sua Igreja será missionária. * 1,1-5 cf. Lc 1,1-4; Mt 28,19-20; Lc 24,42-43.49; 3,16 * 1,6-11 cf. Mt 24,36; Lc 24,48.50-51; Mc 16,19; Ef 4,8-10; Sl 110[109],1.



Salmo Responsorial

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios um cântico de louvor em honra do Deus de Israel, rei de todos os povos e nações. É uma visão profética da Ascensão de Jesus. Aclamemos também o nosso Deus que sobre glorioso às alturas.

SALMO RESPONSORIAL – 46/47

Por entre aclamações, Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta!

Povos todos do universo, batei palmas,
gritai a Deus aclamações de alegria!
Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo,
o soberano que domina toda a terra.

Por entre aclamações, Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta.
Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa,
salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei!

Porque Deus é o grande rei de toda a terra,
ao som da harpa acompanhai os seus louvores!
Deus reina sobre todas as nações,
está sentado no seu trono glorioso.

Segunda Leitura

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Éfeso, anima-nos a perseverar no amor de Deus, recordando-nos a glória que nos espera nos Céu, a esperança a que fomos chamados pelo nosso Baptismo.

Efésios 1,17-23

Leitura da carta de São Paulo aos Efésios. Irmãos, 1 17 "rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele; 18 que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos, 19 e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé. É o mesmo poder extraordinário que 20 ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, 21 acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro. 22 E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, 23 que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Neste texto temos um dos principais temas da epístola: a Igreja como Corpo (místico) de Cristo. A Igreja é a plenitude de Cristo, «o Cristo total» (S. Agostinho). A Igreja recebe da sua Cabeça, Cristo, não só a chefia, mas o influxo vital, a graça; com efeito, ela vive a vida de Cristo. Jesus sobe ao Céu, mas fica presente no mundo, na sua Igreja.

17«O Deus de N. S. J. Cristo». «O Pai é para o Filho fonte da natureza divina e o criador da sua natureza humana: assim Ele é, com toda a verdade, o Deus de N. S. J. C.» (Médebielle). «O Pai da glória», isto é, o Pai a quem pertence toda a glória, toda a honra intrínseca à sua soberana majestade. «Vos conceda um espírito», o mesmo que um dom espiritual. Não se trata do próprio Espírito Santo; dado que não tem artigo em grego, trata-se pois de uma graça sua.

20-23 Temos nestes versículos a referência a um tema central já tratado em Colossenses: a supremacia absoluta de Cristo, tendo em conta a sua SS. Humanidade, uma vez que pela divindade é igual aoPai. A sua supremacia coloca-O «acima de todo o nome», isto é, acima de todo e qualquer ser, qualquer que seja a sua natureza e qualquer que seja o mundo a que pertença. Mas agora a atenção centra-se num domínio particular de Cristo, a saber, na sua Igreja, da qual Ele é não apenas o Senhor, mas a Cabeça. A Igreja é o «Corpo de Cristo»; ela é o plêrôma de Cristo (v. 23), isto é, o seu complemento ou plenitude: a igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. (Alguns autores preferem entender o termo plêrôma no sentido passivo: a Igreja seria plenitude de Cristo, enquanto reservatório das suas graças e merecimentos que ela faz chegar aos homens).

23 «Aquele que preenche tudo em todos». A acção de Cristo é sem limites, especialmente na ordem salvífica; a todos faz chegar a sua graça, sem a qual ninguém se pode salvar. No entanto, é mais corrente preferir, com a Vulgata, outro sentido a que se presta o original grego: a Igreja é a plenitude daquele que se vai completando inteiramente em todos os seus membros. Assim, a Igreja completa a Cristo, e Cristo é completado pelos seus membros (é uma questão de entender como passivo, e não médio, o particípio grego plêrouménou, de acordo com o que acontece em outros 87 casos do N. T.).

Jesus, cabeça da Igreja

A carta aos Efésios, com muita probabilidade, é fruto da reflexão das comunidades fundadas por Paulo. Escrita ao redor do ano 90, enfatiza o projeto de salvação de Deus para todos os seres humanos. O texto de hoje, num estilo litúrgico, apresenta a figura de Jesus glorioso como aquele que tem a soberania sobre toda a criação, está acima de toda autoridade e de todo poder.

O conhecimento de Deus dá-se por sua graça. É ele que nos concede “o espírito de sabedoria e de revelação”; é ele que “ilumina os olhos do coração” para compreendermos “a extraordinária grandeza do seu poder para nós” manifestada em seu Filho, Jesus Cristo. A ressurreição e a ascensão de Jesus são aqui lembradas como sinais que revelam sua glória e soberania em tudo e em todos.

O discernimento da verdade a respeito de Jesus estende-se à verdade sobre a Igreja: formamos o Corpo Místico, cuja cabeça é Cristo. Ao mesmo tempo que está sujeita à autoridade de Jesus Cristo, a Igreja vive intimamente unida a ele. É uma união vital, pois, sem a cabeça, não existe corpo e não existe vida.

AMBIENTE

A Carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma “carta circular” enviada a várias igrejas da Ásia, numa altura em que Paulo está na prisão (em Roma?). O seu portador é um tal Tíquico. Estamos por volta dos anos 58/60. Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada na Ásia.

Em concreto, o texto que nos é proposto aparece na primeira parte da carta e faz parte de uma acção de graças, na qual Paulo agradece a Deus pela fé dos Efésios e pela caridade que eles manifestam com todos os irmãos na fé.

MENSAGEM

À acção de graças, Paulo une uma fervorosa oração a Deus para que os destinatários da carta conheçam “a esperança a que foram chamados” (vers. 18). A prova de que o Pai tem poder para realizar essa “esperança” (isto é, conferir aos crentes a vida eterna como herança) é o que ele fez com Jesus Cristo: ressuscitou-O e sentou-O à sua direita (vers. 20), exaltou-O e deu-Lhe soberania sobre todos os poderes angélicos (Paulo está preocupado com a perigosa tendência de alguns cristãos em dar uma importância exagerada aos anjos, colocando-os, até, acima de Cristo – cf. Col 1,6). Essa soberania estende-se, inclusive, à Igreja – o “corpo” do qual Cristo é a “cabeça”. O mais significativo deste texto é, precisamente, este último desenvolvimento. A ideia de que a comunidade cristã é um “corpo” – o “corpo de Cristo” – formado por muitos membros, já havia aparecido nas grandes cartas, acentuando-se sobretudo a relação dos vários membros do “corpo” entre si (cf. 1 Cor 6,12-20;10,16-17;12,12-27; Rom 12,3-8); mas nas cartas do cativeiro, Paulo retoma a noção de “corpo de Cristo” para reflectir, sobretudo, sobre a relação que existe entre a comunidade e Cristo.

Neste texto, em concreto, há dois conceitos muito significativos para definir o quadro da relação entre Cristo e a Igreja: o de “cabeça” e o de “plenitude” (em grego, “pleroma”).

Dizer que Cristo é a “cabeça” da Igreja significa, antes de mais, que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa, também, que Cristo é o centro à volta do qual o “corpo” se articula, a partir do qual e em direcção ao qual o “corpo” cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse “corpo”; significa, ainda, que a Igreja/“corpo” está submetida à obediência a Cristo/“cabeça”: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência.

Dizer que a Igreja é a “plenitude” (“pleroma”) de Cristo significa dizer que nela reside a “plenitude”, a “totalidade” de Cristo. Ela é o receptáculo, a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse “corpo” onde reside que Cristo continua todos os dias a realizar o seu projecto de salvação em favor dos homens. Presente nesse “corpo”, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo “seja tudo em todos” (vers. 23).

ACTUALIZAÇÃO

Ter em conta, na reflexão, as seguintes linhas:

- Na nossa peregrinação pelo mundo, convém termos sempre presente “a esperança a que fomos chamados”. A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa própria ressurreição. Formamos com Ele um “corpo”, destinados à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar – apesar das dificuldades – nesse caminho do amor e da entrega total que Cristo percorreu.

- Dizer que fazemos parte do “corpo de Cristo” significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa, também, viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo corpo, alimentados pela mesma vida.

-Dizer que a Igreja é o “pleroma” de Cristo significa que temos a obrigação de testemunhar Cristo, de torná-l’O presente no mundo, de levar à plenitude o projecto de libertação que Ele começou em favor dos homens. Essa tarefa só estará acabada quando, pelo testemunho e pela acção dos crentes, Cristo for “um em todos”.

Subsídios:
2ª leitura: (Ef 1,17-23) A força de Deus, revelando-se na exaltação do Cristo – A oração do autor se transforma em proclamação dos magnalia Dei em Cristo. Deus o ressuscitou e o fez cabeça da Igreja e do universo. A Igreja é seu “corpo”, ela o torna presente no mundo, ela é a presença atuante de Cristo no mundo.* 1,17-18 cf. Cl 1,9-10; Ef 3,14 * 1,19-21 cf. Sl 109[110],1; Fl 2,9-11; Cl 1,16 * 1,22-23 cf. 8,6; Ef 4,10.15; Cl 1,18-19.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.
Ide ao mundo, ensinai aos povos todos; convosco estarei, todos os dias, até o fim dos tempos, diz Jesus (Mt 28,19s).

Evangelho

Monição: O Senhor constituiu cada um de nós, pelo Baptismo, corresponsável na evangelização do mundo, arautos da Sua Mensagem salvadora. Aclamemos o Evangelho que proclama para nós tão consoladora certeza, cantando Aleluia.

Lucas 24,46-53

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor! 24 46 Disse Jesus: "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. 47 E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48 Vós sois as testemunhas de tudo isso. 49 Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto. 50 Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. 51 Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. 52 Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. 53 E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus".
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Estes versículos finais do Evangelho de Lucas encerram como que uma síntese de todo o Evangelho: Jesus cumpre as profecias com a sua Paixão e Ressurreição, com que nos obtém o perdão dos pecados; e é isto que tem de ser pregado a todos os povos, a partir de testemunhas credenciadas, e com a força do Espírito Santo.

49 «Aquele que foi prometido», à letra, a Promessa do meu Pai, o Espírito Santo, segundo se diz em Act 2, 23 (cf. Jo 15, 26). Não deixa de ser curioso notar que, só pela leitura do Evangelho de S. Lucas poderíamos ser levados a pensar que a Ascensão se deu no Domingo de Páscoa. No entanto, possuímos dados suficientes, a partir de todos os restantes Evangelhos, para saber que não foi assim. O próprio S. Lucas, em Actos, diz que Jesus foi aparecendo durante 40 dias (Act 1, 3).

50 «Até junto de Betânia». A discordância com Act 1, 12, que fala do Monte das Oliveiras como o lugar da Ascensão, é só aparente, pois Betânia fica na vertente oriental do dito monte.

52-53«Voltaram para Jerusalém». A terminar o seu Evangelho, Lucas mais uma vez deixa ver a importância teológica de Jerusalém: onde tinha começado a sua narração, com o anúncio do nascimento do Baptista; aqui culmina a obra salvadora de Jesus, com a sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus, por isso Ele, «quando estava para se cumprir o tempo da sua partida, decidiu firmemente caminhar rumo a Jerusalém» (Lc 9, 51); daqui hão-de partir os discípulos para levar a boa-nova até aos confins da terra.

A bênção de Jesus

O Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos são dois volumes da mesma obra. Tanto no final do Evangelho como no começo do livro de Atos consta o relato da ascensão de Jesus, de formas diferentes. Originalmente, como muitos estudiosos defendem, não havia dois volumes, mas, sim, uma unidade, com apenas um relato da ascensão (o que se encontra em Atos). O que importa aqui, porém, é o sentido teológico dos dois relatos, assim como se encontram na Bíblia.

No Evangelho de Lucas, percebemos que todos os fatos acontecidos após a morte de Jesus se realizam no mesmo dia. Em Atos, Jesus ressuscitado permanece 40 dias entre seus discípulos, ensinando-lhes coisas referentes ao Reino de Deus. Teologicamente, o tempo de um dia ou de 40 dias tem o mesmo significado: é o tempo propício concedido aos discípulos para serem testemunhas qualificadas de Jesus Cristo ressuscitado. Esse testemunho inaugura um novo tempo e deverá ser irradiado para o mundo inteiro. Para essa missão, eles precisam ser preparados.

É por isso, então, que Lucas enfatiza a preocupação de Jesus em “abrir a mente” (v. 45) dos discípulos a fim de que entendam as Escrituras. Aprofunda a tarefa catequética de Jesus, já demonstrada no episódio dos dois discípulos a caminho de Emaús (24,13-35). Parece insistir na necessidade de uma retomada dos textos do Primeiro Testamento à luz do evento Jesus de Nazaré. Assim, tudo ficará esclarecido a respeito do Messias, o Salvador.

De fato, entre os apóstolos, bem como entre as comunidades cristãs, o processo de entendimento da pessoa de Jesus e de adesão profunda ao seu projeto não foi tão tranquilo como se pode pensar à primeira vista. É o que se percebe pelas reações dos discípulos diante das aparições de Jesus ressuscitado: os de Emaús caminham um longo trecho sem reconhecê-lo, pois eram “lentos de coração para crer no que os profetas anunciaram” (24,25); ao apresentar-se aos onze, desejando-lhes a paz, eles ficaram “tomados de espanto e temor, imaginando que fosse um espírito”, além de “perturbados e cheios de dúvidas em seus corações”, a ponto de Jesus insistir para que o apalpassem e entendessem (cf. 24,36-40).

Diante dessas dificuldades, Jesus lhes anuncia o que o Pai prometeu: a força do alto. Enquanto isso não acontece, pede-lhes que permaneçam em Jerusalém, que, para Lucas, tem uma importância teológica muito especial, pois aí se deu o acontecimento salvador mediante a morte e ressurreição de Jesus. A partir desse espaço, a proclamação do arrependimento e da remissão dos pecados atingirá o mundo inteiro: é a boa notícia da salvação oferecida a toda a humanidade.

Lucas, porém, distingue a Jerusalém teológica da cidade em seu sentido político-econômico, com suas instituições opressoras. Não é por acaso que Jesus os tira dessa cidade e os leva a Betânia. Isso lembra o êxodo do povo de Israel, tirado da escravidão do Egito. É em Betânia que ele os abençoa enquanto se eleva ao céu. As pessoas aí abençoadas tornar-se-ão portadoras da bênção divina a todos os povos.

AMBIENTE

O Evangelho de hoje situa-nos no dia de Páscoa. Cristo já se manifestou aos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35) e aos onze, reunidos no cenáculo (cf. Lc 24,36-43). No texto que nos é proposto, apresentam-se as últimas instruções de Jesus (cf. Lc 24,44-49) e a ascensão (cf. Lc 24,50-53).

Ao contrário dos “Actos”, ressurreição, aparições de Jesus ressuscitado aos discípulos e ascensão são colocados – aqui – no mesmo dia, o que parece mais correcto do ponto de vista teológico: ressurreição e ascensão não se podem diferenciar; são apenas formas humanas de falar da passagem da morte à vida definitiva junto de Deus.

MENSAGEM

O nosso texto está dividido em duas partes: despedida dos discípulos (vers. 46-49) e ascensão (vers. 50-53).

Na primeira parte temos, portanto, as palavras de despedida de Jesus. Os discípulos que fizeram a experiência do encontro pessoal com Jesus ressuscitado são agora convocados para a missão: Jesus envia-os como testemunhas, a pregar a conversão (“metanoia” – a transformação radical da vida, da mentalidade, dos valores) e o perdão dos pecados (ou seja, o anúncio de que Deus ama todos os homens e os convida a deixar o egoísmo, o orgulho e a auto-suficiência para iniciarem uma vida de Homens Novos). Para esta tarefa ingente, os discípulos contam com a ajuda e a assistência do Espírito. Temos também, aqui, todos os elementos daquilo que será a futura missão da Igreja. O testemunho apostólico terá como tema central a morte e ressurreição de Jesus, o Messias libertador anunciado pelas escrituras (vers. 44.46). Desde Jerusalém, esta proposta deve ser anunciada a todas as nações. Este “percurso” será explicitado no livro dos “Actos”.

Na segunda parte, Lucas descreve a ascensão, situada em Betânia. Há duas indicações de Lucas que importa realçar. A primeira é a bênção que Jesus dá aos discípulos antes de ir para junto do Pai: essa bênção sugere um dom que vem de Deus e que afecta positivamente toda a vida e toda a acção dos discípulos, capacitados para a missão pela força de Deus. A segunda é a alegria dos discípulos: a alegria é o grande sinal messiânico e escatológico; indica que o mundo novo já começou, pois o projecto salvador e libertador de Deus está em marcha.

ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão, considerar as seguintes indicações:

- A ressurreição/ascensão de Jesus convida-nos a ver a vida com outros olhos – os olhos da esperança. Diz-nos que o sofrimento, a perseguição, o ódio, a morte, não são a última palavra para definir o quadro do nosso caminho; diz-nos que no final de um caminho percorrido na doação, na entrega, no amor vivido até às últimas consequências, está a vida definitiva, a vida de comunhão com Deus. Esta esperança permite-nos enfrentar o medo, os nossos limites humanos, o fanatismo, o egoísmo dos fazedores de pecado e permite-nos olhar com serenidade para esse qualquer coisa de novo que nos espera, para esse futuro de vida plena que é o nosso destino final.

- A ascensão de Jesus e, sobretudo, as palavras finais de Jesus, que convocam os discípulos para a missão, sugerem a nossa responsabilidade na construção desse mundo novo onde habita a justiça e a paz; sugerem que a proposta libertadora que Jesus fez a todos os homens está agora nas nossas mãos e que é nossa responsabilidade torná-la realidade; sugerem que nós, os seguidores de Jesus, temos de construir, com o esforço de todos os dias, o novo céu e a nova terra. Sentimos, de facto, esta responsabilidade? Preocupamo-nos em tornar realidade no mundo os gestos libertadores de Cristo? Procuramos construir, no dia a dia, esse mundo novo de justiça, de fraternidade, de liberdade e de paz?

- A alegria que brilha nos olhos e nos corações desses discípulos que testemunham a entrada definitiva de Jesus na vida de Deus tem de ser uma realidade que transparece na nossa vida. Os seguidores de Jesus, iluminados pela fé, têm de testemunhar, com a sua alegria, a certeza de que os espera, no final do caminho, a vida em plenitude; e têm de testemunhar, com a sua alegria, a certeza de que o projecto salvador e libertador de Deus está a actuar no mundo, está a transformar os corações e as mentes, está a fazer nascer, dia a dia, o Homem Novo.

Subsídios:
Evangelho: (Lc 24,46-53) Missão dos Apóstolos pelo Senhor ressuscitado – Lc condensa os acontecimentos pascais em um só dia: visitas ao sepulcro (24,1-12), encontro do Ressuscitado com os discípulos de Emaús (13-35), aparição aos Onze (36-43), instruções para a compreensão das Escrituras e missão (44-49), arrebatamento de Jesus ao Céu (50-53). – É preciso cumprirem-se as Escrituras, não só na paixão e morte do Senhor, como também na missão universal a partir de Jerusalém (cf. Is 2,3; 42,6; 49,6). – A despedida de Jesus é descrita com singeleza; não produz tristeza, mas alegre confiança, enquanto os discípulos se preparam na oração para assumir a missão. * Cf. Sl 24[23]; 68[67],16-22.29-36.

***   ***   ***

Em todos os evangelhos a Ascensão de Jesus aparece como o início da missão da Igreja. Isso fica especialmente claro no relato do arrebatamento de Jesus no fim do evangelho de Lc, antecipando a Ascensão narrada no início dos Atos dos Apóstolos. Jesus explica aos Onze a reta compreensão das Escrituras, o verdadeiro sentido do messianismo de Jesus (messias padecente, mas exaltado por Deus). Explica-lhes também que agora está na hora de cumprirem-se as profecias de Isaías a respeito da missão universal do povo de Deus: ser luz das nações, propagar a salvação até os confins da terra (Is 2,3; 49,6; 42,6; cf. At 1,8;). Assim como Jesus foi “luz das nações” desde sua primeira apresentação em Jerusalém (Lc 2,32), a Igreja o será, a partir de Jerusalém, cumprindo a missão daquele que agora é seu Senhor (24,47). Deus visitou seu povo e seu templo (Ml 3). Agora, Jerusalém torna-se, apesar da incredulidade de seus chefes, o centro de onde sai a salvação para o mundo inteiro (cf. Is 49,21-22; 55,4-5; 56,7; 60,1ss, etc.). Para isso, porém, é preciso que os Apóstolos recebam a força do Altíssimo: o Espírito (cf. At 2).

Quando os Apóstolos, depois da ascensão de Jesus, voltam a Jerusalém, eles passam o tempo em oração: preparam-se para receber “a força do Alto”, o Espírito que impelira Jesus em sua missão. Como ele sempre orava, assim rezam eles agora.

A missão de Jesus tornou-se a de sua Igreja. Depois dele, a Igreja deve ser a luz para as nações, “saindo de Jerusalém”. Hoje, Jerusalém já fica longe para trás, e a Roma dos imperadores também. A Igreja do Cristo glorioso chegou à periferia do mundo, aos “confins da terra” (At 1,8; 1ª leitura). Na “periferia do mundo” brilha a luz das comunidades-testemunha, que por sua fraternidade, solidariedade, justiça e amor atestam que Jesus é verdadeiramente o Senhor da Glória.

ESPÍRITO DO SENHOR JESUS E NOSSA MISSÃO

1ª leitura e o evangelho nos contam como os apóstolos viveram as últimas aparições de Jesus ressuscitado: como despedida provisória e como promessa. Jesus não voltaria até a consumação do mundo, mas deixou nas mãos deles a missão de levar a salvação e o perdão dos pecados a todos que quisessem converter-se, no mundo inteiro. E prometeu-lhes o Espírito Santo, a força de Deus, que os ajudaria a cumprir sua missão.

A vitalidade e juventude da Igreja, até hoje, tem sua raiz nesta herança que Deus lhe deixou. “É bom para vocês que eu me vá – diz Jesus no evangelho de João – porque, senão, não recebereis o Paráclito, o Espírito da Verdade” (Jo 16,7). Jesus salvou o mundo movido pelo Espírito e dando a sua vida pelos homens. Agora, nós devemos dar continuidade a esta obra, geração após geração. O Espírito de Jesus e do Pai deve animar em nós, e através de nós, um testemunho igual ao de Jesus: deve fazer reviver Jesus em nós. O que salva o mundo não é a presença física de Jesus para todas as gerações, mas sim o Espírito que ele gerou em nós pela morte por amor – o Espírito do Pai e dele mesmo.

A Igreja não caiu no vazio depois da Ascensão de Jesus. Antes, entrou com ele na plenitude do tempo da salvação e da reconciliação, embora não de vez e por completo.Tem que lutar para realizar o que Jesus já vive em plenitude. Ainda não está na mesma glória, na mesma união definitiva com Deus em que está o seu fundador, mas vive movida pelo mesmo Espírito, e este nunca lhe faltará até a hora do reencontro completo. A Igreja terá que expor às claras as contradições, as injustiças, as opressões que impedem a reconciliação e o perdão. Terá que urgir opção e posicionamento, e também transformação dos corações e das estruturas do mundo, para que um dia o Cristo glorioso seja a realidade de todos nós.

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

– A ascensão de Jesus não significa que ele tenha ido embora para retornar no final dos tempos. Na verdade, ele é exaltado, mas permanece no meio de nós. Os olhos da fé o veem perfeitamente e o coração dos que acreditam o acolhem com amor e gratidão.

– Jesus Cristo e a Igreja formam um corpo. Ter essa consciência implica cuidar uns dos outros com muito carinho e respeito. Significa responsabilizar-se pela promoção da vida, dando prioridade aos membros que sofrem. Significa acolher os que são diferentes, sem julgamentos superficiais, mas exercitando o diálogo e a mútua compreensão.

– Nesta semana, situada entre as festas de Ascensão e Pentecostes, celebra-se no Brasil a “semana de oração pela unidade dos cristãos”. Participar desse grande mutirão em favor da unidade das Igrejas cristãs é expressão concreta de pertença ao Corpo de Jesus e de edificação do seu reino de fraternidade no mundo.

– É boa oportunidade de lembrar os nomes das Igrejas cristãs que possuem comunidades no espaço geográfico da paróquia ou da região. Durante a semana, pode-se celebrar um culto ecumênico e/ou outras iniciativas com as Igrejas que desejarem. Para informações sobre a semana de oração e ecumenismo: <www.conic.org.br>.


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Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

Sugestões para a homilia

• Jesus Cristo sobe às alturas
Confia-nos à acção do Espírito santo
Faz de nós Suas Testemunhas
Vivemos da fé

• Cristo vence a solidão humana
As nossas solidões
Os MMCS e a solidão
Jesus vai connosco a caminho

1. Jesus Cristo sobe às alturas

Quarenta dias depois da Páscoa da Ressurreição, Jesus Cristo subiu ao Céu gloriosamente e foi – como prometera aos Apóstolos no Cenáculo, na noite de Quinta-feira Santa – preparar-nos um lugar. Nada foi improvisado. Mandou aos discípulos que não começassem a evangelização do mundo sem terem recebido o Prometido do Pai, o Espírito Santo.

a) Confia-nos à acção do Espírito Santo. «Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós

A Ascensão de Jesus é uma verdade de fé. Ao fim de quarenta dias em que se manifestou, por diversas vezes aos Apóstolos, procurando confirmá-los na verdade da Ressurreição e fazendo-lhes as últimas recomendações, elevou-Se à vista deles.

A primeira reacção dos Onze foi a saudade, porque estavam habituados a vê-l’O e a ouvi-l’O, resolvendo com Ele as Suas dúvidas.

No Cenáculo, na intimidade da Última ceia, prometeu solenemente que não os deixaria órfãos, desamparados, mas iria entregá-los ao cuidado do Espírito Santo.

A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos que uma vida vivida na fidelidade aos projectos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo caminho de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.

b) Faz de nós Suas Testemunhas. «Sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra

Uma testemunha é alguém que nos garante a veracidade de um acontecimento, ou de uma afirmação. Por isso, quando vamos ao tribunal humano reclamar um direito, levamos testemunhas para que garantam que dizemos a verdade. Também na celebração do matrimónio são necessárias testemunhas: além do sacerdote ou diácono, há sempre duas pessoas a garantir que aquele matrimónio foi celebrado.

Quando Jesus nos diz que fará de nós Suas testemunhas, entrega-nos a missão que Ele vive ressuscitado, nos ama e deseja conduzir-nos à salvação eterna.

Durante os três anos da vida pública, Jesus apareceu-nos com o Seu rosto e o tom da Sua voz. Agora quer multiplicar a Sua presença no mundo, apresentando-Se com o rosto de cada um de nós, o tom da nossa voz e, sobretudo, a nossa vida.

Por isso, as melhores testemunhas de Jesus Cristo são os santos. Entregam-se, enamorados, a uma vida de generosidade para a qual não encontramos outra explicação a não ser a de Jesus Cristo vive e estão enamorados d’Ele.

Podem, de facto, as pessoas que vivem e trabalham connosco, descobrir em nós traços do rosto de Jesus Cristo?

c) Vivemos da fé. «Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos

Enquanto Jesus subia gloriosamente ao Céu e os Apóstolos o olhavam com pena, esperando que Ele Se arrependesse e voltasse para traz, uma nuvem ocultou-O aos seus olhos. Esta nuvem é uma imagem da fé. Tal como eles sabiam que, para além da nuvem, estava Ele, também nós sabemos, pela fé, que Ele está connosco.

Só Jesus Cristo conseguiu duas coisas que, no nosso caso, são impossíveis: Subiu ao Céu onde o Pai O aguardava, para preparar-nos um lugar; e ficou connosco.

Jesus ensinou-nos muitos modos de presença na terra:

– Está misteriosamente presente em cada pessoa e é nela que deseja ser amado por nós. «Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um dos Meus irmãos mais pequeninos (foi) a Mim (que) o fizestes.» (Mt 25, 25-46).

– Está presente na Sua Palavra. «Quem vos ouve (é) a Mim (que) ouve.» (Lc 10. 16).

– Está presente no grupo que se reúne em Seu nome, como nós estamos agora aqui. «Onde dois ou três se reunirem em Meu nome, Eu estou no meio deles.»

– Presente de modo especial na Santíssima Eucaristia, sobre o altar e piedosamente guardado em nossos altares. Ali está em Corpo, Sangue, Alma e Divindade tão real e perfeitamente como no Céu.

Alegremo-nos com esta certeza de que Jesus Cristo ficou connosco, porque gosta de nós.

2. Cristo vence a solidão humana

a) As nossas solidões. «O Pai da glória vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecer desplenamente».

A solidão é um verdadeiro pesadelo dos nossos dias, não porque a terra esteja despovoada, mas porque as muitas pessoas com quem nos encontramos andam encerradas na cela dos seus interesses.

O mundo assemelha-se, às vezes, a uma grande casa, onde cada um vive fechado no seu quarto, alheio ao que se passa com os restantes moradores.

E, no entanto, a solidão é uma violência à natureza humana, porque somos estruturalmente sociais. Temos necessidade de nos abrir em confidência, como quem abre a janela para entre uma lufada de ar fresco; de buscar apoio nos outros e oferecermos o nosso braço àquele que, ao nosso lado, caminha com mais dificuldade.

Vamos encontrar jovens com os auscultadores de rádios, ou Youtube fechados no seu mundo; idosos em suas casas, com a TV ligada alto, para terem a sensação de que não estão sós; e mesmo na vida de cada dia, as pessoas passam umas pelas outras, cada qual fechada no seu mundo.

E, no entanto, esta situação é uma violência à natureza humana. Precisamos de momentos de silêncio, mas nascemos vocacionados para a comunhão, na vida presente e na eternidade.

A grande causa da solidão é o egoísmo humano, que leva à falta de partilha de tempo e de palavras.

b) Os MMCS e a solidão. «Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os

«A facilidade de acesso a telemóveis e computadores juntamente com o alcance global e a omnipresença da internet criou uma multiplicidade de vias através das quais é possível enviar, instantaneamente, palavras e imagens aos cantos mais distantes e isolados do mundo: trata-se claramente duma possibilidade que era impensável para as gerações anteriores.» (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial de 2009).

Os Meios de Comunicação Social podem ajudar-nos a vencer esta solidão ou agravá-la. Ajudam-nos quando os usamos convenientemente: pomo-nos em comunicação com as pessoas que estão longe (telefone, internet, etc.) e possibilitam a partilha de informação e cultura; isolam-nos, quando os transformamos num muro que nos fecha no nosso egoísmo, isolando-nos dos outros. Quantas vezes, numa família, estão todos dentro da mesma casa, ou até sentados à mesma mesa, mas cada um fechado no seu mundo, vendo TV, ouvindo música, ou trabalhando com a net

«Este desejo de comunicação e amizade está radicado na nossa própria natureza de seres humanos, não se podendo compreender adequadamente só como resposta às novações tecnológicas. À luz da mensagem bíblica, aquele deve antes ser lido como reflexo da nossa participação no amor comunicativo e unificante de Deus, que quer fazer da humanidade inteira uma única família. Quando sentimos a necessidade de nos aproximar das outras pessoas, quando queremos conhecê-las melhor e dar-nos a conhecer, estamos a responder à vocação de Deus – uma vocação que está gravada na nossa natureza de seres criados à imagem e semelhança de Deus, o Deus da comunicação e da comunhão.» (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial de 2009).

c) Jesus vai connosco a caminho. «Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria

«A amizade é um grande bem humano, mas esvaziar-se-ia do seu valor, se fosse considerada fim em si mesma. Os amigos devem sustentar-se e encorajar-se reciprocamente no desenvolvimento dos seus dons e talentos e na sua colocação ao serviço da comunidade humana. Neste contexto, é gratificante ver a aparição de novas redes digitais que procuram promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação. Estas redes podem facilitar formas de cooperação entre povos de diversos contextos geográficos e culturais, consentindo-lhes de aprofundar a comum humanidade e o sentido de corresponsabilidade pelo bem de todos. Todavia devemo-nos preocupar por fazer com que o mundo digital, onde tais redes podem ser constituídas, seja um mundo verdadeiramente acessível a todos.» (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial de 2009).

Mas quem verdadeiramente nos ajuda a vencer a solidão, a viver a certeza de que estamos com Alguém que nos ama e partilha connosco a Sua ciência e o Seu Amor é a fé.

Jesus fez-nos a promessa de ficar connosco e cumpriu-a. A Sua Presença Real na Eucaristia e o encontro semanal connosco são uma prova disso.

Muitas vezes mergulhamos na solidão, porque recusamos esta sua ajuda amiga. Quem não participa na Missa, não faz oração, é necessariamente uma pessoa amargurada. Quem aproveita esta oferta divina, nunca pode dizer que está só, que sofre com a solidão.

Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a aproveitá-la.

Fala o Santo Padre

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 44º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra»

Queridos irmãos e irmãs!

O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais – «O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra» – insere-se perfeitamente no trajecto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra. Os meios modernos de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contacto com o seu próprio território e estabelecendo, muito frequentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.

A tarefa primária do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo: «Na verdade, a Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido». […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão-de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão-de pregar, se não forem enviados?» (Rm 10,11.13-15).

Hoje, para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. De facto, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: «Ai de mim se não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9, 16). Por conseguinte, com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz. A este respeito, o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma «história nova», porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra.

Contudo, a divulgação dos «multimédia» e o diversificado «espectro de funções» da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.

Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios – adquirido já no período de formação – com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor. No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da «rede».

Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e actual. De facto, a pastoral no mundo digital há-de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que «Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros» [Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: «L’Osservatore Romano» (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].

Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e actual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era «digital», os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao largo no meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a sua voz: «Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20).

Na Mensagem do ano passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma «diaconia da cultura» no actual «continente digital». Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização. Efectivamente, uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o «pátio dos gentios» do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?

O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De facto nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.

A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna criada pelos meios actuais de comunicação.

Com estes votos, invoco sobre vós a protecção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e, com afecto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.

Bento XVI, Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – de 2010.


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao Domingo da Ascensão, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. ASCENSÃO… TRABALHAR A VERTICIALIDADE.
Para dar um tom mais específico a esta Solenidade, pode-se utilizar elementos para acentuar a verticalidade. Exemplos: colocar um recipiente com incenso, em frente ao altar, com o fumo do incenso a subir para o céu; levar o círio pascal na procissão de entrada e mantê-lo erguido durante todo o cântico de entrada, antes de o colocar no respectivo suporte; utilizar lamparinas (ou pequenas velas) durante a liturgia da Palavra. Antes da primeira leitura, um grupo de jovens com lamparinas acompanha o leitor e fica à volta do círio pascal. No fim da leitura, o presidente da assembleia acende uma pequena vela no círio pascal e comunica a luz às lamparinas dos jovens. Ficam com as lamparinas acesas durante o restante tempo da liturgia da Palavra. No Evangelho, ficam à volta daquele que lê o Evangelho e erguem as lamparinas no momento do Aleluia.

3. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
Pai, que diriges o mundo na tua liberdade soberana, nós Te bendizemos pela presença do teu Filho Jesus nas nossas assembleias e nas nossas famílias, pelo ensinamento da tua Palavra, pelo banquete da Eucaristia e pelo dom do teu Espírito. Nós Te pedimos por todas as comunidades cristãs: abre os nossos corações ao teu Espírito, que os cristãos sejam testemunhas de Cristo até aos confins da terra.

No final da segunda leitura:
Cristo ressuscitado, nós Te aclamamos como o grande sacerdote por excelência.
Nós Te pedimos pelos corações feridos e os espíritos abatidos pela culpabilidade e o remorso, que eles encontrem confiança no teu perdão.

No final do Evangelho:
Pai, nós Te damos graças por toda a obra cumprida pelo teu Filho Jesus no meio dos homens, segundo as Escrituras, a sua fé em Ti no meio dos sofrimentos, a sua

ressurreição e a conversão proclamada em seu nome em todas as nações.
Nós Te pedimos, ó Pai: envia sobre nós o teu Espírito Santo, força do alto, que nos prometeste e o teu Filho nos revelou. Envia-nos a testemunhar a tua obra de salvação.

4. BILHETE DE EVANGELHO.
A tristeza torna o rosto sombrio e as lágrimas estorvam a vista. Os discípulos conheceram a tristeza e a decepção, não podem reconhecer o Ressuscitado que caminhava ao seu lado. Serão necessários os olhos da fé para nomear Aquele que está vivo, para se alegrar n’Ele, para O anunciar. A fé, assim, não mergulha na nostalgia. Se ela se volta para o passado, é para fazer memória. Orienta-se, sobretudo, para um futuro que já não será mais como antes. Qual é, então, o segredo dos discípulos para que estejam alegres depois da partida do seu Mestre? Muito simplesmente a sua presença, mas “de outro modo”. Doravante, Ele está sempre com eles; receberam a força do Espírito Santo, actualizam a sua mensagem, fazem memória dos seus gestos, tornando-O realmente presente no meio deles. Eles vivem na alegria porque sabem que Ele está com eles até ao fim dos tempos e que sem Ele nada podem fazer. Ele prometeu, Ele manterá as suas promessas!

5. À ESCUTA DA PALAVRA.
“Enquanto Jesus os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu”. Mas é onde, o céu? Segundo o dicionário, é o espaço visível acima das nossas cabeças, que limita o horizonte. Hoje, os homens são capazes de ir ao espaço. O primeiro cosmonauta russo, em 1961, regressou à terra declarando que não tinha encontrado Deus! Manifestamente, Lucas não fala desse céu! Os astronautas vão para o espaço para melhor o explorar. Jesus, pela sua ressurreição, foi para lá do espaço, saiu do nosso espaço-tempo. Mas o que pode querer isso dizer? Reconheçamos que não temos qualquer experiência dessa realidade, pela simples razão de que continuamos fechados neste espaço-tempo. O que falamos, na Ascensão, tem a ver com a fé, com a confiança que podemos ter em Cristo e nas testemunhas que O viram separar-Se deles. Não há qualquer prova nem demonstração “científica” para esta subida ao céu de Jesus! Uma vez mais, somos convidados a situar-nos num outro registo, o do amor. É a nossa própria experiência: quando amamos, quando conhecemos momentos de intensa felicidade, gostaríamos que o tempo parasse, não para que tudo se acabe mas, ao contrário, para que esta felicidade que atinge todo o nosso ser seja como que eternizada. Gostaríamos de poder parar o tempo. Mas é o tempo para o amor. Ora – aí está a nossa fé – Jesus veio habitar este desejo de eternidade em nós, para o levar à sua plena realização. Vivendo a sua vida de homem, imergiu no amor que preenche os desejos humanos mais autênticos. Ressuscitando, fez entrar todos estes desejos no mundo do amor infinito. É desse céu que se trata hoje, para lá de tudo o que possamos imaginar ou desejar. Em cada Eucaristia, acolhemos em nós a presença de Jesus ressuscitado que vem alimentar e fazer crescer o germe da vida eterna. E, no dia da nossa morte, Jesus far-nos-á entrar no “além”, no “céu”, no mundo do amor sem qualquer limite…

6. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística I, onde se evoca a “gloriosa ascensão” do Senhor…

7. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Testemunhas de Cristo em 2010. “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu?” A mesma palavra vem mexer com as nossas inércias e empurra-nos para fora de nós mesmos nos caminhos deste mundo. Este Messias morto e ressuscitado… vós sois suas testemunhas! Medimos o desafio e a força destas palavras? E como tomamos parte na grande rede das testemunhas de Cristo em 2010?

LITURGIA EUCARÍSTICA

Introdução
Jesus ressuscitado tomou uma refeição com os Apóstolos para os confirmar na fé e no amor. Ele vai agora, na Liturgia Eucarística, pelo ministério do sacerdote, preparar-nos um Banquete, transubstanciando no Seu Corpo e Sangue o pão e o vinho que levámos ao altar. Peças-Lhe que avive a nossa fé na Sua Presença Real e torne generoso o nosso coração.

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Recebei, Senhor, o sacrifício que Vos oferecemos ao celebrar a admirável ascensão do vosso Filho e, por esta sagrada permuta de dons, fazei que nos elevemos às realidades do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Prefácio da Ascensão: p. 474 [604-716]

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

SANTO

SAUDAÇÃO DA PAZ

A comunhão com Deus é impossível sem a comunhão com os nossos irmãos. É um gesto de comunhão e reconciliação que desejamos exteriorizar. Saudai-vos na paz de Cristo!

Monição da Comunhão: Jesus Cristo subiu gloriosamente ao Céu, mas ficou na terra connosco, tal como prometera. Ficou na Santíssima Eucaristia para ser nosso Alimento sobrenatural, nosso Conselheiro, Amigo e Confidente. Se estivermos preparados – na graça de Deus, com fé viva e depois de termos guardado o jejum que a Igreja prescreve – procuremos recebê-l’O com pureza de consciência, amor e devoção.

Mt 28, 20
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Deus eterno e omnipotente, que durante a nossa vida sobre a terra nos fazeis saborear os mistérios divinos, despertai em nós os desejos da pátria celeste, onde já se encontra convosco, em Cristo, a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final: Vivamos generosamente a caminho do Céu, procurando fazer a vontade do Senhor em tudo. Levemos para a semana que agora começa – bem gravado no coração – o testamento de Jesus: «Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a todos os povos, ensinando-os a fazer tudo o que vos mandei, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do espírito Santo.»


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HOMILIAS FERIAIS

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

7ª SEMANA DE PÁSCOA

Celebração e Homilia: ANTÓNIO E. PORTELA
Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Homilias Feriais: NUNO ROMÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – http://www.dehonianos.org/portal/default.asp


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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