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Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico - http://www.presbiteros.com.br - e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus - http://www.paulus.com.br/periodicos/vida_pastoral.php - pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês e nos ensine a superar todas as dificuldades que surgirem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Aqueles que também tiverem interesse em ler ou imprimir os Roteiros Homiléticos da Editora Paulus, por favor acessem o site Portal Paulus no link: http://www.paulus.com.br/periodicos/vida_pastoral.php. Façam seu cadastro no site para acessar a Revista Pastoral, que contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Para entender melhor os tempos litúrgicos visite a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/liturgia.htm ou http://www.pnslourdes.com.br/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL


4º Domingo do Tempo Comum
"Tu és o Santo de Deus"

Nota Especial:
Na composição desta página utilizamos diversas fontes, como: textos do Missal Dominical, Roteiro Homilético da publicação Vida Pastoral e Folheto O DOMINGO da Editora Paulus; Roteiro Homilético e Homilia do Padre Françoá no site Prebíteros, e a contribuição semanal do Diácono José da Cruz para o site NPDBRASIL.

I. INTRODUÇÃO GERAL

Ambientação:
Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs! A liturgia deste domingo lança a pergunta: quem é Jesus para mim? A esse interrogante não existe subterfúgio, pois é uma inquietação que interpela a todos. O conhecimento que Jesus quer que tenhamos dele é mais profundo. Tal conhecimento provém de uma grande proximidade e de uma experiência vivencial. A nossa Liturgia nos garante que Deus não se conforma com os projetos de egoísmo e de morte que invadem o mundo e que escravizam os homens, e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro para lhes propor um projeto de liberdade e de vida plena. Elevamos o nosso coração numa reta vontade de não nos perder em distrações, para que não ocorra que nos peça contas por não ter escutado a sua Palavra, devido às impurezas de coração. Sintamos o júbilo real de Deus em nossos corações e cheios dessa alegria divina entoemos cânticos jubilosos ao Senhor!

TEMA
O "PODER-AUTORIDADE" DE JESUS

Créditos: Parte do texto desta página foi extraído do site da Paulus.

Uma das características do antigo judaísmo é seu caráter profético, a presença de personagens carismáticos, considerados porta-vozes de Deus. A figura do profeta ganhou sua imagem "clássica" no livro do Deuteronômio, iniciado no tempo da reforma religiosa de Josias (±620 a.C.) e apresentado como recapitulação da Lei de Moisés. O profeta deve ser alguém como Moisés, alguém que fale de modo confiável em nome de Deus (1ª leitura). Com o tempo, a figura do "profeta como Moisés" tornou-se imagem do Messias que havia de vir.

O evangelho de hoje (Mc 1,21-28) apresenta Jesus segundo esse modelo, como alguém que ensina "com autoridade", não como os escribas! Essa autoridade evoca o poder profético de ensinar no nome de Deus e fazer sinais que confirmem a palavra. Entretanto, paira um mistério sobre a figura de Jesus no Evangelho de Marcos. Jesus proíbe aos discípulos e aos beneficiados de suas curas publicar o exercício de sua "autoridade" que eles presenciaram. O mistério da identidade de Jesus só será desvendado na hora da morte, quando o centurião romano proclamar: "Este homem era verdadeiramente Filho de Deus" (15,39). Só na morte fica claro, sem ambiguidade, o modo e o sentido da obra messiânica de Cristo, segundo "os pensamentos de Deus" (cf. Mc 8,31-33).

A 2ª leitura é tomada, mais uma vez, das "questões práticas" de 1 Coríntios. Na linha da "reserva escatológica" (cf. domingo passado), Paulo explica as vantagens do celibato, ao menos quando assumido com vistas à escatologia.


UM ENSINAMENTO DIFERENTE

A primeira ação pública de Jesus no Evangelho de Marcos acontece na sinagoga de Cafarnaum, com a expulsão de um espírito impuro.

Por duas vezes o texto mostra as pessoas admiradas com o ensinamento de Jesus: um ensinamento com autoridade, ou seja, feito por quem sabia muito bem do que estava falando, definitivamente diferente do ensinamento dos escribas, os entendidos na lei de Deus.

Agindo com o Espírito divino, Jesus ensina tocando as pessoas nas situações concretas da vida. O ensinamento dos escribas apresentava regras e teorias sobre um Deus que separava as pessoas em puras e impuras, em agraciadas e malditas, em boas e más. Em vez disso, Jesus ensina agindo. Ele não faz teologia, não explica teorias sobre Deus. Agindo em favor das pessoas é que Jesus ensina quem é Deus.

No episódio de hoje, a ironia do evangelho é mostrar que o espírito imundo que Jesus expulsa daquele homem representa a própria lógica e esquema mantidos pelos escribas. Uma lógica que exclui as pessoas, que não permite que elas sejam livres, que se encontrem com um Deus infinito de amor e perdão. A estrutura mantida pelos escribas deseja ter o controle da ação de Jesus, chamando-o pelo nome. Não é de estranhar, portanto, que esse espírito impuro esteja dentro da própria sinagoga em dia de sábado, em espaço sagrado num tempo sagrado.

Mas é Jesus quem tem a autoridade de Deus. E o temem todos os poderes do mal, também os poderes disfarçados de ensinamento religioso. E, nesse sentido, basta pensar no fanatismo hoje alimentado em tanta gente de fé, explorada em suas misérias e mantida refém de seus medos.

O ensinamento diferente de Jesus nos garante que ele tem poder de agir sobre todas as forças do mal. Seguir hoje este mestre de Cafarnaum, "o santo de Deus", é deixar-se tocar por sua ação. Pois é sua ação que continua a nos ensinar como é fundamental expulsar de nós e de nossas comunidades todo espírito de divisão e exclusão.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp


UM ENSINAMENTO NOVO
Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

O evangelho de hoje (Mc 1,21-28) ressalta que todos ficavam admirados com o ensinamento de Jesus. A admiração era tanta, que a multidão se espantava com as obras que ele fazia. Mas havia algo ainda mais tocante: ele ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei. O relato gira em torno da expulsão de um "espírito mau". Para dizer: a missão de Jesus, desde o início, é enfrentar e vencer as forças do mal.

A admiração do povo foi suscitada porque Jesus tinha um ensinamento novo. Não se tratava, porém, de valorizar a novidade pela novidade. Jesus nunca foi um pregador "exibido". Ele não era de querer aparecer. Aliás, o evangelista Marcos traça todo um mistério em torno da missão de Jesus. Há o que se chama de "segredo messiânico", donde a pergunta que perpassa todo o Evangelho de Marcos: "Quem é Jesus?" Somente a partir do capítulo 8 tem início certo desvelamento de sua missão. Mas é na cruz que seu messianismo se revela. Quando Jesus dá seu suspiro no madeiro e o véu do templo se rasga, ali o centurião faz sua profissão de fé: "Realmente este homem era o Filho de Deus" (Mc 15,39).

A admiração era também porque ele ensinava com autoridade. Ensinar com autoridade aqui quer dizer que alguém o tinha autorizado a ensinar. Os mestres da lei, ao contrário, ensinavam por conta própria. Jesus ensinava com a autoridade e com o poder dados por Deus. Ele é, pois, o portador autorizado do reino de Deus. Em sinal dessa autoridade, ele mostra que Deus está do lado dos sofredores, dos aprisionados pela força do pecado, que tira a liberdade e a vida. Daí a expulsão do "espírito mau". A força misteriosa e má não enquadra com o que Deus quer. Ela tem de ser banida.

Além disso, a admiração do povo justifica-se porque Jesus toca no profundo da existência. Seu ensinamento não é frio como o dos mestres letrados. Seu ensinamento vem de Deus e por isso traz a libertação. Ele é a promessa realizada do fiel mensageiro de que fala a primeira leitura (Dt 18,15-20). Em Jesus se realiza a plenitude da vida. Nele se verifica aquilo que agrada a Deus.

Agora vem nossa parte: hoje, mais do que admirar os ensinamentos e as obras de Jesus, somos chamados a segui-lo, ir "atrás dele". Somos chamados a assumir de forma radical sua palavra e anunciar com coragem a novidade do reino.


RITOS INICIAIS

Sl 105, 47

ANTÍFONA DE ENTRADA: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e reuni-nos de todas as nações, para dar graças ao vosso santo nome e nos alegrarmos no vosso louvor.

Introdução ao espírito da Celebração

Estamos a celebrar o IV Domingo do tempo Comum. Hoje, a Palavra de Deus garante-nos que Deus não se conforma com os projectos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projecto de liberdade e de vida plena.

ORAÇÃO COLECTA: Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor…


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição:  A partir da figura de Moisés, a primeira leitura propõe-nos uma reflexão sobre a experiência profética. Um convite a ser alguém que Deus escolhe, que Deus chama e que Deus envia para ser a sua «palavra» viva no meio dos homens.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Dt 18,15-20

— LEITURA DO LIVRO DO DEUTERONÔMIO Comentário: O profeta é alguém que Deus escolhe, chama e envia para ser a sua "palavra" viva no meio dos homens. - Moisés falou ao povo, dizendo: 18 15 "O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir. 16 Foi o que tu mesmo pediste ao Senhor, teu Deus, em Horeb, quando lhe disseste no dia da assembléia: 'Oh! Não ouça eu mais a voz do Senhor, meu Deus, nem torne a ver mais esse fogo ardente, para que eu não morra!' 17 E o Senhor disse-me: 'está muito bem o que disseram; 18 eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre seus irmãos: pôr-lhe-ei minhas palavras na boca, e ele lhes fará conhecer as minhas ordens. 19 Mas ao que recusar ouvir o que ele disser de minha parte, pedir-lhe-ei contas disso. 20 o profeta que tiver a audácia de proferir em meu nome uma palavra que eu lhe não mandei dizer, ou que se atrever a falar em nome de outros deuses, será morto".
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Estamos perante um texto verdadeiramente institucional do profetismo em Israel. Moisés não é simplesmente o libertador da escravidão do Egipto e o legislador e organizador do povo, mas é tido como o primeiro e o modelo de todos os profetas (cf. Dt 34, 10). O contexto dos vv. 19-22 deixa ver que profeta tem aqui um sentido colectivo; alude-se à permanência do carisma profético ao longo da história do povo. Mas também se pode incluir aqui o próprio Messias, como reconhecia a tradição judaica no tempo de Jesus, concretamente os manuscritos de Qumrã (1 QS 9). O v. 18 é citado textualmente no discurso de Pedro no Templo (Act 3, 20-23) e em S. João Jesus é chamado «o Profeta» (Jo 6, 14; 7, 40; cf. 1, 21.45). Jesus cumpre esta profecia de modo eminente.

Pela instituição do profetismo, o povo de Israel se distingue das nações pagãs, que praticam todo tipo de adivinhação e superstição (Dt 18,14). Deus suscitará em Israel profetas conforme o modelo de Moisés, seu porta-voz no Sinai. O profeta deve anunciar a cada geração a palavra de Deus, não sensacionalismo, adivinhação ou seja lá o que for. Tais serão os "profetas "como eu" que Moisés anuncia em Dt 18,15 (cf. 18,18). O profeta deve ser alguém como Moisés, alguém que escute a palavra de Deus e a quem Deus coloque suas palavras na boca para transmiti-las, alguém que não fale em nome de Deus o que este não lhe tiver inspirado nem fale em nome de outros deuses; alguém cujas palavras sejam confirmadas pelos fatos (18,15-22). Mas, pouco depois do exílio babilônico, essa instituição entra em declínio e a expressão "um profeta como eu" (Dt 18,15) acaba sendo interpretada num sentido individual, significando o Messias. Jo 6,14 (cf. 1,21.45; At 3,22-23) mostra que Jesus foi identificado com esse Messias-profeta.



Salmo Responsorial

Monição: Verdadeiramente feliz é aquele que teme e segue o Senhor. Esse será abençoado por Deus e o bem e a felicidade estarão com ele.

Salmo 95 (94)

Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!
1. Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! Ao seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos!
2. Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, a ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.
3. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: "Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras".

Segunda Leitura

Monição:  Na I Carta aos Coríntios, Paulo convida os crentes a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de um verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos.

1Cor 7, 32-35

— LEITURA DA PRIMEIRA CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS Comentário: São Paulo convida os cristãos a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam empecilhos diante do compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos. - 7 32 Irmãos, eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. 33 O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher, 34 e, assim, está dividido. Do mesmo modo, a mulher não casada e a jovem solteira têm zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Mas a que se casou preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar ao seu marido. 35 Digo isso para o vosso próprio bem e não para vos armar um laço. O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Na continuação do texto do passado Domingo, S. Paulo continua a fazer a apologia do celibato por amor do Senhor. Aqui recorre a outro argumento a favor: «aquele que se casou… encontra-se dividido» (v. 34). Mesmo que a pessoa casada ame o seu cônjuge por amor de Deus, com um amor recto e puro, sem mistura de egoísmo, a verdade é que nela se produz uma inevitável divisão afectiva, para além do facto de não dispor de tanto tempo para dedicar só a Deus. S. Paulo louva e encarece o celibato por amor do Reino, mas sem o impor (cfr. vv-25-26.38.40). O Magistério da Igreja definiu solenemente a superioridade do celibato apostólico sobre o matrimónio, mas isto não quer dizer que os casados não estejam chamados igualmente à santidade, nem que não possam vir a ser até mais santos do que muitos que vivem o celibato apostólico; o que sucede é que estes arrancam de um escalão mais elevado rumo à santidade – a entrega dum coração indiviso –, embora possa suceder que não cheguem tão alto como muitos casados podem chegar. Convém sublinhar que este ensinamento paulino é original e está ao arrepio da mentalidade da época, nada tendo que ver com o desprezo pelo corpo, pela mulher e pelo matrimónio, próprio do maniqueísmo posterior; a mentalidade da época era avessa à continência e até à castidade em geral; o celibato praticado pelo insignificante grupo dos essénios era um fenómeno isolado e sem qualquer impacto. O apreço de Paulo pela santidade do matrimónio leva-o a propô-lo como imagem da união entre Cristo e a Igreja (cf. 2 Cor 11, 2; Ef 5, 21-33).

No espírito da "reserva escatológica" que vimos domingo passado, dando importância não tanto ao estado de vida, mas antes à diligência escatológica com a qual ele é assumido, Paulo explica que o estado celibatário lhe permite uma dedicação mais intensa àquilo que se relaciona de modo imediato com o reino escatológico. Não condena, porém, as "mediações do reino", entre as quais o casamento, para o qual Jesus mesmo deu instruções (1Cor 7,10). O celibato é um conselho pessoal de Paulo (7,25). Como o sentido da escatologia é que o Senhor nos encontre ocupado com sua causa, Paulo aconselha o estado de vida que deixa nosso espírito mais livre para pensar nisso. Conselho não para truncar nossa liberdade, mas para a libertar mais ainda. É claro, está falando do celibato assumido, não do celibato "levado de carona", como é, muitas vezes, o de parte de nosso clero; porque, se não é assumido interiormente, desvia mais da causa do Senhor do que as preocupações matrimoniais. Bem entendido, porém, o celibato, além de proporcionar liberdade para Deus aos que o assumem, constitui um lembrete para os casados, a fim de que, no meio de suas preocupações, conservem a reserva escatológica, que os faz ver melhor o sentido último de tudo quanto fazem.


Aclamação ao Evangelho

Monição:  O Evangelho mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projecto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua acção, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.

Aleluia, aleluia, aleluia.
O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou.

Evangelho

Marcos 1, 21-28

Comentário: Jesus, o Filho de Deus, cumpre o projeto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua ação. Ele renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem pr isionei ros do egoísmo, do pecado e da morte. — 1 21 Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar. 22 Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. 23 Ora, na sinagoga deles achava-se um homem possesso de um espírito imundo, que gritou: 24 "Que tens tu conosco, Jesus de Nazaré? Vieste perder-nos? Sei quem és: o Santo de Deus! 25 Mas Jesus intimou-o, dizendo: "Cala-te, sai deste homem!" 26 O espírito imundo agitou-o violentamente e, dando um grande grito, saiu. 27 Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: "Que é isto? Eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!" 28 A sua fama divulgou-se logo por todos os arredores da Galiléia.
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

O final do texto da leitura evangélica de hoje (v. 27) põe em evidência dois aspectos notáveis: a autoridade de Jesus e o seu poder sobre os demónios. Jesus ensina uma «nova doutrina» – é a novidade do Evangelho – e «com que autoridade!». Não era «como os escribas» (v. 22); de facto, estes limitavam-se a repetir as lições que procediam da tradição rabínica, a lei oral atribuída a Moisés. Jesus não é um repetidor, ainda que frequentemente recorra aos ensinamentos dos mestres de Israel (cf.Strack-Billerbeck), nunca os cita e as suas palavras sempre estão iluminadas por um espírito novo. Nunca apela para os mestres rabínicos e, quando apela para Moisés, atreve-se a acrescentar: «Eu, porém, digo-vos».

O outro aspecto é o poder sobre os demónios. Que o demónio existe não se pode pôr em dúvida. Que as doenças eram então atribuídas ao demónio também é verdade. Que todas as vezes que Jesus cura um endemoninhado, o que faz é simplesmente curar algum tipo de doença psíquica era o que em 1779 escrevia o protestante J. S. Semler e alguns hoje repetem, sem que o possam provar. Recentemente a Igreja católica publicou o ritual dos exorcismos, onde aparecem orações que qualquer pessoa pode rezar para se livrar do demónio e onde estão os exorcismos propriamente ditos que só se podem fazer com autorização da autoridade diocesana e só depois de esgotados todos os recursos humanos de ciência médica.

24-25 «Eu sei quem Tu és: o Santo de Deus» Não é uma confissão de fé do demónio, mas um expediente para captar o favor de Jesus, que o Evangelista regista para mostrar quem é Jesus. «Cala-te e sai desse homem» é a forma original que Jesus emprega para expulsar demónios, ao invés dos exorcistas tradicionais, que se serviam de várias técnicas complicadas e demoradas; a palavra de Jesus encerra um poder divino, pois para Deus basta dizer, para que se faça o que Ele quer (cf. Gen 1).

A palavra de Jesus é um acontecer e um agir. Marcos não narra o conteúdo daquilo que Jesus pregou na sinagoga de Cafarnaum, mas o efeito: Jesus age com autoridade (1,22.27) na expulsão dos espíritos imundos, que reconhecem nele o representante de Deus. Jesus ensina com autoridade, não como os escribas! Essa "autoridade" evoca o poder profético de ensinar no nome de Deus e fazer sinais que confirmem a palavra.

Ora, o termo grego que Marcos usa (exousía) não é costumeiro, no judaísmo helenístico, para falar do poder profético, e sim do poder escatológico do "filho de homem" descrito no livro de Daniel! Ao ler Mc 1,21-28 tem-se a impressão de que o povo viu em Jesus um profeta, o que é confirmado pelas opiniões populares citadas em Mc 6,15 e 8,28. Mas a presença da "autoridade" nele esconde algo que o povo não consegue entender: "Que é isso?" (1,27). Ao percorrermos o Evangelho de Marcos, descobrimos que a identidade que Jesus atribui a si mesmo é a do Filho do homem, o enviado escatológico de Deus, prefigurado em Dn 7,13-14. A este pertence a exousía, a "autoridade" (Dn 7,14). Quem percebe a identidade de Jesus é o demônio por ele expulso (Mc 1,24): o demônio reconhece aquele que põe em perigo o seu domínio!

No Evangelho de Marcos paira um mistério sobre a figura de Jesus: o "segredo messiânico". Aos demônios (1,25.34; 3,12), aos miraculados (1,44; 5,43; 7,34; 8,26), aos discípulos (8,30; 9,9), Jesus lhes proíbe publicar o exercício da "autoridade" que presenciaram. Se Jesus ensina com autoridade e poder efetivo, que confirmam sua palavra profética, devemos enxergar nele o "Filho do homem", que vem com os plenos poderes de Deus.

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

Jesus é o profeta do reino de Deus. Mas que é um profeta? Conforme a 1ª leitura, o profeta é mediador e porta-voz de Deus. Moisés lembra aos israelitas que, quando da manifestação de Deus no monte Sinai (Ex 19), tiveram tanto medo, que Deus precisou estabelecer um intermediário para falar com eles. Esse intermediário foi Moisés, o primeiro "profeta bíblico". E ele ensina que sempre haverá profetas em Israel para serem mediadores e porta-vozes de Deus, de modo que os israelitas já não precisam recorrer aos adivinhos cananeus, que consultam as divindades mediante sortilégios, búzios, necromantes (que evocam espíritos) etc. O profeta é aquele que fala com a autoridade de Deus que o envia. Muitas vezes, sua palavra é corroborada por Deus por meio de sinais milagrosos.

No evangelho, Jesus é apresentado como porta-voz de Deus e de seu reino. Deus mostra que está com ele. Dá-lhe "poder-autoridade" para fazer sinais. Na sinagoga de Cafarnaum, Jesus expulsa um demônio, e o povo reconhece: "Um ensinamento novo, dado com autoridade…" (Mc 1,27).

Ora, os sinais milagrosos servem para mostrar a autoridade do profeta, mas não são propriamente sua missão. Servem para mostrar que Deus está com ele, mas sua tarefa não é fazer coisas espantosas. Sua tarefa é ser porta-voz de Deus. Jesus veio para nos dizer e mostrar que Deus nos ama e espera que participemos ativamente de seu projeto de amor. Por outro lado, os sinais, embora não sejam sua tarefa propriamente, não deixam de revelar um pouco em que consiste o reino que Jesus anuncia. São sinais da bondade de Deus. Jesus nunca faz sinais danosos para as pessoas (como as pragas do Egito, que sobrevieram pela mão de Moisés). O primeiro sinal de Jesus, em Marcos, é uma expulsão de demônio. A possessão demoníaca simboliza o mal que toma conta do ser humano sem que este o queira. Libertando o endemoninhado do seu mal, Jesus demonstra que o reino por ele anunciado não é apenas apelo livre à conversão de cada um, mas luta vitoriosa contra o mal que se apresenta maior que a gente.

O mal que é maior que a gente existe também hoje: a crescente desigualdade social, a má distribuição da terra e de seus produtos, a lenta asfixia do ambiente natural por conta das indústrias e da poluição, a vida insalubre dos que têm de menos e dos que têm demais, a corrupção, o terror, o tráfico de drogas, o crime organizado, o esvaziamento moral e espiritual pelo mau uso dos meios de comunicação... Esses demônios parecem dominar muita gente e fazem muitas vítimas. O sinal profético de Jesus significa a libertação desse "mal do mundo" que transcende nossas parcas forças. E sua palavra, proferida com a autoridade de Deus mesmo, ensina-nos a realizar essa libertação.

Como Jesus, a Igreja é chamada a apresentar ao mundo a palavra de Deus e o anúncio de seu reino. Como confirmação dessa mensagem, deve também demonstrar, em sinais e obras, que o poder de Deus supera o mal: no empenho pela justiça e no alívio do sofrimento, no saneamento da sociedade e na cura do meio ambiente adoentado. Palavra e sinal, eis a missão profética da Igreja hoje.

Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra também mais 3 sugestões de Homilias Diárias.

1. Um Deus próximo
2. Um Deus que liberta
3. Um Deus que ama sem limites
4. Ano Paulino

A liturgia da Palavra deste domingo fala-nos da comunicação que Deus estabeleceu com o seu povo, através dos profetas, que falam em seu nome e, por último, do Profeta, Jesus Cristo, a própria Palavra de Deus encarnada.

1. Um Deus próximo

A primeira leitura, do livro do Deuteronómio, apresenta-nos Moisés, o pai dos profetas, que anuncia o aparecimento de outro profeta, que surgirá depois dele, numa clara referência a Jesus de Nazaré. O Deus de Israel revela-se, assim, um Deus próximo, capaz de usar a linguagem humana para se dirigir a nós, seu filhos e filhas.

2. Um Deus que liberta

O Evangelho narra-nos como Jesus exerceu a sua missão profética junto do povo a quem foi enviado. Solidariza-se com a dinâmica do seu tempo. Entra na sinagoga, o sábado e, no meio da comunidade de culto, começa a ensinar. De tal modo eram eloquentes as suas palavras que conseguiu maravilhar quantos o escutavam. Porém, Jesus afasta-se do modo de ensinar dos mestres de Israel, pois à sua palavra une a acção. Estava ali um homem perturbado, possesso de um espírito impuro, que altercava com Jesus, querendo-o afastar do meio do povo. Jesus, Mestre cheio de autoridade, manifesta o seu poder também nesta acção maravilhosa de serenar o homem perturbado e de lhe criar as condições para escutar os seus ensinamentos, expulsando esse espírito desorientador. Jesus prova-nos que tem força para falar e agir como Deus que é. Este Mestre continua hoje a sua acção no mundo e na Igreja, no meio do seu povo e nas assembleias cristãs. Reconheço o poder de Jesus, Palavra viva de Deus, e deixo-me libertar por Ele de todas as forças que se opõem aos seus ensinamentos? É Jesus o Senhor na minha vida e na minha comunidade?

3. Um Deus que ama sem limites

Na segunda leitura, Paulo lança-nos uma provocação sobre o valor da virgindade. No seu tempo, como no nosso, este valor passou a ocupar o último lugar na escala, se é que não desapareceu mesmo no horizonte de muitos dos nossos contemporâneos. Porém, a virgindade por amor do Reino dos Céus continua a ser um sinal profético, que anuncia às pessoas que a nossa pátria definitiva está em Deus e que é possível viver desde aqui e agora o mesmo estilo de vida que todos havemos de viver na eternidade. Trata-se, acima de tudo, de um amor sem limites á imagem do amor de Deus que a todos ama e guarda.

4. Ano Paulino

Paulo experimentou este amor de Deus sem limites revelado em Jesus, ao ponto de tornar-se o «apóstolo apaixonado» por Cristo. Como ele próprio afirmou, tudo é lixo, a não ser Cristo e Este crucificado (cf. 1 Coríntios 2, 2). Tudo o mais só em relação a Ele e por causa d’Ele. Por isso O deseja dar a conhecer e afirma que geme e sente as dores de parto para gerar Cristo nos outros (cf. Gálatas 4, 19). Conquistado por Jesus Cristo a caminho de Damasco, vive doravante para Ele, sente o desejo de O anunciar, quer fazê-Lo conhecer mais. Alma e coração em fogo, Paulo vive para Jesus e deseja salvar o maior número possível, a ponto de afirmar: «fiz-me tudo para todos, para salvar alguns» (1 Coríntios 9, 22). Audácia, ânsia apostólica que não o deixa sossegado. Colabora de um modo destemido e audacioso no trabalho do Reino, no anúncio de Jesus, no desejo da salvação de todos. Procuremos seguir estes passos de São Paulo neste ano de 2009, levando a todos, por um novo fervor missionário, o fogo do amor redentor de Deus.

LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Apresentamos, Senhor, ao vosso altar os dons do vosso povo santo; aceitai-os benignamente e fazei deles o sacramento da nossa redenção. Por Nosso Senhor…

SANTO

Monição da Comunhão: Fomos convidados para a mesa da Palavra. Alimentámo-nos da Palavra do Senhor, que nos interpelou no sentido de pormos a render os talentos que Ele nos confiou. Demos a nossa resposta. Somos agora convidados para a mesa da Eucaristia, para nos alimentarmos com o Corpo de Cristo, Pão partido para um mundo livre e mais fraterno.

Sl 30, 17-18
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Fazei brilhar sobre mim o vosso rosto, salvai-me, Senhor, pela vossa bondade e não serei confundido por Vos ter invocado.

Ou:    Mt 5, 3-4
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra prometida.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Fortalecidos pelo sacramento da nossa redenção, nós Vos suplicamos, Senhor, que, por este auxílio de salvação eterna, cresça sempre no mundo a verdadeira fé. Por Nosso Senhor…

RITOS FINAIS

Monição final: Jesus anuncia uma palavra nova, uma palavra de «autoridade», uma palavra que está ao serviço da vida. Jesus veio para que os homens «tenham a vida e a tenham em abundância». Ao partirmos para nossas casas, transformemos as palavras do Evangelho em acções concretas de liberdade que faz erguer a esperança e o sorriso no rosto do próximo.

Homilias Feriais

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra também mais 3 sugestões de Homilias Diárias.

4ª SEMANA

Celebração e Homilia: ARMANDO RODRIGUES DIAS
Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA


Homilia do Diácono José da Cruz – 4º Domingo do Tempo Comum

"CALA-TE E SAI DELE!"

A primeira bicicleta que ganhei, aos oito anos, tinha duas rodinhas de sustentação para facilitar o equilíbrio no aprendizado, e o futuro ciclista deveria fazer de conta que elas não existiam, para que o treinamento surtisse efeito. Por puro comodismo comecei a me exibir para os familiares, imprimindo velocidade nos pedais e até largando das mãos, para mostrar que estava seguro, mas na verdade colocava toda minha segurança nas rodinhas auxiliares, que não deixavam a bicicleta cair em minhas arrojadas manobras.

A turma me olhava com uma pontinha de inveja, quando eu passava “esnobando” com a bicicleta, meus familiares sentiam-se orgulhosos e tudo ia bem até que apareceu um chato, um estraga-prazer de nome Odair, colega de escola, garoto de grande vivacidade e inteligência, que me desafiou. “Ah quero ver você andar sem essas rodinhas aí...!”.

Tentei em vão argumentar, que as rodinhas não eram importantes, mas o Odair pegou de brabo e comentou com a turma, que eu não sabia andar coisa nenhuma, e que só estava enganando a todos. Lembro-me que fiquei quase duas semanas de “beiço caído” sem falar com ele, entretanto, com o passar dos dias fui vendo que tinha razão, se não tivesse coragem de tirar as rodinhas auxiliares, nunca iria aprender de verdade, a andar de bicicleta, porque a minha habilidade de ciclista não passava de uma mentira.

Essa é exatamente a missão do profeta: denunciar todas as nossas falsas seguranças, mostrando-nos a verdade que tem de ser buscada e cultivada, em nossa relação com Deus e com os irmãos, para que a nossa vida de cristãos não seja uma grande mentira em uma religião só de aparência.

No Antigo Testamento os profetas lembravam ao povo a fidelidade à aliança, toda vez que dela se afastavam. A Palavra de Deus manifestada através de Moisés, antes de ser uma norma rígida era um dom, pois oferecia orientações seguras de como viver bem e ser feliz, sob o amparo e a proteção do Deus da Aliança, nesta relação exclusiva e particular “Vós sereis o meu povo e eu serei o Vosso Deus”. Mas os profetas e todos os demais que falaram ao povo em seu nome sofreram muito, foram rejeitados, incompreendidos e até perseguidos e mortos, pois muitos não estavam dispostos a ouvir a Verdade que os faria mudar de vida.

O evangelho desse domingo faz uma apresentação solene de um novo, único e verdadeiro profeta que não vem para fazer mais promessas, mas sim para cumpri-las uma a uma. O seu múnus profético se revela na comunidade onde irá realizar um sinal, como prenúncio da sua obra de salvação, que tem na libertação do homem o seu ponto mais alto, naquele sábado na sinagoga, a comunidade conheceu Jesus de Nazaré, o Messias de quem falaram todos os profetas. O seu ensinamento causava admiração, pois ensinava com autoridade e não como os mestres da lei.

Ensinar com autoridade não é falar grosso, gritar e dar murros na mesa, como certos pregadores, que gostam de fazer terrorismo religioso, mas é mostrar primeiro a vivência daquilo que se ensina, unir fé e vida, celebrar aquilo que se Crê, é ter uma fé encarnada na história, é sempre falar em nome de Deus.

A palavra é libertadora porque gera vida nova, renova o homem por inteiro, Jesus é a palavra viva, o Logus de Deus, o Verbo encarnado no meio dos homens. Para surpresa de todos, na comunidade há um homem possuído por um espírito do mal que conhece Jesus, inclusive manifesta esse conhecimento em palavras bonitas “Sei que tu és o Santo de Deus”, sabe, portanto quem ele é e a que veio, mas não o aceita, não admite que o seu ensinamento interfira no modo de pensar e viver. Parece que Marcos fala às autoridades religiosas do seu tempo, e ao homem da modernidade, que apenas o conhecimento da pessoa de Jesus e sua missão, sem o compromisso de vida com o santo evangelho, jamais vai nos conferir uma fé autêntica.   Jesus ornamenta muitos lugares públicos e está em uma correntinha no peito de muita gente, mas falta uma abertura maior para que as atitudes dos que nele dizem professar a fé sejam realmente atitudes de um cristão.

O tratamento que Jesus dá ao homem possuído pelo espírito do mal, é de choque – Cala-te e sai dele!   CALA-TE: porque a palavra que o mal nos propõe é enganosa e mentirosa, traz a morte e não a vida; aprisiona em vez de libertar. O homem da modernidade parece não ter forças para fazer calar tantas vozes mentirosas que seduzem, corrompem, e destrói a dignidade do ser humano, o homem da modernidade se acha importante com o seu conhecimento e o progresso e, entretanto, é totalmente impotente diante das forças do mal, justamente porque não professa uma fé verdadeira e perdeu totalmente a noção do pecado, que contraria a graça de Deus e a sua santa palavra.

As Igrejas cristãs devem ter coragem e ousadia, para fazer calar e expulsar tantos “espíritos do mal” que continua a enganar o ser humano, com propostas sedutoras de vida, arrastando muitos para a morte. Ouçamos o apelo dos nossos pastores e sejamos uma igreja mais profética e menos sacramentalista, mais missionária e menos ritualista, fazendo um ensinamento novo, capaz de derrubar as velharias ideológicas escravisadoras, contrárias aos princípios do Reino Novo, que Jesus inaugurou um dia, lá na sinagoga de Nazaré... Quando mostrou quem ele é, e a que veio...

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  cruzsm@uol.com.br


Homilia do Padre Françoá Rodrigues Costa – 4º Domingo do Tempo Comum

“Autoridade de Jesus – liberdade do cristão”

“Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar” (Mc 1,21). Lemos nas páginas do Evangelho como o Senhor Jesus dá importância à pregação da boa nova: indo de uma cidade a outra para anunciar a sua mensagem e realizando-a com perfeição, com autoridade. As pessoas reconhecem-no: “eis um ensinamento novo, e feito com autoridade; além disso, ele manda até nos espíritos imundos e lhe obedecem!” (Mc 1,27).

Por nossa parte, deveríamos estar muito interessados no que ele nos diz. A formação que vamos recebendo de Cristo através da Igreja tende a fazer-nos homens ou mulheres responsavelmente livres. A nossa liberdade vai sendo educada paulatinamente para que possamos escolher aquelas coisas que nos fazem mais humanos e mais cristãos. Longe, portanto, da autêntica formação a coação e o controle sobre os outros. Não se trata de asfixiar as pessoas para que façam o bem. O importante é ajudá-las a amar o bem, a desfrutar na prática das coisas boas, a ver que somente na realização do bem verdadeiro encontra-se a felicidade. De fato, a autoridade de Jesus não retira a liberdade do cristão, mas a favorece aperfeiçoando-a.

Cristo é o Mestre por excelência. Ele, pacientemente, foi formando os discípulos e os apóstolos para uma missão que, sem dúvida, os superava. Não obstante, o Senhor os ensinou a confiar na graça e a lutar decididamente pelas causas que valem a pena e… conseguiram! Os apóstolos não cumpriram a vontade de Deus à força de prescrições legais, mas graças ao fogo do amor de Deus que lhes aquecia o coração e à formação recebida e assumida. Primeiro, o Senhor os fez ativos no amor e, consequentemente, essa caridade tornou-se fecunda através do apostolado que trouxe muitas pessoas ao encontro com o Divino Mestre.

Um dos efeitos do ensinamento de Cristo feito com autoridade é a formação da nossa consciência. Neste sentido, o Concílio Vaticano II ofereceu-nos uma definição de enorme beleza: “a consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa a sua voz” (GS 16). Na consciência ressoa a voz de Deus… É preciso escutá-la! A formação da consciência é um dos requisitos indispensáveis para conseguirmos a perfeição da liberdade. Como se lê no Catecismo da Igreja Católica, “a consciência deve ser educada e o juízo moral, esclarecido. Uma consciência bem formada é reta e verídica. Formula seus julgamentos seguindo a razão, de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos a influência negativas e tentados pelo pecado a preferir seu julgamento próprio e a recusar os ensinamentos autorizados. (…) A educação da consciência garante a liberdade e gera a paz do coração” (Cat.1783-1784).

Deus quer que sejamos os responsáveis pelas nossas próprias ações livres. Mas para que elas fossem verdadeiramente responsáveis e livres, Deus infundiu em nós, por criação, uma luz natural que nos faz agir segundo a reta razão. Contudo, isso não é suficiente! Pela nossa debilidade e pelo pecado, essa luz enfraqueceu-se e, nalguns casos, quase apagou-se. A graça, junto com as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo, iluminam e fortalecem de maneira nova o nosso organismo natural tornando mais suave a consecução do fim para o qual fomos criados. Esse fim, que é Deus, torna-se presente em cada um dos fins intermediários que escolhemos diariamente.

Estar atentos ao ensinamento de Cristo formará a nossa consciência de maneira eficaz. Mas é preciso conhecer a sua doutrina cada vez mais. E não há como conhecê-la profundamente se não aplicarmos a nossa mente e o nosso coração a ela, especialmente através da leitura da Sagrada Escritura e do Catecismo da Igreja Católica. Mas não é só questão de doutrina, é questão de conhecer o próprio Jesus, a sua Pessoa e a sua obra; é preciso, portanto, tratá-lo na oração, conversar com ele, aprender dos seus gestos e palavras.

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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