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Caríssimos Irmãos e Irmãs Religiosas, Sacerdotes, Diáconos, Catequistas, Agentes de Pastorais, Ministros e Ministras, Leigos e todas as pessoas envolvidas no trabalho de evangelização:

ATENÇÃO: Não guardamos arquivos dessa página. Toda semana ela é substituída e atualizada. Quem desejar arquivar o que está publicado aqui deverá imprimir ou salvar a página em seus arquivos.

Aqui no site NPDBRASIL, normalmente nós utilizamos como fonte de informação o Roteiro Homilético do site PRESBÍTEROS - Um site de referência para o Clero Católico e também o Roteiro Homilético da Editora Paulus, publicado na revista Vid Pastoral, pois queremos ajudar na evangelização de todos. Deus abençoe a todos vocês que nos motivam a superar todas as dificuldades que surgem em nossos caminhos a serviço de Deus Pai Todo Poderoso e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Visitem o site PRESBÍTEROS - http://www.presbiteros.com.br, com visual moderno e excelente conteúdo de formação evangelizadora. Toda pessoa envolvida com o serviço de evangelização deve visitar este site com frequência.

Também usamos parte das páginas de Liturgia do site dos Padres Dehonianos de Portugal: http://www.dehonianos.org o qual aconselhamos visitar também para encontrar excelente material de estudos.



Revista VIDA PASTORAL: Conheça e utilize esta maravilhosa revista nos trabalhos de evangelização em sua Paróquia ou Pastoral. Você pode ler a revista na versão digital mais abaixo ou a versão on-line pelo link: http://vidapastoral.com.br/ escolhendo os temas que deseja ler ou estudar. Você tem ainda a opção de baixar a revista para seu computador, caso não possa estar conectado o tempo todo. A revista Vida Pastoral contém instruções e orientações extremamente valiosas para o trabalho de evangelização e compreensão da Palavra de Deus!

Veja também mais abaixo como assinar os Periódicos da Paulus: O DOMINGO, O DOMINGO - PALAVRA e outros, além de muitas ofertas de excelentes livros.

Ao visitar o site da Paulus, procure também pelos outros periódicos O DOMINGO - CRIANÇAS, LITURGIA DIÁRIA e LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS. Aproveite e leia também os excelentes artigos colocados à sua disposição. Faça do seu momento à frente do computador o seu tempo para enriquecer seus conhecimentos e desenvolver melhor sua espiritualidade. Não permita deixar-se idiotizar pela maioria do conteúdo perverso que se permeia por aí... Lembre-se: Vigiai e Orai!

Uma outra sugestão para que você possa entender melhor os tempos litúrgicos é visitar a página de Liturgia do site da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - http://www.pnslourdes.com.br/liturgia.htm ou se preferir, pode ler ou baixar um documento especial com explicação do Ano Litúrgico, acesse o link: http://www.pnslourdes.com.br/arquivos/ANO_LITURGICO.pdf .

Desejamos a todos uma feliz e santa semana, na Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dermeval Neves
NPDBRASIL - UMA COMUNIDADE A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO


09.09.2018
23º Domingo do Tempo Comum — ANO B
( Verde, Glória, Creio – III Semana do Saltério )
__ "O mundo está ficando surdo; precisa de profetas da esperança." __

EVANGELHO DOMINICAL EM DESTAQUE

APRESENTAÇÃO ESPECIAL DA LITURGIA DESTE DOMINGO
FEITA PELA NOSSA IRMÃ MARINEVES JESUS DE LIMA
VÍDEO NO YOUTUBE
APRESENTAÇÃO POWERPOINT

Clique aqui para ver ou baixar o PPS.

(antes de clicar - desligue o som desta página clicando no player acima do menu à direita)

CLIQUE AQUI PARA VER O ROTEIRO HOMILÉTICO DO PRÓXIMO DOMINGO

Ambientação:

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

(ATENÇÃO equipes de liturgia: neste mês da Bíblia recomenda-se dar à Sagrada Escritura maior destaque. Permanece à critério de cada comunidade o modo como será feito.)

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL PULSANDINHO: Reunidos ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia, somos convidados a elevar um hino de gratidão ao Pai, que nos concedeu o dom da palavra para proclamar o bem em favor do povo. Por isso, a Eucaristia que estamos iniciando irá colocar diante de nós três desafios: ser profeta da esperança, levar a sociedade a abrir os ouvidos ao Evangelho e repudiar todo tipo de discriminação, especialmente em relação aos pobres. Que o alimento eucarístico nos conceda a força necessária para não ter medo frente a estes desafios.

INTRODUÇÃO DO FOLHETO DOMINICAL O POVO DE DEUS: Irmãos e irmãs, hoje, dia do Senhor, Ele nos reúne em torno do altar para nos oferecer o alimento de nossa salvação. Viemos para bendizê-lo por sua fidelidade e amor. Não obstante as forças que rejeitam o Reino que Jesus veio anunciar, cada um de nós e toda a Igreja somos testemunhas dos sinais desse Reino presentes no mundo. Por isso, bendigamos ao Senhor e cantemos as maravilhas do amor de Deus.

INTRODUÇÃO DO WEBMASTER: Neste primeiro domingo do mês da Bíblia, a Liturgia nos ensina que o nosso Deus é Deus de todos, mas tem atenção especial para com aqueles que mais sofrem. Ele está ao lado dos doentes e marginalizados. Ele é força para os que têm defeitos físicos e por isso mesmo se sentem menos dignos. Parece que nos momentos tristes ele está longe, mas é aí que ele se coloca mais perto. Na primeira leitura, o profeta Isaías consola os corações perturbados, garantindo que Deus virá para fazer justiça, virá para castigar e premiar. Quando o Messias chegar, diz o profeta, os coxos vão andar, os cegos vão ver, os mudos falar e os surdos ouvir. No Evangelho, Jesus prova que o Reino de Deus já chegou. O surdo-mudo é curado, confirmando as palavras de Isaías. As leituras bíblicas de hoje mostram a preferência de Deus pelos pobres, os marginalizados e os enfermos. Na cura do surdo-mudo por Jesus começa a se realizar a esperança messiânica dos pobres tal como o anunciava oito séculos antes de Cristo o profeta Isaías. Rezemos para que tenhamos ouvidos para ouvir a Palavra de Deus e língua para anunciá-la por todos os cantos.

Sentindo em nossos corações a alegria do Amor ao Próximo e meditemos profundamente a liturgia de hoje!


ATENÇÃO: Se desejar, você pode baixar o folheto desta missa em:

Folheto PULSANDINHO (Diocese de Apucarana-PR):
http://diocesedeapucarana.com.br/portal/userfiles/pulsandinho/09-de-setembro-de-2018---23-tc-novo[25012].pdf


Folheto "O POVO DE DEUS" (Arquidiocese de São Paulo):
http://www.arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/af_50_23odomingo_do_tempo_comum.pdf


TEMA
JESUS FAZ TUDO BEM FEITO

Créditos: Utilizamos aqui parte do texto da Revista Vida Pastoral da Editora Paulus (clique aqui para acessar a página da revista no site da Paulus- A autoria do Roteiro Homilético da Paulus pertence aos diversos renomados escritores e estudiosos da Palavra de Deus que prestam serviços à Editora. Visitem a página da Revista Vida Pastoral e acompanhem os diversos temas ali publicados.

Introdução da Revista Vida Pastoral

Encontro com Jesus

A comunidade cristã reconheceu em Jesus o Deus que vem para salvar o seu povo (cf. Mt 1,21). O encontro com Jesus, a quem somos chamados a seguir, restaura em nós a abertura a Deus e aos irmãos. Em Jesus, cada ser humano foi criado e predestinado a ser filho de Deus, a experimentar seu amor sem medida e a responder com obediência livre.

Essa obediência livre significa que assumimos uma relação com Deus que é mediada pelas nossas relações fraternas. Por isso, tal relação deve conduzir-nos ao compromisso pela vida e bem-estar de todos, especialmente dos mais pobres e necessitados, destinatários privilegiados da ação de Deus (Is 35,4) e de Jesus (Mc 7,31).

Introdução do Portal Dehonianos

A liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus comprometido com a vida e a felicidade do homem, continuamente apostado em renovar, em transformar, em recriar o homem, de modo a fazê-lo atingir a vida plena do Homem Novo.

Na primeira leitura, um profeta da época do exílio na Babilónia garante aos exilados, afogados na dor e no desespero, que Jahwéh está prestes a vir ao encontro do seu Povo para o libertar e para o conduzir à sua terra. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá.

No Evangelho, Jesus, cumprindo o mandato que o Pai Lhe confiou, abre os ouvidos e solta a língua de um surdo-mudo… No gesto de Jesus, revela-se esse Deus que não Se conforma quando o homem se fecha no egoísmo e na auto-suficiência, rejeitando o amor, a partilha, a comunhão. O encontro com Cristo leva o homem a sair do seu isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os irmãos, sem excepção.

A segunda leitura dirige-se àqueles que acolheram a proposta de Jesus e se comprometeram a segui-l’O no caminho do amor, da partilha, da doação. Convida-os a não discriminar ou marginalizar qualquer irmão e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo.
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O Domingo

É um semanário litúrgico-catequético que tem a missão de colaborar na animação das comunidades cristãs em seus momentos de celebração eucarística. Ele é composto pelas leituras litúrgicas de cada domingo, uma proposta de oração eucarística, cantos próprios e adequados para cada parte da missa.

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“ABRE-TE!”

O episódio do surdo que falava com dificuldade mostra mais que simplesmente Jesus realizando uma cura. Revela, simbolicamente, o que significa tornar-se discípulo de Jesus: superar o fechamento em si mesmo e deixar-se tocar pelo Mestre, para abrir-se a Deus e à sua Palavra.

Jesus retira aquele homem surdo da multidão. Toca-o com saliva, que era considerada contagiosa. Para abrir-se a Deus, é necessário um espaço e um tempo pessoal, longe da multidão, a fim de estar a sós com ele e deixar-se tocar. Um encontro pessoal, que é encontro transformador, para que nossos ouvidos se abram, nossas atitudes de fechamento se contagiem com o modo de ser e agir de Jesus e assim se transformem em atitudes de diálogo, de partilha e de comunicação da vida.

A atitude fundamental que Jesus exige do discípulo está na expressão aramaica “Efatá!”, que significa “Abre-te!” É essencial para os discípulos abrir-se à Palavra de Jesus. Só assim poderão ser transformados por ela, e só assim poderão transmitir ao mundo a novidade que Jesus vem realizar.

Diz o ditado que “pior surdo é aquele que não quer ouvir”. Quando alguém se fecha no próprio egoísmo, acaba tapando os ouvidos para Deus. E, se transmite algo ao mundo, é apenas segundo seu modo de julgar e agir, por vezes distante e contrário ao projeto de Deus. Nesse caso, as palavras de Jesus a seus discípulos serviriam também para nós: “Vocês têm olhos e não veem, têm ouvidos e não ouvem?” (Mc 8,18).

Como o Pai havia criado tudo e visto que era bom, Jesus recria a humanidade, fazendo bem todas as coisas que o Pai o encarregou de fazer. Ele continua a nos tocar, com uma voz diferente da voz da multidão. Como se continuasse a dizer a cada um de nós: “Abra-se à minha Palavra e ao meu modo de ser”. Sua voz liberta e nos torna sujeitos, para que também nós tenhamos voz e sejamos comunicadores da Boa-Nova que ele vem revelar.

Afinal, como o encontro com Jesus tem mudado nosso modo de ver e ouvir, como tem nos transformado em testemunhas e sujeitos da nova criação que ele vem realizar?

Pe. Paulo Bazaglia, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Palavra.
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O Domingo – Palavra

A missão deste periódico é celebrar a presença de Deus na caminhada do povo e servir as comunidades eclesiais na preparação e realização da Liturgia da Palavra. O “Culto Dominical” contêm as leituras litúrgicas de cada domingo, proposta de reflexão, cantos do hinário litúrgico da CNBB e um artigo que contempla proposto pela liturgia do dia ou acontecimento eclesial.

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CURAI-NOS, SENHOR

Não é difícil ter admiração ou nos deixarmos impressionar pelas boas atitudes de Jesus. Exemplo disso nos apresenta o evangelho de hoje, no qual muitos ficam impressionados ao ver o Senhor curando um homem surdo que falava com dificuldade. “Efatá!”, que quer dizer “abre-te!”, foi a palavra usada por Jesus para manifestar o seu desejo de ver aquele homem curado da surdez e de todas as suas incapacidades e de fazer surgir dali uma pessoa nova, que pudesse se abrir para nova realidade.

É importante ressaltar que a cura da surdez realizada por Jesus vai além do simples restabelecimento da audição e da fala, mas indica que todos podemos abrir os ouvidos para escutá-lo e deixar sua mensagem nos penetrar o mais íntimo do coração. Da mesma forma que aquele homem teve a vida transformada, também nós, por meio da Palavra do evangelho, podemos ser renovados e transformados por inteiro.

Se nossos ouvidos não estiverem abertos para ouvir o Senhor, é possível que a sua Palavra passe por nós despercebida e, assim, não sejamos capazes de alcançar todas as coisas boas que ele quer realizar em nós. Ouvir não é só escutar, mas é permitir que a Palavra de Deus, ao ecoar nos nossos ouvidos, ressoe dentro de nós e se transforme em sinal de salvação.

São muitas as pessoas e realidades da nossa sociedade com os ouvidos fechados à Palavra e, deste modo, incapazes de se deixar transformar por ela. Às vezes até fingem escutar, mas esquecem que essa escuta fingida não tem sentido dentro do projeto de salvação proposto por Jesus. A Palavra de Deus não é instrumento para atender a interesses pessoais, mas é dom para ser posto em prática conforme a vontade divina.

Conscientes da ação transformadora da Palavra, que deseja curar mulheres e homens, transformando-nos em novas criaturas, peçamos ao Senhor que venha curar nossa surdez e abra nossa boca para que não sejamos indiferentes às realidades de injustiça que se alastram por toda parte em nosso meio.

Pe. José Erivaldo Dantas, ssp


O texto abaixo foi extraído do periódico da Editora Paulus - O Domingo - Crianças.
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O Domingo – Crianças

Este semanário litúrgico-catequético propõe, com dinamicidade, a vivência da missa junto às crianças. O folheto possui linguagem adequada aos pequenos, bem como ilustrações e cantos alegres para que as crianças participem com prazer e alegria da eucaristia. Como estrutura, “O Domingo-Crianças” traz uma das leituras dominicais, o Evangelho do dia e uma proposta de oração eucarística.

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RITOS INICIAIS

Salmo 118, 137.124
ANTÍFONA DE ENTRADA: Vós sois justo, Senhor, e são rectos os vossos julgamentos. Tratai o vosso servo segundo a vossa bondade.

Introdução ao espírito da Celebração
Vivemos num mundo em contínua renovação, com invenções e descobertas que não podíamos imaginar há pouco tempo ainda. Para os optimistas, é um tempo de grandes realizações, e descobertas, em que se abrem ao homem imensas possibilidades; para os pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozono, de eliminação das florestas, de risco de holocausto nuclear… Quer queiramos, quer não, Para todos nós é um tempo de desafios, de interpelações, de procura, de risco… Como é que nós encaramos este mundo em transformação? Vemo-lo com os olhos da esperança, ou com os óculos negros do desespero?

ACTO PENITENCIAL
Perante as novidades que a civilização nos apresenta, facilmente nos deixamos subjugar pelo que não tem valor, como a criança que prefere um brinquedo a uma verdadeira riqueza, sacrificando os valores eternos. Manifestemos ao Senhor o nosso arrependimento e peçamos-Lhe a graça da conversão pessoal.

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

•   Senhor Jesus: corremos atrás do que dá prazer aos sentidos, e abandonamos os tesouros que nos ofereceis a cada instante. Senhor, tende piedade de nós! Senhor, tende piedade de nós!

•   Cristo: Olhamos a vida sem a luz da fé e com pessimismo, e somos enganados pela tentação de uma vida sem valores. Cristo, tende piedade de nós! Cristo, tende piedade de nós!

•   Senhor Jesus: cedemos à tentação da preguiça e alienação, na oração, nos sacramentos, no trabalho e no apostolado. Senhor, tende piedade de nós! Senhor, tende piedade de nós!

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

ORAÇÃO COLECTA: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade às nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

Monição: Isaías, companheiro dos judeus exilados em Babilónia, garante-lhes, quando estão afogados na dor e no desespero, que Deus está prestes a vir ao seu encontro para os libertar e conduzir à sua terra. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria, o profeta representa essa vida nova, cheia de felicidade, abundante, transformadora, que o Senhor vai oferecer a Judá.

Liturgia da Palavra
Primeira Leitura

Isaías 35,4-7

Leitura do livro do profeta Isaías. 35 4 Dizei àqueles que têm o coração perturbado: “Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos”. 5 Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; 6 então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe. 7 A terra queimada se converterá num lago, e a região da sede, em fontes. No covil dos chacais crescerão caniços e papiros.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Este pequeno trecho é tirado do chamado «Pequeno Apocalipse de Isaías» (Is 34, 1 – 35, 10), redigido em forma de um díptico: em contraste com a ruína de Edom (um símbolo das nações), descreve-se a utopia messiânica da Jerusalém restaurada, em que todas as doenças serão curadas Os vv. 5-6 são citados implicitamente em Mt 11, 5 e Lc 7, 22; no Evangelho de hoje (Mc 7, 37) também se pode veruma alusão a esta passagem (v. 5): «e se desimpedirão os ouvidos dos surdos».

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O trecho do profeta Isaías é um sopro de esperança aos que estão desanimados. Pertence ao pequeno bloco apocalíptico de Isaías, capítulos 34 e 35. No primeiro, há o julgamento das nações; no segundo, uma promessa de salvação aos abatidos e desamparados relacionada ao retorno do povo de Israel do exílio, uma palavra de ânimo e de encorajamento à espera da vingança de Deus, de sua recompensa (v. 4).

Deus mesmo vem para salvar. E sua salvação se manifesta restaurando a criação: abrindo os olhos dos cegos, os ouvidos dos surdos; fazendo saltar os coxos e desatando a língua dos mudos; fazendo brotar água no deserto e torrentes na terra vazia; transformando em fontes de água a terra sedenta. Como no princípio, Deus realiza coisas maravilhosas!

O homem bíblico professa a sua fé no Deus criador e libertador. Acredita que a criação foi querida por Deus e que ela manifesta sua onipotência e bondade. E é esse Deus, anuncia o profeta, que vem para salvar (v. 4). Assim, esta primeira leitura é um convite à esperança, é um lembrete de que Deus não abandonou sua obra, mas se interessa por ela e continua seu ato criador. Como cantamos no salmo responsorial: o Senhor é fiel para sempre.

AMBIENTE

Os capítulos 34-35 do Livro de Isaías constituem aquilo que habitualmente se chama “pequeno apocalipse de Isaías” (para distinguir do “grande apocalipse de Isaías”, que aparece nos capítulos 24-27). Descrevem os últimos combates travados por Jahwéh contra as nações (particularmente contra Edom) e a vitória definitiva do Povo de Deus sobre os inimigos. Estes dois capítulos parecem poder ser relacionados com os capítulos 40-55 do Livro de Isaías (cujo autor é esse Deutero-Isaías que actuou na Babilónia entre os exilados, na fase final do Exílio). Porque razão estes dois capítulos se apresentam separados do seu “ambiente natural” (Is 40-55)? Provavelmente, foram atraídos pelas peças escatológicas soltas de Is 28-33, e especialmente pelo capítulo 33.

O autor destes textos escreve na fase final do exílio do Povo de Deus na Babilónia (à volta do ano 550 a.C.). A intenção do profeta é consolar os exilados, desanimados, frustrados e mergulhados no desespero, porque a libertação tarda e parece que Deus os abandonou (uma temática que será desenvolvida e aprofundada nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías). Depois de apresentar o julgamento de Deus (cf. Is 34,1-4) e o castigo de Edom (cf. Is 34,5-15), o autor descreve, por contraste, a alegria do Povo de Deus porque a libertação chegou e a transformação extraordinária do deserto sírio, pelo qual vão passar os israelitas libertados, que retornam do Exílio.

MENSAGEM

O Povo de Deus, exilado na Babilónia, está paralisado pelo desespero. Mostra-se abatido e incapaz de sair, por si só, da sua triste situação. Não tem perspectivas de futuro e não vê qualquer razão para ter esperança.

O profeta dirige-se então aos exilados e anuncia-lhes a iminência da libertação. O tom geral é de alegria – uma alegria que envolverá a natureza e as pessoas, porque o Senhor Se apresta para salvar Judá do cativeiro e para abrir uma estrada no deserto, a fim de que o seu Povo possa retornar em triunfo a Jerusalém.

Apesar das aparências, Deus não esqueceu o seu Povo. Judá deve recobrar ânimo e preparar-se para acolher o Senhor. O próprio Jahwéh irá realizar a libertação; Ele fará justiça e recompensará o seu Povo por todos os sofrimentos suportados no tempo do cativeiro (vers. 4).

O resultado da iniciativa salvadora e libertadora de Deus traduzir-se-á no despertar do Povo, paralisado e desanimado, para uma vida nova. O encontro com o Deus libertador e salvador transformará o Povo, dar-lhe-á de novo a liberdade, a alegria, a coragem para enfrentar o caminho, a vida em abundância. Nas imagens dos cegos que voltam a contemplar a luz, dos surdos que voltam a ouvir, dos coxos que saltarão como veados e dos mudos a cantar com alegria (vers. 5-6), o profeta representa essa vida nova, excessiva, abundante, transformadora, que Deus vai oferecer a Judá.

Por outro lado, o dom de Deus manifestar-se-á na própria natureza. O deserto desolado e estéril, que os exilados terão de atravessar na caminhada de regresso à sua terra, transformar-se-á numa terra fértil, com água em abundância e onde o Povo não terá dificuldade em saciar a sua fome e a sua sede. A abundância de água no deserto, de que o profeta fala, é outra imagem para mostrar a vontade de Deus em cumular o seu Povo de vida plena e abundante.

A marcha do Povo da terra da escravidão para a terra da liberdade será um novo êxodo, onde se repetirão as maravilhas operadas pelo Deus libertador aquando do primeiro êxodo; no entanto, este segundo êxodo será ainda mais grandioso, quanto à manifestação e à acção de Deus. Será uma peregrinação festiva, uma procissão solene, feita na alegria e na festa.

Qual o papel do Povo em tudo isto? Judá deve recobrar ânimo e acolher, com fé, com coragem, com confiança, os dons de Deus.

ACTUALIZAÇÃO

• Para os optimistas, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações, de grandes descobertas, em que se abre todo um mundo de possibilidades ao homem; para os pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozono, de eliminação das florestas, de risco de holocausto nuclear… Para uns e para outros, é um tempo de desafios, de interpelações, de procura, de risco… Como é que nós nos relacionamos com este mundo? Vemo-lo com os olhos da esperança, ou com os óculos negros do desespero?

• Os crentes não podem esquecer que “Deus está aí”: a sua intervenção faz com que o deserto se revista de vida e que na planície árida do desespero brote a flor da esperança. Aos cegos, que caminham pela vida às apalpadelas e que têm dificuldade em descobrir o rumo e o sentido para a sua existência, Deus irá oferecer a luz que lhes indica o caminho seguro para a realização e para a felicidade; aos surdos, fechados no seu egoísmo e na sua auto-suficiência, Deus irá desimpedir os ouvidos para que escutem os gritos de sofrimento dos pobres e para que se comprometam na transformação do mundo; aos coxos, que não conseguem caminhar livremente e estão presos por cadeias de opressão, de injustiça, de pecado, Deus vai oferecer a liberdade; aos mudos, cuja língua está paralisada pelo medo, pelo comodismo, pela preguiça, pela passividade, Deus vai convocá-los e enviá-los como mensageiros da justiça, do amor e da paz. É com a certeza da presença salvadora e amorosa de Deus e com a convicção de que Ele não nos deixará abandonados nas mãos das forças da morte que somos convidados a caminhar pela vida e a enfrentar a história.

• O profeta é o homem que rema contra a maré… Quando todos cruzam os braços e se afundam no desespero, o profeta é capaz de olhar para o futuro com os olhos de Deus e ver, para lá do horizonte do sol poente, um amanhã novo. Ele vai então gritar aos quatro ventos a esperança, fazer com que o desespero se transforme em alegria e que o imobilismo se transforme em luta empenhada por um mundo melhor. É este testemunho de esperança que procuramos dar?

Subsídios:
1ª leitura: 
(Is 35,4-7a) Profecia messiânica: os surdos ouvirão, os mudos falarão – Is 35 (ulterior ao resto do livro, ca. 500 a.C.) é uma profecia sobre o Reino de Deus: “Então” será a vez de Deus: fará valer sua justiça, salvando seu povo, e sua vingança, castigando os inimigos. Acontecimentos típicos desta utopia: os cegos verão, os surdos ouvirão, os aleijados saltarão, os mudos falarão, e a própria natureza transformar-se-á novamente em paraíso: imagens da renovação do povo. * 35,4 cf. Is 40,10 * 35,5-6 cf. Is 43,19-20; 48,21; Mt 11,5; 15,29-31; Mc 7,37; At 3,8.



Salmo Responsorial

Monição: O salmista exorta-nos a louvar o Senhor e a confiar nele e não nos homens, porque Ele reina eternamente. Com os mesmos sentimentos, façamos deste texto inspirado a nossa oração cheia de confiança.

SALMO RESPONSORIAL – 145/146

Bendize, ó minha alma, ao Senhor.
Bendirei ao Senhor toda a vida!

O Senhor é fiel para sempre,
faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos,
é o Senhor quem liberta os cativos.

O Senhor abre os olhos aos cegos,
o Senhor faz erguer-se o caído;
o Senhor ama aquele que é justo.
É o Senhor quem protege o estrangeiro.

Ele ampara a viúva e o órfão,
mas confunde os caminhos dos maus.
O Senhor reinará para sempre!
Ó Sião, o teu Deus reinará
para sempre e por todos os séculos!

Segunda Leitura

Monição: S. Tiago Menor, na sua carta aos cristãos, exorta-os a que se comprometam com Jesus, seguindo-O no caminho do amor, da partilha, da doação. Ensina todos os fiéis a não discriminar nem marginalizar qualquer pessoa, e a acolher com especial bondade os pequenos e os pobres.

Tiago 2,1-5

Leitura da carta de São Tiago. 2 1 Meus irmãos, na vossa fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, guardai-vos de toda consideração de pessoas. 2 Suponde que entre na vossa reunião um homem com anel de ouro e ricos trajes, e entre também um pobre com trajes gastos; 3 se atenderdes ao que está magnificamente trajado, e lhe disserdes: “Senta-te aqui, neste lugar de honra”, e disserdes ao pobre: “Fica ali de pé”, ou: “Senta-te aqui junto ao estrado dos meus pés”, 4 não é verdade que fazeis distinção entre vós, e que sois juízes de pensamentos iníquos? 5 Ouvi, meus caríssimos irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres deste mundo para que fossem ricos na fé e herdeiros do Reino prometido por Deus aos que o amam?
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Na secção de que é extraída a leitura (vv. 1-13), S. Tiago, de modo incisivo e com exemplos concretos (vv. 2-4), mostra a incompatibilidade entre a fé cristã e as discriminações e o favoritismo (cf. Mt 22, 16; 23, 8-11; Mc 10, 44-45; Jo 17, 20-21; Act 10, 34; Rm 2, 11; Gal 2, 6; 3,28; Ef 4, 3-5; 1 Pe 1, 17); a verdade é que também não pretende reprovar alguma distinção que se possa conferir a algum fiel, em razão da sua autoridade, idade, necessidade, ministério hierárquico, etc.; o que condena são as distinções ditadas por critérios mundanos (vaidade, subserviência, parcialidade, etc.); note-se que também são de reprovar os exageros ao atender legítimas distinções, pois há uma igualdade radical de todos os fiéis que a prática diária não pode desfigurar sem atraiçoar a lei do Reino, ou a régia lei como outros traduzem (no sentido de suprema), da caridade cristã.

1 «Não ligueis a fé em N.S.J.C. glorioso…»: há quem traduza: fé na glória do Senhor N. J. C., ou também fé no Senhor da glória (cf. 1 Cor 2, 8; Jo 12, 41; 17, 5; Is 42, 8; Ex 24, 16); assim teríamos uma afirmação da divindade de Jesus, mas parece preferível a tradução mais óbvia e corrente, referida à condição de Jesus glorificado, que adoptámos na tradução da Bíblia da Difusora Bíblica: «Não tenteis conciliar a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo glorioso com a acepção de pessoas».

2-5. «Pode acontecer que…» Uma forma delicada de prevenir abusos, que se davam entre os judeus, a que poderiam estar sujeitos cristãos com pouca formação; de qualquer modo, Tiago é claro e enérgico. Se condena «estabelecer distinções», não pretende reprovar alguma distinção, como acima se disse.

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A segunda leitura é uma homilia, estruturada em torno de um preceito: a fé cristã não deve admitir acepção de pessoas. Há um exemplo, uma situação descrita com riqueza de detalhes, muito fácil de ser imaginada por qualquer interlocutor daquele tempo e de nossos dias, e um questionamento sobre o que sabem sobre Deus e seu projeto salvífico.

O autor da carta de Tiago exorta seus leitores a não tratar de modo diferente e segundo os próprios critérios os irmãos, mas a agir como Deus, que não faz acepção de pessoas (cf. Dt 10,17; Rm 2,11). Aqui, a diferenciação não se dá entre judeus e pagãos, como no evangelho, mas entre pobres e ricos. Olhando para a práxis de Jesus, a comunidade é convidada a romper as fronteiras que separam os irmãos unidos pela mesma fé. O questionamento sobre Deus e sua preferência pelos pobres deste mundo (v. 5) – declarados por Jesus “bem-aventurados” (Mt 5,1-12) –, deve repercutir também na vida da comunidade reunida em seu nome.

AMBIENTE

Continuamos hoje a leitura dessa Carta de Tiago, enviada “às doze tribos que vivem na Diáspora” (Tg 1,1). A expressão indica que os destinatários da missiva são, em primeiro lugar, cristãos de origem judaica, dispersos no mundo greco-romano, sobretudo nas regiões próximas da Palestina – como a Síria, o Egipto ou a Ásia Menor; mas a carta serve também para todos os crentes, de todas as épocas, de todas as raças e de todas as latitudes. O objectivo fundamental do autor é exortar os crentes para que não percam os valores cristãos autênticos herdados do judaísmo através dos ensinamentos de Cristo.

O nosso texto pertence à segunda parte da carta (cf. Tg 2,1-26). Aí, o autor trata dois temas fundamentais: a fé concretiza-se no amor ao próximo, sem qualquer tipo de discriminação ou de acepção de pessoas (cf. Tg 2,1-13); a fé expressa-se, não através de ritos formais ou de palavras ocas, mas através de acções concretas em favor do homem (cf. Tg 2,14-26). No geral, este capítulo convida os crentes a assumir uma fé operativa, que se traduz num compromisso social e comunitário.

MENSAGEM

Jesus não fez qualquer acepção de pessoas, mas a todos acolheu e a todos amou igualmente (mesmo os pobres, os “últimos”, os marginalizados, os pecadores, os doentes). Quem aderiu a Jesus Cristo e procura, com coerência, segui-l’O, tem de assumir os mesmos valores; por isso, não pode marginalizar ninguém ou aceitar qualquer sistema que crie discriminação (vers. 1).

Depois da afirmação geral, o autor da carta apresenta exemplos concretos: a comunidade cristã não pode acolher e tratar de forma diferente o rico e o pobre, aquele que se apresenta bem vestido e aquele que se apresenta mal vestido, aquele que é conhecido e famoso e aquele que é humilde e passa despercebido (vers. 2-3). Na comunidade cristã, todos são iguais e dignos de consideração e de respeito, ainda que desempenhem funções diferentes e serviços diversos. Para os seguidores de Jesus, a acepção de pessoas por razões ligadas à riqueza, ao poder, à fama, à posição social, é um esquema perverso, absolutamente incompatível com a fé em Cristo (vers. 4).

O nosso texto termina com uma pergunta retórica que parece afirmar a preferência de Deus pelos “pobres deste mundo”, escolhidos “pare serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam” (vers. 5). Os “pobres deste mundo” são, mais do que uma categoria sociológica, uma categoria religiosa… A expressão designa, na linguagem bíblica, os humildes, os débeis, os pacíficos, aqueles que se apresentam diante de Deus numa atitude de simplicidade, despidos de qualquer atitude de orgulho, de auto-suficiência, de preconceitos; são aqueles que, com humildade e disponibilidade, aceitam os dons de Deus e acolhem as suas propostas com alegria e gratidão.

Porque é que Deus os prefere? Em primeiro lugar, porque são os que mais necessitam de ser libertados e salvos; em segundo lugar, porque são os mais disponíveis para acolher o dom do reino. Não é que o reino de Deus seja uma opção de classe e que os ricos e poderosos não possam, à partida, ter acesso ao reino; mas os ricos, os poderosos, os instalados, com o coração cheio de orgulho e de auto-suficiência, não estão disponíveis para acolher a novidade revolucionária e libertadora do reino… São os “pobres”, na sua simplicidade, humildade e despojamento, na sua ânsia de libertação, que estão preparados para acolher o dom de Deus que se torna presente em Jesus e nos seu projecto.

ACTUALIZAÇÃO

• O cristão é, antes de mais, alguém que aderiu a Jesus Cristo, que assumiu os valores que Ele veio propor e que procura concretizar, dia a dia, essa proposta de vida que Ele veio fazer. Ora, Jesus Cristo nunca discriminou nem nunca marginalizou ninguém; sentou-se à mesa com os desclassificados, acolheu os doentes, estendeu a mão aos leprosos, chamou um publicano para fazer parte do seu grupo, teve gestos de bondade e de misericórdia para com os pecadores, disse que os pobres eram os filhos queridos de Deus, amou aqueles que a sociedade religiosa do tempo considerava amaldiçoados e condenados… A comunidade cristã é hoje, no meio do mundo, o rosto de Cristo para os homens; por isso, não faz sentido qualquer acepção de pessoas na comunidade cristã. Naturalmente, isto é uma evidência que ninguém contesta… Mas, na prática, todos são acolhidos na nossa comunidade cristã com respeito e amor? Tratamos com a mesma delicadeza e com o mesmo respeito quem é rico e quem é pobre, quem tem uma posição social relevante e quem a não tem, quem tem um título universitário e quem é analfabeto, quem tem um comportamento religiosamente correcto e quem tem um estilo de vida que não se coaduna com as nossas perspectivas, quem se dá bem com o padre e quem tem uma atitude crítica diante de certas opções dos responsáveis da comunidade? Não esqueçamos: a comunidade cristã é chamada a testemunhar o amor, a bondade, a misericórdia, a tolerância de Cristo para com todos os irmãos, sem excepção.

• O problema da discriminação e da marginalização das pessoas põe-se também – e talvez com maior acuidade – nos contactos que estabelecemos fora da comunidade cristã. Encontramos todos os dias no nosso círculo de relações, no nosso universo profissional, no nosso prédio, talvez até na nossa família, pessoas com quem não nos identificamos, de quem não gostamos, a quem não entendemos… É difícil, então, acolhê-las, aceitá-las, entender as suas características e as suas falhas, tratá-las com bondade, com compreensão, com tolerância, com amor. No entanto, nós, os seguidores de Jesus, somos testemunhas dos valores do Evangelho vinte e quatro horas por dia, em qualquer espaço e em qualquer ambiente… A fraternidade, o amor, a misericórdia, a tolerância que Cristo nos propõe têm de informar cada passo da nossa existência e derramar-se sobre aqueles que encontramos em cada instante, mesmo se são de outra raça, se têm outra cultura, se frequentam ambientes diversos, se não concordam com as nossas ideias, se têm uma forma diferente de encarar a vida.

• O nosso texto revela-nos que Deus prefere os pobres, os humildes, os simples. Isto não quer dizer, contudo, que Deus tenha uma opção de classe e que privilegie uns em detrimento de outros… Deus oferece o seu amor, a sua graça e a sua vida a todos; contudo, uns acolhem os seus dons e outros não… O que é decisivo, na perspectiva de Deus, é a disponibilidade para acolher a sua proposta e os seus dons. O nosso texto convida-nos a despir-nos do orgulho, da auto-suficiência, dos preconceitos, para acolher com humildade e simplicidade os dons de Deus.

Subsídios:
2ª leitura: (Tg 2,1-5) Opção preferencial de Deus pelos pobres – Deus não conhece acepção de pessoas (cf. Rm 2,11), nem se deixa comprar, nem despreza o pobre (cf. Eclo 35,14-15[11-13]). A bondade de Deus é gratuita: por isso, cabe melhor em “mãos vazias”; quem está “cheio” (de riqueza ou de si mesmo) não a pode receber. A fé da Igreja, resposta à graça, mostra-se no fato de os pobres serem respeitados e amados, em palavras e atos. * 2,1 cf. Dt 1,17; Lv 19,15; Tg 2,9 * 2,5 cf. 1Cor 1,26-29; Tg 1,9-10; Gl 3,26-29.

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo pregava o Evangelho, a boa nova do reino, e curava seu povo doente de todos os males, sua gente! (Mt 4,23).

Evangelho

Monição: Enche-nos de alegria a certeza da fé de que Jesus vai connosco a caminho do Céu e nunca nos abandona no meio das dificuldades. Ela dá solução a todos os problemas humanos, de modo que, n’Ele e com Ele, vamos com segurança ao encontro do Pai. Aclamemos o Evangelho da Salvação que proclama para nós esta consoladora esperança.

Marcos 7,31-37

— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós. — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. — Glória a vós, Senhor! Naquele tempo, 7 31 Jesus deixou de novo as fronteiras de Tiro e foi por Sidônia ao mar da Galiléia, no meio do território da Decápole. 32 Ora, apresentaram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse a mão. 33 Jesus tomou-o à parte dentre o povo, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe a língua com saliva. 34 E levantou os olhos ao céu, deu um suspiro e disse-lhe: “Éfeta!”, que quer dizer “abre-te!” 35 No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente. 36 Proibiu-lhes que o dissessem a alguém. Mas quanto mais lhes proibia, tanto mais o publicavam. 37 E tanto mais se admiravam, dizendo: “Ele fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!”
- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

Só Marcos refere em pormenor esta cura. Jesus não se limita a um gesto corrente de impor as mãos, mas «meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua» (v. 33), o que não envolve qualquer espécie magia, mas é um gesto simbólico, como que sacramental, apto para excitar a fé e confiança do doente e pôr em evidência como a graça divina da cura passa através de sinais sensíveis. Mas o milagre não aparece como fruto dos gestos de Jesus, mas devido à eficácia da sua palavra; nisto se distingue das benzeduras dos curandeiros judeus e dos passes mágicos helenísticos.

34 «Effathá»: a força poderosa da palavra de Jesus é de tal modo impressionante que se manteve na tradição a própria expressão aramaica, mesmo depois de o Evangelho ter passado a ser pregado em grego. S. Marcos, escrevendo para não judeus, tem o cuidado de fornecer a sua tradução: «abre-te!» A ordem não é dada por Jesus aos membros afectados pela doença, mas à pessoa do doente, o que reforça o seu simbolismo; neste sentido, a mesma palavra passou ao rito do Baptismo, mantendo-se ainda no Baptismo dos adultos; no das crianças temos agora apenas a oração a pedir que os ouvidos do baptizando se abram para em breve ouvir e aceitar a palavra de Deus; nesta linha está o apelo emblemático do Papa João Paulo II: «abri as portas a Cristo!»

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Em território pagão, além de curar a filha da mulher siro-fenícia (7,24-30) e multiplicar os pães (8,1-10), a segunda deste evangelho, Jesus cura um surdo-gago. O autor do Evangelho de Marcos fala da atividade de Jesus fora da terra de Israel. Sua fama o precedera, e trouxeram-lhe um homem surdo, que falava com dificuldade, pedindo-lhe que lhe impusesse a mão (v. 32).

Jesus conduziu-o para fora da multidão, pôs os dedos em seus ouvidos e, com a saliva, tocou-lhe a língua (v. 33), gestos que anunciam e significam o reconhecimento de quem era aquele homem, da sua peculiaridade, ele não era mais um em meio à multidão. O evangelista já havia anunciado que Jesus impunha as mãos sobre os doentes (6,5), mas os gestos descritos aqui são bastante específicos. Erguendo os olhos para o céu, ele suspira (v. 34), como em oração. E diz: “Efatá!” E o homem começou a ouvir e a falar sem dificuldade (v. 35).

O homem curado em um território pagão é sinal da salvação ofertada a todos. Tendo em vista a comunidade à qual se dirige, o evangelista responde à questão da posição dos pagãos na comunidade cristã. No entanto, o surdo-gago é metáfora do ser humano fechado a Deus, incapaz de ouvir sua Palavra e de louvá-lo, de relacionar-se com ele. Na profecia de Isaías, a abertura dos ouvidos era uma promessa-sinal da chegada de Deus para salvar o seu povo. Assim, faz todo sentido o imperativo “Abre-te!”.

Jesus recomendou-lhe com insistência que não falasse a ninguém sobre a cura, o que faz parte do projeto do evangelista, com seu artifício de manter o suspense sobre a pessoa de Jesus até a ressurreição (8,31). No entanto, a ordem de segredo era impraticável. O homem fora curado de sua incapacidade de ouvir e falar. E isso revela a identidade de Jesus: aquele que cumpre o que os profetas anunciaram (cf. Is 3,5-6). A exclamação conclusiva reconhece a realização dessas promessas e, ainda, expressa a relação de Jesus com o Criador, que realiza grandes feitos pela Palavra e fez bem todas as coisas (cf. Gn 1).

AMBIENTE

Na fase final da “etapa da Galileia”, multiplicam-se as reacções negativas contra Jesus e contra o seu projecto, apesar do rasto de vida nova que Ele vai deixando pelas aldeias e cidades por onde passa. As últimas discussões com os fariseus e com doutores da Lei a propósito de questões legais e da “tradição dos antigos” (cf. Mc 7,1-23) são uma espécie de gota de água que faz Jesus abandonar o território judeu e refugiar-Se em território pagão.

É nesse contexto que Marcos fala de uma viagem pela Fenícia, que leva Jesus a passar pelos territórios de Tiro e de Sídon – cidades da faixa costeira oriental do mar Mediterrâneo, no actual Líbano (cf. Mc 7,24). No regresso dessa incursão pela Fenícia, Jesus teria dado uma longa volta pelo território pagão da Decápole (cf. Mc 7,31). A Decápole (“dez cidades”) era o nome dado ao território situado na Palestina oriental, estendendo-se desde Damasco, ao norte, até Filadélfia, ao sul. O nome servia para designar uma liga de dez cidades, que se formou depois da conquista da Palestina pelos romanos, no ano 63 a.C.. As “dez cidades” que formavam esta liga eram helenísticas e não estavam sujeitas às leis judaicas. As cidades que integravam a Decápole (bem como os territórios circundantes a cada uma dessas cidades) estavam sob a administração do legado romano da Síria. Eram território pagão, considerado pelos judeus completamente à margem dos caminhos da salvação.

É nesse ambiente geográfico e humano que o episódio da cura do surdo-mudo nos vai situar. O gesto de Jesus de curar o surdo-mudo deve ser visto como mais um passo no anúncio desse projecto que Jesus vai propondo por toda a Galileia: o projecto do Reino de Deus.

MENSAGEM

Num lugar não identificado da região da Decápole, Jesus encontrou-Se com um surdo-mudo. As pessoas que trouxeram o surdo-mudo suplicaram a Jesus “que impusesse as mãos sobre Ele” (vers. 32). Na sequência Marcos descreve, com grande abundância de pormenores (alguns bem estranhos), como Jesus curou o doente e lhe deu a possibilidade de comunicar.

Contudo, depois de ler a narração deste episódio, ficamos com a sensação de que Marcos quer muito mais do que contar uma simples cura de um surdo-mudo… A descrição de Marcos, enriquecida com um número significativo de elementos simbólicos, é uma catequese sobre a missão de Jesus e sobre o papel que Ele desenvolve no sentido de fazer nascer um Homem Novo.

Vejamos, de forma esquemática, os elementos principais dessa catequese que Marcos apresenta:

1. No centro da cena está Jesus e o surdo-mudo (literalmente, “um surdo que tinha também um problema na fala”). Se a linguagem é um meio privilegiado de comunicar, de estabelecer relação, o surdo-mudo é um homem que tem dificuldade em estabelecer laços, em partilhar, em dialogar, em comunicar. Por outro lado, num universo religioso que considera as enfermidades físicas como consequência do pecado, o surdo-mudo é, de forma notória, um “impuro”, um pecador e um maldito. Finalmente, o surdo-mudo vive no território pagão da Decápole: é provavelmente um desses pagãos que a teologia judaica considerava à margem da salvação. Na catequese de Marcos, este surdo-mudo representa todos aqueles que vivem fechados no seu mundo, na sua pobre auto-suficiência, de ouvidos fechados às propostas de Deus e de coração fechado à relação com os outros homens. Representa também aqueles que a teologia oficial considerava pecadores e malditos, incapazes de estabelecer uma relação verdadeira com Deus, de escutar a Palavra de Deus e de viver de forma coerente com os desafios de Deus. Representa ainda esses “pagãos” que os judeus desprezavam e que consideravam completamente alheados dos caminhos da salvação.

2. O encontro com Jesus transforma radicalmente a vida desse surdo-mudo. Jesus abre-lhe os ouvidos e solta-lhe a língua (vers. 35), tornando-o capaz de comunicar, de escutar, de falar, de partilhar, de entrar em comunhão. Na história deste surdo-mudo, Marcos representa a missão de Jesus, que veio para abrir os ouvidos e os corações dos homens, quer à Palavra e às propostas de Deus, quer à relação e ao diálogo com os outros homens. O episódio lembra-nos imediatamente o anúncio de Isaías na primeira leitura: “Tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-vos. Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria” (Is 35,4-6). Jesus é efectivamente o Deus que veio ao encontro dos homens, a fim de os libertar das cadeias do egoísmo, do comodismo, da auto-suficiência, dos preconceitos religiosos que impedem a relação, o diálogo, a comunhão com Deus e com os irmãos.

3. Aparentemente, não é o surdo-mudo que tem a iniciativa de se encontrar com Jesus (“trouxeram-Lhe um surdo que mal podia falar”; “suplicaram-Lhe que lhe impusesse as mãos sobre ele” – vers. 32). O surdo-mudo, instalado e acomodado a essa vida sem relação, não sente grande necessidade de abrir as janelas do seu coração para o encontro e para a comunhão com Deus e com os irmãos. É preciso que alguém o traga, que o apresente a Jesus, que o empurre para essa vida nova de amor e de comunhão. É esse o papel da comunidade cristã… Os que já descobriram Jesus, que se deixaram transformar pela sua Palavra, que aceitaram segui-l’O, devem dar testemunho dessa experiência e desafiar outros irmãos para o encontro libertador com Jesus.

4. A sós com o surdo-mudo, Jesus realiza gestos significativos: mete-lhe os dedos nos ouvidos, faz saliva e toca-lhe com ela a língua (vers. 33). Tocar com o dedo significava transmitir poder; a saliva transmitia, pensava-se, a própria força ou energia vital (equivale ao sopro de Deus que transformou o barro inerte do primeiro homem num ser dotado de vida divina – cf. Gn 2,7). Assim, Jesus transmitiu ao surdo-mudo a sua própria energia vital, dotando-o da capacidade de ser um Homem Novo, aberto à comunhão com Deus e à relação com os outros homens.

5. O gesto de Jesus de levantar os olhos ao céu (vers. 34) deve ser entendido como um gesto de invocação de Deus. Para Jesus, os grandes momentos de decisão e de testemunho são sempre antecedidos de um diálogo com o Pai. Dessa forma, torna-se evidente a ligação estreita entre Jesus e o Pai, entre a acção que Jesus cumpre no meio dos homens e os projectos do Pai. Os gestos de Jesus no sentido de dar vida ao homem, de o libertar do seu fechamento e da sua auto-suficiência, de o abrir à relação, são gestos que têm o aval do Pai e que se inserem no projecto salvador do Pai.

6. De acordo com Marcos, Jesus teria pronunciado a palavra “effathá” (“abre-te”), quando abriu os ouvidos e desatou a língua do surdo-mudo. Não se trata de uma fórmula mágica, com especiais virtudes curativas… É um convite ao homem fechado no seu mundo pessoal a abrir o coração à vida nova da relação com Deus e com os irmãos. É um convite ao surdo-mudo a sair do seu fechamento, do seu comodismo, do seu egoísmo, da sua instalação, para fazer da sua vida uma história de comunhão com Deus e de partilha com os irmãos. O processo de transformação do surdo-mudo em Homem Novo não é um processo em que só Jesus age e onde o homem assume uma atitude de passividade; mas é um processo que exige o compromisso activo e livre do homem. Jesus faz as propostas, lança desafios, oferece o seu Espírito que transforma e renova o coração do homem; mas o homem tem de acolher a proposta, optar por Jesus e abrir o coração aos desafios de Deus.

7. No final do relato da cura do surdo-mudo, as testemunhas do acontecimento dizem a propósito de Jesus: “tudo o que Ele faz é admirável” (vers. 37). A expressão parece ser um eco de Gn 1,31 (“Deus, vendo a sua obra, considerou-a muito boa”). Ao enlaçar este relato com o relato da criação do homem, Marcos está a dar-nos a chave de leitura para entender a obra de Jesus: a acção de Jesus no sentido de abrir o coração dos homens à comunhão com Deus e ao amor dos irmãos é uma nova criação. Dessa acção nasce um Homem Novo, uma nova humanidade. Esse Homem Novo é a “admirável” criação de Deus, o homem na plenitude das suas potencialidades, criado para a vida eterna e verdadeira.

ACTUALIZAÇÃO

• O Evangelho deste domingo garante-nos, uma vez mais, que o Deus em quem acreditamos é um Deus comprometido connosco, continuamente apostado em renovar o homem, em transformá-lo, em recriá-lo, em fazê-lo chegar à vida plena do Homem Novo. Este Deus que abre os ouvidos dos surdos e solta a língua dos mudos é um Deus cheio de amor, que não abandona os homens à sua sorte nem os deixa adormecer em esquemas de comodismo e de instalação; mas, a cada instante, vem ao seu encontro, desafia-os a ir mais além, convida-os a atingir a plenitude das suas possibilidades e das suas potencialidades. Não esqueçamos esta realidade: na nossa viagem pela vida, não caminhamos sozinhos, arrastando sem objectivo a nossa pequenez, a nossa miséria, a nossa debilidade; mas ao longo de todo o nosso percurso pela história, o nosso Deus vai ao nosso lado, apontando-nos, com amor, os caminhos que nos conduzem à felicidade e à vida verdadeira.

• O surdo-mudo, incapaz de escutar a Palavra de Deus, representa esses homens que vivem fechados aos projectos e aos desafios de Deus, ocupados em construir a sua vida de acordo com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, que não precisam de Deus nem das suas propostas. O homem do nosso tempo já nem gasta tempo a negar Deus; limita-se a ignorá-l’O, surdo aos seus desafios e às suas indicações. O que é que as propostas de Deus significam para mim? Dou ouvidos aos apelos e desafios de Deus, ou aos valores e propostas que o mundo me apresenta? Quando tenho que fazer opções, o que é que conta: as propostas de Deus ou as propostas do mundo?

• O surdo-mudo representa também aqueles que não se preocupam em comunicar, em partilhar a vida, em dialogar, em deixar-se interpelar pelos outros… Define a atitude de quem não precisa dos irmãos para nada, de quem vive instalado nas suas certezas e nos seus preconceitos, convencido de que é dono absoluto da verdade. Define a atitude daquele que não tem tempo nem disponibilidade para o irmão; define a atitude de quem não é tolerante, de quem não consegue compreender os erros e as falhas dos outros e não sabe perdoar. Uma vida de “surdez” é uma vida vazia, estéril, triste, egoísta, fechada, sem amor. Não é nesse caminho que encontramos a nossa realização e a nossa felicidade…

• O surdo-mudo representa ainda aqueles que se fecham no egoísmo e no comodismo, indiferentes aos apelos do mundo e dos irmãos. Somos surdos quando escutamos os gritos dos injustiçados e lavamos as nossas mãos; somos surdos quando toleramos estruturas que geram injustiça, miséria, sofrimento e morte; somos surdos quando pactuamos com valores que tornam o homem mais escravo e mais dependente; somos surdos quando encolhemos os ombros, indiferentes, face à guerra, à fome, à injustiça, à doença, ao analfabetismo; somos surdos quando temos vergonha de testemunhar os valores em que acreditamos; somos surdos quando nos demitimos das nossas responsabilidades e deixamos que sejam os outros a comprometer-se e a arriscar; somos surdos quando calamos a nossa revolta por medo, cobardia ou calculismo; somos surdos quando nos resignamos a vegetar no nosso sofá cómodo, sem nos empenharmos na construção de um mundo novo… Uma vida comodamente instalada nesta “surdez” descomprometida é uma vida que vale a pena ser vivida?

• A missão de Cristo consistiu precisamente em abrir os olhos aos cegos e desatar a língua dos mudos… Ele veio abrir-nos à relação com Deus, ao amor dos irmãos, ao compromisso com o mundo. Quem adere a Cristo e quer segui-l’O no caminho do amor a Deus e da entrega aos irmãos, não pode resignar-se a viver fechado a Deus e ao mundo. O encontro com Cristo tira-nos da mediocridade e desperta-nos para o compromisso, para o empenho, para o testemunho. Leva-nos a sair do nosso isolamento e a estabelecer laços familiares com Deus e com todos os nossos irmãos, sem excepção.

• O surdo-mudo da nossa história foi trazido e apresentado a Jesus por outras pessoas. O pormenor lembra-nos o nosso papel no sentido de fazer a ponte entre os irmãos que vivem prisioneiros da “surdez” e a proposta libertadora de Jesus Cristo. Não podemos ficar de braços cruzados quando algum dos nossos irmãos se instala em esquemas de fechamento, de egoísmo, de auto-suficiência; mas, com o nosso testemunho de vida, temos de lhe apresentar essa proposta libertadora que Cristo quer oferecer a todos os homens.

• Antes de curar o surdo-mudo, Jesus “ergueu os olhos ao céu”. O gesto de Jesus recorda-nos que é preciso manter sempre, no meio da acção, a referência a Deus. É necessário dialogarmos continuamente com Deus para descobrir os seus projectos, para perceber as suas propostas, para ser fiel aos seus planos; é preciso tomar continuamente consciência de que é Deus que age no mundo através dos nossos gestos; é preciso que toda a nossa acção encontre em Deus a sua razão última: se isso não acontecer, rapidamente a nossa acção perde todo o sentido.

Subsídios:
Evangelho: (Mc 7,31-37) “Ele faz tudo bem: Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem” ­– A restauração da integridade física é um sinal do poder criador e salvador de Deus (p. ex., abrir a boca dos mudos: Sb 10,21). O que Deus quis no início da criação, será restaurado no fim (cf. Is 35, 1ª leitura). A integridade do ser humano, conforme o plano da criação, comporta ouvir e falar, pois a comunhão entre Deus e o homem implica que este possa ouvir e entender a palavra de Deus (cf. Mc 7,14) e responder-lhe por sua proclamação de fé. A ausência do ouvido e da fala simboliza a incapacidade da apreensão do mistério de Deus em Jesus Cristo. Mas Jesus traz a cura dessa incomunicabilidade, como também da dos homens entre si. *Mt 15,29-31 * 7,32 cf. Mc 5,23; 8,23.25; 1Tm 4,14 * 7,36 cf. Mc 1,44-45; 5,43 * 7,37 cf. Is 35,5-6.

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Com sua apresentação do “humanismo” de Jesus, Mc não quer apenas mostrar que Jesus era um grande filantropo, mas que nesta atitude consiste o cumprimento do plano de Deus, aquilo que tradicionalmente se chama a “paz”, o dom de Deus trazido presente por seu Ungido, o Messias. O evangelho de hoje mostra isso claramente. Chegamos quase ao fim da primeira metade do evangelho de Mc, em que ele mostrou que em Jesus há um “quê” de messiânico. Na segunda parte, ele mostrará o que exatamente é messiânico em Jesus e como deve ser entendido. O evangelho de hoje deve preparar a exclamação de Pedro que inaugura a segunda metade de Mc: “Tu és o Messias”.

Unindo em uma só pessoa dois defeitos, a surdez e a mudez, Mc lembra imediatamente o texto de Is 35, lido na 1ª leitura, onde a cura de surdos e de mudos faz parte do tempo messiânico. E, para reforçar a nota, o povo exclama: “Ele fez tudo bem feito”, vislumbrando a obra messiânica de restauração do paraíso (cf. também Is 35). Lembra como Deus “fez tudo bem” no início (Gn 1,131 etc.).

Porém, a intenção de Mc vai mais fundo. Para reconhecer que Jesus é o Messias é preciso que o homem esteja aberto. Ora, nem mesmo os discípulos eram fáceis de “abrir” (8,14-21!). Jesus não apenas “faz as coisas bem feitas”, ele abre também o coração para ver o Reino de Deus, que está aí, onde se faz a sua vontade e se revela seu amor. Por isso, Mc insiste quase exageradamente no gesto material com que Jesus faz seu “trabalho”: impor as mãos, aplicar saliva, elevar os olhos, gemer, dizer effatá, “abre-te”... Não é fácil abrir o homem para o mistério de Deus.

Ora, se acreditamos que com Jesus chegou o Reino de Deus, não dá mais para voltar para trás. O que ele fez tão bem feito, nós o devemos continuar fazendo. É hoje o momento para prestar um pouco mais de atenção à Carta de Tiago, cuja leitura foi iniciada no domingo passado. Ensina o que é o Reino de Deus na prática da Igreja; fazer como Deus: tudo bem feito. Para Deus não há acepção de pessoas (2ª leitura). Então, para a Igreja também não. O rico não tem nenhuma precedência sobre o pobre. Mais ainda. Para mostrar seu amor, Deus escolhe quem mais precisa: os pobres. Para provar que não rejeitamos ninguém, devemos dar a preferência àqueles que normalmente são rejeitados. Quem quer provar seu amor por todos deve começar pelos últimos. É por isso que, no Reino de Deus, os últimos serão os primeiros. Claro, isso não se deve fazer “para ser visto”, transformando o pobre em ocasião de ostentação caritativa. Deve ser a expansão espontânea do amor, como uma mãe espontaneamente consagra atenção maior à criança que mais precisa. A própria Igreja surgiu, graças a este princípio. Não foi a Igreja constituída pelos que o judaísmo rejeitou, os “ignorantes”, e pelos que o paganismo desconsiderou: os escravos, os migrantes, os que não “contavam” para a sociedade pagã? No próprio evangelho, os sofridos e carentes de todo o tipo tornam-se os destinatários dos sinais do Reino e seus melhores propagandistas.

Não que Deus seja contra os ricos. Ele mesmo criou a riqueza para o bom uso. Mas é quanto a esse bom uso que surge divergência entre Deus e o rico, que acha que Deus fez tudo isso só para ele... Para poder repartir, a gente sempre deve receber de Deus. Aí está o problema do rico. Se está cheio de si mesmo, não é mais capaz de receber e aprender de Deus o que é graça e gratuidade; perde também a capacidade de abrir sua mão e seu coração. Por isso, quem é grande e poderoso deve admitir que é pobre e criança, frágil e carente. Então, Deus poderá consagrar sua atenção também a ele. Então, entenderá também que deve contribuir para mudar o mundo, para que encarne melhor a bondade de Deus que ele mesmo experimentou.

JESUS FAZ TUDO BEM FEITO

No domingo passado, vimos Jesus criticando as tradições humanas que desviam a gente da verdadeira vontade de Deus, o bem de seus filhos e filhas. Agora, o evangelho mostra o exemplo do próprio Jesus. Depois de ter dado à mulher pagã as “migalhas” do pão dos filhos, Jesus cura, na mesma região pagã (a Decápole), um surdo-mudo, e o povo se põe a clamar: “Tudo ele tem feito bem!” Com isso Jesus realiza o que o profeta Isaías sonhou para o tempo do Messias: os olhos dos cegos vão se abrir, abrem-se também os ouvidos dos surdos, os aleijados vão pular feito cabritos e a língua dos mudos entoará um cântico (1ª leitura). Convém lembrar aqui que os cegos e os coxos eram excluídos do templo... A vinda do Messias transforma os excluídos – pagãos, coxos, cegos, aidéticos, favelados, presos – em filhos do Reino. Conforme SantoIrineu, a glória de Deus é que o ser humano tenha vida – e a vida do ser humano é contemplar Deus... Trata-se de uma certeza fundamental de nossa fé: Deus deseja que todos e todas tenham vida. A religião é para o bem da humanidade.

Com certeza, todo mundo se declara de acordo com isso. Mas, muitas vezes, a religião é usada para dominar as pessoas, para que fiquem quietas e não protestem contra a exploração pelos poderosos (que querem até passar por bons cristãos)... Será isso promover a vida do ser humano? Dizem que os que sofrem serão recompensados na eternidade. Mas isso não justifica que se faça sofrer aqui na terra! Também a vida neste mundo pertence a Deus: é o aperitivo da vida eterna.

O Deus da Bíblia quer o bem das pessoas desde já. Pode existir doença, sofrimento, mas não é a última palavra. Somos chamados a participar com Deus no aperfeiçoamento da criação. Por isso o povo saúda a chegada do Messias exclamando: “Tudo ele tem feito bem”.

Deus não pode servir para legitimar nenhuma opressão. A verdadeira religião liberta o ser humano do mal, também do mal político e econômico. Religião que pactua com a opressão não é a de Jesus. O cristianismo deve servir para o bem do ser humano: o bem de todos e do homem todo.

A religião serve para o bem de todos, eliminando exploração e discriminação (2ª leitura). Para dar chances a uma ordem melhor, provoca até revoluções, se as estruturas vigentes produzem desigualdade e injustiça. Pois a justiça é a exigência mínima do amor.

A religião serve para o bem do homem todo, para aquelas dimensões que facilmente são esquecidas: a integridade da vida (contra a tortura, a irresponsabilidade com a vida nova etc.); a integridade do verdadeiro amor (contra a exploração erótica, o amor descartável etc.), o crescimento espiritual (contra o imediatismo, o materialismo etc.), o sentido último da vida (contra a mecanização e encobrimento da morte)...

Para que o povo excluído possa exclamar “Tudo ele tem feito bem”, muito ainda deve mudar na maneira de vivermos o ensinamento e o exemplo de Jesus!

(Parte do Roteiro Homilético foi elaborada pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

III. PISTAS PARA REFLEXÃO:

“Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar” (v. 37). Essa era a declaração dos que testemunharam a cura do surdo-gago. A vida de Jesus suscita admiração, chama a atenção pelo modo como age e se relaciona com o Pai e com as pessoas.

Sua relação com o Pai era marcada pela confiança, pela oração, pela obediência e pela liberdade. Sua relação com as pessoas fundamentava-se na lucidez sobre sua missão e na consciência de que cada ser humano é chamado a ser filho de Deus – uma dignidade inalienável, a mesma que Jesus assumiu e experimentou em toda a sua vida. Ele anunciava a chegada do Reino de Deus, categoria usada para pensar e exprimir o desejo, o querer de Deus desde a criação, e realizava milagres, manifestação plena da proximidade desse Reino. Deus vem para a humanidade!

O cristão, discípulo de Jesus, também é chamado a viver essa relação com o Pai e com os irmãos. No evangelho, acompanhamos Jesus em sua caminhada fora do território de Israel, realizando sua missão de proclamar a chegada do Reino também entre os pagãos. A cura do surdo-gago é sinal de que, em sua vida, Jesus comunicou a novidade divina, revelando o Deus interessado no ser humano e o humano aberto a Deus e aos outros. O homem que outrora era surdo e gago é imagem do discípulo, cuja vida, após o encontro com Cristo, é anúncio e sinal da salvação realizada por Deus.

O encontro com o Senhor deve reorientar nossa vida e nossos valores. Cabe avaliarmos se tal experiência é capaz de modificar nossa vida a ponto de sermos contagiados por tamanha entrega, fé e confiança no Pai, mas também pelo amor, comprometimento, doação e serviço aos nossos irmãos.


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Sugestões para a homilia

ATENÇÃO: Na página do Evangelho do Dia aqui no NPDBRASIL, no final de cada Liturgia Diária você encontra mais 3 sugestões de Homilias Diárias. Veja também o Comentário Exegético e mais sugestões de Homilias no índice das Liturgias Dominicais na página Homilias e Sermões.

Sugestões para a homilia

1. Deus, nossa paz e salvação

Isaías, o primeiro dos chamados profetas maiores, acompanha a primeira leva de Judeus que vão desterrados para a Babilónia. Nesta situação humilhante e sem esperança, ameaça-os a tentação do desespero. O Senhor envia-lhes o Seu profeta – como a cada um de nós aos homens de hoje – para os levantar desta prostração.

a) Deus nunca nos falta. «Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais.»

Estamos habituados a que os homens falhem nas suas promessas, e transferimos esta experiência amarga para Deus. E assim, ao mínimo contratempo, entramos em dúvidas de fé e de esperança. É verdade que, muitas vezes, Deus não nos faz a vontade, não nos acompanha nos nossos sonhos de loucura, porque tem algo infinitamente mais valioso para nos dar.

Há, de facto, no mundo uma organização do mal que tem um chefe, um mentor, na luta contra Deus e na tentativa para destruir o amor e o bem no coração dos homens, pela violência, a imoralidade e o medo. Manifesta-se com leis iníquas, grupos de malfeitores e colaboração dos homens pela cedência à degradação.

A última palavra, contudo, pertence a Deus. O Salmo II, lembrando a omnipotência e a bondade infinita do Senhor do universo, e depois de chamar projectos vãos, sem futuro aos planos de alguns para destruir a humanidade que a Igreja tenta edificar, diz: «Aquele que habita nos céus ri-se deles e escarnece (dos seus planos).»

b) N’Ele pomos a nossa esperança. «Aí está o vosso Deus; vem para fazer justiça e dar a recompensa; Ele próprio vem salvar-nos».

Sem que os israelitas se apercebessem, o Senhor preparava o seu regresso à Terra Prometida, no momento oportuno. Regressariam, porém, já convertidos dos seus desmandos anteriores, não para a grandeza de um reino temporal, fora do qual ficariam todos os outros povos – era este o seu sonho – mas para um reino que Deus viria fundar com as fronteiras do mundo e para os povos de todas as nações e tempos, Seria um reino espiritual, de salvação, que começasse na terra a comunhão que nos espera no Céu.

Sofremos, muitas vezes, porque teimamos em querer e exigir que Deus aprove os nossos planos caducos e colabore incondicionalmente neles. Quando as coisas nos desagradam, a primeira pergunta que havemos de fazer é: qual a mensagem que o Senhor me transmite, por meio dos acontecimentos? Em que devo mudar a minha mentalidade e a minha conduta? Todos os acontecimentos são portadores de um apelo de Deus a que nos convertamos, porque Ele sabe que este é o nosso caminho único de felicidade.

c) Dá sempre resposta às nossas carências. «Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria.»

Nas promessas do profeta Isaías ao povo de Deus parece intuir-se uma indicação discreta dos aspectos da vida em que precisamos urgentemente de melhorar:

– Então se abrirão os olhos dos cegos. Temos necessidade de crescer na fé…e não o conseguiremos enquanto não melhorarmos a nossa formação doutrinal, para dar resposta aos problemas fundamentais do homem. Por outro lado, quando a fé não é levada à prática da vida, quando não há coerência entre o que acreditamos e fazemos, a fé debilita-se e morre. È como se os olhos se fechassem.

– e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Precisamos de estar mais atentos ao que o Senhor nos diz pela Sua Igreja e viver a docilidade às Suas inspirações.

– Então o coxo saltará como um veado. Como está o nosso progresso na vida espiritual? Não é verdade que nos agarramos teimosamente a uma vida rotineira, resistindo ao que o Senhor nos inspira?

– e a língua do mudo cantará de alegria. A pouco e pouco, emudecemos nas nossas orações e outras práticas de piedade. Entramos no plano inclinado da rotina, fazendo as coisas de Deus sem alma, e acabamos no abandono cobarde das nossas promessas do Baptismo.

É tempo de regressar, para que o Senhor possa corresponder ás nossas carências. Deste modo, águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra árida em nascentes de água.

2. Jesus, rosto da bondade do Pai

Na Sua vida pública, Jesus passa distribuindo às mãos cheias os milagres. Eles manifestam o poder, a bondade e a solicitude de Deus por nós.

a) Deus vem ao nosso encontro. «Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole.»

Jesus Cristo apresenta-Se no mundo como o rosto visível do Pai. Na última Ceia responde a um dos Doze: «Filipe: Há tanto tempo que estás comigo e não me conheces? Quem me vê, vê o Pai.» Onde verdadeiramente se realiza a profecia de Isaías é na vinda de Jesus, no mistério da Incarnação. «Ele próprio vem salvar-nos». Ele quer estar presente e actuante na Igreja até ao fim dos tempos. Nela Se torna acessível a todos. Os milagres que faz na vida pública são uma alusão velada aos Sacramentos:

– a ressurreição dos mortos, pelos Sacramentos do baptismo e da Reconciliação e Penitência;
– a multiplicação dos pães e dos peixes, na Eucaristia;
– à cura dos cegos, leprosos, paralíticos, etc., respondem os Sacramentos da Igreja onde encontramos remédio para os nossos males.

Ao mesmo tempo que lança à terra dos corações a semente abundante da Boa Nova, Jesus realiza com gestos proféticos a riqueza dos Sacramentos – fontes da Graça – que nos vai oferecer na Sua Igreja.

b) Nós caminhamos ao encontro de Jesus. «Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele.»

As pessoas trazem a Jesus um surdo-mudo para que lhe restitua as condições de normalidade de vida. Ele quer deixar uma parte da Redenção para nós, associando-nos à alegria de espalhar o bem. Muitos caminharão ao encontro de Jesus pelo seu próprio pé, inspirados pelo Espírito Santo. Mas, na economia normal da redenção, tem de ser cada um de nós a levar alguém ao encontro d’Ele, para que o cure.

É-nos pedido um pouco de esforço humano, para que tenhamos algum merecimento em nosso caminhar para Ele. Ouvir e ler a palavra de Deus, abeirar-se dos Sacramentos, participar na vida litúrgica são outros tantos modos de ir ao encontro de Jesus, para que nos conceda as Suas graças. Não podemos, contudo, pensar apenas em nós. Temos de começar na terra a vida em comunhão que será o nosso prémio no Céu, para sempre, ajudando os outros a caminhar ao encontro do Senhor.

Fazemo-lo pelo testemunho de vida que lança interrogações nas pessoas; pela amizade sincera que se traduz numa palavra amiga que ajuda alguém a tomar norte e alento na vida.

c) Deus tudo faz bem feito. «Cheios de assombro, diziam: ‘Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem‘.»

Somos tentados algumas vezes, perante os acontecimentos que nos ultrapassam, a pensar que as coisas não têm lógica. É necessário ter presente que Deus sabe infinitamente mais do que nós e conhece aquilo de que precisamos. Pelos caminhos mais desconhecidos leva-nos ao encontro das Suas maravilhas. Foi assim com a Sua Paixão, Morte e Ressurreição. O que pareceu uma derrota avassaladora na Sua missão transformou-se numa vitória retumbante e para sempre.

Celebramos todos os dias e, com especial solenidade aos Domingos, a Santa Missa, mistério de fé, para que tenhamos presente esta sabedoria infinita de Deus. Ela é um convite permanente a que nos entreguemos ao Senhor, confiando inteiramente n’Ele.

Nossa Senhora dá-nos o exemplo deste abandono nas mãos de Deus, pela sua entrega filial, embora o que Deus lhe pede seja um mistério profundo que só no decorrer dos tempos vai desvendar.


ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 23º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. BILHETE DE EVANGELHO.
Marcos é um verdadeiro encenador. Ele faz a decoração em pleno território de Decápole, habitado pelos pagãos. Coloca em primeiro plano da cena duas personagens: Jesus e o surdo-mudo, enquanto a multidão fica em segundo plano. O actor principal, Jesus, só pronuncia uma palavra: “Effata!” (Abre-te) e faz três gestos: mete o dedo nos ouvidos do doente, toca-lhe a língua com a sua própria saliva e levanta os olhos para o céu. A segunda personagem deixa-se levar, pois põe-se a falar correctamente. Jesus vira-se para a multidão, pedindo-lhe para não dizer nada do que se tinha passado. A cena termina com um coro unânime: “Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem”. E nós, onde nos vamos situar? Nós somos este surdo-mudo doente, recusando por vezes escutar a Palavra de Deus e não ousando anunciá-la. Então, Jesus dirige-Se a nós, faz-nos sinal, pede-nos para nos abrirmos nós mesmos, como tinha pedido ao paralítico para se levantar. Cada Eucaristia é uma passagem de Cristo ressuscitado: deixemo-nos tocar por Ele para nos abrirmos…

3. À ESCUTA DA PALAVRA.
“Effata!” “Abre-te!” Esta palavra tão simples é na realidade muito perigosa. Como diz o dicionário, abrir é fazer com que o que está fechado não o fique mais. Óbvio, mas cheio de consequências! Os Judeus de Jerusalém tinham consciência de serem o Povo eleito por Deus, posto aparte pelos outros povos. Nem pensar misturar-se aos outros povos, aos pagãos, aos estrangeiros! E eis que Jesus faz o contrário. Sai das fronteiras de Israel, vai junto dos pagãos, fazendo mesmo milagres em seu favor. É o mundo ao contrário! Ele não teme mesmo ter contacto físico com este surdo-mudo, impuro aos olhos dos Judeus fiéis. Antes de abrir os ouvidos do infeliz, é Jesus que Se abre aos estrangeiros, tornando-Se um impuro aos olhos dos Judeus. Evidentemente, é muito arriscado, ainda hoje, abrir a sua porta, mas primeiro o seu coração aos estrangeiros. Porque é preciso olhá-los ultrapassando os preconceitos, aceitando outras maneiras de pensar e de viver. Aquele que segue Jesus não pode esquivar-se à interrogação: E eu, onde estou quanto à minha abertura de coração? Jesus quer sempre vir até mim, tocar os meus ouvidos para que eu ouça melhor o grito dos meus irmãos em angústia, tocar os meus olhos para que procure encontrar o olhar de Deus sobre os outros. A um visitante que lhe perguntava para que servia um concílio, João XXIII respondeu: “ o concílio é a janela aberta. Ou ainda, é tirar a poeira e varrer a casa, e pôr flores e abrir a porta dizendo a todos: Vinde e vede, aqui é a casa do bom Deus!” Na manhã de Páscoa, já houve uma abertura, quando a pedra que fechava o túmulo de Jesus foi retirada. E antes ainda, tinha havido já uma abertura, quando o soldado romano tinha aberto o lado de Jesus com um golpe de lança. Estas duas aberturas nunca foram fechadas. Participando em cada Eucaristia, vimos beber a água e o sangue que brotam para que o grito de Jesus seja eficaz também em nós: “Effata!” “Abre-te!”

4. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Um tempo de meditação… Para nos impregnarmos daquilo que o Senhor deseja para nós, tomemos o tempo para rezar e meditar estas simples palavras de Cristo: “Abre-te”. O Salmo 145 pode ajudar-nos. Por este tempo de meditação, ou com a ajuda de um acompanhador espiritual, procuremos descobrir o que impede ainda em nós a verdadeira libertação oferecida pelo Senhor.

LITURGIA EUCARÍSTICA

INTRODUÇÃO
O Senhor inundou-nos de luz com a Sua Palavra solenemente proclamada e explicada, para que possamos caminhar ao Seu encontro com toda a segurança. Propõe-se agora preparar para nós um Alimento divino – o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade – para que tenhamos forças para caminhar até ao Céu. Avivemos a nossa fé e contemplemos, agradecidos, as maravilhas que vão acontecer sobre o altar, pelo ministério do sacerdote.

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Senhor nosso Deus, fonte da verdadeira devoção e da paz, fazei que esta oblação Vos glorifique dignamente e que a nossa participação nos sagrados mistérios reforce os laços da nossa unidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SANTO

SAUDAÇÃO DA PAZ
Cada um de nós será feliz na terra na medida em que se libertar o seu egoísmo para caminhar ao encontro dos outros. O Senhor pede-nos continuamente que derrubemos os juros de orgulho e ambição que nos separam uns dos outros, perdoando-nos mutuamente as ofensas recebidas. Revestidos destes sentimentos,Saudai-vos na paz de Cristo!

Monição da Comunhão
Os contemporâneos de Jesus testemunharam muitos milagres, mas só um grupo restrito – os Apóstolos e outras pessoas que estavam no Cenáculo – puderam comungar. Somos os privilegiados do Amor de Deus, porque Ele nos convida a recebê-l’O na Santíssima Eucaristia. Procuremos, em nossa pequenez e indigência, corresponder a tanto Amor com fé, humildade e devoção.

Salmo 41, 2-3
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Como suspira o veado pela corrente das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor. A minha alma tem sede do Deus vivo.

ou Jo 8, 12
Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Senhor, que nos alimentais e fortaleceis à mesa da palavra e do pão da vida, fazei que recebamos de tal modo estes dons do vosso Filho que mereçamos participar da sua vida imortal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final: Procuremos seguir Jesus Cristo Salvador pelos caminhos da vida, e não nos afastaremos do rumo que procuramos. Ajudemos os nossos irmãos a procurá-l’O em cada dia, na Palavra, na Oração e na Eucaristia.


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HOMILIAS FERIAIS

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TEMPO COMUM

23ª SEMANA

2ª Feira,10-IX: O sofrimento e a salvação do mundo.

Col 1, 24-2, 3 / Lc 6, 6-11
Alegro-me de sofrer por vós, e completo em mim o que falta às tribulações de Cristo, em benefício do seu corpo, que é a Igreja.

A obra da Redenção continua a realizar-se com a participação de cada um de nós. Ofereçamos os nossos sacrifícios para benefício dos outros (cf Leit). «O sofrimento, penetrado pelo espírito de sacrifício de Cristo, é o mediador insubstituível e autor dos bens indispensáveis para a salvação do mundo. O sofrimento é o que abre o caminho à graça que transforma as almas. O sofrimento torna presente na história da humanidade a força da Redenção» (Salvifici doloris, 27).

Celebração e Homilia: FERNANDO SILVA
Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO
Homilia Ferial: NUNO ROMÃO
Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – http://www.dehonianos.org/portal/


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QUE DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Oh! meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente
as que mais precisarem!

Graças e louvores se dê a todo momento:
ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

Mensagem:
"O Senhor é meu pastor, nada me faltará!"
"O bem mais precioso que temos é o dia de hoje!    Este é o dia que nos fez o Senhor Deus!  Regozijemo-nos e alegremo-nos nele!".

( Salmos )

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